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Venho acompanhando o desenvolvimento da Política Brasileira, desde menino, quando, junto a meu pai, em São Sebastião dos Pintos, ele participava de um comício de comemoração da Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder.
Cursava o Ginásio em Conceição do Mato Dentro, quando Getúlio Vargas deu o golpe de 1937 e implantou o "Estado Novo". Vim para Belo Horizonte em 1940, para os estudos na Universidade de Minas Gerais, a UMG.
Naquela época, participei, ativamente, da Política Universitária, de forte oposição ao Governo Vargas. Tive presença ativa, como estudante, e, posteriormente, como professor, na luta pelo Petróleo Brasileiro, que um grupo de técnicos norte-americanos havia afirmado não haver no Brasil.
Após a queda de Getúlio, no início da década dos 40, apoiamos a disputa do Brigadeiro Eduardo Gomes para presidente da República, tendo vencido a disputa o ex-ministro de Vargas, Marechal Gaspar Dutra, que contava com o apoio do PSD e PTB, criados sob a orientação dos adeptos de Vargas.
Daí para frente acompanhei os movimentos políticos no país até o golpe de 64, que me encontrou no cargo de Reitor da UFMG. Tive de entrar em choque com os militares da ID4, que desejavam interferir, brutalmente, na universidade, perseguindo alunos, funcionários e professores. Fui deposto do cargo de reitor pelo então comandante da ID4, que indicou um coronel para ocupar o cargo de interventor na UFMG. A intervenção foi tão absurda que o próprio marechal Castelo Branco mandou suspender a intervenção e devolver-me o cargo.
Ao terminar meu mandato de reitor fui convidado a ser professor visitante na Universidade de Londres pelo prazo de dois anos. Ainda em Londres, fui aposentado, compulsoriamente, pelo AI-5 e não pude voltar ao Brasil. Permaneci exilado durante 17 anos.
Voltei ao Brasil em 1984 a convite do governador eleito de Minas, Doutor Tancredo Neves. Colaborei com ele ativamente, incluindo a campanha para Presidente da República. Fui com o Presidente eleito para sua posse em Brasília. Iria participar de seu governo. Lamentavelmente, a doença que o atingiu não permitiu que ele assumisse a Presidência da República. Fui convidado a assumir o Ministério da Cultura do Presidente José Sarney. Daí para frente participei ativamente do processo político em Minas Gerais e no Brasil.
A razão dos comentários iniciais é deixar claro, aos leitores, que as críticas que farei sobre o que chamei de "Degradação Política no Brasil", não representam opinião livresca, mas têm como base a participação ativa no processo político e a visão clara do que está acontecendo, no momento político, no Brasil, com ampla repercussão negativa no país e, especialmente, no exterior.
É muito triste que estes episódios de corrupção ativa e exposta, atinjam gravemente o setor político e envolva ocupantes de altos cargos nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e, ademais, empresários de grandes empresas, dando apoio ao processo de corrupção que atinge número cada vez maior de pessoas e criando o clima para a violência que cresce inclusive na juventude da classe média.
A meu ver, o lamaçal que está atingindo o país está intimamente ligado ao processo político brasileiro, herdado do golpe de 64 e que mantém ainda em função elementos intimamente ligados à ditadura que infelicitou nosso país por cerca de 20 anos.
Lamentavelmente, nossos partidos políticos são frágeis e sem consistência. Presenciamos perplexos, senadores, deputados federais e estaduais, vereadores, prefeitos e pessoas de um partido trocarem de siglas como se estivessem mudando uma peça de vestimenta.
Conheci um caso, em Minas Gerais, onde um político mudou de partido três vezes em um mês. Eram, inclusive, partidos de pensamentos ideológicos opostos. Fatos como este e outros vários fazem com que o povo não acredite em políticos e no regime democrático. Temos políticos sérios. Mas o povo está desiludido.
Urge um trabalho profundo para reformar nosso sistema político, exigindo dos candidatos uma folha corrida, afastando do exercício do poder os maus elementos. O país aguarda uma reforma política, capaz de corrigir tão grave degradação política em nosso Brasil. Se deixarmos o processo partidário como está, estaremos condenando o país a se transformar em uma falsa república de aproveitadores do poder.
