Luís Alberto Caldeira
Anel Norte vai ligar chegada de Belo Horizonte pela BR-135 com saída para Januária
Em prol da construção do Anel Rodoviário Norte de Montes Claros, representantes de entidades, sindicatos, políticos, entre outras autoridades, têm um encontro marcado na Câmara Municipal de Montes Claros nesta sexta-feira, dia 10, às 14h30.
Trata-se de uma reunião que marcará o início da campanha de mobilização para que o projeto do Anel Rodoviário saia do papel e seja construído o mais rápido possível. Essa é a reivindicação de toda a comissão organizadora da campanha, que conta com o apoio da Prefeitura de Montes Claros, Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenação Estratégica (Seplan), Empresa Municipal de Planejamento, Gestão em Trânsito e Transporte de Montes Claros (MCTrans), Câmara de Vereadores de Montes Claros, Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Associação Comercial e Industrial de Montes Claros (ACI), Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG/ Regional Norte), Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams), Associação dos Municípios do Vale do São Francisco (Ammesf), Conselhos de Veneráveis do Norte de Minas (Convenorte), SDETT, Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Sest/Senat), Sindicato das Empresas de Transportes de Carga do Norte de Minas (Sindinor), Agência de Desenvolvimento do Norte de Minas Gerais (Adenor) e Transnorte.
Depois de já realizadas algumas reuniões, a comissão organizadora da campanha decidiu apresentar uma carta pedindo que as autoridades competentes autorizem e deem início à construção do Anel. A carta e as assinaturas, que serão colhidas na reunião de sexta-feira, serão encaminhadas ao governo de Minas, ao ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e à presidente da República, Dilma Rousseff.
Segundo o empresário Jamil Cury, que participou da última reunião, realizada na segunda-feira, dia 6, na FIEMG Regional Norte, o Anel Rodoviário Norte vai atender as demandas de outras cidades também. Por isso, ele complementa dizendo que a luta tem que ser de todos. “Vocês não sabem o poder das entidades junto ao governo de Minas. Ganha quem tem ousadia”, declara.
O secretário de planejamento da Prefeitura de Montes Claros, Marcos Fábio, que também participou das reuniões, aponta a importância da participação de todos os representantes políticos e diz: “Essa é uma campanha suprapartidária. Estamos prontos para mobilizar, pois Montes Claros e o Norte de Minas precisam”.
PROJETO
O projeto de construção do Anel Rodoviário Norte prevê ligar a saída para Francisco Sá à saída de Januária, completando o contorno da cidade e desviando o tráfego de veículos pesados que tem se intensificado muito nos últimos meses, principalmente em decorrência da reforma da BR-135. Com isso, esses veículos não necessitariam mais passar pelo centro de Montes Claros para seguirem destino. Marcos Fábio ainda explica que a construção do Anel vai possibilitar a atração de grandes empresas não só para Montes Claros, mas para a toda a região do Norte de Minas. “E isso, consequentemente, vai gerar mais emprego e renda para a população”, afirmou o secretário.
Todavia, para que o projeto se concretize, faz-se necessário compreender a real situação dele, já que, depois do fim do convênio entre Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) e Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT), segundo a comissão organizadora, não se sabe quem tem a responsabilidade de construir o Anel ou quem pode e/ou deve construí-lo. Daí o pedido de intervenção para os governos estadual e federal para que se resolva tal impasse.
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Pelo menos R$ 20 bilhões em investimentos prometidos para Minas Gerais nos últimos sete anos ainda não saíram do papel. A cifra é resultado de seis protocolos de intenções assinados entre empresas privadas e o governo estadual que não cumpriram a data de instalação. Os seis projetos prometiam a abertura de 42 mil postos de trabalho, mas as empresas não conseguiram cumprir o cronograma ou mudaram os planos de investimentos. Em alguns projetos há esperança de viabilização, enquanto outros foram adiados indefinidamente.
Nas cidades que deveriam receber os investimentos, a expectativa de aumento de arrecadação e salto de desenvolvimento deu lugar à frustração. A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede) informa, via assessoria de imprensa, que não possui a relação dos protocolos assinados nos últimos anos. Tampouco disponibiliza uma lista com os mais importantes deles. No entanto, são de conhecimento público os projetos mais importantes que acabaram sendo abortados em função do ambiente econômico desfavorável ou por questões relativas ao licenciamento ambiental.
