Além do que já foi dito aqui, no último dia 25, sobre a aliança informal que será reeditada, pela terceira eleição consecutiva, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador Aécio Neves (PSDB), os dois guardam outras semelhanças por conta menos da premissa anterior do que pelo bom desempenho de suas gestões junto à população (vide pesquisas). Sob o argumento de que não podem perder as eleições em Minas, segundo maior colégio eleitoral do país, tucano e petista guardam, para si, um acordo não formalizado, um pacto de não-agressão, cujo objetivo principal é não perder as eleições no Estado.
Como assim? Simples, como devem ser as estratégias: Aécio quer, em primeiro lugar, reeleger seu sucessor, Antonio Anastasia (atual vice). Lula já disse que, neste ano, "a prioridade da minha vida é eleger Dilma presidente", neste ano, razão pela qual precisa vencer por aqui, já que, no maior colégio eleitoral, São Paulo, o rival José Serra, governador de lá, deverá ter a maioria dos votos como candidato presidencial. Já o futuro político do tucano mineiro quase que depende do sucesso eleitoral de Anastasia para ter fôlego.
Agora, as outras similitudes. Bem avaliados pela população, com mais de 70% de aprovação em Minas e no país, o discurso deles, para eleger o próprio candidato, será o da continuidade administrativa. "Você quer continuar o atual modelo ou pretende mudar?", entoarão Aécio e Lula em defesa de seus apadrinhados. Sendo assim, não haverá surpresas também se aquele que melhor trabalhar o seu marketing for copiado pelo outro. E mais. Um dará ao outro o antídoto para o veneno dos rivais nas críticas por eventuais e reais maus resultados, do tipo assim: "ora, estava arrumando a casa, primeiro, e agora investir e consolidar isso" (aquilo que estiver sendo reclamado). De um lado, poderá dar um nó nos petistas mineiros; do outro, nos tucanos paulistas.
Se a tática parece simples, Aécio e Lula também não gostam de facilidades, ou enxergam mais do que a maioria. Afinal, os dois escolheram candidatos que seus críticos adoram rotulá-los de "postes", ou seja, que não teriam luz própria nem votos, pelo fato de nunca terem disputado uma eleição, de terem o perfil mais técnico e de pouca popularidade. Sem dúvida que se trata de uma operação de risco à medida que, do outro lado, estarão nomes experimentados no voto e na administração pública, como o presidenciável José Serra e, em Minas, como os ministros Hélio Costa (das Comunicações), Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o vice-presidente José Alencar. É claro que Anastasia e Aécio não enfrentarão todos, mas é certo que estarão em campos opostos e adversários.
Aécio já fez um estágio na eleição passada, quando bancou, ao lado do petista Fernando Pimentel, a candidatura, enfim vitoriosa, do atual prefeito de BH, Marcio Lacerda. Lá na intimidade, no entanto, eles sabem o custo e risco da operação que, por pouco, não naufragou. Provavelmente, tiraram boas lições da prepotência que os envolveu durante a campanha, ao julgarem que bastava dizer que davam o apoio poderoso para vencer nas urnas. Lacerda que o diga como teve que reagir aos efeitos colaterais do remédio que acabou por se transformar em veneno.
DILMA NÃO MUDA
Por mais que especulem, a pré-candidata Dilma Rousseff não deverá mais trocar o marqueteiro de sua campanha, João Santana, pelo bruxo Duda Mendonça. O primeiro derrapou na pista por conta de indicadores de pesquisas negativos. Como Dilma, Santana é o nome preferido de Lula. Não bastasse isso, Duda se meteu em nova confusão. Há poucos meses, ele tinha virado guru do governador (afastado) do Distrito Federal, José Arruda, a quem prestava consultoria. Precisa dizer mais alguma coisa?
FESTA NO CÉU
Na próxima quinta, o governador Aécio Neves muda o endereço do poder, em Minas, 112 anos depois da inauguração do Palácio Liberdade. Será uma solenidade digna de espetáculo, com pompas e circunstâncias, como gostam na Corte. Pena que o servidor, aquele que vive e sustenta a administração e é o principal beneficiário da obra, não tenha sido convidado.
publicado no dia 28 de fevereiro 2010
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O que há de comum entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Aécio Neves da Cunha, ainda que um seja petista e o outro, tucano? Simples, os dois não querem, nem podem, perder as eleições em Minas Gerais. Por razões óbvias, políticas e pessoais. Se não tiver o apoio dos votos de Minas, o segundo maior colégio eleitoral do país, com 14 milhões de votos, fica difícil para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), se eleger presidente da República. Se perder as eleições deste ano para governador, Aécio verá sua liderança desmontar e seu futuro político ameaçado.
