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Aluísio Pimenta
Curso tecnológico e universitário
 


Em matéria de cursos, Pós-Médios ou como denominamos anteriormente, Pós-Secundários o Brasil está vivendo no momento, a meu ver, uma situação de grande confusão. A qualidade do exercício profissional sofre com os erros que estão sendo cometidos no Brasil.
A Educação Pós-Média, em todos os países, inclusive pela Legislação Brasileira se divide em dois níveis distintos e que não podem ser confundidos. A chamada Educação Tecnológica à qual têm acesso os candidatos que terminaram a escola média e que prestam exames para ingresso nestes cursos tecnológicos, cuja duração é de dois anos ou quatro semestres.
O outro nível do ensino pós-médio é o chamado ensino universitário ou superior, proporcionado pelas Universidades, Centros Universitários (no Brasil) e Faculdades e Escolas grupadas ou isoladas, públicas ou privadas.
Os Cursos Universitários são menos operacionais, em geral, e têm bases teóricas mais amplas. Os Cursos Universitários formam os profissionais liberais como, por exemplo, os Bacharéis em Direito, os Engenheiros, Farmacêuticos. É preciso deixar bem claro que estes profissionais liberais não são mais importantes que os Tecnólogos. O que eles se caracterizam é por serem diferentes e têm formação pedagógica e profissional diferente, em todos os países do mundo.
Nos Estados Unidos, os Tecnólogos frequentam cursos de dois anos, em dezenas de especializações. Eles têm grande prestígio e recebem bons salários. Já os profissionais liberais se formam em Universidades ou, mais raramente, em escolas isoladas. É importante lembrar que as Escolas Superiores reunidas em uma universidade ou isoladas são denominadas Colleges.
Em relação a este desvirtuamento dos Cursos de Tecnólogos, confundindo-os com os de ensino superior, tive a oportunidade de ler um artigo publicado em um boletim de uma faculdade, em Belo Horizonte, que justifica a denominação de curso superior aos cursos tecnológicos, afirmando que este equívoco que põe em marcha segue a orientação do sistema adotado nos EUA. O que deve ser esclarecido é que ao término de um curso tecnológico, os graduados tecnólogos podem se matricular em um curso universitário, da mesma natureza. Esta continuidade do curso é totalmente diferente do equívoco de denominar ensino superior aos cursos tecnológicos. Cada um deles, é importante insistir, tem papel pedagógico para a formação de recursos humanos de que necessitam as empresas e a sociedade em geral.


Professor e Membro da Academia Mineira de Letras

Postado em 21 de Março, 2011
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Intercâmbio universitário
 


Nos 17 anos que fui obrigado a viver no exterior, ainda bastante jovem na época, 42 anos, fui querendo bem ao Brasil e voltei amando o Brasil. Em 1952, conseguimos uma bolsa de pesquisa para passarmos dois anos no "Istituto Superiore di Sanitá" em Roma. Reunia profissionais de vários países para isolar produtos potencialmente terapêuticos e que seriam estudados pelos profissionais da Farmacologia.
Entre os pesquisadores, já havia um Prêmio Nobel, por haver isolado o antibiótico "Penicilina" que descoberto, na época, era utilizado em estado de impureza. Na mesma época, outro pesquisador de nosso grupo, o professor Bovet, foi agraciado com o Prêmio Nobel de Farmacologia pelos estudos das sulfonamidas, sintetizados no Laboratório Pastem de Paris e também no estudo de substâncias isoladas por mim e minha esposa, de plantas brasileiras, inclusive a farmacologia do curare extraído e identificado por nós, do curare produzido por indígenas da Amazônia e que tem como base uma planta do "gênero stricnos", à qual os indígenas adicionavam, praticamente, uma dezena de plantas para despistar as pessoas, fora das tribos. Relembre-se aqui que o isolamento do alcaloide foi a nossa arma com a qual vencemos a astúcia dos aborígines de nossa querida Amazônia.
Tenho insistido que um dos grandes equívocos dos professores e professoras ou simplesmente pesquisadores que estudam e pesquisam no exterior é ao voltarem a seus países e procurarem aplicar os conhecimentos adquiridos lá fora sem adaptá-los à nossa cultura ou às nossas condições de laboratórios e equipamentos.
Um dos graves equívocos a meu ver se passa no campo da agricultura. Muitos de nossos pesquisadores e professores voltam ao Brasil e tentam aplicar estes conhecimentos sem adaptá-los a nossa agricultura tropical. São verdadeiros fracassos. Lembre-se aqui, de passagem, que uma das importantes atividades da Embrapa foi , na volta de seus estudos realizados nos Estados Unidos e na Europa, adaptar estes conhecimentos à nossa agricultura tropical do cerrado.
Quando regressamos ao Brasil procuramos passar as novas técnicas aprendidas, adquirindo os equipamentos básicos e estabelecendo condições de pesquisa, incentivando o tempo integral dos professores, e reunindo colegas da Química e outras disciplinas para a necessidade de transformamos nossa UMG, então federalizada, a uma verdadeira universidade. Creio que estas atividades e nossas reuniões levaram a comunidade de nossa universidade a propor meu nome para o primeiro reitor farmacêutico e com 39 anos.

