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Sinto que os acontecimentos da ditadura de 1964 vão se apagando da memória nacional. E o que é mais grave, estão sendo esquecidos nos meios universitários. Poucos jovens sabem das perseguições sofridas pelos estudantes, professores, funcionários e dirigentes das universidades; desconhecem que residências foram invadidas e bibliotecas particulares vasculhadas. Naquele período implantou-se um regime de terror e intimidação, em que os delatores se tornavam figuras prestigiadas. O processo ampliou-se com a prisão dos que pensavam diferentemente daqueles que haviam tomado o poder. Sindicatos foram reprimidos, dirigentes presos e muitos de seus companheiros torturados. Hoje, esses fatos foram esquecidos, em boa parte, pela população.
Com que tristeza vem à minha mente a perseguição de grandes figuras da cultura em Minas Gerais, como o Padre Vaz, que, apesar de reconhecido mundialmente como um dos maiores filósofos contemporâneos, foi intimado para depor na ID-4 mais de 10 vezes pelo crime de ser amigo dos jovens e de pensar como eles. Vários intelectuais mineiros - Edgar da Mata Machado, Silvio de Vasconcelos, Moacir Laterza, entre outros - sofreram constrangimentos, sendo que muitos pagaram com a própria vida pelo direito de discordar.
Logo no início do meu mandato de reitor na UFMG, a instituição foi perseguida de maneira implacável sofrendo intervenção militar, a minha deposição do cargo e a indicação de um coronel interventor. A intervenção foi tão absurda que o Presidente Castelo Branco, com o apoio do então Ministro da Justiça Milton Campos, determinou que eu retornasse ao cargo. Terminei meu mandato em 1967, depois de uma profunda reforma na estrutura acadêmica e administrativa da Universidade. Logo em seguida, eu e minha esposa Lígia, fomos convidados para lecionar como professores visitantes da Universidade de Londres, na Inglaterra, onde estivemos por dois anos.
Quando nos preparávamos para regressar ao Brasil e assumirmos nossas cátedras na UFMG, recebi a notícia de minha aposentadoria compulsória e o impedimento de exercer o magistério no Brasil.
Aceitei, então, o convite do Banco Interamericano de Desenvolvimento para residir em Santiago, no Chile, e colaborar nas universidades deste país e do Peru em projetos financiados pela instituição.
Em Santiago encontrei-me com velhos amigos e fiz novos companheiros, entre os quais o compositor e cantor Geraldo Vandré. Ele havia se tornado símbolo e ídolo da juventude como opositor ao Governo, em 1968, durante o 3º Festival Internacional da Canção, quando cantou e encantou o Maracanãzinho superlotado com a belíssima "Para não dizer que não falei das flores", também batizada de "Caminhando".
Como sabemos, as ditaduras têm horror às artes porque elas ensinam ao povo a rir dos ditadores. "Caminhando" virou o hino das passeatas contra o regime autoritário. Foi cantada por milhões de pessoas no Brasil e no mundo, especialmente no Chile, onde Geraldo Vandré também se tornou um ídolo da juventude.
A música de Vandré representou naquela época um hino à liberdade e um protesto contra as ditaduras que haviam sido implantadas em quase toda América Latina. O Chile era uma das poucas ilhas de liberdade. Isto até que o General Pinochet impusesse o golpe militar.
Li, pesaroso, que Vandré compareceu a uma reunião de militares e traçou elogios à ditadura de 1964. Como senti tal comportamento, decidi escrever este artigo para mais uma vez chamar a atenção para o perigo das ditaduras. Elas deformam a coletividade a curto e, sobretudo, a longo prazo.
*Membro da Academia Mineira de Letras
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Esta advertência é muito importante e tornou-se amplamente popular por estar sempre repetida nas propagandas de bebidas alcoólicas de todos os gêneros, do uísque escocês à caipirinha brasileira ou à cerveja mais popular.
É importante observar como alcançou dimensão generalizada esta advertência para que seja prevenida a grave doença que é o alcoolismo. Gostaria de trazer ao conhecimento dos leitores um fato que se passou em uma reunião de amigos que, convidados, se reuniram em um almoço para festejar o aniversário de um companheiro em um restaurante em Belo Horizonte.
Nos reunimos, cerca de umas 30 pessoas, entre homens e mulheres, para o almoço de comemoração do aniversário de um dos amigos presentes. Estávamos em mesas distribuídas no restaurante. Eu compartilhava a mesa com um companheiro que apreciava um vinho tinto, se não me engano de origem chilena. Cada grupo de convidados apreciava os pratos servidos e também a dose do vinho tinto antes referido.
Em dado momento, vimos que o garçom de nosso conjunto de mesas olhava atentamente a taça de vinho de um de nossos companheiros, como a convidá-lo a degustar o belo e saboroso tinto.