Professor e Membro da Academia Mineira de Letras
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Tenho conversado com alguns amigos e amigas, meus contemporâneos do Magistério em Belo Horizonte, discutíamos as profundas mudanças nos vários setores que atingem a sociedade. Em nossa época de estudantes universitários em Belo Horizonte, os meios de transporte urbano eram os bondes. Não havia ônibus. Os automóveis eram raríssimos. A própria polícia da época do Estado Novo somente se mobilizava a cavalo. Era a célebre cavalaria que nos atacava quando, estudantes, nos reuníamos para discutir que o Brasil tinha reservas de petróleo, negada por uma comissão de geólogos norte-americanos que tinha vindo ao Brasil e, depois de um "estudo" e "pesquisa", resultou em um relatório afirmando que o Brasil não tinha petróleo. O Brasil é hoje auto-suficiente desse importante recurso. Por outro lado, todos nós nos tornamos perplexos com as mudanças atmosféricas no país, completamente fora daquilo que acontecia anos atrás. As enchentes em São Paulo e no Sul de Minas deixaram número assustador de vítimas. Tiveram suas casas invadidas pelas águas, o que não era comum anos atrás. No sul do país, nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul os furacões deixaram centenas de vítimas. Nos Estados Unidos e países da Ásia os tufões, os terremotos e maremotos destruíram cidades, deixando milhares de vítimas. Em todo o mundo as condições atmosféricas sofreram amplas mudanças. É que a natureza está sendo agredida pela queima cada vez mais ampla e mais intensa de carbono e seus produtos, especialmente a gasolina, e atirando na atmosfera toneladas de dióxido de carbono (CO2) que provoca o aquecimento da terra com as consequências mais graves que representam. Segundo os estudiosos do meio ambiente, e do futuro, estamos no início de graves transtornos da natureza que advirão, se não diminuirmos a agressão à natureza. Tenho insistido em meus artigos, conferências e debates da necessidade de criarmos uma cultura de preservação da natureza. Criarmos condições que possibilitam manter e mesmo ampliar o desenvolvimento, semelhantes aos diferentes países das regiões do mundo, dando um basta à poluição, que se amplia em todo o mundo, produzindo, em maior intensidade, nos países altamente industrializados. Tenho procurado informar-me do que se está passando não somente no Brasil, mas em outros países, mesmo distantes, por meio da leitura de revistas especializadas, mas também o que se publica na imprensa do dia-a-dia e que atinge a população, em geral, e auxilia na formação da forte cultura de evitar a poluição e outros processos de agressão à natureza. Evitar as respostas agressivas à sociedade e que atinge mais intensamente as populações mais pobres, derrubando suas casas que apresentam menor resistência aos fortíssimos ventos, às inundações e outros graves transtornos criados pelos habitantes do Planeta Terra.
O aquecimento global do Planeta Terra que tem produzido a fusão das grandes geleiras polares, liberando imensas quantidades do gás metano que aumentam o aquecimento terrestre, aumentando a fusão das geleiras, a elevação do nível do mar, produzindo a cobertura das praias e de outras terras de maneira desastrosa, inclusive o ataque à biodiversidade.
A má utilização da energia atômica como arma de guerra, como aconteceu no caso do bombardeio do Japão, quando os Estados Unidos, na Segunda Guerra mundial, lançaram bombas atômicas em Iroshima e Nagasaki, resultando catástrofe incomensurável, destruindo as duas cidades e produzindo resíduos e gases letárgicos. São Catástrofes Internacionais, as guerras, envolvendo armas atômicas. O terrorismo produzido por estas possíveis utilizações. O bioterrorismo, utilizando microorganismos altamente ativos na produção de moléstias graves; o chamado ciberterrorismo utilizando na Internet e os telefones celulares de alta penetração. Já foram sugeridas as seguintes ações para reduzir os riscos de catástrofes: uma profissão científica baseada em princípios éticos; criação de uma Côrte para assuntos científicos; um centro para estudo dos riscos de catástrofes. Uma agência nas Nações Unidas de proteção ao meio ambiente; a criação de uma agência internacional de armas biológicas e outras ações políticas a nível nacional e internacional.
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A introdução de novas tecnologias em todos os setores das atividades da vida moderna tem sido a grande esperança de combate à fome e à miséria que ainda, lamentavelmente, atingem grande parte da população mundial e, especificamente, os países em desenvolvimento.
No final do século XX e neste início do século XXI, aumentaram as esperanças de serem corrigidas estas anomalias com o advento das Biotecnologias e o início da aplicação das nano tecnologias. Elas representam uma grande promessa de melhoria nas condições de vida das populações dos países da África e nos demais países em desenvolvimento, da Ásia, e da América Latina.
Entre as diferentes tecnologias que têm representado a grande esperança dos países que sofrem os horrores da fome, estão as Biotecnologias exaltadas por muitos, mas também postas em dúvida, especialmente, pelos guardiões da preservação do meio ambiente. As biotecnologias se vêm desenvolvendo através de importantes programas da chamada Engenharia Genética.
Entre as inúmeras publicações neste setor, destaco na bibliografia, o artigo do professor Clifton E. Anderson, professor emérito da Universidade de IDAHO, sob o título "Engenharia Genética Perigos e Oportunidades".
É importante estabelecer um conhecimento mais amplo e difundido na sociedade para que possa, assim, tornar-se um assunto de interesse, não somente econômico, mas, sobretudo, social.
Deve ser criada uma verdadeira cultura no que se refere às plantas geneticamente modificadas, e que nós denominamos transgênicos. Elas ainda trazem muitas dúvidas às associações científicas, aos governos e à população em geral. Por mais que as biotecnologias venham avançando em todos os setores, principalmente na Engenharia Genética, os progressos trazem sempre consigo desvios e perigos que têm de ser considerados. Daí, aliás, a importância de que as comunidades em geral, mesmo as não portadoras de conhecimentos científicos estejam informadas do que vem acontecendo no setor.
