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Patrus e Pimentel tentam reversão
ORION TEIXEIRA*
 



Dividido, não dá, a soma é zero. Este é o resultado, em política, de uma disputa interna. Sob essa tardia conclusão, os pré-candidatos a governador pelo PT mineiro, o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome) e o ex-prefeito de BH, Fernando Pimentel, reúnem-se, em Brasília, na próxima terça, para tentar reverter o que, hoje, está delineado: o candidato da base aliada ao Governo de Minas chama-se Hélio Costa (PMDB), ministro das Comunicações. Como já foi dito aqui, no mês passado, após o congresso nacional petista, Lula estendeu a composição nacional até Minas para realizar a "prioridade de sua vida, neste ano", como disse, ou seja, eleger Dilma Rousseff (ministra da Casa Civil) a presidente do Brasil.
"Não vamos enfrentar o presidente", observou um dos articuladores petistas, empenhado na reaproximação de Patrus e Pimentel. A intenção dos dois líderes petistas é ganhar tempo, adiar o anúncio da decisão, que, para Lula, Temer e Hélio Costa, já é matéria vencida. Tanto é que a movimentação dos petistas tem irritado o PMDB mineiro. Apesar do acerto nacional, o PT mineiro abriu inscrições e um processo interno para escolher entre Patrus e Pimentel. Os dois estão convencidos de que, do jeito que estão, divididos, só fortalece o que os caciques já decidiram e que o único jeito de adiar o anúncio é se unirem para ganhar tempo e, com ele, a reversão. Esticar a corda até, pelo menos, as convenções partidárias.
Patrus e Pimentel já disseram que não aceitam disputar outro cargo que não o de governador. Não querem saber da vice-governança ou do Senado; caso contrário, preferem ficar onde estão, Patrus como ministro, e Pimentel, coordenador da campanha de Dilma. Hélio Costa está conquistando seus objetivos, ter a candidatura a governador da base aliada, mas dificilmente terá o apoio sincero dos petistas. Setores da cúpula mineira ficaram irritados também com a posição dele de resolver a questão de cima pra baixo.
Hoje, a militância está emparedando os aliados de Patrus e Pimentel cobrando a tal candidatura própria que venderam durante o processo de eleições para o comando regional. Pimentel ganhou de Patrus, uma vitória de Pirro, ao que tudo indica. Se a união deles, agora, poderá convencer ou não Lula é outra história, que, nos próximos dias, dará sinais. Patrus tem que decidir mais rápido, já que, no dia 31 de março, teria que deixar o cargo. Ainda na terça, eles discutem o assunto com o presidente nacional do PT, José Dutra, que não é um entusiasta do palanque único. Uma eventual candidatura a governador do PT depende, agora, do resultado da união dos dois líderes e da decisão do vice-presidente José Alencar. Se este for candidato ao Senado, diminuem as chances do PT.


Lacerda muda

A cena não foi testemunhada, mas o prefeito de BH, Marcio Lacerda, deve ter dados uns murros na mesa, na falta de um martelo, para decidir mudar a relação com os vereadores. Após o primeiro ano de idas e vindas, quando tentou colocar todos em sua base de apoio, chegou à conclusão de que perdeu o controle e que não dá mais. As negociações isoladas estavam estimulando o fisiologismo na casa, que acabou por crescer entre os novatos. Um vereador disse que o negócio por ali é dinheiro, propina cobrada por um grupo pequeno. Numa Câmara de 41 vereadores, bastam apenas dez para travá-lo, com está hoje. Por conta disso, Lacerda começa a mudar as coisas a partir de agora, desde o nome até o modelo, para não ficar nas mãos de alguns. Vai substituir seu secretário de Relações Institucionais, Mário Assad, que sai para disputar as eleições parlamentares, e pôr em seu lugar Marcelo Ab-Saber, um homem de sua estrita confiança desde a iniciativa privada. Ab-Saber é um técnico e não tem experiência na política. Ainda assim, ele vai experimentar outro modelo, bem-sucedido no Governo federal, que passa pelo reconhecimento de que é preciso ter oposição.


Bem na foto

Não é DEM contra o PP. A briga para ocupar a vaga de candidato a vice na chapa do pré-candidato tucano ao Governo de Minas, Antonio Anastasia (atual vice-governador), não deverá passar pela questão partidária. Leva vantagem nessa corrida, o presidente da Assembleia, deputado Alberto Pinto Coelho. Seu nome não representaria apenas um partido, mas contemplaria as lideranças partidárias aliadas, incluindo o seu PP e o DEM. Não foi à toa que o governador Aécio Neves, na última reunião do secretariado, colocou Anastasia, à sua direita, e do outro lado, Alberto Pinto. A foto, no dia seguinte, deve ter sido um recado.

(*) Orion Teixeira é editor de Política. Dê sua opinião para oteixeira@hojeemdia.com.br

Postado em 14 de Março, 2010

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