O amigo, que apreciava o vinho, mirou o garçom e pediu-lhe que replicasse o serviço de vinho. O garçom ateve-se ao convidado, olhou-o ligeiramente, serviu-lhe a adição do tinto e lhe repetiu a frase hoje popularizada, "Beba com moderação". Os ocupantes da mesa de nosso companheiro e das mesas próximas se entreolharam e, um tanto constrangidos, soltaram um sorriso como que perguntando o que queria dizer o garçom ao convidado para o almoço, já que não era função do garçom exercer qualquer crítica aos convidados e somente servi-los de comidas e bebidas.
Os convidados mais próximos ao garçom referido mostraram aquele sorriso sem graça. E eu pensei comigo, que lição de propaganda vitoriosa a expressão "Beba com moderação", capaz de levar um profissional experiente a se equivocar, com a manifestação da mesma.
Os presentes, que testemunharam o ocorrido, sem exceção, perdoaram o garçom envolvido no equívoco compreensível e elogiaram a competência da propaganda bem feita e sua repetição capaz de levar um profissional competente a semelhante gafe. Eu refleti: as coisas bem feitas como esta da bebida deixam marca, ainda que tragam problema a um garçom em dia de azar.
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Estudando, com um grupo de especialistas de nosso Estado, por determinação do então governador Aécio Neves, um projeto de Aqua-cultura, especialmente de piscicultura, lembrei-me das advertências e do espanto de um senhor, criador de galinhas e fornecedor de ovos e frangos para todo nosso querido lugarejo e para as localidades vizinhas.
Ele ganhou o apelido de Joãozinho "cate-cate" por seu grande amor e dedicação à sua criação de aves, as quais tratava quase que individualmente. Quem é do interior, como eu, e ama aquela gente tão boa e tão humana, sabe que o"cate-cate" é o pintinho que se tornou fragilizado e não conseguia seguir seus companheiros e acompanhar a galinha na busca de pequenos animais ou verduras para se alimentarem.
O "cate-cate" tem de ser tratado por uma pessoa, em geral uma criança, que coloque próximo ao pequeno filhote uma porção de canjiquinha, batendo no chão e convidando-o a catar e assim a se alimentar.
Foi quando apareceu em nosso lugarejo um senhor vindo da cidade, e propôs ao senhor Joãozinho que não mais pusesse as galinhas para chocar e lhe vendesse os ovos para que ele os pusesse na chocadeira elétrica, para que os ovos se chocassem dando origem aos pintinhos, que passariam a uma criadeira também elétrica, que os levassem a frangos em pouco tempo. Joãozinho "cate-cate", quando ouviu a proposta, levou enorme choque. Revoltado, repetia para todos nós: Como é possível que há mais de trinta anos venho pondo minhas galinhas nos ninhos para botar. Quando elas têm uma ou mais dezenas de ovos, em sua ninhada, elas se deitam carinhosamente em cima dos ovos aquecendo-os para que choquem. Assim as galinhas voltam a botar e o ciclo continua. Eu sabia que seu Joãozinho havia se revoltado contra os galos capões ao se dedicar à criação dos pintos. Eram os galos capões que substituíam as galinhas na criação de seus filhotes, e estas ficavam livres para botar. A avicultura ganhou terreno. A função da galinha era somente botar. A chocadeira chocava e a criadeira tomava conta dos pintinhos até se transformarem em frangos. Joãozinho "cate-cate", frustrado, acabou com sua criação de galinhas. Mudou-se para Belo Horizonte, pensando arranjar emprego para si e a família. Não teve condições de alugar uma casa, por mais simples que fosse. A solução foi morar em uma favela, com a mulher e duas filhas. Passou a atuar nas barracas da Avenida Paraná, no comércio de "bugigangas".
A mulher e as filhas, que nunca haviam trabalhado fora de casa, empregaram-se como domésticas.
Em Belo Horizonte, Joãozinho "cate-cate" tomou conhecimento e se tornou horrorizado ao saber que o que se passou com suas galinhas estava atingindo a criação de peixes, por meio da piscicultura, a criação das rãs, na ranicultura, a reprodução artificial do gado, dos cavalos e até das pessoas através do que se chama a popularmente barriga de aluguel.
Nosso personagem não conseguiu expressar-se contra o que representa a revolução tecnológica para a vida dos pobres, para ele, o que disse Martthew Armoll: "A desigualdade tem o efeito natural e necessário diante das circunstâncias presentes na materialização das classes ricas, na vulgarização da classe média e na brutalização da classe pobre".
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Abandonadas pelos governos da ditadura de 1964 e ignoradas, criminosamente, pelos governos que assumiram o poder com a redemocratização do país, incluindo-se o atual governo, que arrecada cerca de 17 bilhões de reais em impostos e taxas que deveriam, por sua destinação, serem aplicadas na solução do gravíssimo problema do transporte no Brasil.
