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Água na boca
+Saborosas recordações
Rusty Marcellini
 


Neste mês, a coluna ÁGUA NA BOCA completa três anos. Ao longo de 155 semanas, destaquei iguarias como os esplendorosos ninhos de ovos e pastéis de Belém da Doces de Portugal, as fatias de bolo de fubá do Armazém Dona Lucinha, o bolo de banana com passas e nozes da Padaria Vianney, o strudel do Strudel Haus, o caol do Café Palhares, o frango ao molho pardo do Maria das Tranças e a chuleta da churrascaria Fiesta Brava. Através da coluna, os leitores ficaram sabendo dos meus cantinhos favoritos em BH, entre os quais a Casa Bonomi, o Bar do Antônio, a Casa Cheia e o Xapuri.
Recordo que a coluna inaugural tratou de indicações de preciosidades gastronômicas como o pastel de carne do Dom Pastel, o croissant da Casa Bonomi, a empada de camarão da barraquinha Litoral, a esfiha do Bar do Toninho. Lembro que semanas depois fiquei feliz com a reabertura do Café Três Corações, na Praça da Savassi, e com a descoberta do charmoso Café com Tango, em Lourdes.
Escrevi sobre estabelecimentos que se confundem com a história da cidade como o Bolão, em Santa Tereza, as sorveterias São Domingos e Universal, a Pizzaria Giovanni, o Tip Top e a Cantina do Lucas. Ao saber que o tradicional Supermercado Aymoré encerraria suas atividades, dediquei uma coluna à querida loja dos irmãos Marteleto, que funcionou décadas no Mercado Central. Já ao descobrir que o Mercado Distrital do Cruzeiro estava ameaçado de encerrar as atividades em 2007, relatei um passeio pelos seus corredores.
Confesso que guardo com carinho experiências gastronômicas inesquecíveis, como a majestosa degustação de queijos nacionais e importados do "grande plateau de degustação do fromagier" da Enoteca Decanter, na Savassi e a visita guiada por Luciana e Camilo na Cum Panio, onde provei pães que confortam o corpo e satisfazem a alma.
Revelei os restaurantes a quilo que mais gosto: o Villa Gianinna, na Praça da Assembleia; o Amadeus, na Rua Alagoas, e o Riviera, na Rua Goiás. Sugeri comidinhas encontradas em dois pontos turísticos de Belo Horizonte: na Praça do Papa, o cachorro quente do carrinho de Zé Alves e as pipocas do Popcorn Special; na Praça da Liberdade, o milkshake de ovomaltine do Xodó. Além disso, conheci uma simpática casa alemã na Rua Leopoldina chamada Neckartal; contei como foi uma ida à feira da Rua Tomé de Souza, entre Cristóvão Colombo e Pernambuco, que acontece toda quinta-feira das 16h às 22h; e bebi alguns chopes com uma turma de amigos que se reúne toda quarta-feira no Redentor, um bar na Savassi que possui saborosos tira-gostos, ambiente alegre e serviço de primeira.
Indiquei iguarias de diversas culinárias mundiais, como as tortillas, os tacos e as fajitas do mexicano Chilis; o rolinho primavera e o frango com gengibre do chinês Macau; os chutneys e as samosas dos indianos Maharaj e Buffet Bhagwan; o bife de chorizo com chimichurri e as crepes de dulce de leche do argentino Bidega 361; o fettuccine com cordeiro e a polenta com ragu de linguiça e porcini do italiano Dona Derna e o chucrute com eisbein do alemão Haus Munchen.
Contei a história de como surgiu a goiabada que considero melhor do país, a Goiabada da Christy, feita em Ponte Nova, descrevi como é aprazível a aula de Eduardo Maya em seu Centro Culinário e, após o anúncio das cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014, enalteci a mais bem enraizada instituição culinária relacionada a um campo de futebol, o famoso tropeirão do Mineirão. Visitei o pomposo e requintado salão do Restaurante do Automóvel Clube para provar o bufê do almoço, saboreei delícias de milho, como mingau e pamonha, no Cantinho da Pamonha, comprei quitutes de primeira, como compotas e conservas na Casa da Serra, na Rua do Ouro; prestei homenagem à melhor churrascaria da cidade, o Fogo de Chão, e me deliciei com canudos de chantilly, bombas de chocolate e fatias de torta Saint Honoré na Mole Antonelliana.
Na mudança da coluna para o caderno DOMINGO, em 16 de novembro de 2008, escrevi sobre a comovente dedicação de Carlos Chiari em fazer um dos melhores presuntos crus do país. Semanas depois, recomendei a feijoada do Recanto da Feijoada, os tira-gostos em ambiente informal e descontraído do Balaio de Gato, a alegria vigente e as receitas simples e saborosas do Chef Túlio International Butikim e o agradável restaurante cercado por mata nativa do Clube Campestre.
Critiquei os critérios de premiação da Veja Belo Horizonte - Comer e Beber 2009/2010, que vai ano, volta ano, insiste em escolher jurados que sempre premiam os mesmos locais. Como maneira de me manifestar, dediquei diversas colunas para indicar ótimas casas de salgados da capital que nem sequer foram citadas na votação da revista.
Fiz uma série de textos indicando as melhores paradas de estradas em Minas, como a Venda do Chico na Fernão Dias, o Roselanche na BR-040 em direção ao Rio de Janeiro, e o Belleu's na BR-262 sentido Vitória. Viajei pelos arredores da Capital almoçando no restaurante do paradisíaco Centro de Arte Contemporânea de Inhotim, em Brumadinho, destacando as receitas com o ora pro nobis do Jotapê, no distrito de Pompéu, em Sabará e percorrendo as barracas que vendem produtos com jabuticaba no festival que reverencia a "pretinha" na cidade.
Fiquei emocionado com um lugar em Itabirito que deveria ser considerado patrimônio estadual: a Mercearia Paraopeba, genuíno armazém de secos e molhados onde é possível encontrar geleia de mocotó, jatobá e mandiopã.
Pensando bem, pela quantidade de iguarias provadas ao longo destes três anos de ÁGUA NA BOCA, até que os quilinhos que ganhei não foram tantos. Pois, em compensação, terei sempre comigo as prazerosas memórias dos locais que visitei.