Para isso, estão determinados a tudo, a exemplo do inflamado discurso do próprio Lula, no sábado, durante lançamento da pré-candidatura de Dilma, em Brasília, quando avisou que a "prioridade da minha vida" é fazer dela presidente. A primeira estratégia de ambos para alcançar tal objetivo é a mesma das duas últimas eleições presidenciais e estaduais: não se enfrentarem. A tática tem nome, ficou conhecida por "lulécio" e tende a ser reeditada. Se a candidata de Lula é Dilma, a de Aécio também se chama Antonio Anastasia (PSDB), seu atual vice, que, nos próximos 35 dias, tomará posse como governador de Minas.
Os dois já emitiram sinais de que estão prontos para a terceira eleição, e tudo está caminhando certinho para isso. Lula já avisou aos aliados que não aceita palanque duplo nem divisão da base. Ora, se sua prioridade é eleger Dilma, basta que retire os primeiros e anunciados obstáculos. Em Minas, por exemplo, não deixa o PT ter candidato a governador e apoia o do PMDB, partido que vai sustentar e dar o vice para sua candidata. Menos um conflito para Dilma; agora, se o PMDB do ministro Hélio Costa vai conquistar o Palácio da Liberdade é um problema dos peemedebistas mineiros. Não dele. Lula até já conversou com o ex-prefeito de BH Fernando Pimentel, o pré-candidato petista mais forte e determinado, para abrir mão e se dedicar ao projeto Dilma presidente. O segundo pré-candidato, Patrus Ananias (ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome), não criaria dificuldades. Assim, o caminho ficaria livre para Hélio Costa ser candidato a governador, com apoio do PT e do presidente Lula. Um apoio sincero, mas não aguerrido e combativo.
Aécio, por sua vez, não se sentiria desafiado por Lula. Ao contrário, Lula quer que Aécio se concentre na sua própria sucessão, mas sem convencer, muito, os mineiros a votarem no pré-candidato tucano, José Serra (governador de São Paulo). Aécio iria aos quatro cantos de Minas para eleger Anastasia e pedir uns votinhos para Serra. Resultado, o eleitor mineiro homenagearia Aécio com o voto a Anastasia e a Lula, apoiando Dilma. Sem desagradar àqueles que, em sua avaliação, merece os mais de 70% que lhes dão nas pesquisas em Minas. O 'lulécio' seria mais uma combinação que resultaria em Dilma/Anastasia.
É uma parte do jogo político, mas não sabemos ainda, definitivamente, se Aécio será mesmo candidato a senador e se Anastasia, disputa a reeleição para governador. Sabemos que Aécio deixa o Governo no dia 31 de março e que Anastasia assume o Governo no mesmo dia. Se Aécio for, por outro lado, candidato a presidente (em caso de refugo de José Serra), Anastasia não será candidato a governador, mas coordenador do programa presidencial. Este é um acerto entre os dois e que é de conhecimento dos aliados mais próximos. São definições que só acontecerão lá na frente, em junho, nas convenções partidárias. Até lá, Anastasia estará dois meses e meio à frente do Governo estadual, e tudo pode acontecer. Como dizem os mais pragmáticos, se ele já tem 12%, com a caneta na mão, poderá subir rapidinho. São os efeitos do Palácio da Liberdade, que, a partir da semana que vem, vai se chamar Palácio Tiradentes, nome dado à futura sede do governador na Cidade Administrativa.