Utilizei esta introdução para chamar a atenção dos caríssimos leitores para a total falta de planejamento e, sobretudo o gravíssimo erro que vem sendo repetido em todos os governos do Brasil de ignorar que somos uma Federação e que apesar desta realidade os governos ou desgovernos federais se apoderam da grande maioria dos impostos e taxas para utilizá-los em outras áreas a nível nacional ignorando que a função de realizar obras, mesmo aquelas que cobrem diferentes estados da Federação Brasileira, sob o planejamento compartido, entre os estados e o governo federal. Para isto é necessário que o poder central passe aos estados as verbas que devem ser aplicadas no setor do transporte em geral e que são concentradas em poder do governo federal e desviadas para outras aplicações que nada têm a ver com os meios de transporte. Foi este tipo de comportamento que nos levou a um tipo de procedimento e ação que não presenciei em nenhum país desenvolvido ou em desenvolvimento. A destruição completa de uma estrutura ferroviária que atendia às necessidades básicas do país e que deveria ser inovada através de novas tecnologias como vem acontecendo em todos os países do mundo.
Ninguém é contra o desenvolvimento de um moderno sistema de rodovias e mesmo hidrovias em um país de importantes e caudolosos rios como o Brasil, complementado por milhares de quilômetros de costas marítimas para o transporte costeiro. O que não se pode, em nenhuma hipótese é deixar de lado o transporte ferroviário para cargas de elevado peso e também para o transporte de pessoas.
São observados o trânsito de caminhões de altíssimas toneladas, procurando vencer as "buracolândias" em que foram transformadas as rodovias que deveriam representar vias de alta penetração no norte do país e outras partes do nosso imenso território. Estas estradas deveriam ser, especialmente no caso das cargas alta tonelagem, ser substituídas por ferrovias, como acontece no resto do mundo, em países desenvolvidos ou em desenvolvimento.
Outro fato profundamente lamentável que se observa, é o transporte nessas estradas em péssimo estado de conservação e que batizei "buracolândia" de grandes quantidades de madeiras. Toras enormes, resultantes de árvores abatidas ilegalmente e que não seriam transportadas nas redes ferroviárias.
O transporte ferroviário é um elo indispensável entre os diferentes setores, cabendo-lhe um importante papel na integração de toda a cadeia logística. Andei meio mundo, nos dezessete anos que fui obrigado a viver fora do Brasil por imposições do AI5. Estive dois anos como professor visitante na Universidade de Londres, três anos residindo em Santiago do Chile e colaborando com as universidades do Chile e do Peru. Vivi durante 12 anos em Washington D.C. trabalhando ativamente em projetos de ensino, pesquisa e extensão em toda a América Latina e no Caribe. Durante este período visitei a trabalho a China e a Índia. Estive dois meses como professor visitante no Japão em uma universidade de língua inglesa, a International Christiam University. Em nenhum desses países pude perceber, nem de longe, o abandono das ferrovias como acontece no Brasil.
O mais grave ainda é que as ferrovias que dispúnhamos na década de 60 foram destruídas. Os trilhos foram arrancados a mão para fazerem cercas. Nas cidades de maior destaque, as estações foram transformadas em museus. Nas menores cidades foram utilizadas para atividades municipais ou para guardar entulhos.
Esta catástrofe deve ser investigada para indicar os responsáveis por estes atos contrários à independência econômica, social, política e cultural do Brasil.
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O Brasil tem sido atingido por dois fenômenos aparentemente contraditórios. O Centro Sul do país vem sofrendo as consequências de chuvas torrenciais que têm provocado graves problemas, produzidos por enchentes que, no momento atingem principalmente, regiões dos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo.
A água tem invadido o centro das cidades, casas e lojas, atingindo os bairros mais pobres e as favelas, não somente nas regiões de Minas Gerais, mas, sobretudo, no Estado de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. As enchentes têm trazido grandes desassossegos com a invasão de ruas, casas e inclusive prédios públicos. Tem acontecido queda de casas, trazendo como consequência a morte de dezenas de pessoas e o desalojamento de milhares de famílias, cujas condições são as mais graves do que possamos imaginar.
Por outro lado, estas chuvas vão permeando o solo, das regiões de encostas, causando, pelo menos, duas graves consequências:
A) O deslize das terras, em regiões acidentadas, onde se constroem casas ou barracões de pessoas das classes menos favorecidas, destruindo-as e produzindo mortes e desalojamento de milhares de famílias.
B) Os movimentos anômalos de terras veem causando inúmeros problemas nas estradas cujos trânsitos são interrompidos em várias regiões do estado. Ao mesmo tempo em que as chuvas torrenciais provocam os graves transtornos, no Centro Sul do país, a que nos referimos, a região do Nordeste do país, como disse anteriormente, vêm enfrentando o inverso.
Uma seca das mais graves, destruindo as culturas, matando o gado bovino, os suínos, caprinos, enfim todos os animais como os cavalos utilizados nos transportes domésticos.
