A empresa Orteng comunicou ontem à Agência Nacional de Petróleo (ANP) ter encontrado gás natural no bloco exploratório SF-T-132, na Bacia do São Francisco. É a primeira descoberta na região, em área licitada pela ANP na 7ª Rodada de Licitações, em 2005. Só na próxima semana a empresa deverá saber se o poço é viável comercialmente ou não. O gás foi encontrado em um reservatório secundário, a 1.440 metros de profundidade, em Morada Nova de Minas. As perfurações continuam nos próximos 20 dias, quando a empresa deve chegar ao reservatório principal, a 2.480 metros de profundidade.
A Orteng é sócia da Codemig, Imetame Energia e Delp Engenharia no projeto. Ainda sem grande atividade exploratória, a Bacia do São Francisco é considerada de grande potencial para descobertas de gás natural. A descoberta foi feita no poço 1ORT1MG.
O diretor de Óleo e Gás da Orteng, Frederico Macedo, disse que a equipe técnica da empresa ainda está analisando os resultados dos testes já realizados. “A análise relativa ao volume e à vazão pode sair na segunda-feira, mas também é possível que tenhamos de fazer testes complementares para saber se o reservatório é comercial ou não. Acredito que seja”, afirmou Macedo, relatando que houve queima de gás na superfície durante o teste de formação.
Em 20 dias, a empresa deve chegar ao reservatório principal, onde os estudos preliminares apontaram maior probabilidade de gás em grande volume. O consórcio já investiu R$ 10 milhões em Morada Nova de Minas e deve investir outros R$ 11 milhões ainda nesse poço.
Somente após os resultados dos testes de viabilidade econômica, a Orteng e demais consorciadas devem definir o cronograma de perfuração de outros poços no mesmo bloco ou nos dois outros que arrematou. Ainda não há uma previsão de quando começa a exploração comercial.
O prefeito de Morada Nova, Alexsander da Silva Rocha, avaliou que o município vai passar por um novo ciclo de desenvolvimento caso se confirme a viabilidade comercial do gás natural encontrado.
Rocha reconhece que o município ainda carece de investimentos, especialmente em qualificação da mão de obra. Nesse sentido, já foi fechada uma parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae-MG), e estão em andamento conversas com o Governo estadual.
A cidade tem hoje sua economia concentrada na agricultura e na piscicultura, e a Prefeitura tem um orçamento anual que gira em torno de R$ 25 milhões. Embora acredite em um salto significativo na arrecadação, especialmente com recolhimento de royalties, o prefeito preferiu não fazer projeções quanto ao aumento do orçamento, uma vez que ainda não se sabe o potencial da jazida.
O comércio local e o segmento de prestação de serviços já percebe maior dinamismo nas atividades desde o início dos trabalhos da empresa na cidade. “A movimentação nos hotéis e pousadas cresceu muito, e a perspectiva é que se mantenha aquecido”, observou Rocha.
A instalação de indústrias na região também é uma possibilidade que o prefeito considera. Em substituição ao óleo, o gás natural, em alguns casos, aumenta a produtividade das empresas e reduz custos. Empreendimentos próximos ao local da extração dependem menos da construção de uma logística de distribuição do gás, e o prefeito aposta nesse diferencial. “É uma chance de diversificar nossa economia. Temos um plano estratégico de desenvolvimento que já previa essa possibilidade”, disse.
Município pode ter 1% de royalties
Caso se confirme a viabilidade da exploração de gás em Morada Nova de Minas, o município terá direito a royalties equivalentes a 1% do total de gás retirado para comercialização. O Estado receberá outros 4%, de acordo com a legislação em vigor. Se houver queima de gás durante o processo de exploração, esse gás também é contabilizado para o cálculo dos chamados royalties compensatórios.
Há, ainda, a possibilidade de pagamento de royalties sobre o excedente da produção, conforme previsto no edital de licitação, caso o volume de gás exceda o mínimo previsto em edital. “Nesse caso, o percentual é definido em edital e pode chegar a 10% do total produzido”, explica o advogado especializado em petróleo e gás, Cláudio Araújo Pinho.