Professor e Membro da Academia Mineira de Letras

Postado em 7 de Março, 2011
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Biodiversidade
 

A biodiversidade, ou seja, todas as diferentes características da vida vegetal e animal espalhadas pelo planeta é uma das maiores preocupações mundiais. São estas diferenças de vida que estabelecem o equilíbrio constante na natureza, permitindo a sobrevivência dos seres vivos, inclusive do homem. Nosso país é responsável por 20% da biodiversidade de todo o globo terrestre, por isso os países desenvolvidos estão sempre de olhos voltados para nós. O brasileiro, de uma maneira geral, não conhece a importância atual e futura do Brasil para a sobrevivência e para a qualidade de vida da própria humanidade. Os governos brasileiros, em todos os níveis, só agora despertam para o valor de nossa biodiversidade.
Recentemente, técnicos do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente) divulgaram alguns dados sobre o valor econômico de nossa biodiversidade, que estaria na casa dos R$ 4 trilhões. Julgo a cifra baixíssima, mesmo se levando em conta um valor estático e, portanto, não considerando o potencial dos princípios ativos já conhecidos em determinadas plantas e, especialmente, dos que iremos conhecer a partir de novas pesquisas no setor.
Aqui posso falar com conhecimento de causa. Minha esposa e eu participamos ativamente na Itália, no Istituto Superiore di Sanitá, das pesquisas que identificaram os alcaloides dos curares utilizados pelos indígenas sul-americanos. A partir de plantas do gênero stricnos, eles produzem o veneno que é colocado nas flechas para imobilizar os animais durante a caça.
O Brasil ainda possui milhares de plantas aguardando estudos fitoquímicos, especialmente na Amazônia. Levanta-se, então, o problema da participação de entidades estrangeiras nestas pesquisas. Não nos opomos à colaboração de laboratórios e especialistas de outros países. Mas é indispensável que tais pesquisas se façam com participação de técnicos brasileiros e que se estabeleçam normas para o compartilhamento dos resultados alcançados, assim como das patentes, que devem pertencer a brasileiros e estrangeiros.
Creio que existe, no momento, a determinação do Governo brasileiro de incentivar, e também controlar de perto, os convênios entre universidades e instituições brasileiras de pesquisa com entidades de ensino superior e laboratórios estrangeiros. No entanto, repito, é necessário que se defina previamente o compartilhamento dos resultados alcançados.
Sabe-se que seria muito difícil para o Brasil, isoladamente, assumir o custo de pesquisas tão caras. De acordo com as informações obtidas, as que estão em andamento, neste setor, demandam cerca de R$ 10 milhões por ano, ou seja, uma quantia irrisória. Para se ter uma ideia, um dado recente publicado pela imprensa demonstra que o laboratório Glaxo gasta cerca de R$ 2 bilhões anuais com pesquisas.
O Ibama, tentando minimizar a situação, planeja um amplo estudo que inclui diferentes regiões do Brasil em colaboração com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e centros de pesquisas de diferentes universidades. O plano é estender estas pesquisas a sete áreas: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatingas, Zonas Costeiras, Manguezais e Campos Sulinos. Este projeto é de suma importância para conhecermos nossa biodiversidade, para utilizá-la e preservá-la como patrimônio do Brasil e da humanidade.
Membro da Academia Mineira de Letras
 