Mesmo em um país da dimensão territorial do Brasil, movimentos antagônicos da natureza parecem contraditórios, principalmente para aqueles que não têm seguido os estudos e observações dos abusos contra a natureza, produzidos pela queima de combustíveis à base de carbono, como o petróleo e seus derivados, o carvão de pedra e o carvão vegetal.
Este procedimento joga na atmosfera imensa carga de dióxido de carbono (CO2) de monóxido de carbono e outros gases, que produzem o efeito estufa, responsável pelos graves transtornos que se observam no Brasil e em várias partes do mundo, trazendo as distorções atmosféricas antes referidas.
É do conhecimento público que há quase dez anos representantes de vários países desenvolvidos, os chamados países ricos como os Estados Unidos, o Canadá, os países europeus, o Japão, a Austrália e também vários países da América Latina e do Caribe, países da África e da Ásia, considerados em desenvolvimento, como o Brasil, a Argentina, o Chile, a Venezuela, a África do Sul e também países muito pobres como o Haiti, vários países pobres da África e da Ásia, denominados países subdesenvolvidos, pobres e até miseráveis, todos estão sofrendo da alta presença de dióxido de carbono, monóxido de carbono e outros gases deletérios, produzidos pela queima do carbono e seus derivados, em grandes quantidades, pelos países ricos, especialmente os Estados Unidos, e jogados na atmosfera.
A base da grande indústria norte-americana é sustentada pela energia, produzida pela queima do carbono e seus derivados.
Esperamos que estes desastres ecológicos que atingem todos os países do mundo, especialmente os países pobres, possam sensibilizar as mentes e os corações empedernidos dos países ricos que irão, no futuro, pagar muito caro por esta brutal política personalista, imoral e anti-ética.
Não somos daquelas pessoas que defendem de modo irracional o meio ambiente, sem levar em consideração o desenvolvimento dos países, especialmente os países em desenvolvimento, que ele seja sustentável.
Não podemos deixar de nos levar por extremismos dos lucros a qualquer custo, sem considerar as consequências da biodiversidade. Nem tampouco apoiar o extremismo de determinados ambientalista, que advogam e batem os pés, para que não se toque em nada, mesmo que sejam tomadas as devidas precauções para não agredir o meio ambiente.
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Desde criança, no interior de Minas, observava com interesse que as pessoas mais pobres do lugar, tomavam goles de cachaça, a "caninha" e jogavam para trás uma pequena porção que as pessoas diziam ser a dose do Santo.
Fato mais interessante é que os "importantes" do lugar não tomavam a cachaça em público. Todos sabiam que eles tomavam e muitas vezes saboreavam, também chamada "tomba-homem". Isto no que se referia aos homens porque às mulheres não se aceitava que usassem quaisquer bebidas alcoólicas. A uma mulher não se oferecia qualquer bebida alcoólica àquela época.
Chamar uma pessoa de cachaceiro era mais grave do que ofendê-lo com o "nome da mãe". À medida que me tornei jovem, frequentando o ginásio e a universidade, em Belo Horizonte, observei que as pessoas tomavam cerveja, licores, inclusive as mulheres, mas em hipótese nenhuma a cachaça penetrava nas reuniões sociais.
Meu avô gostava de uma pinga, mas era, constantemente, chamado a atenção para que não tomasse a cachacinha em público. Aos críticos ele dizia: "Você toma escondido e fica chato em público". Este fato me ficou retido fortemente na memória. À medida que o tempo foi passando, ampliou-se o número de bebidas alcoólicas servidas em festas, jantares e todo tipo de encontros sociais. O uso da cerveja ampliou-se grandemente entre homens e mulheres. As pessoas convidavam aos amigos "vamos tomar uma cerveja", qualquer que fosse o tipo de marca que tomassem. Veio depois o chope, os vinhos brancos e tintos nacionais e estrangeiros. O whisky servido nas reuniões mais chiques, nos grandes jantares, especialmente para figuras políticas que visitavam o país.
Nossa cachacinha continuava discriminada e humilhada. Os brasileiros, em geral, não levam em consideração do ponto de vista cultural os setores materiais como as comidas, bebidas, tipos de vestimentas, os vários setores de cultura nos setores físicos. Apareceu a "caipivodka" à base da vodka russa, logo em seguida à caipirinha, à base da cachaça mineira e brasileira. Não critico o aparecimento desta bebida de sua ampla comercialização. É um direito que as pessoas têm de lançar seus produtos e comercializá-los. O que eu quero destacar é a fragilidade do espírito cívico no Brasil, em seus vários setores de atividades, incluindo por exemplo a própria execução do Hino Nacional Brasileiro e dos belíssimos Hinos Pátrios, como por exemplo o Hino à Bandeira que era reproduzido nas páginas dos cadernos escolares. Como os leitores sabem, creio eu, eleito reitor da UFMG e ao terminar o mandato, fui contratado professor visitante da Universidade de Londres por dois anos. Quando me preparava para voltar ao país, fui aposentado, compulsoriamente, pelo AI-5 e não pude voltar ao Brasil. Permaneci 17 anos no exterior colaborando na criação e desenvolvimento de universidades, centros de estudos, de pesquisa e de serviços à comunidade. Pude conhecer bem de perto a cultura, do ponto de vista antropológico, isto é, desde o processo de nascer das crianças e seu desenvolvimento, a alimentação, as bebidas, os contados sociais, as apresentações artísticas na Europa em geral, nos Estados Unidos e Canadá, em toda a América Latina e Caribe, na China, Índia e Japão, países onde trabalhei por prazos mais amplos ou mais curtos, mas estive sempre muito preocupado em conhecer as importantes características culturais dos países, incluindo os hábitos alimentares que fazem parte da cultura. Assim, pude observar, claramente, no que se refere às bebidas, o orgulho do Reino Unido, especialmente a Escócia com o whisky. A vodka na Rússia; o champanhe na França que constitui o orgulho do país. Pude perceber o orgulho dos japoneses com o saquê.