Após os 5% de royalties compensatórios, o restante é divido entre Estado (52,5%), município onde ocorreu a produção (15%), municípios afetados pela operação de embarque e desembarque de gás natural (7,5%) e Ministério da Ciência e Tecnologia (25%).
A descoberta de gás em Morada Nova pode dar novo ânimo à segunda etapa exploratória dos blocos de concessão de gás natural na Bacia do São Francisco, em Minas Gerais, licitados em 2005.
A 16 meses para o fim da etapa, o número de poços que será perfurado caiu a menos da metade. De um total de 27 poços previstos para essa fase, que teve início em janeiro deste ano, apenas 11 estão confirmados junto à Agência Nacional do Petróleo (ANP), responsável pela fiscalização dos contratos de concessão. A reta final do período de concessão dos blocos vendidos na 7ª Rodada de leilões da ANP coincide com a transferência de titularidade da maioria dos contratos.
A redução do número de poços foi resultado das conclusões dos estudos geofísicos e de sísmica realizados na região pelos concessionários dos blocos durante a primeira fase exploratória, que teve início em janeiro de 2006 e durou quatro anos.
Os contratos preveem que, após a primeira etapa - restrita a estudos de superfície -, ao menos um poço exploratório seja perfurado. Apenas o poço pode confirmar se há reservas de gás natural ou petróleo em escala comercial. A expectativa é de que a Bacia do São Francisco tenha gás, pois o combustível emana na superfície em algumas regiões, como no Remanso do Fogo.
A meta de perfuração de ao menos um poço, porém, pode ser flexibilizada pela ANP se os estudos preliminares dos concessionários não encorajarem os investimentos desta etapa. Um furo com 2.500 metros de profundidade na região, por exemplo, pode demandar R$ 11 milhões.
Mas o investimento necessário pode ser ainda maior, pois o fato de se encontrar gás em um poço não garante que haja volume suficiente para a confirmação da comercialidade da jazida, o que pode exigir novas perfurações. Há ainda o risco de não se encontrar o hidrocarboneto.
O mapa da Bacia do São Francisco nesta segunda etapa prevê dois poços da Petrobras, em João Pinheiro e Brasilândia de Minas, no Noroeste do Estado. A estatal arrematou seis blocos em 2005, mediante o pagamento de um bônus de assinatura de R$ 9,7 milhões, mas devolveu dois à União no início da segunda etapa, por não considerá-los atraentes. Dos quatro blocos restantes, apenas dois serão alvo de perfuração.
A maior alteração nos planos de exploração da 7ª Rodada aconteceu nos blocos arrematados pela argentina Oil M&S. A empresa pagou R$ 220 mil pelos direitos de exploração em 22 blocos na Bacia do São Francisco, mas transferiu a titularidade para a Petra Energia, da holding STR, do empresário Roberto Viana Batista Júnior, de Pernambuco. Na passagem para a segunda etapa, um dos blocos foi devolvido à ANP.
(*) Com agências. Matéria publicada originalmente na edição impressa do HOJE EM DIA (1.9.2010)
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São Paulo, 25 de agosto de 2010 – A GOL, a maior companhia aérea de baixo custo da América Latina, iniciou hoje a venda de passagens para seu novo destino doméstico: Montes Claros, no estado de Minas Gerais. Os voos regulares, já autorizados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e demais autoridades, serão realizados a partir de 1 de novembro de 2010, via Belo Horizonte/Confins.
Montes Claros é a maior e mais importante cidade no Norte de Minas Gerais. A região em seu entorno possui cerca de 2 milhões de habitantes e abriga grandes indústrias, além de comércio diversificado. A cidade tem também um setor agrícola altamente desenvolvido e é um importante pólo universitário nacional.