Ao longo
de 155 semanas destaquei iguarias como
os
ninhos
de ovos
e os
pastéis de Belém
da Doces
de
Portugal

Pela quantidade de
iguarias provadas
ao longo destes três anos, até que os quilinhos que
ganhei
não foram tantos

Postado em 11 de Abril, 2010
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Água na boca
Temporada de sucos
Rusty Marcellini
 


Estive recentemente no Rio de Janeiro a trabalho. Nestes dias, o calor na capital fluminense era de rachar mamona. Só para o leitor ter uma ideia do meu drama, a cada três ou quatro quarteirões que eu caminhava, precisava trocar de camisa, pois ela ficava empapada de suor. Depois de esgotar o meu guarda roupa, chutei o balde e decidi que o melhor a ser feito era esperar que a camisa encharcada secasse dentro de alguma lanchonete. E por conta deste imbróglio, acabei descobrindo ótimas casas de sucos, como a Bibi Sucos, a Poli Sucos e a BB Lanches.
Ao retornar a Belo Horizonte, senti saudades das lojas de suco enfeitadas com frutas tropicais que existem por tudo que é esquina no Rio de Janeiro. Confesso que até me acostumei com o barulho de liquidificador batendo pedaços de mangas, abacaxis, mamões e morangos. Assim, uma vez que o calor aqui também está de fritar ovo na calçada, decidi listar alguns locais em Belo Horizonte onde encontrar bons sucos.

GUARANÁ E CIA

Localizada no mercado central, a Guaraná e Cia é um destes locais que nos faz abrir os horizontes em relação ao paladar. Entre as diversas opções de sucos, que podem ser servidos em copos de 400 ml ou em jarras de 750 ml, há inúmeros feitos com frutas desconhecidas por grande parte dos brasileiros, como umbu, taperebá, cupuaçu, siriguela e graviola.
Recomendo pedir que os sucos sejam batidos com água ao invés de leite, pois assim pode-se conhecer melhor o paladar, a textura e o aroma das frutas.
Os sucos da Guaraná e Cia são preparados com as polpas congeladas das frutas. Porém, a loja consegue alcançar o equilíbrio perfeito entre as quantidades de polpa, água e açúcar, resultando em um suco que é semelhante ao gosto da fruta e não em um produto aguado ou doce demais.

CAFÉ COM TANGO

Inaugurado em 2003, o charmoso Café com Tango está localizado num espaço apertadinho e nas proximidades da Praça Marília de Dirceu, no bairro de Lourdes. O interior do café é decorado com símbolos argentinos como uma foto do Hotel Llao Llao, na Patagônia, uma lata de dulce de leche, uma caixa de alfajores do Café Havana. A música ambiente da casa é composta por agradáveis tangos de raiz. O cardápio, especializado em gostosos sanduíches como hambúrgueres de picanha e ciabatta com bife à milanesa com berinjela, é preparado pela proprietária da casa, a simpática Malu.
Além dos sanduíches, o menu do Café com Tango possui farta escolha de sucos. Entre as opções servidas em copos de 300 ml, há abacaxi, acerola, caju, goiaba, mamão, manga, pêssego, morango, maracujá, amora, graviola. Todos esses podem ser batidos com hortelã, laranja, leite, ou clorofila. Há ainda opções de sucos em copos de 400 ml que combinam frutas. Entre estes, destaco os de acerola, mel, laranja e limão; abacaxi, laranja, mel e clorofila; goiaba e limão; laranja, limão e hortelã; e manga, graviola e laranja.

NECTAR DA SERRA

Fundado em 1993, o local se tornou point obrigatório dos adeptos de Cooper e de caminhadas matinais. Localizado nas proximidades na Praça da Bandeira, no bairro Mangabeiras, a casa possui cardápio de saladas, crepes, sanduíches naturais e pratos leves de peixes e frango. Entretanto, seu principal destaque é a carta de sucos. São diversas opções, todas feitas com a fruta in natura. Recomendo os que combinam laranja e morango, pitanga e abacaxi, mamão e framboesa, melão e abacaxi, laranja e gengibre e framboesa com amora e laranja.

MANDALA

Fundado em 1986, o restaurante Mandala é uma ótima opção para almoços leves e saborosos. A casa, que funcionou durante anos em um belo sobrado na Rua Fernandes Tourinho, será reaberta no final de abril na Rua Alagoas, 864. Sempre que vou almoçar no Mandala gosto de pedir um de seus deliciosos sucos, que são feitos com frutas frescas na hora do pedido e não adoçados. Infelizmente, na maioria dos demais restaurantes da capital, caso não seja especificado, os sucos chegam à mesa com açúcar, mascarando o gosto da fruta. Quando madura, afirmo que nenhuma fruta precisa de açúcar. Nem mesmo limão (espero um dia entender por que alguém pede um suco de limão quando não gosta de sua acidez natural). Destaco ainda os sucos de abacaxi com hortelã, maracujá com laranja, além do verde (laranja, couve, espinafre e hortelã), mandala (abacaxi, beterraba e laranja) e anti-stress (laranja, alface, maracujá, maçã e mel).

Senti saudades das lojas
de suco enfeitadas com frutas tropicais
que
existem
por tudo
que é esquina
do Rio
de Janeiro

GUARANÁ E CIA:
Mercado Central
de BH,,
Av. Augusto de Lima, 744 lj. 130, Centro, 3274-9568.

CAFÉ COM TANGO:
Rua Marília de Dirceu, 151, Lourdes,
3293-5817.

NÉCTAR DA SERRA:
Av. dos Bandeirantes, 1839, Mangabeiras,
3281-1466.

RESTAURANTE MANDALA
(reabertura prevista para o final de abril):
Rua Alagoas, 864, Funcionários, 3261-7056.

Postado em 4 de Abril, 2010
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Água na boca
Novidades para a Páscoa
Rusty Marcellini
 


Para os amantes do chocolate, não há época melhor do ano do que as semanas que antecedem o domingo de Páscoa. Por todo canto há ovos de diversos tamanhos, dos pequeninos ovos de codorna até os gigantescos que precisam de duas pessoas para carregá-los. Além do formato, pode-se escolher um ovo visando o tipo de chocolate utilizado em sua receita - como o branco ou o amargo -, sua procedência - a matéria-prima pode ser originária tanto da Bélgica quanto da região amazônica -, ou a intensidade do cacau - com variações que vão de 50% a 85%.
Por haver tantas escolhas possíveis, selecionei as novidades da Páscoa que mais me chamaram a atenção em algumas das lojas de Belo Horizonte.

CONFISERIE DU CHOCOLAT

Localizada no bairro Santo Antônio, a Confisserie Du Chocolat oferece aos clientes ovos de chocolate feitos com excelente matéria-prima. Outro diferencial é o acabamento de muito bom gosto de seus produtos. Há ovos enfeitados com guirlandas e borboletas feitas de pasta americana (R$ 72,00 / 350g), ovos com delicados desenhos geométricos como bolinhas coloridas (R$ 60,00 / 350g) e arabescos (R$ 60,00 / 350g), e até ovos com casais de coelhinhos para jovens enamorados (R$ 72,00 / 350g).

