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Questionadores, inconformados, criativos e sonhadores. Assim são os jovens. A juventude é uma fase em que tudo é muito intenso. É o tempo das paixões avassaladoras, dos numerosos grupos de amigos, do falar alto, do revoltar-se por não poder chegar em casa tarde e tantas outras indagações e veemências. Cheios de ideias e ideais, os jovens têm nas mãos um poder que muitos deles sequer imaginam.
Um exemplo clássico desta força foi o Movimento Estudantil de 1968. Milhares de jovens foram às ruas protestar contra a falta de liberdade e reivindicar interesses da sociedade.
Em 1992 os “caras pintadas” deram outro exemplo do poder da juventude. Mais uma vez, milhares de jovens ocuparam as ruas do país. Eles exerceram de forma plena a democracia e mudaram o rumo do Brasil. A bandeira levantada pelos verde-amarelos foi de uma sociedade insatisfeita com a então situação política. No entanto, em ambas as épocas essas lutas só foram cravadas porque as noções de cidadania tinham espaço na formação destes cidadãos. Falava-se de política nas famílias e nas escolas.
Durante alguns anos o clima foi de apatia política entre os jovens e a luta pelo direito comum perdeu espaço para o individualismo. Indiferentes ao que acontecia no panorama político, os “caras pintadas” lavaram o rosto e, por um bom tempo, esqueceram-se do potencial que lhes são inerentes. O que faltou na verdade não foram iniciativas por parte da juventude, mas uma educação voltada para a cidadania.
</CW>Positivamente o cenário volta a mudar. A juventude, ainda com passos tímidos, caminha de volta ao meio político. A exemplo disso, no início de julho, alunos de escolas de Belo Horizonte se reuniram na Câmara Municipal para sugerir e debater propostas com o objetivo de preservar o meio ambiente. A ação faz parte do programa Parlamento Jovem, que está sendo implantado em instituições de ensino das redes públicas e particulares da capital.
De responsabilidade da Escola do Legislativo da Câmara Municipal de Belo Horizonte, em parceria com a PUC Minas e com a Secretaria do Estado de Esportes e da Juventude, o Parlamento Jovem coloca em pauta a cidadania.
“(...) a juventude é uma categoria socialmente construída. Ganha contornos próprios em contexto históricos, sociais distintos, e é marcada pela diversidade nas condições sociais”.
A citação do sociólogo e professor Juarez Dayrell, em seu livro sobre juventude e escola, deixa claro que os valores recebidos na educação refletem nas ações dos cidadãos. Se a cidadania não for base de uma formação, dificilmente ela será exercida na tenra idade.
Não só o Parlamento Jovem como outras ações que já ocorrem em todo país, mostram que a educação para a cidadania está retornando aos ambientes estudantis. Aliás, uma matéria que já deveria fazer parte do currículo escolar. Deixou-me muito animado ver aqueles jovens no parlamento falando tão seriamente de política e mostrando preocupação com o bem comum. Daqui há alguns anos, ele sairão às ruas para defender seus direitos.
Serão os novos “caras pintadas”, os que mudarão os rumos desta mocidade que ainda exerce de forma limitada o seu papel de cidadão. Vejo que serão símbolos da juventude futura: o tênis, a calça jeans e a política.
Jornalista, professor universitário e vereador de Belo Horizonte
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Não chegaram ainda à alçada do governador do Estado as graves suspeitas de irregularidades nos contratos entre a Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), o Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais (Ipsemg) e a Serquip Tratamento de Resíduos MG Ltda. A empresa foi contratada para coletar e tratar o lixo hospitalar, mas atuou sem licença para queimar o material. Além disso, como destacou este HOJE EM DIA, teve a documentação cassada pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam).
Em se tratando de irregularidades, o assunto deveria subir rapidamente os escalões inferiores e chegar, com urgência, ao quarto andar do Palácio Tiradentes, de onde o governador aprecia a bela vista da nova Cidade Administrativa. Já passou de mera “rotina da administração”, como tentou se justificar, ontem, o governador Antonio Augusto Anastasia. Afinal, lixo hospitalar é um caso que preocupa a todos.
Mais grave ainda é que o destino deste lixo continua ignorado. E mal explicado pelos diversos níveis do Governo. A Serquip ficou dez meses sem licença ambiental para queimar o lixo hospitalar em Santa Luzia. A outra unidade mais próxima é a de Montes Claros, a mais de 400 quilômetros de distância, mas o prefeito Tadeu Leite garantiu que o município não aceita o lixo da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A empresa não poderia, também, fazer apenas a autoclavagem do lixo em Santa Luzia. Não pode pela toxidade do material, conforme a Promotoria do Meio Ambiente. E se não pode e se não está sendo incinerado nem em Santa Luzia nem em Montes Claros, para onde foi o lixo?