Existe um balanço entre a contribuição positiva da Engenharia Genética ao desenvolvimento das biotecnologias, no desenvolvimento do setor agrícola e os desvios que podem acontecer no que se refere ao meio ambiente. Gostaria, no enfoque deste assunto de lembrar setores nos quais esta nova tecnologia tem atuado, positivamente, dentro de setores que trazem grandes preocupações ao mundo científico e suas repercussões na qualidade de vida, no mundo em geral.
Entre estes vários setores desejo ressaltar: a limpeza dos depósitos de lixos que representam um grave problema mundial. A utilização de bactérias, geneticamente modificadas, capazes de atuar nos lixões e impedir que neles se desenvolvam substâncias tóxicas; desenvolvimento de bactérias modificadas que aumentam o poder de certos vegetais na fixação do nitrogênio do ar com o qual estas plantas elaboram seus produtos, evitando a necessidade de usar fertilizantes nitrogenados. Criar nas próprias plantas, substâncias que impeçam o ataque de determinados insetos que deterioram ou mesmo destroem as colheitas de produtos vegetais.
Esta mudança genética evita o emprego de inseticidas que são caros e alguns deles poluentes. Entre os vegetais podem ser citados o milho e o algodão, nos quais se pode desenvolver substâncias inseticidas na própria planta. A soja tem sido uma das plantações onde as mudanças genéticas têm sido mais utilizadas.
Alguns ambientalistas ainda desaprovam os transgênicos, mas a soja representa hoje os produtos geneticamente modificados mais utilizados entre os produtos agrícolas. No momento, os números de produtos geneticamente modificados vêm aumentando cada vez mais, o consumo dos mesmos. Os ambientalistas continuam desaprovando a utilização dos produtos geneticamente modificados. Hoje, existe um consenso mundial de que somente o tempo possibilitará o conhecimento e a aprovação definitiva do consumo dos produtos transgênicos.
As pesquisas continuam em todo o mundo, nas universidades e instituições públicas e privadas. No Brasil deve ser destacado o trabalho da Embrapa que representa para nós, pela competência e dedicação de seus profissionais, uma medida de segurança em relação ao desenvolvimento e utilização dos produtos gerados através do emprego da Engenharia Genética.
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A mundialização, processo que permite o contato e a interação entre, praticamente, todas as nações do mundo, trouxe consigo comportamentos diferentes. Todos os países do chamado Primeiro Mundo, mas também os países em desenvolvimento, que se transformaram de nações onde as sociedades eram constituídas com a predominância de jovens, em populações constituídas de amplo número de adultos e idosos.
Foi através do fenômeno da mundialização, possibilitada pelo amplo progresso nas comunicações proporcionadas pelas novíssimas tecnologias como o rádio, a televisão e a Internet, em todas suas modalidades, que podemos, a qualquer momento, manter contatos com pessoas e instituições, as mais longínquas e que há anos atrás, era, praticamente, impossível de se conhecer e comunicar-se.
Muitos estudiosos do futuro, que tenho encontrado no Brasil, e também no exterior, têm-se mostrado preocupados, inclusive em seus trabalhos de pesquisa e em seus escritos, com a indiferença e falta de interesse com as mudanças e novidades no campo de aplicação das novas tecnologias, ignorando o processo demográfico que, por várias razões estudadas e mostradas nas estatísticas, transformam a população do mundo de predominância jovem em população também de idosos.
Ignorar estas amplas mudanças demográficas está trazendo grandes equívocos nos planejamentos da educação, em todos os seus níveis, na saúde, nos empregos, nas carreiras militares e até mesmo nas prisões.
Nossa cultura continua ainda pensando e atuando, especialmente, na aplicação do setor das novas tecnologias como se fôssemos ainda um mundo, no qual predominasse a presença numérica de jovens.
A preocupação que tenho identificado nos pesquisadores, nos artigos relativos à demografia é certa perplexidade ao observarem que o público em geral, mesmo os prestadores de serviços como os hotéis, os transportes públicos e privados, as casas de espetáculos continuam atuando como se estivessem prestando serviços a uma população onde predominassem os jovens como nos passados 30 ou 40 anos.
Naquela época, se organizássemos a população de um país, como o Brasil ou mesmo nos países europeus, em uma figura geométrica correspondente a uma pirâmide, teríamos a base da mesma constituída de crianças.
A sequência seria de jovens, adultos até 50 anos e no vértice da pirâmide uma pequena porcentagem de pessoas idosas que as batizamos como velhos e velhas que rarissimamente apresentavam idades superiores a 70 anos. Hoje, os censos mudaram significativamente em termos demográficos. Aquela pirâmide do passado transformou-se em um retângulo.
As estatísticas relativas ao aumento proporcional de idosos a cada dia na população têm sido consideradas com muita exatidão nos países desenvolvidos da Europa, nos Estados Unidos, no Japão, devido, ao aumento dos custos dos seguros sociais, aos aumentos do custo nos cuidados com a saúde. Hoje, o fenômeno do envelhecimento é um problema que atingiu os países em desenvolvimento a nível mundial. Calcula-se, no momento, que exista no mundo cerca de 10 milhões de pessoas com mais de 100 anos, o que se ampliará para um número maior na próxima década.