DEGRYSE

Inaugurada em 1998, a Chocolateria Degryse funciona no segundo andar de um sobrado no bairro do Carmo. A proprietária, Ernestina Degryse, aprendeu a tratar e a manusear o chocolate em Bruges, na Bélgica. Inclusive, é de lá que vem o espetacular chocolate Callebaut que é usado nas receitas. A loja oferece ovos de Páscoa (R$ 14,20 / 100g) nos sabores ao leite, branco e meio-amargo, coelhinhos de chocolate e miniovinhos (R$ 18,00 / 100g) que podem ser comprados dentro de simpáticas embalagens como marmitas de alumínio e cestas de palha.

DOCE CACAU

Atualmente com oito lojas em Belo Horizonte, a Doce Cacau surgiu em 1993 no bairro de Lourdes. Entre os inúmeros produtos de Páscoa disponíveis, gostei da criativa caixa de plástico com ovinhos sortidos de chocolate que se assemelha a uma embalagem de ovos de codorna (R$ 34,90 com 30 un.) e da galinha de arame dourado com ovos coloridos de chocolate que parecem com ovos de verdade (R$ 54,90 com 5 ovos).

KOPENHAGEN

A mais conhecida loja de chocolate do país possui inúmeras novidades de Páscoa. Destaco, principalmente, a caixa batizada "4 clássicos" (R$ 49,90 / 350g), que oferece de uma só vez os quatro ovos mais vendidos da empresa - Chumbinho, Lajotinha, Língua de Gato e Nhá Benta - um dentro do outro. Outros produtos que valem a pena checar são: o "Ovo Origem Controlada" (R$ 64,90 / 300g), três ovos feitos com cacau de diferentes procedências, como Gana, Equador e Madagascar; o "Ovo Damasco" (R$ 59,90 / 300g), um ovo de chocolate amargo com damasco e castanha de caju recheado com damascos cobertos com chocolate.

CACAU SHOW

A Cacau Show foi fundada em 1988 no bairro de Casa Verde, em São Paulo, por um rapaz de 17 anos chamado Alexandre Costa. Hoje, a empresa possui centenas de lojas espalhadas pelo país. Os ovos que mais me chamaram a atenção (confesso que sou apaixonado por chocolate meio-amargo e amargo) foram o "Dreams Trufa 55%" (R$ 38,90 / 400g), feito com casca de chocolate meio-amargo recheada com trufa meio-amarga; e o "Cacau 70%" (R$ 21, 50 / 200g), um ovo de chocolate amargo com teor de 70 % de cacau e bombons com cacau 55% recheados de trufa.

COMER CHOCOLATE
É SER FELIZ

Caso alguém lhe encha a paciência dizendo que chocolate engorda, responda que, segundo artigo publicado no respeitadíssimo "British Medical Journal", as pessoas que o saboreiam vivem mais tempo do que as que não o fazem. Ou então cite o escritor Brillat-Savarin: "As pessoas que consomem chocolate são as menos sujeitas a uma série de pequenos males que perturbam a felicidade da vida".

São
tantas
as opções
que selecionei só as
novidades
que mais
me chamaram
a atenção em
Belo Horizonte

CONFISERIE DU CHOCOLAT:
R. Joaquim Murtinho, 229, Santo Antônio, (31) 3297-8976.
CHOCOLATERIA DEGRYSE:
R. Orenoco, 130, Carmo, (31) 3227-4202.
DOCE CACAU:
Av. Bandeirantes, 1080, Sion, (31) 3287-6120.
(e outras lojas em BH).
KOPENHAGEN:
Av. Getúlio Vargas, 1224, Funcionários (31) 3223-1711.
CACAU SHOW:
Shopping Diamond Mall,
Av. Olegário Maciel, 1600 lj. BG 37, (31) 3292-9039.
(e outras lojas em BH)

Postado em 28 de Março, 2010
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RustyMarcelinniG
Água na boca
Coquetéis para todos (2)
Rusty Marcellini
 


Na coluna da semana passada, contei para os leitores sobre a origem etimológica da palavra "cocktail" e expliquei que seu preparo deve combinar duas ou mais bebidas; geralmente um destilado com modificadores de sabor e/ou aromatizantes. Nesta, explico as classificações dos coquetéis, listo alguns dos drinques clássicos da coquetelaria mundial e, é claro, indico um ótimo local em Belo Horizonte onde prová-los.
Os coquetéis podem ser classificados de diferentes maneiras: através da presença ou não de álcool (alcoólicos ou não alcoólicos); de seu volume (short drink , até 60 ml; ou long drink , de 150 ml a 200 ml); da maneira que é preparado (montado diretamente no copo; misturado em um "mixing glass" ou batido na coqueteleira); ou devido ao momento em que é saboreado (antes do jantar, ou "pré-dinner"; depois do jantar, "after dinner"; ou para todas as horas).
Os drinques para antes das refeições servem para estimular o apetite. Por isso, devem ser curtos, com baixo teor alcoólico e sabor seco. São recomendáveis os coquetéis à base de espumantes como o Kir Royal, ou vermute - Martini e Negroni.
Os drinques para depois das refeições devem estimular a digestão. Ou seja: podem ser à base de ervas, café, nozes, amêndoas ou frutas secas.
Já os drinques para todas as horas não devem ser muito secos e possuir teor alcoólico de grau médio. A caipirinha e o daiquiri podem ser incluídos nesta categoria.
Em relação às taças e aos copos nos quais são servidos, há basicamente as taças "flûte" (a tradicional taça com pé longo usada para beber espumantes), a taça clássica de coquetel de haste comprida e formato triangular (aquela taça de Martini), o copo cilíndrico e baixo chamado "tumbler" (copo de uísque) e o copo cilíndrico e longo com capacidade de 300 a 350 ml chamado "delmonico".
Esteja você hospedado numa cidade grande do interior ou num luxuoso hotel no sudeste asiático, tenha a certeza de que pelo menos alguns coquetéis, os chamados clássicos da coquetelaria, serão encontrados no cardápio do bar. São eles: Bellini (espumante com suco de pêssego), Bloody Mary (suco de tomate, vodca, suco de limão, molho inglês, molho de pimenta, gelo e salsão para decorar), Cuba Libre (rum, Coca-Cola e gelo), Negroni (gim, Campari, vermute tinto, gelo), Martini (gin, vermute); Manhattan (uísque, vermute tinto, angostura, cereja em calda); Daiquiri (rum claro, suco de limão, xarope de açúcar); Piña Colada (rum claro, leite de coco, suco de abacaxi); Margarita (tequila, cointreau, suco de limão).
Ah, e nos dias de hoje, nos melhores bares, pode-se pedir até mesmo a brasileiríssima caipirinha (infelizmente, na maioria das vezes, feita com cachaça ruim).
Em Belo Horizonte, o melhor lugar para se tomar um coquetel não é em um bar de hotel, mas em um restaurante na região da Savassi. Trata-se do Restaurante 2010, que possui ambiente moderno, iluminação baixa e serviço prestado por garçons e garçonetes jovens e descolados. A trilha sonora é alternativa e os frequentadores idem. O nome da casa é uma referência ao ano vigente do calendário, pois foi inaugurada como Restaurante 2008. Mudou no ano passado para 2009 e, recentemente, para 2010.
Apesar de o restaurante oferecer pratos gostosos e bem feitos, com ótimos preços, como o Trifolato com Cogumelos, o Peixe com Molho de Limão e Purê, e a Salada com Tartare de Salmão, o que o diferencia dos demais lugares da capital sua maior atração é, sem dúvida, sua carta de coquetéis.
O cliente que chega ao Restaurante 2010 se depara com um longo balcão que lembra os bares de filmes americanos. Atrás do barman, há uma imponente prateleira que chama a atenção para dezenas de garrafas. O cardápio de drinques é dividido em diversas seções: cocktails exclusivos, sem álcool, a base de espumantes, de cachaça, de gin, de tequila, de rum, de vodca, de uísque, de brandy, de caipis e outros.
Em meio a mais de 60 coquetéis, destaco os seguintes: Astória (Jack Daniel's, amaretto, erva doce, limão e hortelã a R$ 18,00), Lara (tequila prata, licor de pêssego, xarope de flor de laranjeira e pimenta-do-reino a R$ 18,00), Jade Especial (espumante, midori, que é um licor de melão, angostura, curaçau blue e suco de limão a R$ 17,00), Hitcher (cachaça, suco de maçã, suco de maracujá e polpa de pitanga a R$ 13,00), além de caipis de lima com manjericão, kiwi com wasabi e mel, e limão com gengibre.