Os projetos que não se realizaram, contudo, têm valor inferior aos investimentos prometidos recentemente. O balanço do governo disponível aponta que, nos dez primeiros meses de 2011, foram assinados 141 protocolos de intenções para investimentos em diversos setores, que somam R$ 27,6 bilhões e prometem a criação de 127.351 empregos (40.936 diretos e 86.415 indiretos).
Os seis projetos em atraso foram anunciados em tom de redenção para os municípios, especialmente os que se dirigiam ao Norte de Minas. “A expectativa era muito grande. Temos 50% das ruas da cidade sem calçamento. Somente com o aumento na arrecadação de ICMS, este problema seria resolvido”, afirma a prefeita de Riacho dos Machados, Domingas da Silva Paz.
Na cidade do Norte de Minas, que tem menos de 10 mil habitantes, uma subsidiária da mineradora canadense Carpathian Gold prometeu, em protocolo assinado em 2009 com o governo de Minas, investimentos de US$ 230 milhões.
A intenção era iniciar a exploração de ouro em 2010. O projeto previa a implantação de uma unidade industrial no município, destinada à produção de ouro em barras e processamento do metal. A empresa divulgou, na época, a expectativa de extrair 2,2 milhões de toneladas por ano, o que geraria 102 mil onças de ouro por ano, o equivalente a 310 quilos do metal. O faturamento previsto para 2011 era de R$100 milhões, enquanto para 2012 o valor programado deveria subir para R$160 milhões.
Na semana passada, a empresa confirmou que não há previsão sequer para o início das obras. A empresa questiona o que considera um “excesso de condicionantes” durante o processo de licenciamento ambiental.
Ainda no Norte de Minas, outro protocolo de intenção de investimentos bilionário no setor de mineração emperrou. A Mineração Minas-Bahia (Miba) projetava aporte de R$ 3,6 bilhões na exploração de minério de ferro em Grão Mogol e Rio Pardo de Minas. Anunciado no Palácio Tiradentes em abril de 2010, e com previsão de início da implantação da mina em 2011, o investimento deixou as autoridades mineiras animadas.
Até a última quinta-feira, nenhum grama de minério havia sido extraído, e o prefeito de Grão Mogol, Jéferson Figueiredo, disse que não havia perspectiva de início da exploração. O município de Grão Mogol tem cerca de 15 mil habitantes. A promessa da Miba era de gerar, entre diretos e indiretos, nada menos do que15 mil empregos.
A ArcelorMittal Brasil pretendia investir US$ 1,2 bilhão na expansão da unidade siderúrgica de João Monlevade. O plano era o de duplicar a produção de aço, mas as incertezas do cenário econômico fizeram a companhia congelar o investimento.
A suspensão do aporte gerou um efeito cascata. Um hotel e um shopping que seriam construídos passam por reavaliação. A Prefeitura de João Monlevade estima que deixa de arrecadar R$ 500 mil mensais com a paralisação da obra. Na unidade da ArcelorMittal Brasil em Juiz de Fora, seriam investidos R$ 54,5 milhões na expansão das atividades, com a geração de 380 empregos. A injeção dos recursos também ocorreu.
(**) Reproduzido do jornal Hoje em Dia (página 7, edição de 5/2/2012)
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Uma estranha chuva de pedras aconteceu em Montes Claros, em junho de 1972, quando eu era repórter policial de O Jornal de Montes Claros. Mas não se tratava da corriqueira chuva de granizo...
Cumpria plantão na delegacia de polícia, que funcionava na rua Dr. Veloso, quando vi chegar um casal assustado, com sotaque carregado, pedindo ajuda à polícia. Eram portugueses, da cidade de Pombal, mas residiam em Montes Claros desde 1957, quando para cá vieram para assumir a zeladoria da fábrica de tecidos. O barraco em que moravam, nos fundos da fábrica, na estrada do Colégio Agrícola da UFMG, vinha sendo atingido por pedras.
José de Oliveira, mais conhecido por “Zé Português”, então com 63 anos, e sua mulher, Maria Soares da Silva, 54 anos naquela época, eram católicos e sempre faziam suas orações. Mas, mesmo assim, segundo eles, “espíritos ruins” não os vinham deixando em paz.