PUBLICADO NO DIA 25 DE FEVEREIRO DE 2010
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Ao precipitar sua pré-candidatura ao Senado, o ex-governador Itamar Franco (PPS) trouxe mais um complicador ao quadro de uma disputa que se anuncia acirrada. Com a antecipação de mais de 30 dias, já que a desincompatibilização só acontece no dia 31 de março, Itamar buscou afastar alguns cenários que, provavelmente, não lhe interessavam, como, por exemplo, ser candidato a vice na chapa do pré-candidato presidencial do PSDB, José Serra (governador de São Paulo), ou, quem sabe, voltar ao Palácio da Liberdade. Primeiro, porque alguns aliados seus duvidam do êxito da candidatura presidencial tucana, e a do pré-candidato a governador Antonio Anastasia (PSDB), atual vice de Aécio Neves, parece irreversível e consolidada. Com o anúncio, Itamar também inibiu a troca pública de elogios entre Aécio e o vice-presidente José Alencar (PRB), segundo a qual um votaria no outro na eleição das duas vagas de senador.
Ainda assim, Itamar corre o risco de ter que rever seu projeto, mesmo que sua trajetória seja marcada por desafios exitosos. Por isso, lançou-se na disputa sem sequer discutir a estratégia com o tucano Aécio Neves, seu principal aliado hoje. O fato é que nove entre dez políticos apostam que Aécio e Alencar vencerão as eleições ao Senado, desde que, é claro, sejam candidatos. Aécio depende ainda da definição de seu partido na sucessão presidencial; ele só voltaria a essa disputa numa remota desistência do paulista José Serra. Alencar aguarda o próximo dia 16 de março, quando os médicos darão o veredicto sobre o seu tratamento contra o câncer no abdome. Enquanto isso, ele vai recebendo o incentivo para voos mais altos, especialmente daqueles que vivem situações adversas em seus partidos.
Seja como for, na primeira hipótese, a situação se complicaria para Itamar, ou para os projetos de Aécio e de Alencar. O ex-governador poderá ser convencido, por exemplo, a se tornar o deputado federal mais votado da história de Minas. Muitos, incluindo o próprio Itamar, vão quer encontrar uma saída, diga-se, boa para todos. Além de o cenário favorecer ao governador bem avaliado e ao vice-presidente, que o sentimento nacional o apoia na luta contra a doença, Aécio prefere encontrar os caminhos desobstruídos para eleger a si, ao Senado, e a Anastasia para o Governo, afastando ainda o fantasma da ingratidão; do outro lado, o presidente Lula não deixará Alencar no sereno. Se insistir, Itamar poderá ser derrotado pelo governador e senador que, no passado, ajudou a eleger.
O problema aí parece ser menor do que aquele que tira o sono da base aliada do presidente Lula na escolha do candidato a governador. O PT sinaliza que vai amarelar, embora tenha dois fortes nomes ao Governo de Minas, o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel. Patrus admite apoiar nomes de outros partidos; Pimentel está sendo instado a assumir cargo federal. Tudo isso em favor de outro ministro, Hélio Costa (das Comunicações), mas a situação dele piorou dentro de seu próprio partido, curiosamente, depois que ele venceu as eleições internas pelo controle do PMDB. Em vez de buscar a unidade interna, seu grupo esticou a corda, ignorou a fatia de influência do rival na composição da nova executiva regional e ainda quis derrotá-lo na convenção nacional. Não há unidade interna que resista a tanta briga, mas Hélio Costa parece apostar apenas nos dividendos políticos de uma candidatura casada com a da presidenciável petista, Dilma Rousseff.
No Palácio da Liberdade, é grande a torcida para que os concorrentes de Anastasia sejam Hélio Costa ou Patrus Ananias, candidaturas que fariam melhor contraponto do que Pimentel, tido e havido como um amigo de Aécio em outras eleições. A consolidação da candidatura de Anastasia elevou a cotação do cargo de seu vice na bolsa política. Atrasado, o DEM nacional reivindica espaço em um projeto que começou a ser construído lá atrás, quando todos desconfiavam da real intenção de Aécio em lançar seu vice. O PP de Alberto Pinto Coelho chegou na frente e é possível que até tenha apoio do DEM regional.
publicada no dia 17 de fevereiro de 2010
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A essa altura, ou melhor, ao raiar deste ano eleitoral, o governador de São Paulo, José Serra, deve estar fazendo as contas pra saber se vale a pena. O tucano encerrou o ano com a responsabilidade de representar o PSDB e a oposição na disputa pela Presidência da República e com uma ligeira vantagem sobre a principal rival, a petista Dilma Rousseff (ministra da Casa Civil). A diferença dele para ela encurtou e ficará menor por algumas razões matemáticas e outras políticas. De acordo com as primeiras, Dilma tem boas chances contra Serra, se levarmos em conta que ela, embora conhecida por apenas metade do eleitorado, já está próxima da pontuação dele. Numa projeção simplista, na qual ela ficaria conhecida pela segunda metade, chega-se ao empate técnico ou até a ultrapassagem sobre o tucano.
