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No pragmatismo do mundo em que vivemos, as noções da habilidade, cortesia e cordialidade parecem superadas pela busca de resultados em curto prazo. E isso para ganhos financeiros ou políticos.
Nada mais errado. Vivemos esta crise pela correria das ganâncias, em que a busca de resultados atropela valores enraizados na cultura do povo. Todos os que fazem o jogo do curto prazo, impulsionados por ambições sem respaldo na ética, na moral, no bom convívio com aliados, com sócios, com a sociedade, gozam de um momento de sucesso e, depois, amargam o preço de um equivocado pragmatismo.
Habilidade é sagacidade, agilidade, mas com base na ética, na educação e na cordialidade. Não pode ser hábil quem pretende impor a qualquer preço sua vontade, de forma totalitária ou como criança mimada.
O centenário de Tancredo Neves demonstra o valor da habilidade, do pragmatismo, de quem soube tecer, com paciência e generosidade, seus caminhos políticos. Combateu o regime militar, mas nunca ultrapassou os limites da realidade política em que vivíamos, deixou eventuais opositores esgotarem seus esforços e aguardou o seu momento, que obedecia a uma solução natural. Foi com habilidade e ética que Tancredo ganhou o Palácio da Liberdade e, depois, o do Planalto. Não brigou com a realidade como, em 1989, Ulisses Guimarães, na desastrada e humilhante aventura eleitoral.
Agora, na sucessão que se avizinha, podemos assistir a um duelo de inábeis, em que o resultado penderá naturalmente para quem não impôs sua candidatura no melhor estilo da República Velha. Uma das candidaturas sai de uma liderança inconteste. E outra, de uma trama de controladores de uma legenda, no estilo implantado no MDB do Rio de Janeiro no tempo do sr. Chagas Feitas - hoje um nome que nada significa para as novas gerações e lembrado com desprezo pelos que viveram aqueles anos.
Na vida empresarial, a mesma coisa acontece. Recentemente, o sr. Benjamim Steinbruch, um jovem e atirado empresário que aumentou o legado de sua família, mas que atuou sempre solitário e autoritário, perdeu uma disputa simplesmente em função da avaliação de sua personalidade. Acompanhei, por acaso, em Portugal, que a repulsa era ao personagem e não às propostas por ele feitas. Sua atividade em Portugal, na Lusosider, já mostrou se tratar de homem empreendedor e trabalhador, mas de dificílimo trato. O mundo mudou. E ele não percebeu. Como o candidato que se anuncia na oposição está cego pela ambição e pela vaidade, fora da realidade política do país. Hoje, nada se constrói sem alianças e elas, para funcionar, devem ser feitas em clima de confiança.
É uma pena que em função destas personalidades tidas como "difíceis" - que nada mais são do que desprovidas de habilidade -, o Brasil esteja marchando para perder a oportunidade de transformar esta ilusão de que chegamos lá, como se diz na linguagem popular. Não chegamos, infelizmente. Nem chegaremos com essa democracia de candidaturas impostas que, no fundo, têm a mesma origem e os mesmos sentimentos, com raízes na esquerda, quando poderíamos debater outras teses e ideais, especialmente aqueles que priorizam de forma realista e não ideológica os rumos políticos e econômicos da nação. Nem muito menos com empresários que só aspiram ser sócios do estado e jogar com as amizades políticas, mudando de protetores na proporção em que mudam os governos. Ontem era o filho do próprio presidente; hoje, o senador de prestígio no governo. As coisas não são assim tão claras como parecem. Existe uma coisa que se chama conceito. Vamos mesmo regredir para os ideais de Allende no Chile ou de Marighela no Brasil, confiando apenas na fé de que Deus é brasileiro e dará uma solução à situação?
O centro tem de estar numa das chapas, com Kátia Abreu, por exemplo, que seria, aliás, um grande nome para a sucessão.
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Um analista político não pode resistir a voltar a um tema já abordado, mas que a cada dia ganha contornos de uma realidade inevitável. O governador de São Paulo, José Serra, não deixará o cargo. Portanto, disputará a reeleição, não sendo candidato a Presidente da República.