A preocupação dos estudiosos do envelhecimento da população é a falta de que uma compreensão deste fato pelas pessoas, as autoridades e as famílias que entendam que é urgente que compreendamos este fenômeno do envelhecimento populacional como uma nova cultura, que exige da população em geral um conhecimento do que está acontecendo nesta mudança.
Também, colaborar no sentido de que não vivemos em uma sociedade de cultura de jovens, mas uma presença equilibrada de jovens e idosos e que exige amplas mudanças nos setores de segurança nas residências, nos hotéis, nos edifícios públicos, que exigem dos arquitetos uma visão diferente na concepção das residências, dos edifícios públicos e privados, para que os idosos possam mobilizar-se com segurança.
O mundo de hoje exige uma visão nova para que os jovens e idosos possam compartilhar os progressos tecnológicos que ainda não se tornou um processo coberto por uma nova cultura que atinge esta nova era de expressiva presença dos idosos na sociedade do século XXI.
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O desastre que se passou recentemente no Haiti e mais especificamente em sua Capital Porto Príncipe trouxe ao mundo uma intensa sensação de dor, de piedade e um intenso convite a participar e apoiar aquela pequena nação do Caribe. Conheço muito este pequeno país insular. Visitei o Haiti por três vezes como funcionário, especialista em educação, ciência e tecnologia do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o BID. Na primeira visita, minha função era apoiar o sistema de educação superior do país. Em minhas primeiras análises com o grupo de expertos do BID que fazia parte da missão que eu chefiava chegamos à conclusão que o problema imediato do país não era educação superior, pois não havia candidatos para o mesmo. O país não dispunha de infra-estrutura de educação a partir da pré-escola, do ensino fundamental e médio. Tínhamos que estabelecer um projeto de desenvolvimento da educação que estabelecesse uma estrutura que se iniciasse com a pré-escola, seguisse com o ensino fundamental e, posteriormente, com o ensino médio, de onde sairiam os candidatos do ensino superior. Assim procedemos com o apoio da direção do BID. Esta foi a razão de voltarmos mais duas vezes ao país para criarmos um projeto que atingisse desde as creches até o ensino superior, em um pequeno país muito pobre e sem condições de a própria população manter o custo deste sistema de ensino. Ele tinha que ser público e gratuito em todos seus níveis. Conseguimos que o BID mantivesse este projeto com um tipo especial de financiamento denominado a fundo perdido, que representava uma doação ao país.
Este projeto foi muito importante para o Haiti, mas faltaram ao país elementos para o desenvolvimento econômico, social e político. Os terrenos no país são de baixa produtividade agrícola, as chuvas são raras, o país é pobre em minerais. O desenvolvimento é, portanto muito difícil. Ademais, as dimensões territoriais são muito pequenas. Politicamente o Haiti viveu sempre em graves lutas políticas internas, passando de uma ditadura interna para outra.
Ultimamente as Nações Unidas têm assumido o apoio ao país contando com a colaboração do Brasil e de suas forças armadas para a manutenção da ordem interna.
Debaixo de tão precárias condições de desenvolvimento e o povo sujeito à miséria, à falta de alimentos, e das péssimas condições de habitação e saúde, o Haiti acaba de sofrer um dos terremotos mais graves dos últimos tempos. Foi um desastre que atingiu a Ilha concentrando-se na capital Porto Príncipe. O número de mortos é muito grande. As primeiras previsões eram de cem mil mortos, mas parece que o número é maior, muito elevado. O trabalho de muitas pessoas locais e estrangeiras e de cães farejadores está em franca atividade.
A imprensa mundial tem insistido que a tragédia ainda não pode ser efetivamente mensurada, mas que os difíceis trabalhos estão em franca marcha. O mundo toma conhecimento da lamentável ocorrência e se mobiliza para prestar primeiros socorros enviando alimentos, água potável, medicamentos, profissionais da saúde e de outros setores. Sabe-se pela imprensa que os Estados Unidos puseram à disposição do país cem milhões de dólares e com igual soma o Fundo Monetário Internacional. Do mesmo modo vêm atuando os países europeus, a China, o Japão e o mundo em geral, contribuindo com o envio de ajuda para melhorar as gravíssimas condições do país.
Um problema grave para a chegada de alimentos e medicamentos é a dificuldade de transporte, porque o país somente dispõe de quatro aeroportos e, mesmo assim, sem grandes pistas de aterrissagem, mas que estão sendo ativamente utilizadas. Existe grande esperança na atividade do Brasil, porque o país comanda há cinco anos as ações organizadas pelas Nações Unidas (ONU) para apoiar as forças de paz, progresso e o desenvolvimento do país, o que vinha sendo feito com muita competência. Muitos militares brasileiros foram mortos e um grande número continua desaparecido devido às condições ainda precárias das buscas em andamento.
Muito importante no momento é a organização de um grupo de países para assumir o apoio à retomada do funcionamento do país e o resgate das condições mínimas de seu funcionamento com os milhares de sem casa e lugares para residir em condições mínimas de morada.