Postado em 29 de Março, 2011
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Biodiversidade
 


A biodiversidade, ou seja, todas as diferentes características da vida vegetal e animal espalhadas pelo planeta é uma das maiores preocupações mundiais. São estas diferenças de vida que estabelecem o equilíbrio constante na natureza, permitindo a sobrevivência dos seres vivos, inclusive do homem. Nosso país é responsável por 20% da biodiversidade de todo o globo terrestre, por isso os países desenvolvidos estão sempre de olhos voltados para nós. O brasileiro, de uma maneira geral, não conhece a importância atual e futura do Brasil para a sobrevivência e para a qualidade de vida da própria humanidade. Os governos brasileiros, em todos os níveis, só agora despertam para o valor de nossa biodiversidade.
Recentemente, técnicos do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente) divulgaram alguns dados sobre o valor econômico de nossa biodiversidade, que estaria na casa dos R$ 4 trilhões. Julgo a cifra baixíssima, mesmo se levando em conta um valor estático e, portanto, não considerando o potencial dos princípios ativos já conhecidos em determinadas plantas e, especialmente, dos que iremos conhecer a partir de novas pesquisas no setor.
Aqui posso falar com conhecimento de causa. Minha esposa e eu participamos ativamente na Itália, no Istituto Superiore di Sanitá, das pesquisas que identificaram os alcaloides dos curares utilizados pelos indígenas sul-americanos. A partir de plantas do gênero stricnos, eles produzem o veneno que é colocado nas flechas para imobilizar os animais durante a caça.
O Brasil ainda possui milhares de plantas aguardando estudos fitoquímicos, especialmente na Amazônia. Levanta-se, então, o problema da participação de entidades estrangeiras nestas pesquisas. Não nos opomos à colaboração de laboratórios e especialistas de outros países. Mas é indispensável que tais pesquisas se façam com participação de técnicos brasileiros e que se estabeleçam normas para o compartilhamento dos resultados alcançados, assim como das patentes, que devem pertencer a brasileiros e estrangeiros.
Creio que existe, no momento, a determinação do Governo brasileiro de incentivar, e também controlar de perto, os convênios entre universidades e instituições brasileiras de pesquisa com entidades de ensino superior e laboratórios estrangeiros. No entanto, repito, é necessário que se defina previamente o compartilhamento dos resultados alcançados.
Sabe-se que seria muito difícil para o Brasil, isoladamente, assumir o custo de pesquisas tão caras. De acordo com as informações obtidas, as que estão em andamento, neste setor, demandam cerca de R$ 10 milhões por ano, ou seja, uma quantia irrisória. Para se ter uma ideia, um dado recente publicado pela imprensa demonstra que o laboratório Glaxo gasta cerca de R$ 2 bilhões anuais com pesquisas.
O Ibama, tentando minimizar a situação, planeja um amplo estudo que inclui diferentes regiões do Brasil em colaboração com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e centros de pesquisas de diferentes universidades. O plano é estender estas pesquisas a sete áreas: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatingas, Zonas Costeiras, Manguezais e Campos Sulinos. Este projeto é de suma importância para conhecermos nossa biodiversidade, para utilizá-la e preservá-la como patrimônio do Brasil e da humanidade.

Membro da Academia Mineira de Letras

Postado em 16 de Fevereiro, 2011
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O Brasil na alimentação mundial
 