Tudo começou no lusco-fusco, quando “seu” Zé tirava uma soneca. Acordou assustado com as galinhas em alvoroço. Levantou-se, apanhou a lanterna e foi ver o que se passava. Ao sair para o quintal, recebeu uma certeira pedrada. Não se intimidou. Continuou resoluto em direção ao galinheiro. Mas não conseguiu andar muito, pois as pedras caíam cada vez em maior quantidade, e ele já estava todo machucado. Desistiu e voltou para a cama, quase sem forças, carregado pela mulher. No dia seguinte, voltou ao galinheiro e notou a falta de muitas galinhas. Sua reação foi registrar a ocorrência na delegacia de polícia, pensando ter sido vítima de ladrões de galinha.
No mesmo dia, quase todos os membros do departamento de investigações (Sargento Anfilófio, cabo Vanderley, “Mirabela”, Zé Augusto e Nélson Pinto) seguiram para o local apontado. Muito bem armados, vistoriaram as cercanias, sem encontrar qualquer vestígio de autoria, embora as pedras continuassem a cair, sempre no período de 18h00 às 18h30.
Uma das pedras passou através da janela e atingiu um armário, quebrando tudo. Outra, vindo do teto, ofendeu o pé da dona Maria. Nessa noite ela passou mal e até chamou o marido para sair dali, antes que algo ruim pudesse lhes acontecer. Mas o Sr. José se recusou a atender à mulher, embora também estivesse assustado com tudo: - A gente fica meio encabulado com a coisa. Um dia notei que as pedras estavam sendo jogadas por alguém escondido detrás de uma moita. Quando meti o facho da lanterna na moita, recebi uma pedrada nas costas. Fiquei quase doido e o jeito foi ir dormir... – lembrou o português.
As possibilidades de as pedras serem arremessadas por alguém escondido eram remotas. A casa dos portugueses localizava-se em um lugar limpo. Existia apenas um pequeno pomar nas proximidades, mas este foi ocupado pelos policiais em campana.
O agente “Mirabela” explicou que foi lá só para desmascarar o velho português. Mas voltou encabulado. Ficou escondido e viu tudo. As pedras caíam sem que se pudesse precisar de onde vinham.
Quando os policiais retornaram à delegacia, ali encontraram o Castelo, conhecido dono de terreiro de macumba na cidade. Ao saber do que ocorria, Castelo não se abalou muito com o caso. Disse já ter feito parar muitas “chuvas de pedra” na cidade. Sabia das mandingas. E, com empáfia, sentenciou: - Já fiz até bicicleta que andava sozinha parar, quanto mais uma simples chuvinha de pedras...
Alguns dias depois, o jornal ‘Estado de Minas’, em matéria assinada pelo venerado repórter Fialho Pacheco, repercutiu a matéria em nível nacional.
Depois disso, nunca mais se falou em chuva de pedras. Nem mesmo do “seu” Zé Português. Certamente, atendeu aos apelos da dona Maria e tenham retornado para a sua Pombal, onde criar galinhas deve ser mais tranquilo.
Mas, passados 40 anos, o mistério continua...
(*) Escritor e jornalista
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Abertas até 5 de abril as inscrições para concurso público que deverá preencher quatro vagas de professor adjunto do ICA em regime de dedicação exclusiva. O processo acontecerá através de provas de títulos, escrita e didática e a remuneração é de R$ 7.333,67.
As vagas são para as seguintes áreas do conhecimento: a) Estatística Básica e Experimental (Graduação em Agronomia, com Doutorado na área de Agronomia ou Estatística Experimental); b) Manejo e Conservação do Solo (Graduação em Agronomia, com Doutorado em Ciência do Solo); c) Bovinocultura de corte e Bubalinocultura (Graduação em Zootecnia, com Doutorado em Zootecnia ou Doutorado em Ciência Animal ou Doutorado em Ciência Animal e Pastagens); d) Processamento de Ração, Nutrição de Cães e Gatos e Bromatologia (Graduação em Zootecnia, com Doutorado em Zootecnia, ou Doutorado em Nutrição de Não Ruminantes, ou Doutorado em Produção de Não Ruminantes).