As pesquisas do final de semana passada demonstraram claramente que seu favoritismo era fruto de uma fotografia de momento em que era o nome mais conhecido, e sua oponente, uma ilustre desconhecida. Poucos meses marcam o avanço, sem o menor sinal de resistência, de sua candidatura. Não pelos méritos de presença ou carisma da candidata, mas justamente pela falta de carisma, de simpatia, de credibilidade no mundo político e empresarial de seu oponente. Sendo Serra o candidato, o PP, PTB, PDT, PSB e outros partidos e forças políticas não veem sentido deixar o doce convívio com o presidente Lula. Muito menos o PMDB, tão cortejado, que, certamente, se sentiria mais confortável formando chapa com o PSDB e os democratas, por afinidades que vêm desde a Constituinte.
O sr. José Serra não é homem audacioso, embora ambicioso, e não correrá risco tão alto quando pode ser reeleito para governar o maior e mais importante estado da federação. Tem toda razão o deputado Ciro Gomes quando aborda esta questão e prevê a não candidatura do governante paulista. Além do mais, a prova de que a candidatura Serra é encarada com pessimismo pelos políticos é que não existe disputa pelo lugar de seu vice e, sim, movimentos e pressões junto ao governador de Minas, numa tentativa desesperada de obter o apoio dos mineiros.
Resta realmente saber se, dentro de menos de um mês, os tucanos se voltarão para o candidato natural que é (e sempre foi) o governador Aécio Neves. Ou se optarão pela solução FH, que, na realidade eleitoral, pode não ser o ideal, pela idade e pelo desgaste de quem governou oito anos, mas melhor, e bem melhor, do que seu companheiro de partido e ex-ministro, que é homem cheio de arestas. E mais: Serra sempre criticou o que deu certo no governo de Fernando Henrique, que foi a política econômica entregue a gente competente como Pedro Malan e Armínio Fraga. E no Ministério da Saúde foi um blefe, inclusive ao tentar se apossar da implantação dos genéricos no Brasil, uma iniciativa de Jamil Haddad, ministro de Itamar Franco.
O que fascina no atual quadro político nacional, no entanto, é que, sendo José Serra candidato, provavelmente derrotado, saber quem será a liderança nacional que surgirá para a defesa das liberdades democráticas, da ordem, da iniciativa privada e do alinhamento do Brasil com seus tradicionais parceiros - e não com Venezuela, Irã e Cuba. Quem assumir a oposição, mantido o quadro político, será o sucessor de Dilma. Evidentemente que a oposição ao programa da candidata do presidente Lula, bem mais à sua esquerda, não seria seu opositor, igualmente de esquerda, que viveu com entusiasmo os anos Allende no Chile, clima a que o Brasil parece poder repetir 30 anos depois.
Vamos ter muitas novidades nas próximas semanas. Fica a aposta em que Ciro Gomes sabe o que diz quando duvida da candidatura Serra na corrida presidencial.
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Os mercados internacionais estão tensos com o que se passa na chamada zona do Euro, com três países em situação delicada: Grécia, Espanha e Portugal. As economias sofrem com a crise, a dívida e o déficit público. Precisam ser avaliadas pelos "analistas" - geralmente esquerdistas camuflados, uma vez que vivem de acompanhar o dia-a-dia do capitalismo, que chegou à China, mas não às mentes de nossos críticos do capital.
Os três países têm um ponto em comum: os governos envolvidos são "socialistas", funcionam com legislação trabalhista que chega à caricatura tamanho os absurdos. Portugal, por exemplo, quer disputar com os países do leste incorporados à União Europeia, apesar de pagar 14 salários e estimular o ócio, como ao fazer da terça-feira de Carnaval feriado. Festa somente compreendida pela colônia brasileira, numerosa, mas que aportou em terras lusas para trabalhar e não para folgar.
A Espanha acaba de aumentar o auxílio aos desempregados no lugar de estimular o emprego. A Grécia deve muito e todos têm uma máquina oficial pesada, que vem crescendo nos últimos anos. Assim, estão fora das normas que fundamentam a criação da moeda comum.