Hoje explico as classificações dos coquetéis, listo alguns drinques clássicos da coquetelaria e indico ótimo local em BH onde prová-los

RESTAURANTE 2010,
Rua Levindo Lopes, 158.
Funcionários.
Tel.: (31) 3327.6766.
Belo Horizonte - MG.

Postado em 21 de Março, 2010
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RustyMarcelinniG
Água na boca
Coquetéis para todos ( 1)
Rusty Marcellini
 


A palavra coquetel tem duplo significado. Refere-se tanto a um evento social que, conforme o Pequeno Dicionário da Gula, de Márcia Algranti, "tem hora para começar e terminar - das 18:30 às 20:30 - em que são servidos salgadinhos e drinques e se come em pé" quanto a um drinque que combina, pelo menos, dois ingredientes.
Se o sucesso do primeiro depende de inúmeros fatores - como se os convidados são interessantes ou um bando de chatos, se os canapés são bem feitos ou não, se a música é de doer os ouvidos ou aprazível, se a bebida é de dar dor de cabeça ou de pedir repeteco etc. - o segundo depende apenas de uma mão equilibrada e harmoniosa.
Cláudio Fornari relata em seu ótimo "Dicionário-Almanaque de Comes & Bebes" que uma das versões mais interessantes que conhece para a origem do vocábulo cocktail "tem como cenário a cidade de Washington no final do século XVIII e, como personagem, uma dona de taverna chamada Betsy Flanagan, que um certo dia serviu, como ato político, uma espécie de batida dentro de uma garrafa enfeitada com o rabo de um galo roubado do galinheiro de um fazendeiro inglês".
Independentemente de qual seja a versão etimológica correta da palavra cocktail, sabe-se que seu preparo deve ser composto de duas ou mais bebidas sendo que uma delas, normalmente, é um destilado. Esse, o ingrediente básico, pode ser combinado com modificadores de sabor, alcoólicos ou não, como vermute, licores, sucos de frutas frescas, café, creme de leite fresco, refrigerantes ou água tônica. Pode-se ainda adicionar aromatizantes como xaropes, angostura, tabasco, molho inglês ou calda de açúcar. Por fim, o coquetel é decorado com cereja em calda, azeitona verde, fatias de frutas como laranja ou carambola, casquinhas de limão ou até aquele guarda-sol em miniatura visto em filmes americanos ambientados no Caribe.
Segundo o dicionário Aurélio, o destilado é o líquido obtido da destilação, que é o processo de "separar, por meio de calor, os elementos voláteis dos elementos fixos de uma substância". Entre os destilados mais comuns, pode-se destacar o brandy (do vinho), o gim (de cereais), o rum (do melaço fermentado da cana-de-açúcar), a tequila (do fruto de uma planta chamada agave), o uísque escocês (da cevada maltada), a vodca (de cereais ou de batata), o kirsch (da cereja), a grappa (da uva) e a brasileiríssima cachaça (da cana-de-açúcar).
São tantas as combinações possíveis de drinques que Cláudio Fornari brinca em seu dicionário que "um barman e um matemático norte-americanos fizeram um cálculo de quantos possíveis coquetéis poderiam ser compostos com todas as bebidas existentes em um bar de primeira qualidade. O resultado foi 17 milhões de combinações, 273 das quais, segundo os "pesquisadores" se situavam entre as ótimas e as aceitáveis".
Na coluna da semana que vem vou contar quais são os drinques clássicos da coquetelaria mundial e, é claro, indicar um local onde provar ótimos coquetéis em Belo Horizonte.

CONCURSO DE PÃO DE QUEIJO

Uma nobre iniciativa está sendo promovida pela Amipão - Sindicato e Associação Mineira da Indústria de Panificação: um concurso para eleger a melhor receita de pão de queijo das padarias de Minas Gerais. De acordo com o coordenador do concurso, o técnico de panificação francês, Nicolas Zabukovec, a ideia é valorizar a culinária mineira e um dos seus mais tradicionais produtos: "Não queremos uma receita inovadora, mas a que seja perfeita, unindo melhor sabor, "crocância", aparência e formato".
Para participar, as padarias associadas da Amipão devem se inscrever até amanhã, dia 15 de março, às 15h, pelo site www.amipao.com.br. Os inscritos devem apresentar uma receita de pão de queijo respeitando o tema "Pão de Queijo tradicional de Minas Gerais". Todos os inscritos participarão da fase eliminatória, que acontecerá no Senai nos dias 23 e 24 de março. Os finalistas serão escolhidos por uma equipe técnica do Núcleo de Panificação e Confeitaria do Senai. Das receitas iniciais, oito serão selecionadas para a final, que acontecerá dia 16 de abril na feira Minas Pão 2010. O concurso vai premiar os padeiros responsáveis pela receita (1º. Lugar - R$ 1.500,00) e o proprietário da empresa (1º. Lugar R$ 5.000 destinados a melhorias no estabelecimento). Padarias de Belo Horizonte, não deixem de participar!