As inscrições custam R$ 183,34 e podem ser feitas na Secretaria Geral do Instituto de Ciências Agrárias (Avenida Universitária, 1.000 – Bairro Universitário), de 08h00 às 11h00 e de 14h00 às 16h00. No ato da inscrição o candidato deverá apresentar os seguintes documentos: a) Termo de requerimento de inscrição devidamente preenchido; b) Carteira de Identidade ou outra prova de ser brasileiro nato ou naturalizado e, no caso de estrangeiro, documento de identificação; c) Comprovação de quitação com o Serviço Militar, quando for o caso, e com a Justiça Eleitoral, dispensável no caso de candidatos estrangeiros; d) Comprovante do pagamento ou da isenção da taxa de inscrição; e) Sete cópias do curriculum vitae; e f) comprovante de quitação da inscrição. Os documentos comprobatórios deverão ser apresentados, em via única, com documentos numerados sequencialmente e, preferencialmente, na mesma sequência apresentada no curriculum vitae, até dez dias após a data final das inscrições. Em caso de inscrição por procuração, o procurador do candidato deverá apresentar documentação original de identificação civil, bem como fornecer seu endereço e telefone para contato.
Informações pelo telefone (38) 2101-7730 ou pelo site WWW.ica.ufmg.br.
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"Fique calma que eu vou virar esta criança... Ela sentou!..."
Grávida pela primeira vez, ouvi assustada aquela frase... Dr. Aroldo tinha a paciência, a ternura e a experiência que qualquer grávida, de primeira ou de muitas viagens, sonha e busca. Ele me examinava no consultório contíguo à sua casa, lugar que eu, naquela época, sua nora, frequentava com liberdade. "Como assim, virar a criança?" perguntava ansiosa. Ele, com aquele humor fino e discreto, ria, e dizia "é rapidinho". E foi!
Senti suas mãos fazendo uma coreografia na minha barriga, desenhando uma ciranda que provocava ondas que me reviravam por dentro. Não doía. Ele me apalpava e estranhos movimentos aconteciam, até que uma forte sensação de encaixe me apaziguou. Ele voltou a rir: "Tá no lugar... Espero que ela não sente novamente". Pouco tempo depois, a criança voltou a sentar e Dr. Aroldo, fazendo graça, novamente a colocou no lugar. Doce, meigo, preciso, ele compartilhava comigo a apreensão.
Naquele tempo, saber se era menino ou menina não fazia parte da gravidez. A surpresa preenchia a espera. Finalmente, nasceu Marina, fruto de uma cesárea que ele tentou evitar, sem solução. Ela obedeceu as mãos do médico, ficou na posição que ele moldou, mas resistiu ao parto normal.
Anos mais tarde, vivendo nos Estados Unidos, contei a história para meu novo ginecologista. Tive uma dimensão ampliada da importância do procedimento que apenas uma vida dedicada à profissão - como foi a de Dr. Aroldo - podia oferecer.
E mais: o novo ginecologista custava a acreditar que eu tinha feito uma cesariana. Exclamava, com admiração: "Isso é trabalho de cirurgião plástico... Só muita competência para chegar a um resultado assim!". Encantada, eu me orgulhava, revia as cenas que antecederam o parto, lembrava do carinho imenso que recebi durante aquele período e me emocionava. Até hoje, escrevo e não consigo - nem sei se quero - evitar esta emoção.
Ainda se fazem médicos como antigamente??? Possivelmente, sim. Porém, Dr. Aroldo agregava à responsabilidade e compromisso profissional um profundo sentido humano que marcava e atravessava seus fazeres de médico, de amigo, de sogro (posso dizer...), de pai. Celebrar seus 100 anos é, para mim, motivo de intensa alegria, de reconhecimento pela sua justa e inabalável conduta. Se ele estiver acompanhando, que receba meu abraço e meu beijo carinhoso e agradecido (e de Marininha também!).
(*) Texto enviado por Valeriano Lopes Braga
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Considerado um dos ícones da história cultural de Montes Claros, a vida do político e seresteiro Nivaldo Maciel Araújo, popularmente conhecido pelo seu famoso “aboio de vaqueiro sertanejo”, está sendo retratada no livro “Nivaldo Maciel – Encontros de Vida e Arte”. A obra, de autoria das professoras Marta Verônica Vasconcellos Leite e Raiana Maciel do Carmo, será lançada pela Editora Unimontes no dia 10 de fevereiro, às 20 horas, no auditório da Escola Estadual Professor Plínio Ribeiro.
O evento integra as comemorações dos cinquenta anos da Unimontes e reforça o compromisso da editora da Universidade em divulgar a produção científico-literária de Montes Claros e do Norte de Minas, além de valorizar os escritores regionais.