A Alemanha conservadora é a economia que se salva. Os ingleses, também socialistas, são os mais lentos na recuperação. E a Itália, apesar de muita confusão na política e na economia, sobrevive socialmente bem, com emprego, apesar de contar com uma grande e indesejada população de trabalhadores oriundos de outros países. A França sempre foi um caso à parte.
A Inglaterra também está longe dos anos brilhantes da Sra. Thaetcher. Os EUA reagem pela força de uma sociedade que acredita no trabalho, na concorrência e no mercado, com base no investimento na pesquisa e no avanço tecnológico. Hoje vacinada com a liberdade excessiva em mercados especulativos. Mas o quadro no geral é preocupante e pode se agravar com uma crise no Oriente Médio envolvendo as travessuras do Irã, ingenuamente encaradas pelo Brasil.
Os candidatos falados para a sucessão presidencial precisam ser claros em suas posições quanto ao tamanho do Estado, às privatizações, à carga fiscal ideal, à ação do MST, à orientação quanto a questões ambientais e indígenas, às relações do Brasil com países como Venezuela, Cuba e Irã. A Ministra Dilma começa a se definir. Falta mesmo o governador de São Paulo, caso seja mesmo candidato, declarar o que pensa sobre esses temas. O que sabe em termos de política externa é muito pouco além do apreço que tinha pelo presidente Salvador Allende, do Chile, onde vivia quando da reação das Forças Armadas a criação de uma nova Cuba no Pacifico.
Logo, temos de tomar cuidado com essas políticas que exaltam o papel do Estado e visam aparentemente proteger o trabalhador, mas que destrói o emprego. A moda de diminuir a carga semanal de trabalho, ampliar licenças, manter a suspeita penhora "on line" na Primeira Instância trabalhista, o arrocho fiscal e os delírios ambientalistas... Tudo isso forma um perigoso caldo de cultura para a crise da "marolinha" se tornar uma tempestade. Parafraseando Churchill, o capitalismo liberal é o pior dos sistemas... excluindo todos os demais.
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O Brasil experimenta avanços na distribuição de renda, consolida uma economia que pode ser moderna e progressista, desfruta de ampla simpatia internacional e enfrenta questões fundamentais, como a violência urbana. Mesmo assim, surgem vozes pregando a divisão, a discórdia, inspiradas por sentimentos menores de revanchismo e ódio que em nada ajudam o país. Paulo Brossard, lúcido e respeitado, democrata acima de qualquer suspeita, sentenciou com sabedoria: "Anistia não é justiça; é paz". E querem acabar com a anistia de um lado apenas, como se não houvessem mortos e mutilados em ambos os lados. Sequestro não é crime hediondo? "Justiçar" um companheiro que resolve abandonar uma causa não é? Matar bancários em nome de supostos ideais políticos não seria? Assassinar "por engano" um oficial estrangeiro não seria? A paz é a base da prosperidade. E a anistia tem o sentido de perdão, esquecimento, olhar para frente, não para trás. Anistia é unir, como fez, com grandeza, João Figueiredo. Temos de virar a página desses episódios e de outros mais, que vão buscar na história, na base do ressentimento e da mentira, motivações para seus intentos. Querem alterar a história e, no ano do centenário da morte de Joaquim Nabuco, deveríamos pensar na parcela da sociedade que lutou pela abolição até a aprovação pelo Parlamento e a sanção da Regente Princesa Isabel. Ficar na busca de culpados resulta nos livros que estão sendo editados, mostrando o que se sabia e que deveria ser esquecido, que foi a forte presença de negros no comércio de escravos, que muitos alforriados passavam a se dedicar ao tráfico. A política de cotas quer dividir brasileiros, quando representamos o maior e melhor exemplo de miscigenação do mundo. Querem negar Gilberto Freyre, sociólogo, antropólogo e homem de pensamento que não teve medo de assumir posições políticas. São almas pequenas, que deveriam estar alinhados nas lutas sociais e projetos desenvolvimentistas e não fazendo coro com os que tentam barrar o progresso em nome da ecologia, inibir investimentos no campo, fechando os olhos para a violência dos revolucionários do MST. Freud explica o que move esta gente cheia de complexos, ressentimentos e frustrações, que passam a viver na militância do mal, do ódio, da inveja. Roberto Campos costumava dizer que, no Brasil, prosperava uma esquerda que não tinha preocupação com os pobres, mas uma imensa raiva dos ricos. E, nos últimos tempos, uma obsessão para justificar equívocos do passado. A começar pela farsa de que seriam democratas e não seguidores de Fidel, Mao e Stalin. Uma pena esse retrocesso e tentativas de desmoralizar as Forças Armadas, que emprestam grande contribuição ao país, mas que não podem assistir em silêncio à desconstrução de uma credibilidade que acompanha a história desde a independência. Sem a firmeza dos militares, implantar o regime "bolivariano" que habita influentes mentes em Brasília não precisaria nem de decreto. Que as forças vivas não se omitam, acovardadas, intimidadas e pressionadas por executivos que não acreditam na livre empresa e, no fundo, possuem os mesmos sentimentos freudianos. Uma elite cultural e econômica que não defende a liberdade não merece destaque e prestígio de que desfruta na maioria silenciosa e aparentemente indefesa.