Alguém ainda pode se lembrar da alta rejeição da ministra, mas não é nada que não seja resultado do próprio grau de seu desconhecimento perante a opinião pública. Nessa hora é que entrará em cena as outras razões citadas acima, as políticas, quando atrás delas estará o maior eleitor da sucessão presidencial deste ano, ninguém menos do que o presidente Lula. Se até 2009 ele foi bem, 2010 será o ano de sua consagração após sete anos à frente do Palácio do Planalto, quando irá liberar, em doses cada vez mais convincentes, sua obra de Governo, materializada no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e outros índices do ‘espetáculo do crescimento’. Para que a candidatura Dilma decole, basta que ela não atrapalhe e cole sua imagem à de Lula.
Não duvidem do poder de transferência de votos, especialmente de um presidente bem avaliado dentro e fora do país. Para se ter uma ideia dos efeitos de tal transferência, é só lembrar de 2008, quando o desconhecido empresário, Marcio Lacerda – chamado jocosamente de ‘poste’ pelos céticos- protagonizou a até então inédita e maior ascensão eleitoral em um curto período de tempo. Num prazo de menos de 50 dias da campanha eleitoral de Belo Horizonte, ele arrancou de 8% para 40%, por conta, exclusivamente, de sua vinculação com os padrinhos políticos – o governador Aécio Neves (PSDB) e o então prefeito Fernando Pimentel. Quase levou a parada no primeiro turno, o que só não aconteceu por conta de alguns erros, como a excessiva dose de apadrinhamento que quase sufocou o ungido.
Se Dilma nem o PT errarem demais, não haverá riscos. É bem verdade que a ministra não tem carisma e, depois, de um encontro com ela ficam só os traços de sisudez a lembrar aquelas inspetoras de escola, que, por razões óbvias, jogavam duro com a meninada. Ainda assim, a petista terá um tempo para amaciar e relaxar, enquanto viaja ao lado do presidente. Até março. Aliás, março será o começo oficial deste ano eleitoral, que, apesar de antecipado em 2009, somente terá definições a partir do terceiro mês, quando os candidatos deixam os cargos atuais para ficarem elegíveis. Serra terá que descer do muro para anunciar que é candidato a presidente ou à própria reeleição. Acaba aí seu mistério, ao contrário do governador mineiro Aécio Neves, que conquistou o direito de esconder seu jogo até o final de junho, perto das convenções partidárias.
Aécio anunciou que desistiu da Presidência em dezembro último, mas, em nenhum momento, disse que disputaria o Senado, como seria óbvio. Vai cuidar da eleição de Minas, como anunciou, buscando viabilizar seu pré-candidato ao Governo de Minas, o vice Antonio Anastasia, enquanto espalha a impressão de que não jogou a toalha e que seria o único capaz de derrotar Dilma. Caso Serra desista e o quadro não seja bom, Aécio continuará do jeito que está, rumo ao Senado, pois conquistou o direito de escolher o próprio futuro quando desistiu de esperar pelo PSDB e por Serra. Como visto, o ano começa como acabou o anterior: não há nada definido, como avisou o vice-presidente da República, José Alencar, em entrevista à repórter Dilke Fonseca, no último dia 28.
Publicado no dia 03/01/10
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Para preocupação de uns e solução de outros, a internet irá participar, pela primeira vez, de uma campanha presidencial, em 2010, em toda a sua plenitude e vigor, desta vez, porém, sob amparo legal. O receio de muitos se relaciona ao seu potencial de desconstrução, tão poderoso quanto o da própria construção. Os bem intencionados miram a vitoriosa campanha do presidente norte-americano Barack Obama, que estabeleceu uma comunicação direta com o eleitor, e pretendem repeti-la por aqui, mas sem o mesmo desempenho, razão pela qual, talvez, os marqueteiros da pré-candidata petista, Dilma Rousseff, estejam vivendo momento de tensão.