O livro é resultado de uma pesquisa realizada no âmbito da universidade (A herança artístico-cultural do seresteiro, político e repentista Nivaldo Maciel – 1920-2009) que reúne significativo acervo documental e fotográfico sobre sua vida. Dentro desse projeto está incluída também a exposição apresentada pela universidade no ano passado, por ocasião do projeto “A Gosto da Unimontes”, realizado no Casarão da Fafil.
Em 184 páginas, a obra é dividida em duas partes distintas. A primeira, de autoria da professora Marta Verônica, contém um relato da vida política de Nivaldo, a árvore genealógica da família Maciel e depoimentos de familiares e amigos. Conta, ainda, com episódios que marcaram a vida do político e seresteiro, como o pedido feito ao então presidente da República Artur da Costa e Silva, em Brasília, em 1967, de asfaltamento da BR-135 (trecho entre Curvelo e Montes Claros). À época, Nivaldo Maciel integrava o grupo de serestas João Chaves e fez a reivindicação logo após a apresentação para o presidente e comitiva. “Foi um dos momentos que comprovam o amor que Nivaldo tinha pela sua cidade e região”, lembrou Marta Verônica.
Na segunda parte do livro, escrita pela professora Raiana Maciel do Carmo, é feita uma retrospectiva da vida musical do homenageado com abordagem de sua atuação como seresteiro, cantador e radialista. É destacada também a sua paixão pela viola sertaneja e os aboios dos vaqueiros guiando gado no sertão. “Nivaldo Maciel participou da criação do grupo de serestas João Chaves, que ganhou notoriedade em suas apresentações, levando as tradições musicais de Montes Claros a se tornarem referência no País”, lembrou a professora Raiana Maciel.
Nivaldo Maciel Araújo, de origem rural, nasceu em Montes Claros em 1920 e faleceu em 2009, aos 89 anos de idade. Foi político, seresteiro e cantador. Através da música tornou-se conhecido popularmente por seu inconfundível “aboio” e se destacou em vida como uma das personagens mais importantes para a cultura montes-clarense, através de participação nas tradicionais cavalhadas, grupos de música e festas agropecuárias. Como ex-vereador, notabilizou-se pelo legado à educação, através da implantação de escolas municipais nos diversos distritos do município.
AS AUTORAS
A professora Marta Verônica Vasconcelos Leite possui graduação em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC - Minas (1980) e especialização em História da Arte e Metodologia do Ensino Superior pela Unimontes. É também graduada em Turismo e Desenvolvimento Regional pelas Faculdades Integradas Pitágoras e Mestre em Educação pelo Instituto Superior Pedagógico Enrique José Varona (Cuba (2000). Ela é ainda presidente da Academia Feminina de Letras de Montes Claros e integra o Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros. Atualmente, Marta Verônica é professora de Unimontes e coordenadora do Grupo de Estudos Memória, Patrimônio e Museologia do Núcleo de História e Cultura Regional (Nuhicre).
Já a professora Raiana Maciel do Carmo – também neta de Nivaldo Maciel - é graduada em Artes/Habilitação em Música pela Unimontes, Mestre em Música na área de concentração em Etnomusicologia, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Doutoranda em Música na área de concentração Etnomusicologia, pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp). Atua no ensino superior como docente nas áreas de Educação e de Música e, além disso, é membro do Grupo de Estudos “Música Étnica e Popular - Brasil/América Latina” (Unesp), tendo trabalhos publicados em eventos internacionais, nacionais e regionais.
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O arco-íris exibido nos céus de Belo Horizonte, no estertor da tarde chuvosa de domingo, 29 de janeiro de 2012, foi senão o mais lindo um dos mais lindos já vistos nestas paragens adjacentes a Serra do Curral. Foi um arco-íris para ninguém botar defeito, completo de uma extremidade à outra, e de cores firmes: violeta, anil, azul, verde, amarelo, laranja e vermelho.
Esse foi o arco-íris mais importante visto pelas pupilas dos nossos olhos. Da janela pudemos vê-lo inteiro. Uma das extremidades do seu belíssimo arco, como se fora portal de majestoso palácio surreal, parecia estar no topo da Serra do Curral; e a outra, atrás de um edifício pelos lados da Savassi.