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Quem não estiver na folia nestes dias, certamente estará pensando na vida e no país. Logo, quem trata de política e de economia como nós, eu daqui e vocês daí, deve aproveitar o tempo disponível para pensar na importância do voto em outubro próximo.
A política anda pobre de notáveis, uma meia dúzia estará disputando algum cargo eletivo. Aécio, Itamar e Bonifácio Andrada, em Minas; Maluf e Fleury em São Paulo; Marco Maciel, em Pernambuco; Cristóvão Buarque em Brasília e alguns poucos mais. Temos um grande número de parlamentares que, em cinco ou mais mandatos, foram corretos e dedicados.
Como repórter que acompanha o Congresso Nacional, é fácil identificar em nomes pouco citados na mídia nacional uma atuação positiva e marcada pelo espírito público. Deputados dedicados como Simão Sessim (PP-RJ), Gerson Peres (PP-PA), José Carlos Aleluia (DEM-BA), Miro Teixeira (PDT- RJ), Márcio Reinaldo (PP-MG) e José Santana (PR-MG) mostram que se pode trabalhar em silêncio que o eleitor atento sabe de sua atuação. E há os novos, revelações, muitos herdeiros de um legado de bons serviços prestados ao Brasil por seus maiores, como os casos de ACM Neto (DEM-BA), Rodrigo Maia (DEM-RJ), Paulo Abi-Ackel e Rodrigo de Castro (PSDB-MG), José Otávio Germano (PP- RS), entre outros. Tem ainda a turma que vai do Executivo para o Legislativo, como Júlio Lopes (PP-RJ), que volta à Câmara depois de revolucionar o transporte no Rio. Fez, inclusive, o Metropolitano chegar a Ipanema.
A classe política anda desgastada, mas quem procurar se informar vai verificar que a grande maioria ainda justifica o exercício democrático do voto. Que os que mais aparecem nem sempre são os melhores; os que mais influem não são necessariamente os melhores. Mas a maioria silenciosa e trabalhadora sustenta o papel do Parlamento e não pode ser afastada em detrimento de candidaturas marcadas pelo poder econômico, político ou corporativista.
O bom cidadão deve observar, avaliar e anotar, para não incorrer no esquecimento ou nos pedidos de última hora, os nomes que merecem seu apoio em todos os níveis. E no perfil do político deve ser observado, desde o postulante à Presidência da República ao candidato a prefeito, que sejam pessoas de bom trato, simples, delicadas, pacientes e atenciosas com os humildes. Gente fria, mal humorada e rancorosa não serve para amigo, sócio, genro e muito menos político. Mas muitos enganam e, mesmo assim, conseguem ser eleitos. Portanto, todo cuidado é pouco. Quem tivesse percebido, por exemplo, na campanha de Brasília, o que o governador das propinas andava fazendo com sua mulher, ele certamente não teria sido eleito.