Apesar de possuir o segundo maior entroncamento rodoviário do País, Montes Claros e região são distantes dos grandes centros do País e carecem de opções de transporte aéreo. A nova rota da GOL, além de encurtar o tempo de viagem e aumentar o conforto, vai oferecer aos clientes de toda a região a possibilidade de conexão imediata em Confins para São Paulo (Congonhas), Rio de Janeiro (Santos Dumont e Tom Jobim/Galeão), Brasília, Curitiba, Salvador, Campinas, Recife e Vitória.
Os bilhetes para Montes Claros podem ser adquiridos pelo site da GOL (www.voegol.com.br), por meio da Central de Relacionamento com os Clientes ou via agentes de viagem.
Sobre a GOL
A GOL, companhia aérea brasileira de baixo custo, oferece mais de 860 voos diários para 51 destinos que conectam todas as mais importantes cidades do Brasil e 12 mercados internacionais na América Latina e Caribe. A companhia opera uma frota jovem e moderna de Boeing 737 Next Generation, as aeronaves mais seguras e confortáveis da classe, com baixos custos com manutenção, combustível e treinamento, e altos índices de utilização e eficiência.
Sempre empenhada em buscar soluções inovadoras por meio do uso de altas tecnologias, a Companhia — com as marcas GOL, VARIG, GOLLOG, SMILES e VOE FÁCIL ― oferece aos clientes facilidade de compra, ampla oferta de serviços complementares e a melhor relação custo-benefício do mercado.
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PEDRO RICARDO/ARQUIVO HOJE EM DIA
Um dos principais canais de escoamento da produção de frutas do Projeto Jaíba, no Norte de Minas, é o mercado exterior. Com a certificação GlobalGap, obtida em maio, um grupo de produtores de limão tem agora mais uma porta aberta para o comércio internacional.
E, segundo o engenheiro agrônomo da Emater-MG, Ildemar Pereira da Silva, os agricultores já estão aproveitando bem este caminho, com a exportação de quatro contêineres até julho, num total de 88 toneladas. Até o final do ano, a perspectiva é embarcar pelo menos um contêiner a cada semana.
“Pelo potencial de produção do Projeto Jaíba e pela demanda internacional, há possibilidade de aumentar ainda mais essas remessas”, afirma o extensionista. Ele explica que, com a certificação, os produtores estão vendendo diretamente para o exterior, sem intermediação de atacadistas. Esse processo aumenta a renda obtida com o limão, mas está exigindo também algumas adaptações para fazer frente às exigências de oferta regular e em grande quantidade.
O GlobalGap é um sistema europeu de gestão de qualidade que tem como finalidade principal assegurar alimentos sustentáveis e seguros para os seus consumidores. As normas para obter esse selo de qualidade e origem abrangem três áreas principais: segurança alimentar, com a análise de riscos e pontos críticos de controle; proteção ambiental, visando minimizar o impacto negativo da produção agrícola no meio ambiente; e saúde, segurança e bem-estar ocupacional. A Emater-MG, vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), orienta a produção e a capacitação dos produtores, da qual constam, entre outros assuntos, o tipo de adequação que deve ser feita na propriedade e os custos para o agricultor.
O objetivo é consolidar e ampliar a comercialização da fruta para os mercados internacionais. Os produtores de limão precisaram fazer adequações físicas nos galpões de classificação e embalagem das frutas (conhecidas internacionalmente como packing houses).
Receberam a certificação 14 produtores e 18 propriedades. Além disso, a CentralJai (central de associações de produtores do projeto Jaíba, composta por 28 associações) foi certificada como packing house.
O extensionista Ildemar Pereira da Silva explica que a certificação permite a rastreabilidade do produto (possibilita saber quem plantou, quando, os produtos usados na produção etc); a necessidade de se adequar ao mercado; a segurança alimentar; a possibilidade de negociar a melhoria de preço do produto; a sustentabilidade ambiental e social e a melhoria da qualidade de vida. Com a certificação é possível descobrir, no caso de alguma irregularidade ou problema no produto, quem foi o produtor que o plantou, se foram usados defensivos agrícolas, se o agricultor trabalha em condições necessárias, dentre outras coisas, uma vez que todos os dados do produto e do produtor são informados na caixa que vai para exportação.
