A Polícia Federal e o Ministério Público se juntaram mais uma vez para apurar corrupção em prefeituras mineiras. Dessa vez, batizaram a operação, muito apropriadamente, de Violência Invisível. Porque a ação dos que assaltam os cofres públicos nunca ocorre às claras, mas de forma a mais oculta possível, e sem dúvida é uma violência contra a população que paga impostos e não recebe de volta benefícios, porque os recursos são desviados.

O que se espera é que o Judiciário também se junte a esse esforço, para não frustrar mais uma vez os que reclamam justiça neste país. Seria no mínimo pedagógico que nenhum Tribunal atropelasse a ordem de prisão temporária de prefeitos e de outras pessoas, decretada pela juíza Arlete da Silva Coura, de Pirapora. Inclusive a prisão do ex-procurador da prefeitura de Montes Claros que chegou a ser indicado pela OAB-MG para ocupar vaga no Tribunal de Justiça, ficou em primeiro lugar na lista tríplice enviada pelo TJMG ao governador Antonio Anastasia, mas foi preterido na nomeação.

Muitos se lembram da Operação Pasárgada, de abril de 2008. Cerca de 500 policiais federais cumpriram em Minas, Bahia e no Distrito Federal meia centena de mandados de prisões, incluindo 17 prefeitos e um juiz federal. Dois dias depois, o Tribunal Regional Federal, em Brasília, mandou soltar todos, porque o corregedor que determinara a prisão de um juiz federal não teria competência para isso. A PF, que havia feito apurações durante oito meses, dizia que os membros dessa quadrilha desviaram R$ 200 milhões do Fundo de Participação dos Municípios.

Agora a suspeita é de prejuízos de mais de R$ 100 milhões aos cofres públicos de dez cidades mineiras com negócios fraudulentos de compra de títulos da dívida pública federal para pagar débitos das prefeituras. Até o Consórcio Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência do Norte de Minas estaria envolvido na trama.

Com milhares de pessoas se manifestando nas ruas para exigir, fica mais difícil para os culpados escaparem. A menos que, como tantas vezes no passado, se façam mudanças para que tudo continue igual. O caso revelado ontem por jornal paulista, é mau sinal: o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, do PMDB, requisitou, em plena efervescência dos protestos, avião da FAB para buscar sua noiva, parentes dela, enteados e um filho, para que pudessem assistir, domingo, ao jogo da Seleção Brasileira no Maracanã.