Neste comentário aos caríssimos leitores não podemos deixar de abordar com tristeza a morte da grande brasileira Zilda Arns, formada em medicina e cuja dedicação total em toda sua vida foi às crianças de todo o mundo, especialmente às crianças pobres e, portanto, necessitando de cuidados especiais. Esta grande figura humana morta no terremoto que atingiu o Haiti no momento em que ela se dedicava à Pastoral à Criança, fundada por ela em 1983 no Paraná, e atuava fortemente no Brasil socorrendo as crianças sem o mínimo de condições de sobrevivência e ademais em outros países como é o caso do Haiti onde, lamentavelmente, perdeu a vida, mas ganhou o reconhecimento da humanidade e a graça de Deus.
Que a ação e atividade desta grande santa, sirva de exemplo para todos nós e para a humanidade em geral. Ela morreu, mas seu exemplo tem que servir para toda a humanidade como referência e marco de serviço às crianças sofridas de todo o mundo.
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A cultura, em todos seus aspectos, representa um processo de afirmação da nacionalidade de um povo.
Desde os primeiros anos de existência de homens e mulheres na face da terra, foram sempre marcantes os hábitos e as manifestações destes habitantes do planeta terrestre, variáveis de regiões para regiões, e que marcaram hábitos diferentes de um país a outro, caracterizando culturalmente as regiões, depois transformados em países, cidades e locais diversos.
Cada país, suas regiões e localidades se caracterizam por hábitos que representam manifestações culturais. Os processos de vestir-se, de alimentar-se, e os amplos e variados processos e procedimentos das populações foram dando origem aos comportamentos que hoje denominamos culturas. Foram aparecendo as manifestações artísticas, como a pintura, as esculturas, o desenho e as inúmeras manifestações que se desenvolveram desde as antigas épocas antes de Cristo, e que se ampliaram no Império Romano, quando alcançaram desenvolvimento de grandes proporções com a afirmação, especialmente, da música e da pintura.
Estas representações culturais passaram a representar indicações importantes para as famílias da elite, principalmente para seus filhos e filhas.
Fazia parte importante da educação dos filhos o aprendizado de uma arte, entre as quais a música representava grande prioridade, sem deixar de lado a dança, a pintura e o teatro. Nesta característica cultural, gostaria de dar ênfase a um registro que tomei conhecimento pela imprensa, do que se passou com o destaque no Brasil e na Argentina de duas importantes manifestações musicais, o samba no Brasil e o tango na Argentina, que passaram a ser considerados como verdadeiros símbolos da nacionalidade, e mesmo orgulho dos respectivos países.
No Brasil, o samba passou a representar a alma de nossa gente e a profunda sensibilização da alma do povo brasileiro ao ouvir, ao tocar ou a dançar o nosso samba. Ele sensibilizou e sensibiliza a nossa gente, que se orgulha quando se diz que o Brasil é a terra do samba, do futebol e da cachacinha. São três características culturais, o samba na área da música popular, o futebol que, lamentavelmente, vem se comercializando, e a cachacinha, na área da alimentação ainda que possa levar, infelizmente, ao vício do alcoolismo, mas é uma manifestação cultural, como o vinho na França, em Portugal e em outros países da Europa e o whisky no Reino Unido, especialmente na Escócia.
Voltando ao samba, ele tem sido representado por homens e mulheres como compositores, cantores e dançarinos. Entre estes, destaca-se a figura da cantora Carmen Miranda, de nacionalidade portuguesa, mas que nós consideramos uma brasileira nata, que se desenvolveu e fez toda a sua carreira no Brasil. Como artista no cantar e dançar o samba, é considerada cidadã e artista internacional, pois brilhou em todo o mundo por onde passou, levando a graça e o entusiasmo do samba de nossa terra.
Semelhante ao samba brasileiro, temos o tango no caso da Argentina.
Nas inúmeras ocasiões em que visitei a Argentina tive a oportunidade de ouvir e ver a execução de belíssimos tangos e os expertos dançarem em passos sofisticados o tango argentino, o qual eu não conseguia e nem consegui praticar.
Carlos Gardel é considerado o grande compositor do tango. Mas foi o povo que transformou e transforma, até hoje, o tango como importante símbolo de Cultura Argentina.
Em minhas inúmeras visitas à Argentina em missão de projetos de educação do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o BID, ou mesmo em visitas de lazer, sempre procurava às noites aqueles bares e locais que se destacavam. Representava para mim horas de descanso ouvir os tangos e ver os pares executando os passos mais sofisticados ao som da música representativa da cultura do país amigo e vizinho.
Estas duas representações culturais através da música e da dança popular são altamente representativas da cultura, respectivamente, do Brasil e da Argentina, e que devemos apoiar e preservar como característica de nossos países e de nossas nacionalidades.
Claro que outros países também apresentam manifestações artísticas como afirmações culturais. A valsa vienense, pelo próprio nome representa a afirmação cultural de Viena e de toda a Áustria, o mesmo acontecendo com a França, em geral, e Paris em particular também com a valsa dançada em todos os clubes e locais noturnos de lazer.
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Em um país como o Brasil de dimensões físicas tão amplas e de uma população que aumenta em progressão geométrica, é compreensível a preocupação para que a sociedade conte com profissionais a nível tecnológico e superior em todas as dimensões das exigências modernas. A ampliação das novas tecnologias aumenta a necessidade de criação de atividades profissionais às mais diversas. Este fato levou à criação de novas e mais amplas atividades públicas e principalmente privadas em todos os setores dos procedimentos Humanos de apoio às condições de vida das pessoas nos vários estágios de idades: crianças, jovens, média vida adulta e idades avançadas. Neste particular é interessante lembrar que anos atrás uma pessoa completar cem anos era muito raro.