Rigor na produção
Segundo Idelmar, o produto certificado possui um rígido controle de todo o sistema de produção, começando pela lavoura até chegar ao mercado consumidor. “Podemos citar como exemplo o uso de defensivos. É feita uma amostragem do produto para a verificação de resíduos, se o nível for elevado o produto é recusado”, afirma.
De acordo com o engenheiro agrônomo, a certificação mostra que os produtores estão atendendo as condições necessárias de comercialização, leva a uma maior rentabilidade a eles, além de propiciar um produto de melhor qualidade ao consumidor.
Compartilha da mesma opinião o produtor e presidente da CentralJai, Joaquim Rodrigues, que há quatro anos é produtor de limão e manga na região e foi um dos contemplados com a certificação. Para ele, a certificação traz vários benefícios ao agricultor, principalmente no que diz respeito ao controle de qualidade e à diminuição das despesas. “A certificação é uma necessidade de mercado, que está cada vez mais competitivo. Assim, para entrar nele é preciso ter um produto de qualidade e com poucos custos para o produtor. Sem a certificação seria mais difícil entrarmos no mercado internacional”, diz Rodrigues. “A certificação é um marco sólido tanto para o mercado interno quanto para o externo”, acrescenta.
Para o extensionista da Emater-MG no Jaíba, “a mudança ainda está ocorrendo, os trabalhos com a certificação estão apenas no início. Este é só um primeiro passo, mas nossas expectativas são de que daqui a um ano possamos estar exportando bem mais e com produtos diversificados”, conclui.
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Pondo fim à grande “novela” vivida pelos norte-mineiros desde anos atrás, quando pela primeira vez anunciamos aqui o interesse da Gol em operar em Montes Claros, mas sempre barrada pelos órgãos fiscalizadores/reguladores ANAC/DAC.
Agora é fato e, após grande esforço de todos envolvidos na concretização deste voo, já está disponível no site da companhia a reserva online conforme tarifas abaixo (por trecho):
Montes Claros(MOC) > Brasilia(BSB) R$ 159
Montes Claros(MOC) > Confins(CNF) R$ 79
Montes Claros(MOC) > Congonhas (CGH) R$ 169
Montes Claros(MOC) > Rio de Janeiro(GIG) R$ 169
É importante salientar também os serviços de carga que através da Gol Log estarão disponíveis na região, dando muito mais agilidade a distribuição de produtos de alto valor agregado ou que necessitam de pressa.
É um novo tempo e Montes Claros volta a ser vista no mapa das grandes companhias aéreas brasileiras, nome ausente desde a saída da TAM nos anos 90 com seus inconfundíveis fokker 100, Oceanair e Varig após sua “extinção”.
A Trip, por sua vez, já voltou com a tarifa promocional de R$ 99,90 e continuará exercendo seu papel de importância inquestionável ligando Montes Claros ao aeroporto central da capital mineira – Aeroporto da Pampulha e as cidades do interior como Diamantina.
É importante agora que todos nós continuemos lutando para que a concorrência seja mantida e novas melhorias possam vir para nossa cidade como exemplo: o também sonhado novo terminal de passageiros e o terminal de carga aérea que é de suma importância para o desenvolvimento de vários setores da economia regional inclusive a pecuária.
(*) Artigo reproduzido do portal montesclaros.com
Mais informações: mateus.guima@gmail.com
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Uma mistura de falta de informação e má fé está desvirtuando a compreensão da Lei 19.096, que permite a recuperação de áreas abandonadas pela agricultura e de pastagens degradadas pela pecuária. Nestas áreas, o mato e a erva daninha estão crescendo e não vêm sendo combatidos porque os produtores rurais não conseguem, por falta de amparo legal, licença do Instituto Estadual de Florestas (IEF). Promulgada pela Assembleia Legislativa mineira, a lei 19.096 tem origem em um projeto apresentado pelo deputado Gil Pereira.