Comemoramos os 500 anos de descobrimento do Brasil. Ninguém ignora os aspectos positivos e negativos deste período de formação da Pátria Brasileira: a união geográfica, com seus 8,5 milhões de quilômetros quadrados; a uniformidade da língua; a luta pelo respeito político, econômico, social e cultural como uma Nação independente. Enquanto o Brasil se firmava como nação, o Continente Africano era dividido como um "bolo dos europeus", criando países muitas vezes fictícios apenas para manter a hegemonia sobre as riquezas naturais. Mas, nós também possuímos nossas máculas, como o massacre da população indígena e a adoção da escravatura negra.
O que desejo, no entanto, é convidar os leitores para que apoiem de forma consciente o desenvolvimento de uma política no setor das Ciências Agrárias: a modernização da agricultura, o aproveitamento da fauna e flora; o uso correto das bacias hidrográficas; a implementação da aquicultura. O Brasil é um "continente" sem desertos, vulcões ou furacões. Ainda que mal distribuída, contamos com mais de 12% da água doce do mundo e com luz e calor do sol de fazer inveja aos EUA e à Europa.
No campo tecnológico temos excelentes instituições científicas e técnicas, como a Embrapa e a Emater, e universidades que desenvolvem amplas pesquisas, especialmente em São Paulo e Minas Gerais. Ressalte-se aqui a vitória dos cientistas paulistas que decodificaram o genoma da bactéria Xylella fastidiosa, responsável pela praga do amarelinho, que vem dizimando os nossos laranjais.
Dentro desta perspectiva, o que nos falta para sermos grandes produtores e exportadores de todos os tipos de grãos, de frutas tropicais e até mesmo de peixes é a vontade política de realizar investimentos consistentes no setor agrícola.
No caso da Aquicultura, temos que informar a população da importância econômica e social da indústria pesqueira moderna, para que a sociedade, através de seus representantes no Congresso Nacional, pressione o Executivo a liberar recursos para a área. Necessitamos, ainda, do desenvolvimento de pesquisas no setor, facilitando, por exemplo, a reprodução em cativeiro de importantes espécies de peixes brasileiros.
Para ficarmos somente na América Latina, podemos citar os casos do Chile e do Equador. A economia chilena está se beneficiando com a criação e exportação do salmão, que recebeu na década de 1990 cerca de US$ 4 bilhões em investimentos, e apenas neste ano terá o retorno de US$ 1 bilhão em exportação. A criação de salmão na região de Puerto Monte, economicamente pobre, fez com que a taxa de desemprego caísse para 6%. O Equador, por sua vez, é hoje um dos principais exportadores de camarão de cativeiro.
O Brasil tem condições excepcionais para ampliar sua produção agrícola e desenvolver um Aquicultura moderna, retirando-nos da grave dependência em que nos encontramos e até nos transformando em um dos maiores exportadores do mundo.

Professor e Membro da Academia Mineira de Letras

Postado em 25 de Janeiro, 2011
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Topless também é cultura
 


Neste ano em que a modernidade reina no Brasil é bizarro, se não ridículo, que a polícia prenda uma mulher porque tem os seios à mostra nas praias.
Quando Pedro Álvares Cabral aportou na Bahia, encontrou as indígenas com seus seios desnudos representando as raízes da cultura brasileira. O modo de vestir-se é uma característica cultural com seus aspectos econômicos, sociais, políticos e religiosos. Desde o tempo das cavernas temos passado por períodos e situações diferentes no que se refere aos trajes para homens e mulheres. Nestes últimos períodos, em especial no século 20, a sociedade vem se modernizando; entretanto, desenvolve-se um processo de repressão, por parte de algumas pessoas, contra o comportamento considerado erótico, principalmente das mulheres.
"Menino da roça" e católico por formação senti, assim como os meus colegas, os rigores da Igreja, da família e da sociedade na repressão de tudo aquilo que se referia às questões do corpo e do sexo. Nas igrejas os padres não permitiam que as mulheres entrassem sem blusa de manga comprida. Presenciei, inúmeras vezes, algumas serem postas para fora por estarem de manga curta. A separação entre meninos e meninas era severa. Os padres nos confessionários faziam severa arguição sobre qualquer atividade sexual dos jovens com ou sem parceiro.
Quando eu tinha uns 10 ou 11 anos, ver o joelho de uma jovem era altamente erótico. Mesmo depois que vir estudar em Belo Horizonte, meus colegas e eu descíamos do bonde olhando para trás tentando ver as pernas das mulheres, que andavam sempre cobertas por trajes longos, apesar do nosso clima tropical. Era a cultura de cobrir todo o corpo.
As coisas foram mudando. Primeiro vieram as blusas sem manga e o desafio de entrar nas igrejas com essas roupas. Em seguida as calças compridas e daí às saias curtas. Da saia curta demos um salto revolucionário em termo de vestuário: o uso das mini-saias, ousadas e excitantes. Delas a imprensa disse: "uma mini-saia é uma indumentária que mostra tudo, menos o essencial". Partimos, então, para uma revolução nas peças de banho até chegarmos, especialmente no Brasil, ao biquíni "fio dental".
Não quero estabelecer um juízo de valor, mas do "fio dental" ao topless tivemos um pequeno avanço cultural em todo o mundo. As praias e sítios naturalistas, aumentaram exponencialmente. É uma volta à cultura dos povos primitivos.
Creio que não devemos nos escandalizar com os seios desnudos daquelas que quiserem praticá-lo. É, sem dúvida, uma manifestação cultural. Reprimi-la é um equívoco; combatê-la com a polícia e a prisão é um ato inaceitável. Queiramos ou não é a evolução de uma manifestação cultural.