No caso da América Latina pude presenciar a luta entre o Chile e o Peru para defenderem a propriedade cultural do "Piscosauer", produzido com pisco e preparado de maneira semelhante à caipirinha brasileira. Quando voltei ao Brasil, preocupei-me em observar e procurar destacar símbolos nacionais como os Hinos Pátrios, as comidas típicas do Brasil e seus Estados, as bebidas, as apresentações artísticas. Nomeado ministro da Cultura, visitei todo o país e discuti com artistas e lideranças populares e universidades o que deveríamos acrescentar como símbolos nacionais, ao lado das obras de arte que nos enriquecem. Destaquei logo e propus que, em matéria de bebida, fosse destacada a cachaça. Em matéria de comida a broa de milho e o pão de queijo. Em matéria de apresentação artística, as bandas de música e seus dobrados. Em matéria de geografia, a Serra da Barriga, no Estado de Alagoas e no pico a Zumbi dos Palmares. Propus ao presidente e foi aceito, que nos jantares (banquetes) às autoridades internacionais que visitassem o país, o brinde fosse levantado com um pequeno cálice de cachaça, em substituição ao champanhe. Isto foi adotado, algumas vezes durante o Governo Sarney, quando fui ministro da Cultura e também no Governo Itamar Franco e FH. A partir daí, a cachacinha cresceu e ocupou posição de destaque nacional e internacional.
Apresentei esta decisão através da mídia quando comemorávamos o dia de nossa Independência, o 7 de Setembro. Recebi de determinados setores da imprensa do Rio e São Paulo uma crítica violenta. Meu apelido era de ministro da Broa de Milho, da Cachacinha e das Bandas de Música. Mas fui aplaudido por todo o país.
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Creio que não é novidade para nossos leitores e a sociedade em geral, as profundas mudanças, em todos os países desenvolvidos e em desenvolvimento, no perfil demográfico das respectivas populações, nas últimas décadas.
Eu mesmo, em artigos, em palestras e em conferências, tenho tratado destes fatos e de suas consequências econômicas, sociais, políticas e culturais, e da necessidade de que os governos, a iniciativa privada e os profissionais liberais tomem consciência de que não vivemos mais, inclusive no Brasil, em uma sociedade onde predomina a população jovem, como acontecia em décadas passadas.
Lembro-me, quando aluno da Universidade de Minas Gerais e, ao mesmo tempo, professor dos cursos científico e clássico, hoje reunidos com a denominação de cursos de Nível Médio, que todos proclamávamos que o Brasil era um país de jovens.
Exibia-se uma pirâmide, cuja base era, demograficamente, ocupada por crianças, pouco mais acima por jovens, o corpo da pirâmide constituída de adultos com menos de 50 anos. O vértice desta pirâmide era constituído de homens e mulheres de idades superiores aos 50 anos, e que eram denominadas pessoas velhas.
No momento, esta pirâmide etária deixou de existir. Ampliou-se, grandemente, o número de pessoas velhas, e que passamos a denominar de idosos. Razões as mais variadas influenciaram o aumento da proporção de idosos no perfil demográfico.
Entre as mais importantes, temos o aparecimento dos quimioterápicos e dos antibióticos. Foram sintetizados importantes produtos antidepressivos, capazes de baixar a pressão arterial e mantê-la estável. Em acréscimo, foram introduzidos importantes processos de diagnóstico, baseados na tecnologia dos raios-x e, mais modernamente, de importantes diagnósticos à base de imagens de órgãos, obtidos com a utilização de técnicas sofisticadas operadas por especialistas bem treinados.
Os filhos de uma família de classe média, há vinte anos, eram muito numerosos. Naquela época, as famílias tinham, em média, dez ou mais filhos. Hoje, este número baixou, em média, para dois. O número de casais sem filhos vem aumentando em grande proporção, em todo o mundo.
As pessoas se casam em idades mais altas. O número de casamentos está se tornando em menor número em vários países do mundo. Tenho lido notícias de que a França está pensando em "importar" pessoas jovens porque a proporção de idosos superou grandemente a de jovens.