A primeira reação dos leigos foi: ‘Agora, a Mata Seca no Norte de Minas vai acabar’. Ao contrário, a nova lei chegou para proteger a Mata Seca. É preciso deixar a ideologia de lado - e até mesmo a ignorância - para entender o que são áreas degradadas, abandonadas, onde só cresce a erva daninha. Lá, um dia foi mata nativa. Também onde está o Palácio da Liberdade ou a Avenida Afonso Pena um dia foi mata nativa.
No Norte de Minas, existem duas estações: as águas e a seca. Nas águas, o mato fica verde. Na seca, fica seco, daí o nome Mata Seca. Porém, não se trata de um bioma como a caatinga, o cerrado ou a Mata Atlântica, com a qual a Mata Seca vinha sendo confundida por um decreto assinado pelo presidente Lula.
A lei estadual19.096, que define regras para o uso do solo na Mata Seca e retira este bioma da área de abrangência da Mata Atlântica, permite a eliminação de arbustos de espinho tipo erva daninha, como priquiteira, serrotão e surucana. Este tipo de situação é muito comum entre os pequenos produtores, em especial os ligados à agricultura familiar. Exatamente por estar no Polígono das Secas, em anos de estiagem mais prolongada nem sempre o produtor tem recurso suficiente para roçar as pastagens. De um ano para o outro, se ele não roçar, a priquiteira, que é uma praga, cresce e se multiplica. O grande produtor tem sempre dinheiro para limpar o mato. Mas o pequeno, em ano de vacas magras, não tem esta força.
O mesmo acontece quando o agricultor familiar perde sua roça de milho, mandioca ou feijão por causa da seca. Não choveu na hora certa, o prejuízo é certo. Sem a renda da colheita, frustrada pela seca, o agricultor não tem como limpar a área. Em consequência, o mato cresce. No ano seguinte, ele não tem mais onde plantar porque o IEF não libera licença para ele roçar aquele matinho que cresceu e está com dois ou mais metros de altura. É o chamado mato primário ou secundário, que a nova lei permite agora que se limpe.
É este matinho que está gerando tamanha polêmica. Aliás, a polêmica é maior que o mato. Polêmica ideológica, fruto de má fé ou de falta de informação. Não se trata de derrubar a reserva legal que toda propriedade rural, obrigatoriamente, tem que ter. Em alguns biomas, uma reserva de 20% da área. Em outros, como na Amazônia ou na Mata Atlântica, acima de 50%. É bom que os ambientalistas saibam que esta ideologia fundamentalista está criando a maior exclusão social que se tem notícia no Norte de Minas. Vejam bem que o Norte de Minas tem hoje uma cobertura vegetal próxima de 60%. E que em várias regiões do Estado, como a de Belo Horizonte e o Triângulo Mineiro, por exemplo, a cobertura vegetal sequer chega aos 7%.
O resultado é a exclusão social. Enquanto todo o país se comemora uma melhoria no nível de vida da população, no Norte de Minas o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) caiu nos últimos oito anos. E o desemprego no meio rural aumentou. Não tem emprego porque o agricultor familiar não tem onde plantar, já que sua propriedade está tomada por plantas de espinho onde deveria ter feijão, milho, mandioca e capim para as vaquinhas de leite.
Para o agricultura familiar, é o pior dos mundos. Se cortar o arbusto de espinho, vem a Polícia Florestal e multa. Se não cortar, não tem como plantar e sobreviver da terra. A saída é deixar o campo e ir para a cidade, morar na favela, onde o agricultor e seus filhos vão conhecer uma praga ainda pior que a priquiteira ou a surucana: o crack. Na favela, ele não é nada. Não tem profissão, não tem emprego, não tem dignidade. No campo, ele é um mestre. Sabe tudo. Sabe plantar e colher. É preciso ajudá-lo a cuidar da terra e não empurrá-lo à favela, entregar seus filhos ao tráfico de crack.
