Talvez não seja por causa do mundo globalizado como alguns dizem. Talvez seja porque nós, os humanos, somos tão diferentes quanto iguais. Ou, quem sabe, por sermos tão infinitamente diversos e únicos, somos semelhantes. Pares e ímpares.
Pensei muito nisso quando descobri que não era apenas eu a ficar entre intrigada e encantada com o curling, aquele esporte estranho que homens e mulheres jogam sobre uma quadra de gelo. Parece bocha, mas às vezes lembra também uma grande sinuca - se a gente pudesse jogar de pé em cima da mesa.
Não foi apenas eu. Mesmo sem entender direito do que se tratava, não fui a única a me postar frente à TV nestes Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver para ver aqueles jogadores que, literalmente, varriam o gelo para dar rumo a uns objetos esquisitíssimos que identifiquei como muito semelhantes a um bule. Ou seria uma chaleira? Uma chaleira feita de gelo - vá lá.
Além de mim, outros e outras comentaram a semana toda sobre a estranheza do jogo, a novidade, a dificuldade, a postura inclinada dos jogadores como dedicadas faxineiras lustrando o chão. Haja coluna!
Assisti - sem entender absolutamente nada - a partidas masculinas e femininas. Algumas vezes, torci. Vi homens e mulheres chineses, suiços, suecos, canadenses - elas sempre com mais charme do que eles - deslizando o joelho no chão de gelo como penitentes até soltar aquela chaleirinha com uma força estudada. Previamente estudada, imagino. Depois, sempre gritando, outros dois ou três jogadores ajudavam aquele objeto a chegar a uma área desenhada onde batiam - ou não - em outros objetos também desconhecidos.
Talvez não seja mesmo por causa da globalização, que aproxima o que parece distante e impossível. Será que estamos todos enfarados da mesmice? Por que será que ficamos hipnotizados por aquelas pessoas de faces rosadas jogando uma espécie de sinuca em que se pode ficar trepado na mesa enquanto outros enxugam o gelo para preparar a colisão das chaleirinhas com aquelas bolachas coloridas?
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