Em verdade, eram dois arco-íris. Um deles de espectro menos nítido no todo e mais ainda em determinadas partes. O arco-íris principal, pela nitidez das suas cores, pôde ser contemplado em toda a sua exuberância.
Como nos contos de fada da infância ainda não perdida, as histórias ouvidas foram revividas. Vieram então as lembranças de quando ficávamos imaginando se seria verdade ou balela essa história de potes de ouro no final do arco-íris.
Sempre acreditamos nisso. Mas nunca procuramos nenhum pote de ouro ao final de nenhum arco-íris. O difícil, e se alguém conseguiu a façanha de encontrar algum pedimos, encarecidamente, que nos ensine como fazer para localizar um, o difícil, como dizíamos, é descobrir os pontos das pontas do fenômeno, onde devem ficar os potes de ouro.
Uma vez até tentamos e tanto tentamos mentalmente que conseguimos atrair uma das pontas de um arco-íris que, pasmem, veio se aproximando lentamente, como se uma grande mão afável a tocasse para junto de nós. Foi nesse dia, com o arco-íris ao alcance das mãos, que achamos ter desvendado o mistério em torno dessa manifestação de Deus, intermediada pela Mãe-Natureza.
Há de fato algo muito mais valioso do que pote de ouro em cada uma das extremidades de todo arco-íris. Mas só quem tem olhos para ver e coração para captar as energias positivas que advêm deles, energias refletidas nas suas sete cores, é que percebe, com clareza, o que há em cada uma das pontas do arco.
É preciso compreender que não se trata simplesmente da materialização de dois potes de ouro. Os potes de ouro são imagens simbólicas. Não se podem encher dois potes de preciosas energias, inda mais potes destampados e transbordantes, sem correr o risco de as energias voltarem para o éter divino.
Cada cor emanada pelo arco-íris significa um tipo diferente de energia. E quem tem sensibilidade à flor da pele sabe diferenciar cada uma dessas energias, que, em verdade, fundem-se numa só fonte energética poderosa. Biblicamente, arco-íris é “o sinal da aliança de Deus com os homens”. Depois do dilúvio, nos tempos de Noé, quando a arca parou no Monte Ararat, o Senhor prometeu nunca mais inundar a terra. E como assinatura divina apareceu no céu um belo arco-íris.
No verão, com as chuvas benfazejas de final de tarde, segundo ensina a Meteorologia, “é comum a ocorrência de arco-íris no céu”. Para os meteorologistas, isto não passa de um fenômeno óptico e meteorológico, quando a luz branca do sol é interceptada por gotas da chuva no céu. “As gotas de água no ar funcionam como muitos mini-prismas, separando a luz branca nas sete cores”, dizem eles.
Os meteorologistas nos perdoem, mas gostamos de pensar em arco-íris como, se podemos assim dizer impressões digitais de Deus. Esse de domingo foi deveras surpreendente. Parece até ser uma resposta dos céus às nossas petições. Aliás, pedir é o que mais sabemos fazer. E por mais que possamos agradecer, e de fato agradecemos, ainda é pouco.
Senão, vejamos: o que pode o ser humano se não é capaz de controlar nada? Se nada sabe sobre o dia de amanhã e muito menos quando completarão os seus dias neste planeta maravilhoso que a humanidade cuida de destruir em alta velocidade?
Quem, em sã consciência, poderá dizer que ficará meia hora sem respirar e passado esse tempo voltar a respirar para viver? Quem tem a audácia de se dirigir ao estomago e dizer: “Nunca mais sentirá fome”. Ou que não terá mais sede? Estamos, queiramos ou não, sob o controle divino.
Assim como o que está fora também está dentro e como é encima é embaixo, todos os seres vivos são controlados por Deus, que tanto está fora como dentro, pois que uma centelha Dele há no interior de cada ser. Daí estarmos vivos.
E diante de um espetáculo de tamanha exuberância, como o arco-íris de domingo, na nossa pequenez, a reação foi dar “Glórias a Deus”. Sentimo-nos privilegiados como seres espirituais semi-alfabetizados, por termos sabido ler a caligrafia divina, escrita sob a forma daquele esplendoroso arco-íris, numa tarde de domingo.
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O saque fez novamente a diferença. Com sete pontos nesse fundamento, o BMG/Montes Claros venceu a Medley/Campinas por 3 sets a 1 (25/15, 22/25, 25/21 e 25/22), segunda-feira, 30 de janeiro, no Ginásio Poliesportivo Tancredo Neves. A vitória não alterou a posição do ‘Pequi Atômico’ na tabela, em função de outros resultados, nem a derrota tirou o Medley da 6ª colocação.