(*) Artigo original. O publicado na coluna do Lindenberg, edição do dia 22.8.2010, sofreu cortes por falta de espaço.
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CATUTI - Produtores de biodiesel do Norte de Minas já produzem combustível renovado a partir de sementes de algodão transgênico. A Cooperativa dos Produtores Rurais de Catuti colocou em funcionamento uma usina com capacidade de produzir 500 litros de óleo por dia.
Dirigentes da Embrapa-Algodão receberam apelo da Associação Mineira de Produtores de Algodão para a instalação de um centro de pesquisa e tecnologia em Catuti. A intenção é elevar a produção de algodão transgênico para 14 mil hectares, visando, além da produção do biodiesel, atender as indústrias têxteis.
O coordenador técnico da cooperativa, José Tibúrcio Carvalho, salienta que o Norte de Minas alcança até 180 arrobas por hectare de algodão, de grande qualidade.
A cooperativa de Catuti tem atualmente 400 hectares plantados de algodão adensado. A expectativa dos produtores de algodão é vender a semente do algodão para a Usina de Biodiesel da Petrobras, em Montes Claros.
A empresa ofereceu R$ 0,25 pelo litro do óleo de algodão, enquanto o mercado atualmente paga R$ 0,50.
(*) Matéria publicada originalmente no HOJE EM DIA, edição de 21.8.2010
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MONTES CLAROS - Novo voo diário vai ligar Belo Horizonte a Montes Claros a partir de 1º de novembro. É quando a Gol Linhas Aéreas começa a explorar a rota entre as duas cidades. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou ontem o pedido da companhia para operar o trecho. Os passageiros vão viajar em uma aeronave Boeing 737, com capacidade para 154 pessoas. O custo da tarifa é R$ 99, e as passagens já começam a ser vendidas na próxima semana.
Batizado de "morcegão", o voo sairá da capital mineira às 22h43, com chegada prevista em Montes Claros às 23h25. A aeronave vai pernoitar no Norte de Minas e deixar a região às 5h50, aterrissando do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Região Metropolitana de BH, às 6h40. O horário permite conexão para todo o Brasil.
Este foi o terceiro pedido da Gol para explorar o trecho. A empresa aérea já havia procurado a Anac duas vezes, em 2005 e em maio deste ano, mas teve a solicitação negada nas duas situações. Na primeira, a agência alegou inviabilidade da rota. Na segunda, a justificativa foi a falta de estrutura do Aeroporto de Montes Claros. A autorização dada agora pela Anac vale a partir de 20 de setembro, mas somente para 1º de novembro está marcada a primeira viagem.
A superintendente do aeroporto, Leny Tolentino, garantiu ontem que a Infraero e a Gol atenderam às exigências fixadas pela Anac para a autorização do voo, como providenciar equipamentos de segurança e esteira para bagagens de maior porte. Na próxima segunda-feira, a Gol começa a montar o guichê no aeroporto.
Atualmente, apenas a Trip Linhas Aéreas explora a rota Belo Horizonte-Montes Claros, com cinco voos diários e custo médio de R$ 450 a R$ 550.
O preço, considerado abusivo, levou o Conselho Municipal de Defesa do Consumidor de Moc a convocar a Trip para uma reunião na próxima semana. A unidade regional da Ordem dos Advogados do Brasil ameaça questionar na Justiça o valor da tarifa. A Trip nega que o bilhete seja caro e garante que pratica preços a partir de R$ 159.
Até outubro de 2004, Montes Claros tinha a empresa Nordeste Linhas Aéreas, que pertencia ao Grupo Varig. Depois veio a OceanAir, na rota Moc-São Paulo, mas a companhia desistiu da operação em 2008. Em 2009, a Air Minas interrompeu as viagens até BH depois de três meses.