Hoje tornou-se comum. O centenário de homens e mulheres já não causa admiração. Frequentemente recebemos convites para comemorações de centenários de amigas e amigos.
Estas mudanças exigem o aumento de profissionais nos amplos setores de atividades, entre eles têm despertado amplo aumento de formação profissional, de médicos nas mais diferentes especialidades. Este fato tem trazido a abertura de cursos médicos em instituições particulares, seja universidades, centros universitários ou faculdades e escolas particulares. O ensino pós-secundário, em geral, e o ensino superior, especialmente na área da medicina vai se transformando dia a dia em verdadeiro comércio. Como o número de vagas é pequeno em instituições públicas e os concursos para entradas mais rigorosos, as instituições particulares criam os cursos e estabelecem mensalidades astronômicas, criando para os futuros médicos situações de grandes endividamentos, com os quais já iniciam suas atividades profissionais.
Para ser mais objetivo: as faculdades e escolas de medicina particulares têm estabelecido mensalidades entre R$ 3 mil ou R$ 4 mil. No caso de R$ 3 mil teríamos uma anualidade de R$ 36 mil e o total dos cinco anos de R$ 180 mil, isso se não houver reprovação. No caso de uma mensalidade de R$ 4 mil teríamos uma anualidade de R$ 48 mil e ao final do curso um gasto somente com o custo do curso de R$ 240 mil.
Estes seriam gastos somente com o pagamento do ensino ao qual haveria o acréscimo de alimentação, transporte, livros e equipamentos de altos custos que levam os gastos praticamente ao dobro dos custos das mensalidades e custo dos cursos em geral, acrescidos de uma média de dois anos de estágio profissional, cujo, custo tem que ser adicionado. Claro que estas dívidas vão influenciar no comportamento do médico, na qualidade de seu atendimento e no custo das consultas e serviços prestados. A imprensa tem noticiado e comentado a formação e qualidade dos atendimentos médicos. Gostaria de reproduzir neste artigo os comentários do Dr. Antônio Carlos Lopes, Presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, sobre uma avaliação de profissionais médicos em São Paulo. Segundo este líder da profissão, a formação de médicos é escandalosa no Brasil. Existem, segundo ele, no Brasil, "178 faculdades de medicina que oferecem 17 mil novas vagas ao ano. Muitas delas não têm Hospital Universitário próprio, alem de contar com corpo docente desqualificado". "É um problema gravíssimo de saúde pública". "Para solucioná-lo é preciso exigir o estabelecimento imediato da obrigatoriedade da prova de Habilitação com caráter retroativo para o exercício da medicina".
"A sociedade precisa ser mobilizada para exigir medidas saneadoras urgentes, deixando claro aos parlamentares e às autoridades constituídas que vidas humanas merecem respeito". É ainda do Dr. Antônio Carlos Lopes a informação de que em recente avaliação facultativa realizada pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (CREMESP), para verificar o conhecimento de futuros médicos, 56% dos futuros médicos foram reprovados logo na primeira fase. "Fica evidente o péssimo nível do ensino médico no país".
Este comentário sobre o ensino médico em São Paulo, estado rico e desenvolvido é claramente muito mais grave em regiões e estados menos desenvolvidos e em todas as profissões, muitas vezes mais importantes para a economia, as atividades sociais e políticas do país. Este fato do baixo nível do ensino superior na Brasil tem consequências econômicas, sociais, políticas e culturais. Temos que atuar rápido e muito urgente para corrigir o comércio do ensino no Brasil. E livre ganhar dinheiro, mas não com o ensino de baixo nível. Manter o ensino de baixo nível e comercializado é mais grave do que o crime de morte.
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As comemorações do nascimento de Cristo há mais de 2 mil anos, exatamente 2.009 anos que terminaram este ano, tem tido mudanças de denominação no mundo cristão e não cristão representando uma festa popular de grandes dimensões, época em que se trocam presentes e todos se fazem votos de Feliz Natal entre familiares e amigos. Especialmente, crianças vivem ocasiões de muita alegria. As famílias católicas, especialmente, procuram reproduzir o nascimento de Cristo nos presépios que são altamente representativos do nascimento do Menino Jesus. A representação do nascimento de Cristo em um presépio marcou de maneira indelével minha meninice no interior de Minas Gerais, no distrito de São João Evangelista denominado na época São Sebastião dos Pintos, hoje teve o nome mudado para Nelson de Sena em homenagem a importante figura política da região.