O próximo desafio do BMG/Montes Claros será nesta quarta-feira, 1º de fevereiro, no Rio de Janeiro, onde enfrenta o RJX (RJ) no Maracanãzinho, a partir das 19h30. O Rio traz boas lembranças. No último jogo lá, contra o Volta Redonda, a vitória foi da equipe montes-clarense. Se repetir a dose amanhã o ‘Pequi’ deverá avançar na tabela - já que a briga vale a posição - e iniciar a aproximação dos ponteiros.
Ricardo Serafim, do BMG/Montes Claros, foi eleito o melhor jogador da partida, levou o Troféu VivaVôlei e exaltou a importância da vitória. “As equipes estão brigando por um lugar entre os oito. Hoje, tivemos um pouco mais de eficiência no saque. Encostamos no RJX e vamos ver se beliscamos mais alguns pontos lá”, avaliou Serafim, que marcou 4 dos 7 pontos de saque do ‘Pequi’. Os outros 3 foram de Alberto.
O oposto Pereyra (Moc) e o ponteiro Bruno Zanuto, da Medley/Campinas, foram os jogadores que mais marcaram na partida. Cada atacante assinalou 16 pontos. O técnico da Medley/Campinas, Cacá Bizzocchi, lamentou a atuação do grupo, embora considere que "foi uma partida equilibrada, com bons momentos para os dois lados. Jogamos bem, porém, abaixo do esperado e do que vínhamos apresentando na competição. É mais difícil ganhar em Montes Claros não estando 100%", avaliou o treinador.
O JOGO
A partida começou equilibrada até o placar marcar 8/8 no primeiro set. Depois o BMG/Montes Claros voltou com força. Bem no saque e no bloqueio, o time da casa comandou o set até marcar 25/15.
O Medley/Campinas não conseguiu se adaptar à força do saque adversário e também cometeu muitos erros (sete no total), mas deu o troco no segundo set. O time paulista não se intimidou com a derrota na primeira parcial. O BMG/Montes Claros não manteve o ritmo e cometeu falhas. Bem no bloqueio, a equipe dirigida por Cacá Bizzocchi dominou o placar, fechou em 25/22 e empatou o jogo em sets.
No terceiro set, o técnico Jorge Schmidt fez três modificações no BMG/Montes Claros que começou a parcial. Começaram jogando o oposto Pereyra, o central Silêncio e o levantador Rivoli. As mudanças surtiram efeito, a equipe da casa jogou melhor e abriu no placar: 16/13. A Medley/Campinas chegou a encostar no marcador (21/20), mas, depois de dois aces do central Alberto, a equipe mineira abriu novamente e fechou o set em 25/21.
O quarto set foi mais equilibrado. A Medley/Campinas abriu dois pontos (14/12). Mas o BMG/Montes Claro recuperou, empatou (14/14) e virou o placar (17/15). O equilíbrio foi a tônica da parcial. O time paulista após um bloqueio do oposto Bob, voltou a comandar o placar (18/17). Medley/Campinas abriu três pontos, mas o BMG/Montes Claros conseguiu virar o jogo (22/21), com destaque para o ponteiro Ricardo Serafim. Na reta final, o time da casa administrou e fechou em 25/22, num ataque do argentino Pereyra.
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Até o início do mês de março, a Prefeitura de Montes Claros deve entregar à população um espaço preservado da história do município. O Corredor Cultural, assim chamado, é uma das propostas de urbanização da área central da cidade elaborado pelo escritório do urbanista Jaime Lerner, por solicitação da atual administração. O projeto consiste na revitalização de trecho da Rua Coronel Celestino e das Travessas José de Alencar e Cabo Santana, no Centro Histórico.
Reunião realizada na tarde de segunda-feira, 25 de janeiro, entre integrantes de diferentes secretarias municipais, em visita ao local, traçou as próximas etapas e a finalização dos trabalhos. De acordo com o arquiteto responsável pela obra, Luiz Cláudio ‘Cascão’, será instalado na calçada em frente aos casarões da Fafil e Versiani-Maurício um mosaico em pedras portuguesas com desenho de uma clave de sol e uma partitura musical. “Será uma homenagem ao filho da terra, João Chaves, com a música ‘Amo-te muito’”, detalha.