Professor e Membro da Academia Mineira de Letras

Postado em 11 de Janeiro, 2011
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A onda do lazer e do turismo
 


A automação dos meios de produção vem provocando, queiramos ou não, o desemprego e a diminuição das horas de trabalho. Há 10 mil anos, o desenvolvimento da agricultura diminuiu as atividades da pesca, da caça e do extrativismo vegetal. Com isso, as pessoas passaram a dispor de 10% de seu tempo para o lazer. Entre os anos 6.000 a.C. e 1.500 d.C., o artesanato e a fiação e tecelagem manuais aumentaram o tempo de lazer para cerca de 17%. Em 1770, a Revolução Industrial, na Inglaterra, introduziu a máquina a vapor, ampliando, mais tarde, para 23% o tempo livre.
Durante o século 18 a semana de trabalho compreendia 72 horas, baixando para 70 no século 19. Atualmente, a semana do trabalhador tem cerca de 40 horas, sendo que em países da Europa existem casos de 30 horas semanais, liberando quase 40% do tempo para outras atividades. Os sindicatos e partidos políticos europeus estão estudando a possibilidade de baixar esse tempo para 20 horas semanais. Especialistas sondam o aumento dos feriados e do número de dias de férias anuais. Nos Estados Unidos, há a tendência de se ampliar as férias anuais, que compreendem 12 dias úteis (três semanas). Observadores do setor trabalhista prevêem que no Terceiro Milênio o descanso anual poderá alcançar até 40 dias. Os trabalhadores finlandeses já gozam de 37,5 dias de férias e os europeus, em geral, de 30 dias.
O aumento da longevidade da vida humana cresce em proporção geométrica, proporcionando aos aposentados maior participação no lazer e no turismo. O aproveitamento dos benefícios da aposentadoria, em termos de anos, ampliou-se significativamente, mas a sociedade ainda não se adaptou à longevidade e ao maior tempo livre. Há 40 anos a idade média de vida no Brasil, por exemplo, era de 50 anos, hoje aproxima-se dos 70. As aposentadorias brasileiras se fazem, em média, aos 50 anos, enquanto nos Estados Unidos, entre 1985 e 1990, ocorria aos 63 anos, passando para 60 anos nos dias atuais. Vale à pena frisar que a expectativa de vida poderá chegar, facilmente, aos 80 ou 90 anos. Os otimistas acreditam que poderemos alcançar a média de 100 anos.
Os futuristas prevêem que as pessoas poderão atingir, com os progressos terapêuticos e as novas condições da saúde preventiva e da engenharia genética, de 150 a 160 anos. O que acontecerá se tivermos de utilizar os benefícios previdenciários por 100 anos?
Muitas pessoas passarão a preterir a compra de objetos em favor das viagens, buscando mais experiências interpessoais e culturais.