Com a Internet fica mais fácil pesquisar. Mas no interior vale também a assistência dada pelo parlamentar ao longo do mandato. Pode parecer considerações sobre o óbvio, mas, na atual conjuntura nacional, a democracia dependerá muito do perfil dos eleitos. Votar dessa vez será, mais do que nunca, um ato de responsabilidade e, neste quadro, independentemente de partidos, os nomes devem ser avaliados cuidadosamente. O Brasil precisa de quem o sirva e não de quem se sirva dele.
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Não podemos fugir mais. Precisamos enfrentar com realismo um quadro de alta tensão política e institucional. O presidente Lula comanda um Governo que tem ampla base de apoio no Parlamento. Mas esta base é conservadora e não revolucionária. A maioria quer ver emendas liberadas, ter seu nome ligado às obras do PAC e manter posições na máquina que atendam a seu eleitorado. Gente com a cabeça revolucionária, hoje, é minoria até no PT e no PCdoB. Os radicais estão sem mandato, mas ocupam cargos relevantes no Governo.
São quase duas centenas de parlamentares espalhados pelo PP, PTB, PSC, PDT, PR, que, com o PMDB, partido de centro, apoiam o Governo. Na oposição, os Democratas e parte do PSDB são centristas, ficando à esquerda com a maioria do PSDB - segundo o senador Sérgio Guerra, um partido de esquerda - e com o PPS, que substituiu o Partido Comunista Brasileiro, PCB.
O povo que garante tanta popularidade ao presidente não é de esquerda, não vota na esquerda e não aprecia radicalismos. Por outro lado, possui valores que estão distantes dos radicais, sendo maioria de fundo religioso, gente que ama a paz e a ordem e tem o maior respeito pelos nossos militares, que são amados pela população ordeira e trabalhadora.
O presidente Lula é popular por ser homem sensato, do diálogo, muito prejudicado por companheiros que destilam ódios e ressentimentos. Lula só tem tido problemas com estes estranhos aliados, que barram seus projetos pelo lado ambiental, criam crises artificiais, como foi a dos aeroportos (um mero caso de indisciplina sindical), ameaçam a imprensa e empurram o Brasil para se aliar a Hugo Chávez, a admitir diálogo com terroristas do Hamas e a receber com honras o presidente do Irã, condenado pelo mundo civilizado a que, pelo menos na teoria, pertencemos.
Os empresários andam tontos com a escalada revolucionária nas cidades e nos campos. Com a maior facilidade, são invadidos e fica tudo por isso mesmo - quando não são acusados de usar de trabalho escravo, sonegar impostos e formar quadrilhas. Não temos vozes com a autoridade e a coragem daqueles que lutaram quando estávamos sitiados por greves, ligas camponesas e "grupos dos onze", que se preparavam para a tomada do poder. Tem gente que fica pensando no ganho de hoje e deixa rolar as agressões que extrapolam o econômico-financeiro para atingir o campo da dignidade e da imagem. São os que acreditaram no agronegócio, investiram e agora são atacados e ficam no silêncio, nas reações no campo jurídico, quando a questão é muito mais relevante por ser política.
As chamadas "forças vivas da nacionalidade" - se é que ainda existem - precisam ajudar o presidente Lula a governar com quem lhe dá maioria e lhe dedica respeito e admiração, e não com criadores de caso, indiferentes aos interesses nacionais. Alegres, irresponsáveis, muitos dos donos do capital se mostram desprovidos de patriotismo, de convicção do papel da livre empresa numa democracia socialmente justa. Fingem não acreditar na dimensão dos riscos de perdermos tudo o que construímos em termos de democracia com avanço social e economia organizada.
Parece que só pensam mesmo naquilo, ou seja, no dinheiro que ganham. Nem no processo sucessório esboçaram algum gesto no sentido de levar bom senso à escolha do nome de oposição que pudesse vencer.
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Quem gosta de uma boa leitura, de conhecer a história dos homens que a fazem, deve aproveitar o Carnaval e comprar o livro de Sebastião Nery, "Nuvem" (Objetiva). É a narrativa do baiano do interior que vai para Salvador, ao Seminário Diocesano, ingressa na política e no jornalismo, vira um comunista que nunca deixou de ser católico e consegue a proeza de ser vereador em BH, deputado na Bahia e no Rio.