Está prevista ainda a substituição de alvenaria, nos fundos da Igreja da Matriz, por um gradil de 5,30 por 3 metros – uma grade ornamental separatória e de proteção, com de barras verticais paralelas – “para quem transitar pela Rua Coronel Celestino ter uma visão da Praça da Matriz, e também, quando a igreja assim permitir, uma abertura da travessa lateral, que ligava antigamente até o outro lado”, explica Cascão, que já tem a autorização da Mitra Arquidiocesana e do Conselho de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Montes Claros.
Na via, já foram realizadas intervenções de alargamento das calçadas, que passaram a ter 3,8 metros de largura, priorizando a passagem de pedestres. O piso foi substituído por paralelepípedos e, por último, o Corredor Cultural recebeu a instalação de oito postes coloniais. “Isso é o resgate de uma história, do começo de tudo, onde Montes Claros nasceu. É importante protegermos o patrimônio para as próximas gerações”, acredita o arquiteto e urbanista Luiz Cláudio Cascão.
(*) Texto e fotos
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O Norte de Minas é alvejado toda vez que o desenvolvimento bate em sua porta. Foi só iniciar os processos de exploração de suas riquezas minerais que as notícias e indagações obscuras viessem à tona, através dos noticiários negativistas que gostam de aparecer sempre com os comentários maledicentes, providos de fértil imaginação, criando itens adversos aos propósitos do progresso. O texto é sempre farto em “e se” e “não” e aí o estigma da dúvida encarde o julgamento dos leitores como uma virose desconfortável.
Principalmente, durante o despertar da era do minério de ferro, aflorado na região de Rio Pardo, Salinas, Grão Mogol e outros municípios. Com investimento na ordem de um bilhão de reais em prospecção, aquisição, sondagem e projeto executivo, de viabilidade técnica/econômica e financeira, o que garante a irreversibilidade da sua implantação, cujo investimento final é de aproximadamente sete bilhões de reais.
Portanto, o nosso minério é economicamente viável e está em estágio muito mais avançado que as chances do gás e petróleo, ainda em fase de prospecção. A área que contem o minério é extensa e de cerca de duzentos mil hectares e seria um local economicamente inviável para outros investimentos. Além dos comentários sem propósitos e leigos sobre o assunto, agora o Ministério Público Estadual articula um cerco a estas mineradoras que iniciam suas atividades no Norte de Minas.
Para o resto do Estado e do País, gigantes escavadeiras das grandes empresas avançam nas céleres escavações e minerodutos implantados dentro do projeto logístico do transporte. Porém, o foco das maledicências é o Norte de Minas, que não pode crescer com ousadia. O projeto do minério é a esperança de construção de um novo polo econômico, abrindo novas oportunidades de emprego e investimento em empresas satélites de apoio à grande âncora mineraria, tanto na área de indústria como comércio e serviços.
Sempre percebo resmungos de cidadãos, de grupos da sociedade política e/ou privada, reuniões sem o devido preparo para o setor, nas quais não há propósitos para soluções e sim para dúvidas. O mineroduto virou sinônimo de um ladrão de água e a viabilidade do transporte do minério à Costa da Bahia é uma “tragédia” para os incautos. O principal argumento é o gasto de nossa água, água que já não temos. Pergunto: Se a mineração não se implantar, o problema da água na região está resolvido?
Há anos lutamos desesperadamente pela conclusão das barragens de Berizal, Vacaria, Jequitaí, Congonhas e cumprimento de outras promessas. Tenho a certeza de que os mineradores serão os nossos maiores parceiros para equacionar esses problemas em relação a água, afinal, elas são as mais ávidas pelas soluções do problema hídrico na região. Irapé tem água represada com capacidade de 54% de outorga, ou seja, este volume passa pelo vertedouro e vai ao mar. A mineração nas áreas de Grão Mogol aproveitará 14% desta outorga e ainda sobrarão 40%. É preferível e sensato que, juntos, fiquemos na posição de defesa contra os despropósitos dos nossos dificultadores externos.
(*) Jamil Habib Curi é empresário do ramo da construção pesada; presidente da Câmara de Comércio Líbano-brasileira; foi presidente da Associação Comercial Industrial e de Serviços de Montes Claros, Diretor do INDI – Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais
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