A pré-candidata do presidente Lula, Dilma Rousseff, deitou e rolou, ontem, em Minas, com o perdão da expressão. Principal estrela da companhia de Lula em visita a Minas Gerais, onde nasceu, Dilma brilhou em Juiz de Fora, Araçuaí e Jenipapo de Minas, estas duas no paupérrimo Jequitinhonha, marcando o tom da campanha com críticas à oposição e elogios ao governador Aécio Neves, que, como avisado, não compareceu a nenhuma das cerimônias. Lula, por sua vez, não passou recibo na ausência de Aécio. Disse que recebera uma carta com explicações e mandou ver, desejando ao governador mineiro sucesso no restante do mandato.
Dilma, de fato, estava à vontade. Sobretudo no Vale do Jequitinhonha. Elogiou Aécio, detentor de quase 80% de popularidade no Estado, no que mostrou jogo de cintura; bateu duro na oposição ao dizer que o senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB, prometeu que o partido acabará com o PAC se eleger José Serra; e, sem perder o embalo, se emocionou ao dizer que nasceu em Belo Horizonte, foi criada em Belo Horizonte, estudou em Belo Horizonte e teve que mudar para Porto Alegre por perseguição política do regime militar, que a caçava por todos os cantos em Minas.
Se alguém tinha dúvida de que a ministra teria ou não assumido a condição de candidata, errou. Dilma, ontem, era a candidata em pessoa, inteira. Lula, do lado, gostava e até sorria quando via a pupila com ar de guerreira atacando a oposição e defendendo a continuidade do PAC. O sol estava de rachar, como se diz no Norte de Minas, quando Dilma, em Jenipapo de Minas, não titubeou quando os prefeitos lhe pediram uma estrada de ligação com a Bahia. Na hora, ligou para o Dnit e, lá mesmo, de pronto, prometeu a obra, incluindo-a no PAC 2, que vem por aí para turbinar ainda mais a escolhida de Lula.
Foi uma caravana típica de campanha eleitoral, daí a ausência de Aécio na recepção ao presidente Lula em visita ao Estado. Ficou claro, pelo menos no que foi apresentado ontem, que Dilma atacará duramente a oposição, inclusive usando a infelicidade do senador Sérgio Guerra de falar que Serra acabará com o PAC - como em 2006 Alckmin disse que acabaria com o Bolsa Família. Irá, também, falar das realizações do governo Lula, possivelmente comparando-as com as dos governos tucanos, e poupará o governador Aécio Neves quando estiver em Minas Gerais. No que faz bem e repete a oposição que, em 2006, diante da popularidade de Lula, fez com que seus candidatos poupassem o presidente, sobretudo no Nordeste, para evitar a fuga de votos. Aqui em Minas, em 2002, na disputa Lula versus Serra, milhares de eleitores de Aécio votaram em Lula, criando no Estado o que ficou conhecido por voto Lulécio - ou eram eleitores de Lula votando também em Aécio.
Não deixa de chamar a atenção também a mudança de tom no discurso da ministra. Antes técnica, usando expressões de pouca compreensão popular, falando como se lesse um relatório, Dilma passou, agora, a mexer com a emoção das pessoas. Não apenas nas críticas à oposição, no afago ao governador, mas, sobretudo, ao se referir a Minas e ao fato de ser mineira. Ao tocar nesse assunto, ontem, Dilma se emocionou e foi ovacionada numa solenidade que tinha 3 mil pessoas num município que tem 7 mil habitantes - e o sol estava de rachar, como dizem os norte-mineiros.
Enquanto Lula, Dilma e a comitiva rodavam por Minas Gerais, o governador Aécio recebia, em Belo Horizonte, novo assédio dos tucanos para que seja o vice de Serra. No dia anterior, Aécio reafirmara, no Rio, que isso tem "chance zero". O governador sabe que os mineiros não o perdoarão se ele ceder à pressão dos tucanos, paulistas ou de outras plagas. Mas a surpresa de ontem foi generosidade do ex-prefeito Fernando Pimentel, que ofereceu ao vice-presidente José Alencar a cabeça de chapa da base aliada em Minas, como forma de pacificar o grupo. Pimentel disse que abriria mão de sua pretensão em favor de José Alencar. O vice, formado na escola de Benedito Valadares e com a experiência dos que sabem onde a coruja dorme, agradeceu, penhorado, mas reafirmou que, se estiver bem de saúde, irá disputar o Senado. O dia foi agitado!