(*) Matéria publicada originalmente no HOJE EM DIA, edição de 21.8.2010
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MONTES CLAROS - A Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) promove neste ano eleição para escolher o reitor e o vice-reitor para gerir a instituição no período de 2011 a 2014. A posse acontece em 5 de dezembro. O atual vice-reitor João dos Reis Canela é candidato e formou chapa com a professora Ivete Almeida, pró-reitora de Ensino, que concorre para vice-reitora. O lançamento da candidatura aconteceu na noite da última segunda-feira, e as eleições deverão ser realizada na última semana de outubro.
Somente na próxima semana é que o Conselho Universitário definirá as regras da eleição, mas será necessário enviar, no mínimo, três nomes para cada cargo. E o governador definirá quem será nomeado. Estão sendo cogitadas as candidaturas dos médicos Itagiba de Castro, João Felício Ferreira, do sociólogo Antônio Maciel e da economista Tânia Fialho.
O processo eleitoral envolve 1.480 professores, cujos votos pesam 70% do total; 1.670 servidores, com peso em 15% e aproximadamente 10 mil alunos, cujos votos valem também 15%. Os governadores têm respeitado o resultado da eleição direta para reitor, mas acabam indicando entre a lista tríplice um nome para ocupar a vice-reitoria.
Esta será a quinta eleição direta realizada na instituição. A primeira ocorreu em 1988, quando ainda se chamava Fundação Norte Mineira de Ensino Superior (FUNM), que culminou na eleição do médico José Geraldo de Freitas Drumond. Com a criação da Unimontes, em 1989, a nova eleição foi realizada apenas em 1998, com José Geraldo sendo reconduzido. Em 2002, o economista Paulo César Santiago foi eleito, e reeleito em 2006.
A Unimontes possui 44 cursos e é considerada a maior instituição de Ensino Superior estadual de Minas Geais e maior educandário do Norte do Estado.
(*) Matéria publicada originalmente no HOJE EM DIA, edição de 18.8.2010
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Meninos e meninas,
Agosto me traz a lembrança redemoinhos empoeirados, que bailavam pela cidade. Densas cirandas de ventos que eu pulava dentro, de um pé só, ressabiado, a procura do Saci Pererê e de suas estripulias. Era o mês dos ventos soprantes de araras, papagaios e pipas. Alísios que alçavam minha sureca (arara sem rabiola), vermelhamarela, losangular, saliente e atrevida. Raia que coroava o azul morno dos céus.
Os ventos chegavam sorrateiros, sem avisar, soprando devagarzinho, brisazinhas. Com o decorrer dos dias, iam engrossando, tomando corpo, e brotavam os redemoinhos. A meninada não tinha consciência cronológica dos ritos da natureza, agia instintivamente. Ventou, então estava na hora de soltar pipa.
Assim, a primeira semana de agosto era gasta no gosto de manufaturar araras e manivelas, de providenciar, no escondido, o pó de vidro e a cola de madeira para o cerol. De arranjar as taliscas de bambu no Pequi de Joani e descolar uns trocados para comprar os papéis de seda coloridos e os carretéis de linha 40 na lojinha do Seu Tamiro, na Travessa Cônego Marcos.
A chegada dos ventos levava a criançada para os finais das ruas, para os mangueiros, onde não havia postes de luz, nem os inimigos fios, ladrões dos artefatos de alegria. Ventanias que embicavam pelas ruas soprando catopés e embaralhando suas fitas de cores vivas. Poeira e brancura. Puras.