Na semana que vem, vou contar quais são os drinques clássicos da coquetelaria mundial e, é claro, indicar um local onde provar ótimos coquetéis em Belo Horizonte

Até amanhã as padarias interessadas podem se inscrever no concurso "Pão de Queijo tradicional de minas Gerais" (www.amipao.com.br

Postado em 14 de Março, 2010
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Água na boca
Com a panela debaixo do braço
Rusty Marcellini
 


Nos dias de hoje é possível comprar de tudo pela internet. Até mesmo iguarias importadas, como conchiglione da marca italiana De Cecco, azeite grego extra-virgem da marca Olyssos, chocolate suíço Lindt com 85% de cacau e alfajores argentinos Havanna. Basta acessar o site Submarino. Ou encomendar por e-mail ou telefone produtos nacionais pouco conhecidos como doce de buriti em barra, castanhas de baru torradas, licor de jenipapo, farinha de jatobá e polpa de pequi em conserva. É só acessar o site Central do Cerrado. Entretanto, apesar das facilidades, há quem prefira sair de casa, atravessar a cidade, comprar uma refeição que poderia ser entregue através do delivery e, acredite, retornar ao lar para saboreá-la. "Huh?! Mas por que tamanha trabalheira? - perguntaria alguém. Respondo: pelo simples fato de manter viva uma tradição familiar.
Em viagens pelos quatro cantos do Brasil, onde visitei restaurantes, bares, botecos e biroscas, jamais encontrei algum estabelecimento em que os clientes chegam com uma panela debaixo do braço. Pois saiba que este ritual acontece em plena Belo Horizonte. Aos domingos, em um lugar conhecido como Trancinha, dezenas de clientes colocam sua panela sobre um balcão, fazem um pedido, retiram uma senha e esperam sem pressa seu número ser chamado. Quando isso acontece, apanham de volta sua panela e retornam para casa com o almoço. Na maioria das vezes, um gostoso frango ao molho pardo.
O Trancinha fica no bairro São Francisco, atrás do Corpo de Bombeiros da Av. Antônio Carlos. Funciona dentro das dependências do Restaurante Maria das Tranças, porém com entrada e cozinha separadas desse estabelecimento que é referência em BH quando o assunto é frango ao molho pardo. O Trancinha surgiu no início dos anos 80 como alternativa para quem preferia levar seu frango para casa ao invés de esperar uma mesa no restaurante em dias de grande movimento. O funcionamento é das 9h às 16h aos domingos, feriados e sábados chuvosos.
Bastam alguns minutos numa das mesas do Trancinha para notar que o vai-e-vem de panelas debaixo do braço é intenso. A cada instante chega um cliente que repete o mesmo ritual há anos. Em trajes mais formais ou trajando bermuda e chinelos de dedo, todos vão até o balcão, entregam a panela - geralmente de pressão porque, fechada, impossibilita o vazamento do molho -, fazem o pedido e apanham de volta a tampa com uma senha colada. Enquanto esperam, alguns puxam papo, outros bebericam uma cachacinha mordiscando a cortesia de raspas de angu fritas. Há ainda quem prefira escolher uma mesa para acompanhar a Formula 1 na TV beliscando uma porção de moela (R$ 10,50) ou de pele de frango frita (R$ 6,70).
O cardápio do Trancinha é semelhante ao do Maria das Tranças. De tira-gosto, há pastel de angu recheado com queijo (R$ 15,40 / 10 unid.), frango à passarinho com mandioca frita (R$ 22,10), e linguiça de frango com palitos de angu frito (R$ 17,30). Para levar para casa, além do frango ao molho pardo inteiro (R$ 29,20), há opções de frango com quiabo (R$ 29,20), ensopado (R$ 29,20), frito acebolado com farofa (R$ 29,20) ou à moda caipira com fubá de moinho d'água (R$ 29,20). Como acompanhamento, angu (R$ 2,30 por pessoa), quiabo (R$ 3,60 por pessoa) ou farofa na manteiga (R$ 4,20).
O casal Emerson e Cristiane, por exemplo, gosta de tomar uma cervejinha enquanto espera a senha ser anunciada. Ele, trinta e poucos anos, conta que conhece o Trancinha desde criança, quando acompanhava o pai ao futebol num clube da Pampulha. Na volta pra casa, os dois faziam um pit stop no Trancinha para apanhar o frango ao molho pardo do almoço. Emerson revela que, apesar do Maria das Tranças oferecer delivery e ter uma filial na Savassi, bairro vizinho de onde mora, ele gosta de atravessar a cidade de carro para ir buscar seu frango. Assim, relembra os bons tempos que viveu junto do pai na infância e mantém viva uma tradição familiar.
Assim como Emerson, são muitos os clientes do Trancinha que moram na zona sul e recusam a facilidade do delivery. Talvez porque prefiram sair um pouquinho de casa em dia de trânsito tranquilo, talvez porque gostem de fazer um programa inusitado ou talvez porque seja um empresário de sucesso cansado de "puxa-saquismo" e ali ele é apenas uma pessoa normal. Ou simplesmente porque no Trancinha ainda há a esperança de que as tradições do passado permanecerão vivas apesar de estarmos caminhando para um mundo onde muitos preferem enviar uma mensagem de texto via celular parabenizando um amigo no dia de seu aniversário do que dar-lhe um abraço.

Mas por
que
tamanha trabalheira? - perguntaria alguém. Respondo: pelo
simples
fato de manter
viva
uma
tradição familiar

Trancinha
Rua Estoril, 938.
Bairro: São Francisco.
Tel: 3441-3708.
Belo Horizonte - MG.

Postado em 7 de Março, 2010
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Água na boca
Sorbets, gelatos, sorvetes...(2)
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Na coluna anterior, contei como surgiu o sorvete e expliquei as diferenças entre o sorbet (0% de gordura), o gelato, o gelato diet (alguns substituem o açúcar pela sucralose), o sorvete industrializado, o sorvete premium e a granita (cristais congelados feitos de água, açúcar e sucos de frutas frescas ou xaropes). E deixei para esta semana as indicações dos lugares em Belo Horizonte onde eu mais gosto de tomar sorvete. Anote.