Professor e Membro da Academia Mineira de Letras

Postado em 28 de Dezembro, 2010
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Novas tecnologias
 


Durante a Segunda Guerra Mundial, a sociedade tomou conhecimento dos estragos da bomba atômica nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Até hoje podemos observar as consequências materiais e humanas daquele artefato. Passada a Guerra, o mundo tornou-se bipolar: de um lado, a antiga União Soviética e os chamados países satélites; do outro, os países ocidentais e o Japão liderados pelos Estados Unidos. Instalou-se a "Guerra Fria" e um ambiente de medo. Todos temiam que as duas potências pudessem confrontar-se de imediato, utilizando as armas nucleares, agora mais sofisticadas. A possibilidade de um desastre provocado por um erro de comunicação também deixava a sociedade inquieta.
A queda do Muro de Berlim desestruturou a União Soviética e liberou os países satélites, restando apenas a Rússia, que já não representava uma ameaça para o mundo ocidental.
O poder atômico, embora mais difundido, permaneceu. Países como o Paquistão e a Índia desenvolveram capacidade bélica para iniciar uma guerra nuclear e provocar uma tragédia sem precedentes.
Teoricamente, o estabelecimento do mundo unipolar, tendo os Estados Unidos como líder, acalmou os ânimos da sociedade. No entanto, se aprofundarmos nossa reflexão, vai observar que as novas descobertas no campo da Ciência e Tecnologia, especialmente nos setores das comunicações e da bioengenharia, introduziram vários progressos benéficos, mas também consequências negativas que provocaram novas preocupações.
Assim, o desenvolvimento das comunicações através dos computadores, da utilização da fibra óptica e dos satélites artificiais levou a um processo de comunicação surpreendente, permitindo um contato direto e rápido entre os povos. Lamentavelmente, os aspectos negativos já estão sendo sentidos, principalmente devido à falta de um trabalho de coordenação e de verdadeira cooperação internacional. O terrorismo chegou à internet, trazendo desassossego tanto para os usuários diretos da rede quanto para os indiretos, ou seja, bilhões de pessoas.
Os crimes cibernéticos têm provocado prejuízos espantosos.
Outro setor de importância fundamental para a vida moderna, mas que também vem trazendo profundas preocupações para a sociedade, é o da Biotecnologia, em especial no campo da Engenharia Genética. Podemos citar os casos dos transgênicos e da clonagem de animais. Os produtos transgênicos produzidos nos Estados Unidos vêm sendo rejeitados pelos países europeus.
Com isso, o Brasil, como importador de tecnologia, vive um dilema: se aceitar a soja transgênica pode pôr em perigo o meio ambiente e trazer outros transtornos; mas se não aceitá-la, perde a possibilidade do aumento da produtividade. A clonagem, por sua vez, pode chegar à espécie humana. Suas consequências econômicas, no caso dos animais, e éticas e sociais, no caso da espécie humana, são ainda uma incógnita.
Neste cenário, em pouco tempo correremos grandes riscos se não substituirmos a cultura da competição pela cultura da colaboração, em especial no campo das novas tecnologias.

Postado em 14 de Dezembro, 2010
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Região amazônica
 


Em 1985, quando eu era ministro da Cultura, participei com o professor Cristovam Buarque, então reitor da Universidade de Brasília (UnB), da organização de um seminário sobre a Amazônia, suas características culturais e sua importância para o país. Tínhamos uma boa experiência, pois mesmo no exílio procurávamos ressaltar as qualidades do Brasil e transmití-las aos técnicos dos organismos internacionais, às universidades e aos países representados no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), onde trabalhávamos.
Cristovam, que atuava na área econômica, insistia com seus colegas economistas latino-americanos que era necessário encarar a economia da América Latina de um ponto de vista diferente do contexto norte-americano. De minha parte, como especialista no campo educacional, também persistia no fato de que a educação exigia, além de conhecimentos, um preparo especial e muita sensibilidade de dirigentes, professores e governantes.
Não podemos, por exemplo, deixar de olhar a região Amazônica como um conjunto, incluindo o Brasil e os demais países que ela abrange. Era importante estudar e entender essa região, encarar seu desenvolvimento como prioridade regional, afastando a ameaça de sua internacionalização.
Então, propusemos ao BID que financiasse o projeto de uma "Universidade da Amazônia", que seria formada por um consórcio de universidades existentes nos países situados na região Amazônica. Um dos principais objetivos era o desenvolvimento integrado de um plano de ensino, pesquisa e extensão, voltado aos problemas amazônicos, entre eles a formação de professores para a educação básica e a preparação de profissionais que dominassem, de maneira aprofundada, as características econômicas, sociais, políticas e culturais da região.
Lamentavelmente, o Governo militar não aceitou o projeto, com a desculpa de que o Brasil tinha seu próprio plano de desenvolvimento para a Amazônia.
Foi com toda esta bagagem que nos reunimos na UnB com participantes dos movimentos pela reforma agrária, tendo como líder incontestável do grupo Chico Mendes, na época com uns 40 anos. Tive uma agradável surpresa, pois ele conhecia como ninguém os problemas da região, principalmente a praga dos "grileiros" nacionais e estrangeiros.