Nossa família organizava o presépio com muita alegria. Família numerosa já com nove filhos, quatro homens e cinco mulheres, nós nos dedicávamos a construir o presépio da maneira mais representativa. O Menino Jesus no centro entre as imagens de Nossa Senhora e São José. Presentes, mais afastados, os Reis Magos que eram aproximados a partir de seis de janeiro. Acrescentávamos às figuras da família sagrada, animais representativos da época do nascimento de Cristo e também animais brasileiros de nossa época. É interessante ressaltar que meu irmão mais velho, Rui Pimenta Filho, posteriormente médico de grande nome, de maneira muito criativa desenvolveu imagens rochosas utilizando jornais embebidos em grudes de aos quais se distribuíam areia grossa e que ao secar representavam rochas semelhantes ao local onde Jesus nasceu. Eu e meus irmãos cantávamos em torno do presépio o canto característico de homenagem ao nascimento de Cristo: "Nasceu nosso redentor, nosso suspirado bem, em uma rochosa lapa, na cidade, na cidade de Belém".
Nossos pais nos estimulavam muito para que valorizássemos o presépio, jogando balas quando nós nos ajoelhávamos e cantávamos em torno do presépio, que representava um ato de fé e afirmação cristã. Muitas casas de nosso querido lugarejo também organizavam seus presépios. A Igreja local estabelecia um presépio mais sofisticado que nós visitávamos com muito respeito. Àquela época, em nosso querido São Sebastião dos Pintos não se falava ainda em Papai Noel, que somente mais tarde se tornou popular com a propaganda da mídia.
Nós, as crianças e mesmos adultos pedíamos os presentes por interseção do Menino Jesus ou do Anjo da Guarda. Lembro-me como se fosse hoje, que nós, cantávamos em nosso presépio de São Sebastião dos Pintos: "Anjo da guarda que jogou bala pra nós, nós queremos mais e recorremos a vós". Depois deste canto nossos pais atiravam para nós grandes quantidades de balas. Faço estas considerações para lembrar aos benévolos leitores alguns comentários vindos da Austrália e reproduzidos na imprensa e que fazem críticas sobre o comportamento da figura do Papai Noel.
Primeiramente, comentam que a figura do velhinho bondoso é apresentada como um velho gordo e obeso dando mau exemplo para as crianças em uma época que a obesidade infantil e dos jovens constitui um sério problema a ser combatido, não incentivado. Outra crítica que é feita é o fato de o Papai Noel andar sempre em um veículo e nunca a pé, em uma época que devemos incentivar as crianças a fazer caminhadas.
À lista de críticas se acrescenta o grande consumo de doces e comestíveis que levam ao aumento de peso das pessoas, com destaque entre as crianças e jovens. Ainda que possamos levar em conta estas críticas não podemos esquecer que a festa natalina ao lado de representar importante data para os cristãos tornou-se uma festa para todas as nacionalidades onde a troca de saudações e presentes representa uma data muito importante para que as pessoas possam se abraçar e tomarem conhecimentos umas das outras, nesta época de corre e corre em que não temos tempo de assentar e nos saudarmos, mesmo entre os familiares.
Com todas as imperfeições do Papai Noel, vamos prestigiá-lo em nome do Menino Jesus para os cristãos e da cordialidade e da paz para todas as Nações.
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A expressão design, mantida, praticamente, em todas as línguas em diferentes países não tem recebido o conceito e significado que ela representou no século XX e neste início de século XXI. O grande público e mesmo pessoas com certo grau de desenvolvimento intelectual, traduzem a palavra design como desenho. Claro que no design existe parte importante de desenhar. Mas o design vai muito além da importante atividade de desenho técnico.
O design é alta criatividade intelectual, sensibilidade e intensa perceptividade da atividade humana em todos seus setores de atividade. O design atinge não somente a forma das causas, mas o uso, a qualidade, o conforto e a presença de seus produtos para seus usuários. O design atinge desde as edificações para as moradias e seus interiores, os escritórios, as fábricas, os móveis, os veículos, as vestimentas, as joias, as embalagens dos produtos e os utensílios, amplamente utilizados em todos os setores das atividades.
O design representa cultura em todos seus aspectos. É, em verdade, hoje um dos componentes mais importantes para a utilização de produtos para o uso em cada país e para as exportações.
Importante destaque do design e sua importância para nós, no Brasil, para aumentar nossas exportações, se concentra pelo menos em três importantes setores: o design de joias em todas suas modalidades. O design de móveis para uso interno e especialmente para exportação. O Brasil é detentor de madeiras de excelente qualidade e que por meio do design de alta criatividade pode se tornar um dos maiores exportadores de móveis do mundo. O design de embalagens para diversos produtos ganha importância internacional.
Um caso prático, de uso de embalagens, relatadas e que mudou e ampliou, internacionalmente, o consumo e a exportação de uma fruta brasileira, a manga, é um exemplo de que a embalagem possibilitou a ampla exportação do produto.
A manga é um fruto tropical altamente apreciado e rico em vitaminas e que se conserva relativamente bem. Um produtor teve a feliz ideia de encomendar a um designer competente e criativo, uma embalagem para os frutos.
A bonita embalagem transformou esta fruta tropical em um dos produtos de grande exportação para outros países e em especial para o Japão. A propósito, é interessante ressaltar que o design de embalagens representa uma importante especialização no campo do design. Para que o design represente a importância a que nos referimos, é fundamental que os designers sejam competentes, de sensibilidade cultural e dinâmicos.
