Depois de percorrer seis cidades mineiras neste primeiro semestre do ano, projeto da Fundação SOS Mata Atlântica divulga conclusões assustadoras sobre a situação dos rios do interior do Estado. Em seis rios pesquisados, foi encontrado um volume imensurável de lixo, de sacolas plásticas a garrafas pet e até sapatos. Os pesquisadores constataram o descaso total com os recursos hídricos por parte das autoridades de quatro destes municípios, não obstante as obras de saneamento a serem realizadas em várias cidades, por meio do PAC.
Ao se comparar a população de uma cidade como Caratinga, no Vale do Rio Doce, em plena Mata Atlântica, com seus 80 mil habitantes, com a capital, com seus mais de 2 milhões de moradores, as conclusões são de que os cursos d’água da pequena cidade estão tão poluídos quanto o Arrudas, que recebe parte do esgoto de Belo Horizonte.
Os resultados do estudo podem ser ampliados para toda Minas Gerais. Qualquer leigo percebe o abandono dos rios das pequenas, médias e grandes cidades mineiras, onde a regra, com raras exceções de programas bem sucedidos, é a poluição com rejeitos domésticos, os grandes vilões da morte de nossos cursos d’água. O principal motivo da degradação dos recursos hídricos de Minas, Estado que é chamado de a caixa d’água do Brasil, é justamente a falta de saneamento básico.
Mas a experiência com as estações de tratamento de esgoto, inauguradas há dois anos na capital, comprova que, quando são tomadas as medidas necessárias para a despoluição, o meio ambiente responde com uma rapidez inimaginável. A questão passa pela educação e pela conscientização da sociedade, que precisa assumir sua parcela de responsabilidade e, principalmente, reduzir a emissão de lixo e descartar devidamente os seus resíduos. Para evitar a morte dos rios de Minas não são necessárias obras espetaculares e faraônicas. Medidas simples e domésticas de prevenção, se adotadas, poderão minimizar a poluição. Mas, para que as ações sejam implementadas e acabem por se tornar corriqueiras faz-se necessário um amplo trabalho envolvendo todo o sistema de educação estadual e municipal, de forma a conscientizar a população sobre a gravidade do problema desde o ensino fundamental até à universidade.