Professor e membro da Academia Mineira de Letras

Postado em 30 de Novembro, 2010
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Aluísio Pimenta
Cultura institucional
 


Quando nos referimos à cultura vem logo à mente - o que é natural - as artes, as letras, o nosso patrimônio histórico e cultural. No entanto, a cultura institucional, ou seja, a cultura das instituições públicas e privadas, especialmente das empresas, é cada vez mais importante. Por isso, devemos conhecer o modo como atuam e relacionam-se com a coletividade.
De maneira geral, não avaliamos a importância da cultura institucional de empresas como a Petrobras ou os Correios, de um partido político ou de um jornal. Todas estas instituições desenvolvem ou não um modo de ser, de trabalhar e de comportar-se com base em recursos humanos, buscando parâmetros que devem ser avaliados em termos de valores, de finalidades e dos problemas a enfrentar. As dificuldades devem ser resolvidas de forma criativa e harmoniosa, entre chefes e chefiados, para receber melhor os clientes que procuram a empresa ou instituição. O bom atendimento fortalece o interesse mútuo entre as partes.
Entre os parâmetros que as instituições devem considerar para uma avaliação interna e externa satisfatória devemos destacar:
1 - os valores expressos na crença de que: a) o trabalho realizado pode repercutir em mudanças, no sentido de termos um mundo melhor, mais humano e menos discriminatório; b) as atividades realizadas pela organização promovem uma melhor qualidade de vida para a comunidade; c) o pessoal da instituição não seja somente um produtor de lucros, mas parte vital dos serviços voltados à comunidade; d) todas as pessoas que atuem nas atividades institucionais sejam conscientes, estudem e possam questionar a natureza dos trabalhos executados e das tecnologias utilizadas e se sintam realizadas e contribuam para o bem comum;
2 - na parte de pessoal, uma clara visão das atividades realizadas, da missão desempenhada, gerando produtos e serviços para o bem comum, a fim de que:
a) sejam observados os princípios de justiça e compaixão, influenciando de modo direto e significativo a estratégia adotada, o design e desenvolvimento dos produtos ou serviços; b) os colaboradores explorem as práticas fundamentais e os princípios a serem desenvolvidos nas atividades industriais, comerciais, como uma fonte de criatividade, valores e objetivos; c) as pessoas que cometam falhas involuntárias não tenham medo de perder o emprego; d) a organização, através de seu pessoal, tenha uma visão de longo alcance; e) os empregados tenham sua própria maneira de ver como a atividade é exercida;
3 - o trabalho como fonte de aprendizado para que: a) as pessoas, individualmente ou em conjunto, sejam vistas como aprendizes contínuas, em benefício de seus trabalhos e de suas carreiras; b) ele seja, portanto, um processo de aprender a aprender; c) a atitude de apenas cumprir normas e atividades seja desafiada; d) as empresas ou instituições invistam na participação de seus funcionários em eventos culturais, não somente comparecendo, mas participando e aprendendo; e) os grupos se integrem em esforços conscientes e produtivos e, além disso, considerem a qualidade como fator primordial.
Na minha opinião, estes parâmetros são importantes para que o leitor conheça estas e outras características que fazem do trabalho um fator de realização pessoal e coletiva e de afirmação da própria nacionalidade.


Professor e Membro da Academia Mineira de Letras

Postado em 16 de Novembro, 2010
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