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Por mais que a grande imprensa do eixo Rio-São Paulo explore o caso da suposta violação do sigilo fiscal de centenas de pessoas, entre elas algumas ligadas ao candidato José Serra, para os mineiros o que vale é a disputa Hélio Costa versus Antônio Anastasia. De fato, a campanha, que vinha morna, ganhou corpo nas últimas semanas com a reação de Anastasia e hoje ganha contornos de empolgação. As ruas da capital e das cidades do interior estão coalhadas de cartazes, tanto dos candidatos majoritários como dos proporcionais, e os carros de som enchem o ar de jingles dos mais diversos tipos, alguns de um mau gosto singular. Mas é assim mesmo, nem todo mundo tem condições de contratar compositores e cantores famosos e muitos interpretam eles mesmos as suas músicas, compostas algumas pelos próprios candidatos ou, em alguma situação, por uma filha ou um genro tido como talentoso pela família.
Num ambiente desses, o clima chega a ser de alguma tensão, sobretudo no interior, onde eleição é sinônimo muitas vezes de sobrevivência física de clãs inteiros. Felizmente até agora não se tem notícia de algo mais grave, a não ser um caso menor, isolado. Nada como antigamente, como a chacina de Grão-Mogol, na década de 80, quando dois ramos de uma mesma família se estranharam durante uma quermesse e os tiros de revólver 38 misturaram-se aos fogos de artifício da novena celebrada na igrejinha do lugar. Morreram tios e primos, na disputa pelo poder local. De forma que a exploração do episódio, lamentável, do vazamento de informações da Receita Federal não deverá trazer influência sobre o comportamento do eleitor mineiro, muito mais interessado em saber quem ganha aqui, se Hélio Costa ou Anastasia. Lula, aliás, explorou isso ontem no programa eleitoral de sua candidata, Dilma Roussef. O presidente não citou o nome de Serra, mas disse que o adversário de Dilma está recorrendo a um recurso condenável, o da injúria, para tentar prejudicar a candidata dele. Serra promete responder a Lula, hoje ou amanhã. Não se sabe ainda o que ele dirá, mas estará cometendo novo engano ao responder diretamente a Lula, quando na verdade o alvo deveria ser Dilma. Afinal a candidata é ela e não Lula. Mas isso é do beabá da política e os marqueteiros de Serra devem saber orienta-lo para a melhor resposta. O que se sabe é que o tiroteio sobre Dilma, segundo Marcos Coimbra, do Vox-populi, não tirou nenhum ponto significativo da candidata, para quem faz pesquisas quase que diariamente.
No caso mineiro, a expectativa do comitê do candidato Hélio Costa é que a vinda de Lula ontem a Betim possa conter a supremacia de Anastasia na região metropolitana de Belo Horizonte. Na verdade, a expectativa era sobre o que Lula poderia dizer sobre a disputa local e como seria o aproveitamento da fala dele no programa de Hélio Costa. O governador Antônio Anastasia vai ter que avaliar o que Lula fizer ou disser aqui para reagir. Mas ontem o ex-governador Aécio Neves já deu pronta resposta à insinuação de que haveria entre ele e Lula um pacto, pelo qual Aécio - vejam só! - deixaria Dilma ganhar aqui e em contrapartida Lula deixaria Hélio Costa na mão, para Anastasia ganhar. Esse tipo de especulação é dessas coisas sem cabimento que ganham ares de verdade se não forem contestadas logo, como fez Aécio. É o velho ditado lembrado outro dia por José Alencar: em tempo de guerra, boato come terra.
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