Afinal, não dá para importar o modelo norte-americano por conta das diferenças entre um país e outro. Como exemplo, a forma de financiamento de campanha naquele país, onde são permitidas as doações individuais pela grande rede. Por aqui, o financiamento é essencialmente privado, além, é claro, do dinheiro público que banca o horário gratuito eleitoral de TV e rádio e mantém todo o aparato da Justiça.
Não se pode ignorar que o poder de fogo e de desconstrução na internet é alto, mas está superestimado porque é também relativo, como se viu na campanha de Belo Horizonte, em 2008. Nela, no 1º turno, o candidato do PMDB, Leonardo Quintão, levou a melhor ou, sem entrar no mérito da paternidade da iniciativa, o líder das pesquisas, Marcio Lacerda, levou a pior, sendo lenta e ruidosamente desconstruído. Deu 2º turno.
Lacerda culpava as calúnias que o envolviam com o mensalão de Marcos Valério pela queda nas pesquisas e por não ter vencido a eleição no 1º turno, quando, na verdade, ele deixou de ganhar por não ter se colocado acima ou, na pior das hipóteses, no mesmo nível de seus padrinhos políticos – Aécio Neves e Fernando Pimentel -, aliás, como fez no 2º turno. Fez uma campanha, no 1º turno, no piloto automático, sem colocar a cara a tapa.
No duelo final, entre Quintão e Lacerda, a coisa foi diferente, e o feitiço virou-se contra o feiticeiro, quando o primeiro provou do próprio veneno. À época, um vídeo lançado na internet, do humorista Tom Cavalcanti gozando Quintão, foi um dos mais vistos mundo afora. Lacerda deixou o papel de vítima e foi ao ataque, enfrentando Quintão com as mesmas armas. Respondeu às denúncias, calúnias e provocações e deu linha à mesma tática, ou seja, ao vale-tudo que tomou conta do 2º turno eleitoral, numa campanha viral, sem cara nem personalidade.
Por várias vezes, ou várias noites, a batalha virtual saltava para o mundo real, quando grupos rivais se engalfinhavam na pregação clandestina e ilegal de cartazes com campanha difamatória de ambos os lados. Resultado, o peemedebista ficou desconstruído, e riu melhor quem riu por último. É por isso que, ainda hoje, a baixaria e o vale-tudo, que foram tolerados no submundo da campanha eleitoral, ficaram relacionados ao uso da internet.
Será diferente em 2010. Alguns resistirão às mudanças, mas elas estão aí, e a sociedade está mais adiantada do que seus políticos no uso da grande rede. Quando os políticos tentaram restringir seu uso, encontraram barreiras na própria Justiça. Não custa lembrar o que disse o ministro Ayres Britto ao rejeitar a regulamentação da nova mídia. Segundo ele, a internet tem dois méritos: “Mobiliza a sociedade de uma forma interativa, que em época de eleição deve ser turbinada, não intimidada. E está criando uma nova sociedade civil mundial. A internet é o espaço da liberdade absoluta, para além da liberdade de Imprensa.”
Seja pelo site, portal, blog, twitter ou pelas redes sociais, a internet terá papel menos pirata do que foi em favor daquele ao qual deverá se prestar, o de aproximar os políticos dos eleitores. Se a baixaria se repetir, e ela tentará sobreviver, encontrará um eleitor mais maduro. A tendência é que as calúnias se percam pelos escaninhos da falta de credibilidade. Afinal, ninguém quer ser o seu próprio ‘editor’, razão pela qual os eleitores serão mais seletivos e buscarão uma informação de qualidade para fazer a escolha mais acertada.
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Não dá mais para o governador Aécio Neves (PSDB), como fez até sua saída da disputa presidencial, colocar Minas a reboque da sucessão nacional. Por conta do atraso do PSDB na disputa nacional, Aécio deixou vazios na sucessão estadual, que, alguns rivais, especialmente os pré-candidatos a governador do PT, o ex-prefeito de BH Fernando Pimentel, e do PMDB, Hélio Costa (ministro das Comunicações), souberam ocupar. Como já foi dito aqui, se Aécio chegar a ser candidato presidencial – ainda há uma pequena possibilidade -, ele seria um cordeiro para com os rivais, no melhor estilo tribalista para ampliar a tal unidade mineira em torno de si; porém, sendo candidato ao Senado, teria que virar um leão para derrotá-los e garantir o próprio futuro político.