Espera-se que o destino desse material tóxico seja adequado. Ele não pode ser queimado em Santa Luzia porque o incinerador está em uma área residencial. E ele não pode ser autoclavado por ser altamente tóxico. Será que este lixo não estaria contaminando o subsolo, sendo drenado até o lençol freático, indo contaminar algum manancial?
O governador disse ontem esperar que “os responsáveis pelos órgãos e secretarias” tomem as medidas necessárias. Mas não parece que seja o caso, de modo que passou da hora de alguém do escalão superior apurar o que está de fato acontecendo. E revelar à opinião pública, com transparência.
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Parece um sofisma, um raciocínio aparentemente válido, mas o Ministério Público de Minas Gerais não concorda. Afinal, qual é o ICMS que incide sobre a conta de luz: 30% ou 42%? Depende da maneira como se faz a conta.
O cálculo é o mesmo para o país inteiro e vem sendo feito, desta maneira, há mais de dez anos. Porém, agora, o Procon do Ministério Público encomendou uma perícia para questionar a cobrança na conta de energia elétrica apresentada aos consumidores pela Cemig em Minas Gerais.
O índice é de 30%, mas, na prática, o consumidor paga 42%, aparentemente por causa de uma resolução da Secretaria de Estado da Fazenda, que adotou o chamado “cálculo por dentro”.
Para simplificar o entendimento, em uma conta onde os valores de geração, transmissão e distribuição de energia somam R$ 100, o consumidor teria que pagar R$ 30 relativos à tarifa de 30% do ICMS, totalizando R$ 130. Mas paga R$ 142, porque a conta está sendo feita levando em consideração os 30% de ICMS sobre R$ 130 e não sobre R$ 100.
A Promotoria entende que pode estar havendo um excesso de arrecadação, no caso, de R$ 12, daí a realização da perícia. Caso o Ministério Público tenha razão, será que conseguirá a devolução do dinheiro cobrado a mais?
Desconfia-se que a situação pode ser ainda pior. Um estudo do Instituto Acende Brasil, em parceria com a PricewaterhouseCoopers, indica que a carga de tributos e encargos na conta de luz seria de 45,08%. E que a cada R$ 100, que seria realmente o total devido pela geração, transmissão e distribuição, o consumidor paga R$ 145,08.
Não é de hoje que o Estado descobriu que é melhor ampliar os impostos em alguns setores, como energia elétrica, combustível e telefonia, do que se esforçar para cobrar menos de uma base mais ampla de contribuintes. É mais fácil fiscalizar estes três itens do que manter fiscais espalhados pelo comércio e a indústria.
Esta prática entra no chamado ‘custo Brasil’ e atrapalha a competitividade dos produtos brasileiros, entre outros tantos ítens desta lista, como a falta de infraestrutura e o câmbio atual. O que não justifica a cobrança. Se o consumidor estiver sendo lesado, cabe ao Ministério Público agir e exigir o estorno e a devolução.
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Há pouco tempo muitos se perguntavam qual o futuro das publicações impressas e qual seria o reflexo da internet no curso das histórias dos jornais e revistas. Outros ainda afirmavam que a tecnologia tomaria conta da informação, e que tudo seria veiculado através das ondas invisíveis da rede. De forma surpreendente para muitos, eles estavam enganados.
Quem frequenta os grandes centros já deve ter percebido o crescimento da circulação de jornais gratuitos pelas ruas e estabelecimentos comerciais. Segundo a Associação Mundial de jornais (WAN, em inglês), tal aumento é tendência mundial, em franca expansão. De acordo com a WAN, 8% dos jornais do planeta são gratuitos, totalizando uma média de 41 milhões de exemplares de graça, todos os dias, no Brasil e no mundo.
A mídia impressa é o mais antigo veículo de comunicação conhecido, originando, inclusive, o nome do coletivo de todos eles: a imprensa. Por ser de fácil utilização e transporte, não possuir horário específico de veiculação e permitir a leitura e releitura de informações, podemos considerar esse tipo de mídia a de maior facilidade na aproximação entre o conteúdo e o leitor. E é isso que move o mercado dos jornais gratuitos, o poder que eles têm de manter as marcas (que patrocinam sua circulação) e os consumidores próximos.