Nós, meninos, só queríamos olhar para os céus e ver nossas araras nas maiores alturas, sublimes, como um gavião reinante à caça de uma presa. Ficávamos de butuca a procura de outra pipa, içada por meninos de outros bairros. Os territórios e domínios da garotada eram demarcados pelos limites das ruas, mas o céu não era de ninguém. Lá em cima, no campo de batalha, valia tudo. Então, se víssemos uma arara empinada o desafio era certo e a conquista era resgatá-la com classe. A manha era dar fortes toques na linha, fazendo a pipa mergulhar lateralmente, em velocidade, até alcançar e laçar em 360º a outra linha descuidada. Fisgada, enlaçada, com ligeireza recolhíamos a presa na manivela e ficávamos no aguardo do envergonhado dono a procura da sua arara derrotada. O orgulho espirrava de satisfação. Aqui pra nós, pretéritos tantos anos, confesso: perdi a maioria das batalhas. Eu gostava mesmo era de “Cabaspará’, que meus primos de Belo Horizonte chamavam de ”Pentes Altas.”
Passados os ventos de agosto, a poeira, os catopês, os amarelos e roxos dos ipês, setembro surgia mais quente e trazia chuvas esporádicas. O pó sumia, a terra dura amolecia, os riscos das fincas e as bilóias apareciam. A meninada descalça, sem nem bem saber, esquecia as pipas, e furava o chão macio com o dedão. Estava na hora de desentocar as bolinhas de gude.
Dum dia para outro, não havia uma esquina que não tinha um bolo de meninos no “Gute please, todos”. Era assim mesmo, com essa mistura de inglês e português, que iniciava a partida de bolinha. Daí, um o garoto dizia: “bololô na minha, não dou nada e quero tudo”. Nada mais ditatorial. Quem gritasse primeiro esta frase, além de não poder ser alvejado, mesmo “estando no jeito”, tinha direito a todas regalias, mandingas e favorecimentos, tais como: mão quieta, mãos nos peitos, rondas... Cada um tinha sua bolinha sorteira (da sorte), o bolofofo (bolinha grande da cor de café com leite), a esfera minúscula e as “olho de gato” de matar de inveja.
E quem não brincou de “Guerau”, que traduzido ao Far West de outrora queria dizer “Get yours hands up”.
Bem, meninos e meninas de antigamente, deu saudade, né? Então, mate-a!
Neste sábado, dia 21/08, às 20 horas, no Skema Kent, estaremos reunidos para relembrar a nossa infância, quando “Éramos Felizes e Sabíamos”.
Apareça lá, e vamos reviver nossa Montes Claros Criança!
(*) Enviado por Valeriano Lopes para o asouto@hojeemdia.com.br
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O crescimento da economia está aumentando o número de vagas de trabalho com carteira assinada no interior pobre do país. São postos que exigem treinamento técnico para serem executados e que estão sendo abertos em regiões, até agora, esquecidas pelo "deus" mercado. É o que está para acontecer em Capitão Enéas, um município de 14.600 mil habitantes, no Norte de Minas.
Em matéria de desenvolvimento econômico e social, a cidade ocupa o 773º lugar entre os 853 municípios mineiros. Ou seja: quase a lanterninha. Mas espera a redenção. É que uma unidade da Marluvas, fabricante de botas e calçados de uso industrial, será instalada no local empregando, por enquanto, 400 empregados, que receberão treinamento do Senai antes de colocarem a mão na massa.
Hoje, já há 20 funcionários recrutados no Norte de Minas trabalhando na sede da fábrica, em Dores de Campos, na Zona da Mata, onde vivem 5.700 pessoas. O município ocupa o 509º lugar no ranking do desenvolvimento estadual. São nada menos do que 264 posições à frente de Capitão Enéas.
Denilson José da Silva, diretor comercial da Marluvas, explica que esses trabalhadores vão ocupar cargos de gerência e de supervisão na unidade do Norte de Minas. "Na Zona da Mata, a disputa pela mão-de-obra é muito intensa. Dores do campo é uma cidade onde há pleno emprego. Não dá tempo de fidelizar os funcionários. Com qualquer oferta um pouco maior, eles trocam de empresa".
(*) Artigo reproduzido do blog http://www.dzai.com.br/nareal/blog/nareal?tv_pos_id=65107
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