Esta mudança no perfil demográfico exige novos procedimentos dos profissionais que atuam diretamente com estas pessoas, como os da saúde: médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, odontólogos, farmacêuticos, psicólogos e outros profissionais que assistem diretamente aos idosos. De grande importância, na vida das pessoas da terceira idade são os profissionais que desenvolvem atividades nos ambientes em que vivem os idosos, dentre os quais se destacam os arquitetos que desenham as casas, os apartamentos e os escritórios onde vivem e exercem suas atividades as pessoas de idades mais avançadas, para que possam manter a qualidade de vida e a segurança em suas atividades do dia a dia.
Esta presença dos arquitetos tornou-se tão mais importante ao desenharem os locais onde vivem os atuais idosos e aqueles que chegarão lá, em número cada vez mais avançado. Somente para exemplificar esta afirmação, lembremos que, estatisticamente, no momento, o mundo conta com mais de dez milhões de pessoas com mais de cem anos, e inclusive 110 anos. Portanto, não falamos apenas da arquitetura, pois, a meu ver, e tenho insistido nisto, o problema é de nível cultural.
Estamos vivendo em um mundo cuja predominância é de idosos e administrando-o como se ainda vivêssemos em um mundo onde predominasse uma população jovem. No setor da arquitetura, fico abismado ao presenciar edifícios públicos e privados, construídos recentemente, com três escadas de oito a dez degraus. Hotéis, classificados como de 5 estrelas, onde os chuveiros ainda são colocados acima de banheiras e sem um suporte para as pessoas se sustentarem. O mesmo acontece nas residências onde vivem pessoas idosas, nos asilos, nas igrejas, nos teatros e cinemas. Insisto, é um problema cultural que devemos discutir nas escolas de arquiteturas, de designer, de saúde em geral e em todas as universidades públicas e privadas. Em Minas Gerais, a Escola de Arquitetura da UFMG, quando exerci o cargo de reitor, era considerada das melhores do Brasil. Tinha como diretor um dos grandes diretores o professor Silvio de Vasconcelos, cassado pela ditadura de 1964. Contamos hoje com ex-alunos, arquitetos de grande competência e sensibilidade social. Sem me desfazer dos demais, cito o exemplo do grande arquiteto Gustavo Pena, que brilhou na construção do Centro de Exposição, o Expominas, de nível internacional.
Temos esperança de que nomes de grande nível da arquitetura mineira vão tomar consciência da necessidade de se mudar o enfoque da arquitetura atual, adequando-a às necessidades de nossa época e de nossa população.
Professor e Membro da Academia Mineira de Letras
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Tenho estado quieto em casa, após uma cirurgia nos joelhos, que me impede de andar. E, entre as coisas que estou fazendo, ressalta-se, no mês de maio, a releitura da poesia de Castro Alves sobre a escravidão negra no Brasil: a busca covarde dos negros da África para serem escravos no Brasil. Quando aluno do curso primário no distrito de São João dos Pintos, município de São João Evangelista, minha professora negra Dona Otília Vitalina de Queiroz nos propunha a decorar essas belas poesias e recitá-las nas reuniões da classe. Era belo e emocionante. Gostaria de compartilhar com os leitores algumas destas belas estrofes. Na primeira delas, o grande poeta Castro Alves, no "Navio Negreiro", fala sobre o apelo dos negros a Deus, e diz: "Senhor Deus dos desgraçados, Dizei-me vós, Senhor Deus! Seu eu deliro... Ou se é verdade, tanto horror perante os céus?!"1 "Há dois mil anos te mandei meu grito, que embalde, desde então, corre o infinito... Onde estás, Senhor Deus?"2 O poeta, em seguida, se refere à Inglaterra, que se admite participava do comércio inglês de escravos: "Marinheiro frio que ao nascer, no mar se achou, (Porque a Inglaterra é um navio que Deus na Mancha ancorou). Era um sonho dantesco... O tombadilho. Que das luzernas avermelha o brilho, em sangue a se banhar. Tinir de ferros... Estalar de açoite... Legiões de homens negros como a noite; Horrendos a dançar..."
Professor e Membro da Academia Mineira de Letras
1 ALVES, Castro. Navio Negreiro. In: Os escravos: Poesias de Castro Alves. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1883
2 ALVES, Castro.Vozes d' África. In: Rio de Janeiro: Tecnoprint,1883
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Iniciei meus estudos universitários em Belo Horizonte, nos anos de 1940. Naquela época, os estudos se iniciavam pela escola primária, que compreendia quatro anos.
Depois do exame de admissão, cursavam-se cinco anos de ginásio. Terminado o ginásio, aqueles que iriam prosseguir os estudos se matriculavam nos chamados cursos pré-universitários, com a duração de dois anos, realizados nas respectivas faculdades ou escolas superiores, nas quais os alunos iriam seguir seus respectivos cursos.