ALESSA

Inaugurada em 2006 no bairro de Lourdes, a sorveteria funciona em uma casa de arquitetura e decoração contemporâneas. Os diversos sabores disponíveis foram criados por Mario di Rauso, mestre-sorveteiro italiano, seguindo normas de qualidade europeias. Destaco os sorbets de maracujá e de framboesa, os gelatos de chocolate - feitos com matéria-prima holandesa, com 80% de cacau . Porém, os sorvetes de que mais gosto são os de doce-de-leite, como o Doce de Leite Alessa e o Doce de Leite com Nozes.

I SCREAM

Com três endereços a capital, a sorveteria oferece dezenas de sabores aos clientes, desde os clássicos, como coco, morango e limão, até os mais exóticos, como cerveja weiss, framboesa com wasabi e saquê. Mas confesso que entre os mais de vinte sabores que já provei no local, aqueles que mais me atraíram foram os mais simples, como os sorbets de limão siciliano e de manga, os gelatos de avelã (a versão diet deste também é muito boa) e de café, além do Gran Cioccolato, que consiste em chocolate feito com cacau holandês e pedaços de chocolate.

PUNTO IT

Assim que o amigo Eduardo Girão recomendou em seu blog o sorvete de pistache da Punto It, fui conhecer a sorveteria. Localizada na Praça Marília de Dirceu, a casa oferece dezenas de sabores. Segundo Khenya, a proprietária, alguns sorbets levam clara de ovo ao invés de estabilizantes químicos, garantindo maior qualidade ao produto. Ao chegar ao local, percebi que, além do ótimo sorvete sugerido, há outras boas opções, como os sorbets de pêssego e o gelato de tiramisú. Experimentei também um sorvete de gorgonzola e outro de parmesão. Porém, achei-os estranhos na primeira prova.


HAAGEN DAZS:

Depois que a loja do Shopping Diamond Mall encerrou suas atividades, esta deliciosa marca de sorvete pode ser encontrada no shopping Pátio Savassi. Espalhado pelos quatro cantos do mundo, a Haagens Dazs oferece aos clientes um sorvete premium feito com creme de leite fresco. Entre os sabores disponíveis, meus favoritos são os de macadâmia, doce-de-leite, chocolate choc chip, tiramisu, capuccino caramel truffle e morango cheesecake.

SORVETES DE FRUTAS DO CERRADO E DA AMAZÔNIA

Em Belo Horizonte, destaco ainda duas sorveterias que oferecem sorvetes de massa e picolés feitos com frutas do cerrado brasileiro e da Amazônia, como açaí, acerola, araçá, araticum, brejaúba, buriti, cagaita, cajá-manga, caju, cupuaçu, gabiroba, graviola, jaca, jatobá, lichia, mangaba, mutamba, murici, pequi, seriguela, tamarindo, taperebá e umbu. São elas a Frutos do Cerrado (Av. Tancredo Neves, 3237 / Bairro Castelo / Tel. (31) 3427-2037) e a Sabor do Cerrado (Rua Mato Grosso 960, loja 3 / Bairro: Santo Agostinho).

Expliquei as diferenças entre o sorbet, o gelato, o gelato diet, o sorvete industrial, o premium e a granita

ALESSA GELATO & CAFFÈ:
R. São Paulo, 2112, Lourdes.
Tel. (31) 3292-2588.


I SCREAM:
R. Alagoas, 1212, Funcionários
Tel. (31) 3295-5583, com lojas nos shoppings Diamond Mall e BH Shopping.


PUNTO IT:
R. Marília de Dirceu, 108 lj 112, Lourdes
Tel. (31) 3291-0154.


HAAGEN DAZS:
Shopping Pátio Savassi,
Av. do Contorno, 6061, Funcionários
Tel. (31) 3281-8062.

Postado em 28 de Fevereiro, 2010
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Água na boca
Sorbets, gelatos, sorvetes... (parte 1)
Rusty Marcellini
 

*
RECEITA

Segundo o "Dicionário-Almanaque de Comes & Bebes", de Cláudio Fornari (Ed. Nova Fronteira), "a história do sorvete divide seus biógrafos". Entretanto, o autor, através do levantamento de "uma macedônia de informações disponíveis", oferece uma cronologia de como surgiu a iguaria: "Por volta do ano 60 a.C., as legiões de Nero trouxeram para Roma geladas montanhas mais próximas, que os confeiteiros palacianos moeram e misturaram com mel e frutas. (...) Depois de um longo período, Marco Polo descobre, na China, um sorvete conhecido desde os tempos dos primeiros mandarins, à base de leite batido com neve, novidade que ele levou para a Itália. (...) Em 1533, Catarina de Médicis levou o sorvete para a França. (...) Em 1820, nasceu (segundo Augustin de Saint-Hilaire) o primeiro sorvete brasileiro, improvisado no Rio Grande do Sul por doceiras gaúchas que, nas noites frias de inverno com geada, deixavam ao relento potes com sucos de frutas, os quais, depois de congelados, eram batidos e misturados com doces em caldas. Mas somente em 1934 o sorvete se popularizou no Brasil, quando aqui aportou o navio Madagascar, de bandeira norte-americana, com um carregamento de muitas toneladas de gelo".
Nos dias de hoje, existem tantas sorveterias espalhadas pelo mundo - cada uma delas servindo suas especialidades, que variam de sorbets de frutas a gelato de café, de sorvetes premium de macadâmia a granita de limão siciliano -, que o ideal é, inicialmente, diferenciar os produtos disponíveis para os clientes.
Fernando Lana, mestre sorveteiro e proprietário das sorveterias I Scream, explica que na Europa e nos Estados Unidos existe uma regulamentação que qualifica os sorvetes seguindo dois parâmetros: o teor percentual de gordura e a quantidade de ar que é adicionado à receita. Assim, o sorbet é definido como um produto que não leva leite (portanto, possui 0% de gordura); ou seja, feito apenas com frutas, xaropes adoçantes, aromatizantes e água. Já o gelato possui de 5% a 8% de teor de gordura e 30% de ar adicionado. Os sorvetes industriais encontrados a preços baixos em supermercados têm, aproximadamente, de 8 a 10% de gordura e até 120% de ar adicionado. Os sorvetes premium e super premium têm de 12 a 20% de gordura e entre 30 a 40% de ar adicionado. Lana conta que sua sorveteria oferece ainda o gelato diet, que substituí o açúcar por sucralose.
Ainda sobre a composição de sorbets e gelatos, pode-se afirmar, ao contrário do que muitos pensam, que ambos são pouco calóricos. Os sorbets da I Scream possuem valor calórico entre 111 a 142 kcal/100 gramas, dependendo do sabor, e 0% de teor de gordura. Já os gelatos da sorveteria têm valor calórico entre 158 a 215 kcal/100 gramas e entre 5% e 6% de teor de gordura. Em comparação, uma porção de 100 gramas de biscoito cream cracker da marca Bauducco possui 433 kcal e 15% de teor de gordura e o pão de queijo tradicional do Forno de Minas tem 284 kcal/100g e 13% de teor de gordura.
Outro tipo de sorvete pouco conhecido no Brasil é a granita. Comum na região de Palermo, na Sicília, consiste em cristais congelados feitos de água e açúcar, aromatizados com pétalas de rosas ou jasmim, sucos de frutas frescas, xaropes, café ou cacau. A granita italiana lembra um pouco a raspadinha brasileira.
Jeffrey Steingarten, no livro "O Homem Que Comeu De Tudo" (Ed. Companhia das Letras), conta que o café da manhã dos palermitanos "consiste num brioche chato e doce, cortado quase até a metade, recheado com uma grande colherada de sorvete de café e coroado por creme batido, ou então, de um copo alto de granita de café no qual se molham pedaços de brioches". O autor completa que "a lição que as granitas sicilianas ensinam é a da simplicidade. Seu objetivo é enfatizar o sabor essencial, no momento perfeito do ano, de uma fruta ou flor".
Em recente passeio pela Savassi, constatei que uma de minhas sorveterias favoritas da cidade fechou as portas: a La Basque, que funcionava na Rua Paraíba. Outro estabelecimento que recentemente encerrou suas atividades foi a Haagen Dazs do shopping Diamond Mall. Entretanto, ainda é possível encontrar sorveterias de qualidade em Belo Horizonte que conseguem sobreviver a este difícil mercado. Na semana que vem, indicarei os melhores lugares da capital para tomar sorbets, gelatos e sorvetes premium.