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Enquanto os caciques nacionais tentam acomodar as mudanças na sucessão presidencial, os de cá fazem as contas para avaliar estragos ou benefícios com a provável decisão do governador Aécio Neves (PSDB) de disputar o Senado. Os especialistas estão convencidos de que, mais do que nunca agora, com esta definição, não há espaços para uma terceira via eleitoral em Minas. Ou seja, a exemplo do quadro nacional, a disputa ficará também polarizada, no Estado, entre o PSDB e os aliados do presidente Lula. Assim, teríamos um quadro bipolarizado, de um lado, com o PSDB de Antonio Anastasia (atual vice-governador e pré-candidato tucano) mais aliados e, do outro, o PT com o PMDB do ministro Hélio Costa (Comunicações) ou PMDB com o PT do ex-prefeito de BH Fernando Pimentel ou do ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome).
Após a definição tucana, fica pendente, até março, a do lado rival, com duas orientações na cabeça, a de que o quadro não comporta três vias eleitorais e a do presidente Lula, que, talvez pela primeira razão, já tenha cobrado dos aliados um palanque único para a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata presidencial petista. Vamos por partes. Em primeiro lugar, o PT precisa resolver sua vida interna, se vai ter prévias ou não, e quando, e quem será candidato, Pimentel ou Patrus.
Agora, não dá para depois de todo um esgarçamento interno, chegar à conclusão, lá na frente, de que não terá candidato próprio em favor do candidato do PMDB, Hélio Costa. Havendo essa intenção, melhor é evitar as feridas. O prazo máximo para que o partido faça prévias seria a primeira semana de maio, quando já não seria mais possível, politicamente, falar em alianças.
É possível, no entanto, que seja o PMDB que chegue a essa conclusão, que não dá para se lançar sozinho, sem o PT, e optar por apoiar o PT. Depois de uma ferrenha disputa interna, afetando ainda mais a já difícil unidade entre os lados opostos, o partido encontra dificuldades de cicatrizar as feridas, como se viu na composição de sua executiva. As duas bancadas peemedebistas, estadual e federal, têm sem senso maior de sobrevivência própria do que partidário. O projeto delas é aliar-se ao PT, na coligação proporcional, o que impõe um direcionamento para a aliança majoritária. Sem unidade, o PMDB pode também não encontrar o apoio externo, leia-se o PT. Mais do que Patrus Ananias, Fernando Pimentel está determinado a não ceder, convencido de que ele é a bola da vez da sucessão.
Pra complicar o quadro dos estrategistas, a opção de quem não for disputar o Governo do Estado seria o Senado, onde há apenas duas vagas. Ali, o afunilamento é mais acentuado, com a possibilidade de Aécio Neves e do vice-presidente da República, José Alencar, serem candidatos. Como dizem os mesmos especialistas, seriam duas eleições anunciadas, não só pelo prestígio e potencial eleitorais de ambos, mas também pelo apoio das lideranças na polarizada eleição mineira. Ao contrário da nacional, a sucessão não trará consigo um caráter plebiscitário. Até porque nem o PMDB de Hélio Costa muito menos o PT de Pimentel pretendem fazer da oposição a Aécio Neves um discurso. Se o nome for Patrus, sim, aí teríamos uma contraposição mais definida.
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A expressão "pauleira" foi usada pelo próprio presidente Lula, durante discurso para moradores de rua, com quem comemora as festas natalinas há sete anos. Pauleira, para o presidente, tem vários sentidos, desde o enfrentamento acirrado, já que o quadro sucessório ficará radicalizado entre o tucanato e o petismo paulistas - num verdadeiro tira-teima, do qual o mineiro Aécio Neves preferiu sair à francesa -, como também de muito trabalho para concluir promessas e obras de Governo. Não foi à toa que orientou à sua candidata, ministra Dilma Rousseff, a tirar 15 dias de férias, para recarregar as baterias.