Isto somente se consegue com escolas de design de alta qualidade em ensino, pesquisa e extensão. Lamentavelmente o Brasil, neste particular, vem atuando de maneira desastrosa, permitindo a abertura de escolas e cursos de design que são verdadeiros comércios de diplomas. Seria injusto se não destacássemos aqui a excelência da Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais, a UEMG.
Uma consideração final no que se refere ao design, é que ele atinja as classes menos favorecidas. Artigo recente na revista "The Futurist", exclama em seu título, "Design for the other 90 percent", isto é o design para os outros 90% de pessoas que não se utilizam deste importante setor.
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Estamos passando por um momento difícil com o aumento da violência em todos os setores das atividades humanas. As invasões das residências por assaltantes estão se tornando cada dia mais comuns. A falta de segurança se amplia em todos os setores. Não há segurança nos locais de trabalho, nas indústrias e no comércio. Causam enormes preocupações as agressões dos alunos aos professores e dos próprios professores aos estudantes, transformando o ambiente do aprendizado e da educação em locais que impedem professores e alunos de reagir como agentes culturais de desenvolvimento educativo. É profundamente lamentável que a Escola, que deve ser como sempre se diz "Risonha e Franca", se transforme em local de verdadeira guerra entre professores e alunos e entre os jovens e seus mestres.
O mais lamentável desta verdadeira cultura da violência é o que se passa nos lares onde pais agridem e mesmo matam filhos e vice-versa. Vivemos uma violenta e ampla distorção no relacionamento das pessoas no setor público e privado, piorando e mesmo destruindo a qualidade de vida das populações.
Iniciei minha atividade de professor muito jovem. Aos 18 anos, lecionava a cadeira de Física no então Colégio Anchieta, para alunas e alunos algumas vezes mais idosos que eu na época. Filho de família numerosa, 10 irmãos, meus pais me enviaram a Belo Horizonte para juntamente com meu irmão mais velho realizarmos o sonho de nossos pais: nos diplomarmos em uma profissão universitária. Tínhamos que trabalhar para nos mantermos. Eu frequentava a Faculdade de Farmácia da Universidade de Minas Gerais - UMG, posteriormente federalizada, passando a denominar-se UFMG. Eu residia no Barro Preto, na casa de uma família amiga de meu pai; onde pagava uma modesta pensão mensal. Andava a pé da Rua Ouro Preto até a Praça da Liberdade porque não podia pagar o bonde, que naquela época custava duzentos réis. Esta pobreza trazia um lado positivo. Devia manter-me em casa e me dedicar aos estudos e, assim, pude enfrentar a atividade de professor muito cedo, não somente no Colégio Anchieta e, posteriormente, no Colégio Santo Agostinho e no famoso Colégio Estadual de Minas Gerais, então localizado em histórico prédio na Avenida Augusto de Lima. Nunca tive problemas disciplinares com meus alunos. Depois de formado, passei ao Magistério Superior tendo alcançado o cargo de Reitor da UFMG aos 39 anos.
Fiz esta introdução que se tornou longa para chegar ao objetivo deste artigo, que é A Distorção na Prática do Futebol no Brasil. Devo também esclarecer que em minha região não se tomava conhecimento da prática do futebol profissionalizado. Quando eu frequentava a escola primária em um distrito de São João Evangelista, não tínhamos rádio porque não havia luz elétrica na localidade. Fui tomar conhecimento do futebol assistido pelo rádio quando aluno do ginásio, em Conceição do Mato Dentro. Diga-se de passagem que me tornei torcedor do Atlético por influência de meu colega de turma José Ramos Filho, que saiu de Belo Horizonte para estudar em Conceição e logo desenvolveu entre nós alunos um ampla torcida atleticana.
Na época, não tinham ainda sido criadas as denominações de "Galo" para o Atlético Mineiro, "Raposa" para o Paletra, hoje Cruzeiro, e outras denominações para os demais times de Minas Gerais e de outros Estados.
Devo ressaltar que naquela época, ainda que se pagasse aos jogadores, o futebol era realmente um esporte. A maioria dos jogadores trabalhava em atividades públicas ou privadas e recebia dos clubes um vencimento praticamente de colaboração. Lembro-me de muitos jogadores que na época exerciam atividades diversas e jogavam nos clubes. Ficou em minha mente o caso típico do jogador do Atlético, o Resende, que trabalhava em um banco na capital onde íamos para descontar um cheque e conversar com ele na maior simplicidade. Os times de futebol eram de verdadeiros companheiros que se respeitavam. Os torcedores iam aos campos para se distraírem. Os desentendimentos entre torcedores eram raros. Os pais levavam crianças aos jogos, sem preocupações de violência.
Lamentavelmente, as coisas se modificaram terrivelmente. As agressões entre torcedores tornaram-se, lamentavelmente, uma norma, o que se tornou uma vergonha no momento nas brigas e agressões entre os jogadores de uma mesma equipe. Esta absurda distorção retira do futebol brasileiro a condição de esporte e o transforma em violento comércio. Tenho esperanças de que possamos corrigir esta absurda distorção em nosso país e voltarmos a ser um país do futebol como esporte popular. O que aconteceu no jogo em que torcedores do Coritiba invadiram o gramado foi um crime de Lesa-Pátria e profundamente lamentável.
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