Granita
de café

Ccoar 1 litro de café de torrefação escura. Adoçar com 1 xícara (chá) de açúcar cristal. Misturar. Esfriar. Guardar no congelador em recipiente plástico com tampa. Duas horas depois, ele começara a congelar. A partir daí, vá raspando a mistura com a ajuda de um garfo a cada 30 minutos pelas próximas 4 horas. Afofe bastante o gelo para ficar com textura uniforme. Depois da terceira hora, os cristais de gelo irão se separar, adquirindo consistência mais seca (semelhante uma farofinha). A granita está pronta para ser saboreada. Recomendo servi-la em taça de martini e, se desejar, regar com fios de creme inglês.

Postado em 21 de Fevereiro, 2010
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Água na boca
Comer bem no Carnaval
Rusty Marcellini
 


Não é novidade alguma afirmar que Belo Horizonte não possui Carnaval. Quem gosta de pular, fantasiar, desfilar ou correr atrás do trio elétrico tem que buscar diversão em outros cantos.
Entretanto, não é preciso ir longe para conseguir encontrar a folia. São muitas as cidades no entorno de BH, ou mesmo a poucas centenas de quilômetros, que possuem tradição carnavalesca. Pensando nisso, dedico esta coluna àqueles que estarão em lugares como Sabará, Ouro Preto, Diamantina, Tiradentes ou São João Del Rei e queiram saborear algo gostoso entre uma marchinha e outra.

SABARÁ

Quando em Sabará, não deixe de ir a Pompeu, um simpático distrito que fica a menos de 10 quilômetros de distância do centro da cidade. Fundado em 1731 com a descoberta do ouro, o pequ eno vilarejo é conhecido como a capital do ora pro nobis. Para saborear essa gostosa folha rica em proteína, uma boa opção é o Restaurante Jotapê. Cercado por uma imensa horta repleta de folhas e verduras, o restaurante funciona com serviço self-service a quilo. Por isso, recomendo que chegue cedo para melhor aproveitar as receitas com ora pro nobis.

OURO PRETO E DISTRITOS

Na antiga capital de Minas, recomendo o restaurante Boca da Mina, especializado em culinária mineira com serviço à la carte. O nome do estabeleci mento é uma referência à antiga mina do Chico Rei que existiu dentro das cercanias do lugar.
Aliás, sugiro conhecê-la enquanto espera o pedido. Com ambiente de paredes de pedra e bancos de madeira, o local serve iguarias como frango com quiabo e angu, tropeiro com costelinha e tutu com lombo e couve refogada.
O distrito de São Bartolomeu está localizado a doze quilômetros do trevo de acesso a Mariana, em estrada de terra em boas condições. O vilarejo é conhecido pela produção de doces artesanais vendidos em barra. Pessegada, doce de leite, goiabada, cidra, bananada, tudo feito dentro das casas dos moradores. Para comprá-los, anuncie sua presença diante das casas da rua principal com o bater de palmas. Os doces ficam expostos nas estantes da sala de estar. Já a cozinha, nos fundos, costuma estar repleta de tachos enormes de cobre.
Na charmosa Lavras Novas, outro distrito de Ouro Preto, recomendo a deliciosa torta de iogurte com calda de frutas vermelhas. Para saboreá-la, vá ao Café Menestrel, localizado na pousada de mesmo nome. O lugar, bastante aconchegante, com mesas de madeira e flores em jarras, serve ainda cafés, sanduíches e tortas salgadas, tudo de primeira qualidade.

DIAMANTINA

No antigo Arraial do Tejuco, um dos cozinheiros mais conhecidos da cidade é Vandeka, que trabalha no restaurante O Garimpeiro. Localizado na Pousada do Garimpo, o estabelecimento serve o prato favorito de JK, frango com quiabo, além da especialidade de Vandeka: os doces mineiros em compotas. Entre os destaques, sugiro o doce de casca de limão com doce de leite e a ambrosia.

TIRADENTES

São tantas as opções de lugares onde se come bem em Tiradentes que fica difícil recomendar apenas uma ou duas. Por isso, sugiro bater perna e pescoçar os cardápios dos restaurantes Virada's do Largo, Dona Xepa, Tragaluz, Santo Ofício e Atrás da Matriz e escolher aquele que melhor o satisfaz em termos de ambiente e preço.
Caso deseje sair da cidade para conhecer Bichinhos e/ou Prados, recomendo respectivamente os restaurantes Pau de Angu e Grotão.
Já em relação às sobremesas, não deixe de provar o Doce de Leite do Bolota, que é feito com pequeníssima quantidade de açúcar e, portanto, suave, clarinho e cremoso, e os doces do Chico Doceiro, como cajuzinho, beijinho de coco, canudinho com doce-de-leite, cocadas e doce de laranja.