Assim, um estudante candidato, por exemplo, ao curso de Direito, se inscrevia no pré-vestibular da Faculdade de Direito e, ao final de dois anos somente, podia prestar o vestibular para o curso de Direito. Isto acontecia com os demais cursos.
O sistema era antidemocrático, e obrigava os estudantes, em quase sua totalidade do sexo masculino, a decidir muito cedo o curso que iria seguir, sem uma reflexão mais aprofundada sobre a futura profissão.
Refiro-me aos mecanismos daquela época para considerar os argumentos que desejo utilizar nos comentários sobre as solenidades de formatura e as respectivas festas complementares daquela época e de anos sucessivos.
Em 1940, quando vim para Belo Horizonte, em cima de um caminhão, a viagem durava dois dias. Não havia meios de transporte intermunicipais. A solução era conseguir com os proprietários de caminhões que nos permitissem viajar em cima das cargas.
Naquela época, a única alternativa de frequentar um curso em universidade era em Belo Horizonte. A Universidade de Minas Gerais, a UMG, atualmente nossa querida UFMG, era a única universidade no Estado.
Havia faculdades e escolas isoladas em Ouro Preto, Viçosa e poucas cidades. O número de estudantes era muito menor.
Minha faculdade era a de Odontologia e Farmácia. Os cursos eram independentes, mas funcionavam no mesmo prédio, na Praça da Liberdade, antigo quartel da Polícia Militar, em cujo local se construiu o novo edifício do comando da PM de nosso Estado.
Apesar do rígido sistema curricular e da falta de oportunidade de lazer em Belo Horizonte, cidade ainda muito provinciana àquela época, nós, estudantes, a maioria vivendo em repúblicas, tínhamos prazer em nossas lides estudantis.
Esta introdução teve como objetivo informar aos caríssimos leitores de minha participação, ainda muito jovem, nos problemas relativos ao ensino superior. Minha participação foi acrescida com minha entrada na carreira de professor universitário, que inclui meu pós-doutorado na Itália e o exercício da reitoria da UFMG de 1964 a 1967.
A partir de 1967, estive como professor visitante na Universidade de Londres, oportunidade em que estabeleci um contato bem próximo com a grande maioria de universidades da Europa. Posteriormente, permaneci 17 anos fora do Brasil, exercendo intensa atividade junto às universidades dos Estados Unidos e de todas as universidades da América Latina e do Caribe.
Meus quatro filhos se graduaram em universidades norte-americanas.
Estive também como professor visitante no Japão, em uma universidade de língua inglesa, a "International Cristhiany University". Em todas estas universidades, desde as de nosso país, assisti a solenidades de formatura, incluindo-se as formaturas de meus quatro filhos, como disse, em universidades dos Estados Unidos. Em todas estas instituições públicas ou privadas, as solenidades de formatura representavam um ponto alto da vida acadêmica.
Elas são de total responsabilidade dos reitores e reitoras, com a participação das respectivas diretorias, das congregações e dos Conselhos Universitários. Estas solenidades são oficiais e obedecem, em todo o mundo, a características de alto nível acadêmico. São atos públicos de grande importância para os formandos que, na oportunidade, recebem seus diplomas das mãos dos dirigentes universitários que, no momento, representam, por delegação, a mais alta autoridade governamental, presidentes da República, primeiros ministros ou governadores.
Estas solenidades, de alto nível, são consideradas de suma importância em diferentes países para os formandos, para seus familiares e para toda a sociedade. Devem acontecer em ambiente alegre, mas sujeito a um cerimonial rigoroso. Não são festas de formatura. As festas são também importantes, e devem ser realizadas com bailes e outras atividades, mas em outras oportunidades. Não podem ser confundidas, em nenhuma hipótese, com as solenidades, antes referidas.
Escrevo estas considerações por que tenho sido convidado para solenidades de formatura, depois que voltei ao Brasil e, em algumas delas, a solenidade de formatura, tem sido transformada em manifestações de gritos, apitos e outras, incompatíveis, a meu ver, e no de muitas outras pessoas, com o ambiente adequado ao de colação de grau.
Cabe, pois, às autoridades universitárias, chamar a atenção dos concluintes de cursos superiores, solicitando-lhes que transmitam a seus familiares e amigos as indicações das alegrias, mas da austeridade do comportamento exigida durante as solenidades de graduação.
Elas dão a marca da importância das atividades que os formandos irão exercer nas sociedades, nas profissões que irão exercer e que, ao lado da competência profissional, exigem grande respeito aos clientes ou às instituições onde irão atuar.
Não desejo fazer aqui uma crítica destrutiva aos jovens e a seus familiares e convidados, mas lembrar a todos que as solenidades de formatura representam uma marca da mais alta importância cívica, ética e, inclusive, legal, para todos que participam destes eventos do mais alto nível social e cultural.
