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Campanha alerta sobre a necessidade de procurar ajuda médica
Você conhece alguém que vive reclamando de dor? De cabeça, nas costas, pernas, estômago, juntas, nervos, vistas, etc... Às vezes me pergunto o porquê de essas pessoas não procurarem um especialista para dar fim ao problema. Já cheguei a pensar que, a partir de uma certa idade (que idade?), é preciso aprender a conviver com determinadas dores crônicas ou apenas tentar aliviá-las. Mas foi o neurologista Carlos Maurício de Castro Costa, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Dor (Sbed), quem me tirou isso da cabeça.
A entidade lançou a campanha “A dor para a vida das pessoas. Pare a dor” junto à população médica e leiga. A ideia é que o público compreenda o problema da dor e evite a automedicação. Estão sendo realizados encontros, mesas redondas e ações junto aos profissionais de saúde. No site www.dor.org.br, é possível ter acesso a diversas informações sobre o tema.
A partir de agora, sentiu dor? Procure um especialista para fazer o diagnóstico adequado e indicar o medicamento certo na dosagem correta. “É proibido sentir dor!”, determina dr. Carlos Maurício e toda a Sbed.
Pesquisas da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que 30% da população mundial sofrem com dor crônica. No Brasil, esse número chega a quase 60 milhões de pessoas. Desse total, cerca de 50% já apresentam algum tipo de comprometimento de suas atividades rotineiras, o que afeta consideravelmente a qualidade de vida.
As dores mais frequentes, segundo Carlos Maurício, são as lombares e as cefaléias, e os grandes tipos de dor são as inflamatórias e as neurais. E quem nunca lançou mão de analgésicos “milagrosos” depois de pontadas lancinantes nas costas no meio do expediente? Vai me dizer que você nunca virou para o colega ao lado e perguntou: “Você não tem aí um remédio, estou de novo com dor de cabeça?” diante da negativa, ele prontamente indica um companheiro que parece uma farmacinha ambulante: “O meu acabou, mas fulano tem!”.
O neurologista afirma que, em situações pontuais, é até perdoável recorrer aos remedinhos que você já conhece que vai aliviá-las. Mas ressalta que o grande problema de muita gente sentir dores crônicas é a automedicação.
E a gente tem plena consciência de o que serve para uma pessoa pode não dar certo para outra. Erradamente, o indivíduo toma o remédio que alguém sugeriu. A dor continua, os efeitos colaterais do medicamento se somam à dor e o problema se agrava. “Como o problema é crônico e a pessoa não procura um especialista, é possível esconder outra doença. A não ida ao médico vai retardar o tratamento”.
Ele critica a falta de medidas contundentes, que deveriam ser adotadas pelo Governo, e enumera algumas situações que acabam estimulando o comportamento dos brasileiros: facilidade em adquirir medicamentos; dificuldade em agendar consulta com médicos do SUS ou mesmo de convênio; falta de políticas públicas de saúde direcionadas ao problema da dor.
Para tentar mudar essa realidade, a Câmara Técnica da Dor e Cuidados Paliativos está promovendo reuniões frequentes para elaborar uma portaria que regulamente o acesso dos pacientes quem sentem dores crônicas em nível de atendimento de alta complexidade. A Sbed realizou dois estudos estatísticos no Brasil que revelaram que, em São Paulo, 28% da população sentem dor crônica, contra 41% dos moradores de Salvador (BA). A pesquisa está sendo feita em São Luís (MA) e em Fortaleza (CE), ainda neste ano, e chegará também a Natal (RN), Goiânia (GO), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS).
A Sbed quer incluir a capital mineira nas estatísticas, mas está à procura de um pós-graduando, que seja membro da Sociedade Mineira para o Estudo da dor, e esteja interessado em desenvolver um trabalho na área de dores crônicas, juntamente com um orientador. Os interessados devem acessar o e-mail dor@dor.org.br ou o site www.dor.org.br ou ainda ligar para a Sbed
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