São
muitas as cidades
no entorno
de
Belo Horizonte que
podem oferecer
ao mesmo tempo Carnaval
e boa
mesa

BOCA DA MINA:
R. Dom Silvério, 108.
(31) 3551-1749.
Ouro Preto

CAFÉ MENESTREL:
R. Alto do Campo, 287.
(31) 3554-2088.
Lavras Novas.

JOTAPÊ:
R. José Vaz Pedrosa, 367,
(31) 3671-2445 / 3671-6250
Distrito de Pompeu.
Sabará

O GARIMPEIRO:
Av. da Saudade, 265.
(38) 3532-1040.
Diamantina

DOCE DE LEITE DO BOLOTA:
R. Bias Fortes, 77. (32) 3355-1465.
Tiradentes

CHICO DOCEIRO:
R. Francisco Pereira de Morais, 74, (32) 3355-1900.
Tiradentes.

Postado em 14 de Fevereiro, 2010
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Água na boca
O amadorismo do serviço em BH (parte 2)
Rusty Marcellini
 


Em recente entrevista para a revista Veja, o restaurateur Rogério Fasano, ao ser indagado sobre o que faz de alguém um grande maître ou um garçom perfeito, respondeu: "o timing: a hora de saber chegar e a hora de saber sair . Nós somos um pouco contra o excesso de serviço". Em seguida, Rogério explicou que não se deve esquecer que em um restaurante, "pessoas pedem as outras em casamento, se conhecem, fecham negócios, põem a vida em dia. O garçom que a toda hora pergunta se está tudo bem é infernal".
Na coluna da semana passada, escrevi sobre a frustração que sinto com a precariedade do serviço na maioria dos bares e restaurante da capital mineira. Conforme citação do blog de Luiz Américo Camargo, editor-chefe do caderno Paladar, do jornal "O Estado de São Paulo", enquanto em São Paulo os estabelecimentos pecam pelo "excesso de serviço", em Belo Horizonte temos que implorar pela atenção dos garçons. Também comentei o quão desinformado costuma ser a brigada de salão, que desconhece o próprio cardápio da casa e, por fim, critiquei a falta de harmonia desta com a cozinha. Hoje, conforme prometido, publico e-mails que reclamam do serviço em diversas casas de BH.
Tiago Assis contou ser belo-horizontino enquanto sua esposa, Carla, é paulista. Ele a conheceu quando morava na capital paulista onde, aos domingos, costumava tomar café da manhã fora de casa. Enquanto lá é comum encontrar boas opções de padarias, aqui é quase impossível. Por fim, Tiago comenta o imbróglio que passou, assim como eu, na padaria Ateliê do Pão, no bairro de Lourdes. Lá, a falta de organização é uma constante. Aos domingos, é comum encontrar até seis funcionárias dividindo tarefas no minúsculo espaço atrás do balcão. Se em determinado momento alguém está na chapa, no instante seguinte se encontrará desentupindo a pia ou servindo as mesas, e vice-versa. Observá-las trabalhando me faz lembrar o jogo da dança das cadeiras. Mas, afinal, seriam as funcionárias culpadas pela bagunça? Ou o culpado seria o dono da padaria que não prestou treinamento nem delegou funções a cada uma de suas contratadas?
Suellen Maria da Silva comentou que o restaurante Chop Suey San, um self-service a quilo de comida oriental que funciona na região da Savassi, tem o costume de incluir os 10% de gorjeta na conta mesmo sendo o local um estabelecimento de auto-serviço. Para Suellen, tal atitude é o "cúmulo da cara de pau". Concordo.
Alexandre Barros relata um episódio ocorrido na pizzaria do Verdemar do shopping Diamond Mall: "O restaurante é muito bom e a pizza é uma das melhores da cidade. , ao que parece, não há um gerente para comandar o local. Ao sentar com minha esposa e filha, tive que sinalizar para ser atendido, pois os garçons passavam para lá e para cá sem nos dar atenção. Mas o pior foi quando pedi a conta. Embora tivesse feito o pedido para três garçons, nenhum deles se dignou a me trazer a bendita. (...) Após esperar por cerca de dez minutos, levantei e fui diretamente ao caixa pagar. Achei um absurdo, um descaso e, provavelmente, se eu saísse sem pagar eles nem perceberiam. Pelo padrão do local, fiquei muito desapontado".
Gustavo Castilho reclama do serviço no Outback Steakhouse do Pátio Savassi. Ele conta que após esperar pelo atendimento por cerca de 10 minutos, decidiu se levantar para ir atrás de um garçom. Porém, no final da refeição, ao não pagar a taxa de serviço de 10%, o funcionário correu até ele para perguntar se houve algum problema com o atendimento. Depois que Gustavo explicou as razões da não inclusão da gorjeta, o funcionário lhe deu a desculpa que o serviço precário aconteceu porque o restaurante estava cheio. Gustavo retrucou: "ora, se a casa está cheia e eles não conseguem dar um atendimento de qualidade, que contratem mais funcionários ou diminua a capacidade de mesas".
Rodrigo Gontijo diz que vivenciou "uma experiência péssima no restaurante Topo do Mundo, na Serra da Moeda". Segundo ele, "embora o ambiente seja muito agradável, o serviço é de qualidade duvidosa". Assim como Rodrigo, eu também já passei por percalços no estabelecimento citado. Aliás, na coluna Água na Boca de 3 de maio de 2009, escrevi: "apesar da paisagem do Topo do Mundo ser um motivo que já vale uma visita, o lugar deixa muito a desejar em seus demais aspectos. Por várias vezes batalhei para ganhar a atenção dos garçons. Ao observar as demais mesas, constatei que a demora dos pedidos era uma constante. Também notei que vários funcionários desconheciam o significado de itens no cardápio".
É hora de os donos dos restaurantes entenderem que os garçons não são apenas carregadores de bandejas, e sim parte essencial de uma experiência gastronômica. O garçom é o cartão de visita da casa. Mas para isso, é preciso treiná-lo adequadamente e prestar-lhe o devido valor.

Enquanto
em São Paulo as casas pecam pelo "excesso de serviço", em Belo Horizonte temos que implorar pela atenção dos garçons

É hora de
os donos
dos restaurantes entenderem que
os garçons não são apenas carregadores de bandejas

Postado em 7 de Fevereiro, 2010
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