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É grande, e se tornam cada dia maiores, os transtornos causados em todo o mundo pela quantidade e intensidade das chuvas torrenciais. Estão causando violentas enchentes, que invadem casas, fábricas, armazéns e todos os locais de uso de atividades humanas.
Estes transtornos chegaram até nós. Em nosso Estado, nas regiões do Sul de Minas, no Triângulo Mineiro e na região da Mata Mineira, os rios transbordaram com as enchentes, invadiram casas e locais de trabalho, paralisando escolas e causando enormes transtornos.
Em outros países, os maremotos e terremotos nunca estiveram tão severos como no momento. A atmosfera vem recebendo milhares e milhares de toneladas de dióxido de carbono (CO2), resultante da queima de compostos de carbono, como a gasolina, o óleo diesel, o querosene e o próprio carbono, elemento representado pelo carvão de pedra e carvão vegetal.
O consumo destes produtos do carbono vem crescendo em projeção geométrica, especialmente nos países altamente industrializados, como os Estados Unidos, os países europeus e o Japão.
A emissão do dióxido de carbono e sua incorporação à atmosfera produz o "efeito estufa" e aquece o planeta, gerando os atuais distúrbios e outros muito mais graves, como, por exemplo, a fusão das grandes geleiras mundiais, elevando o nível dos mares e a invasão de terras habitadas, em várias partes do mundo.
O grave problema da queima dos derivados do petróleo nos automóveis, hoje presentes mesmo nas famílias de classe média baixa, pelas facilidades de financiamento na compra de veículos, aumenta enormemente o problema. Não estou propondo que se impeça, de maneira antidemocrática e injusta, que as pessoas de menores recursos disponham de um carro próprio. Acontece que há grande aumento, em progressão geométrica, dos caminhões de alta tonelagem, os grandes emissores de dióxido de carbono na atmosfera.
Para se ter uma ideia, as estatísticas indicam que existem, no momento, no mundo, mais de 750 milhões de veículos movidos com derivados de petróleo.
Por outro lado, o aumento da população mundial deverá ser acrescido de mais 2,5 bilhões de pessoas, também nos próximos 40 anos. Neste aumento do número de veículos movidos a derivados do petróleo, não podemos perder de vista a entrada agressiva da China, com mais de 1,5 bilhões de habitantes, e a Índia, também com mais de 1 bilhão.
Muita gente não se dá conta dos transtornos causados pelo efeito estufa e pelo aquecimento do globo terrestre. Além dos enormes transtornos que presenciamos e sofremos, vamos ter o desaparecimento de praias e mesmo de países situados em regiões de altitudes ao nível do mar.
É urgente que toda a população mundial, incluindo as próprias crianças, nas escolas, os operários, nas fábricas, os políticos e as lideranças sociais tomem conhecimento destes fatos, para que não permaneçam situações como a do Tratado de Kyoto, que diminuiria o consumo de derivados do petróleo em um período de dez anos, e que não foi aceito pelos Estados Unidos. Lamentavelmente, os países ricos querem se tornar mais ricos, mesmo com o sofrimento do mundo inteiro.
É interessante lembrar aos leitores os esforços que vêm realizando as universidades e grupos de pesquisa para encontrar substitutos para a energia gerada pela queima de derivados do carbono. Este é um esforço que deve ser apoiado e incentivado.
Tenho procurado manter-me bem informado sobre estas pesquisas, especialmente no campo da utilização da energia solar, da energia gerada pelos ventos, denominada eólica, capaz de produzir o hidrogênio que, juntamente com o álcool e o biodiesel, constituem a maior esperança para o futuro, a médio e curto prazo.
Infelizmente, o que tenho observado é que os investimentos em pesquisas, em busca de novas fontes de energia não poluente, vêm diminuindo. Os dados de que disponho sobre o investimento em pesquisas para incrementar a busca de novas fontes de energia não poluentes em comparação com investimentos, inclusive em tecnologia para as guerras, é inacreditável.
Esta é a hora de todos pressionarmos para que sejam apoiadas, em todo o mundo, as pesquisas e as ações para aumentar a produtividade na utilização dos atuais combustíveis de carvão, e descobrir novas alternativas energéticas. Temos que vencer este impasse, atuando politicamente, para que sejam adotadas medidas que apoiem e incentivem a introdução do álcool etílico como combustível nos motores a explosão. Quando presidi a Fundação João Pinheiro, durante o Governo Tancredo Neves, desenvolvemos um projeto, financiado pelo Banco Mundial, que incentivava a utilização do álcool etílico, puro ou adicionado à gasolina, como combustível nos automóveis. Foram adaptados os motores para consumo do álcool puro ou em mistura com a gasolina.
Ainda que mais barato o custo do álcool, sua utilização como substituto da gasolina não foi adiante, pela baixa do custo do petróleo na época. A mistura do álcool à gasolina foi mantida e varia em proporção de acordo com a variação no custo do petróleo. Todos os esforços na produção de energias não poluentes é fundamental. Estamos em um dilema: "Decifra-me ou Te Devoro".
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