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Até agora, em nada adiantaram as disputas internas nos partidos aliados, PT e PMDB, para definir rumos e candidaturas nas eleições estaduais do ano que vem. Em vez de definição, riscos e rupturas. No PT, onde o processo está concluído, o ex-prefeito de BH Fernando Pimentel venceu o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, na eleição pelo controle partidário. O candidato de Pimentel, Reginaldo Lopes, bateu o de Patrus, Gleber Naime, apesar das suspeitas de fraudes, mas não impedirá a realização de prévias para escolher o candidato a governador pelo partido.
Pimentel acha que a eleição para presidente estadual do PT, chamada de PED, já seria uma prévia entre ele e Patrus; este acha que não. O fato é que a eleição para a escolha do presidente estadual confirmou aquilo que já foi dito aqui, ou seja, não há hegemonia de um grupo sobre o outro. O partido está rachado entre os dois principais segmentos, de Pimentel e de Patrus, o que impõe uma negociação entre eles para evitar o pior, que seria novo enfrentamento, com sequelas. Com disputas consecutivas, não há unidade que resista, apesar do discurso de que a democracia interna seria mais forte do que as vaidades humanas. Discurso que apenas esconde sentimentos e feridas.
Repetindo o bate-chapa, o PMDB entra em campo hoje para definir seu futuro. De um lado, o deputado federal Antônio Andrade, apoiado pelo ministro Hélio Costa (Comunicações); do outro, o deputado estadual Adalclever Lopes, sustentado pelo ex-governador Newton Cardoso. Quem vencer hoje, com certeza, não terá o apoio do outro lado. Faltou a Hélio Costa, favorito na disputa para governador, exercitar a própria liderança na tentativa de buscar um consenso mínimo na convivência dos dois grupos para pavimentar sua candidatura a governador. Como não queria ficar refém do outro lado, tenta vencê-lo para ter o controle do PMDB.
Mais do que o controle da legenda, se vencer hoje, Hélio Costa aposentará a influência de mais de 20 anos do ex-governador Newton Cardoso sobre o partido. Serão duas vitórias importantes, como sinalizam os movimentos internos, mas nenhum delas vai garantir-lhe o apoio do outro grupo ao seu projeto político eleitoral. O mesmo vale para o grupo de Newton Cardoso, caso o de Hélio Costa saia derrotado. Triste PMDB, que fez da divisão interna a marca maior de sua trajetória, razão pela qual nunca chegou ao principal cargo do país (Tancredo Neves morreu antes de assumir em 85, e Sarney virou presidente e peemedebista). De lá para cá, lá se vão 30 anos apenas pegando carona no poder.
Se enfraquecem os partidos aliados, PT e PMDB, de outro lado, os rachas têm apenas um beneficiário, que é o concorrente direto, o PSDB do governador Aécio Neves e de seu candidato, o atual vice-governador Antonio Anastasia. O PSDB não apresenta, ao contrário dos rivais, sinais de ruptura ou turbulências. O novo presidente estadual, Narcio Rodrigues, foi eleito por consenso e por indicação de Aécio; o candidato a governador deverá ser mesmo Antonio Anastasia, não por consenso, mas por indicação de Aécio, ou seja, o tucano mineiro teve de sobra o que faltou a petistas e peemedebistas para manter o partido unido em torno de um projeto único.
As pesquisas que já saíram e estão saindo, para governador, não refletem nem de longe o que vem por aí, na campanha eleitoral. São dados que expõem uma situação artificial, baseada na memória e lembrança do eleitor. Hélio Costa continua liderando a corrida por ter disputado três eleições majoritárias - duas para governador, malsucedidas, e uma vitoriosa ao Senado. Pimentel e Patrus, empatados técnica e politicamente, dentro e fora do partido, vêm em segundo lugar. A lanterna é do pré-candidato tucano, Antonio Anastasia, que já chega aos dois dígitos.
São números relativos e refletem uma situação artificial. Pior do que uma ilusão amorosa, já ensinava Magalhães Pinto, é a ilusão política. Não se pode ignorar que Anastasia é estreante na política, mas assumirá o Governo do Estado a partir de março do ano que vem e terá o apoio de Aécio Neves, que tem uma cristalizada aprovação popular em Minas e que ainda não entrou pra valer na disputa estadual. Se pretendem destronar os tucanos, em Minas, PT e PMDB deveriam antes arrumar a casa. Ainda há tempo.
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