Manter-se presente no cotidiano dos indivíduos tem sido a melhor saída para ganhar espaço ou continuar em destaque, em meio a tantas notícias, fofocas, promoções e ofertas. O interessante é que, mesmo com todas as plataformas e possibilidades de anúncios e exposição, o impresso continua sendo uma das mais eficazes. Qual outro veículo permite que o cliente carregue sua marca embaixo do braço, olhe para você no ônibus, na escola, no trabalho e por onde ele for?
É claro que o papel perde em inúmeros quesitos para a internet, por exemplo, que possibilita interatividade, tem mais formas de manter a atenção do leitor e não encarece quando usadas cores, entre tantas outras vantagens da web. Anunciar não só nesses jornais, mas em todas as mídias tidas como obsoletas (ou não tão tecnológicas), tornou-se uma ousadia. Mas, como atingir seu público, ainda mais as novas gerações, sedentas por novidades e inovações, sem ousar?
Das mais diversas formas, com os mais variados conteúdos, por meio de numerosos veículos, pode-se promover conhecimento e informação, viver lado a lado com o seu cliente. Mas, em um mundo no qual tudo já foi criado, devemos recriar, reinventar a roda, refazer o que já foi feito, de preferência, a partir de novos conceitos e ideias. Os jornais gratuitos são apenas mais uma releitura do que já existia, e são ótimos exemplos para nos lembrar que, seja como e por onde for, para aparecer, é preciso se mostrar. Portanto, ouse, mostre-se e apareça!
Diretor da DRT Mídia
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Pequenas e médias empresas são importantes geradoras de empregos e renda no Brasil, mas sua participação nas exportações ainda é baixa. Explorar oportunidades de negócio no exterior exige o conhecimento de aspectos básicos do processo de exportação e, também, uma forma de incentivo governamental mais eficiente.
A participação das médias e pequenas nas exportações seria importante para melhorar o desempenho da economia nacional, mas infelizmente o modelo exportador brasileiro privilegia apenas as grandes organizações. Para exportar, as pequenas e médias enfrentam várias barreiras, entre elas os elevados custos burocráticos.
Devido à insuficiência e também à ausência de financiamentos destinados à produção e comercialização, fica difícil oferecer garantias e preços competitivos no mercado externo. Além disso, as pequenas e médias têm pouco conhecimento sobre técnicas de comércio internacional.
As pequenas e médias ainda têm a desvantagem de não serem tão ágeis quanto as grandes para conquistar e manter clientes no exterior. Sem capacidade competitiva, enfrentam problemas para recuperar créditos fiscais e aumentam a sua dívida junto ao governo.
Diversos países, como a Itália e os EUA, possuem políticas de incentivo às exportações para empresas de menor porte. Eles valorizam as pequenas e médias e classificam-nas como geradoras de emprego e renda e promotoras do desenvolvimento. Por sua vez, as brasileiras, sem incentivo, acabam produzindo para o mercado interno e sofrem a concorrência de empresas estrangeiras. Os entraves vêm desde as limitações estabelecidas por instituições de crédito para investimento em produção, passando pela burocracia, guerra fiscal e legislação tributária e trabalhista, que não são justas nem adequadas.
Além disso, há a competição com os produtos importados, muitas vezes de qualidade duvidosa, mas fabricados por organizações que têm linhas de crédito com taxas de juros atraentes em seus países. Recente pesquisa do Ibope aponta que 20% das companhias brasileiras gastam pelo menos R$ 300 mil ao ano com rotinas burocráticas, considerando despesas com trabalhadores, profissionais terceirizados e emissão de documentos.
Mediante esse panorama, o mercado nacional acabará se transformando em mero distribuidor de produtos importados ou, na melhor das hipóteses, em organizador de linhas de montagem. Esta situação foi amenizada há algum tempo para o setor de calçados, quando o governo decidiu aumentar as taxas de impostos para importação, o que tornou os produtos brasileiros um pouco mais competitivos no mercado. Esta medida viabilizou novamente os negócios no setor, que estava em queda.
Na contramão deste exemplo, temos a indústria têxtil, comprometida diante da concorrência com produtos importados, principalmente chineses. As tecelagens estão se extinguindo no Brasil: exportamos o algodão, mas o produto final vem de outros países, como a China.
Mesmo assim, a carga tributária nacional continua muito alta em comparação com países mais desenvolvidos como Espanha, Alemanha, França e Suécia. Prova disso é que até julho, o Brasil ultrapassou R$ 700 bilhões em arrecadação de tributos advindos da União, Estados e Municípios. Verifica-se na riqueza gerada, que a maior fatia do bolo vai para os cofres públicos.
Presidente do SESCON-SP
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