Nery é um talento como jornalista e escritor, uma presença fascinante na conversa, na narrativa, temperamento marcado pelo bom-humor. Tudo explicável pelo seu gosto pelo bom e belo, incluindo as bonitas mulheres que povoaram sua vida, até o encontro definitivo com a charmosa Beatriz. Homem que gosta de gente inteligente, dono de cultura cima da média. Seu livro é um passeio não apenas pela sua vida, mas pelo mundo que vivemos de 50 anos para cá. Conviveu, na intimidade, com os grandes como José Aparecido de Oliveira, Fernando Collor, Tancredo Neves, Leonel Brizola, Darcy Ribeiro e sua evidente devoção, Antonio Balbino. Há narrativas interessantes e singulares.
Apaixonado por viagens, com a chegada ao poder com a queda do regime militar - que critica sem ódios - é nomeado adido cultural em Madrid, Roma e Paris. E, ao contar suas viagens à Cortina de Ferro, quando membro do Partido Comunista, desperta em todos a vontade de visitar cada lugar.
Velho amigo, leitor e admirador de Sebastião Nery, a leitura de seu livro não foi uma surpresa, mas renovado prazer. A oportunidade de relembrar tempos idos, que conheci ou testemunhei nesta caminhada, nem sempre do mesmo lado, nos reporta a gente que não pode nem deve ser esquecida. Mas tão longa e duradoura amizade, companheirismo e convívio mostram que, pelo menos, somos efetivamente dois democratas.
A jovialidade demonstrada pelo autor, que vive intensamente nossa vida política e cultural, sem abandonar o hábito das frequentes e longas viagens ao primeiro mundo, tem base não apenas em sua alegria de viver e conviver, mas numa formação cristã que jamais abandonou. E agora parece ter mais tempo para se dedicar a reflexões enriquecedoras.
Ler Nery, comparar os muitos "brasis" e as muitas gerações com que conviveu, é um ganho de prazer e de conhecer. Não apenas comento a obra que li de uma jornada, mas arrisco a recomendar com entusiasmo ao caro leitor. Quem não gostar pode reclamar.
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O resultado da eleição no Chile consolida o país amigo como modelo de democracia, em termos de gestão e progresso no continente latino-americano. Essa posição moderna, resultado da competência de seus quadros administrativos e sua política econômica, é uma "herança bendita" dos tempos do presidente Augusto Pinochet, que implantou, como seus colegas brasileiros, uma gestão pública baseada na meritocracia. E na honestidade. O dinheiro em contas do ex-presidente foram de doações de patriotas chilenos, pois nunca se apontou de onde teria sido a origem ligada ao governo.
Os diferentes governos de centro-esquerda não mexeram no essencial, assim como no Brasil prevalece até hoje as linhas mestras da abertura econômica implantada no governo Fernando Collor. Pena que o ritmo das realizações na infraestrutura e os critérios de nomeações não tenham seguido, mesmo que parcialmente, a dos militares.
O curioso na eleição de Sebatian Piñera é que seus opositores martelaram ao longo de toda campanha uma suposta ligação dele com o presidente Pinochet, falecido há três anos. O tema da campanha foi praticamente este. O que nos leva a crer que o povo chileno quis mesmo votar, simbolicamente, no seu grande benfeitor do século XX.
O máximo do cinismo é que esta esquerda latino-americana, que não para de cobrar punições para os regimes autoritários - embora tenha vivido em função de uma quase tomada do poder pelas forças ligadas a Cuba e a então União Soviética -, nada falam sobre o que se passa no país de Fidel. Nem da miséria alargada na Nicarágua sandinista ou do caos reinante no Chile de Allende. Como agora uma cortina de silêncio protege a crise social e econômica da Venezuela, as violações do direito à propriedade, assim como os ataques à liberdade de imprensa e à livre empresa. A direita, quando apelou para a repressão, o fez em resposta a ações sanguinárias de Tupamaros, Montoneros, MIR e outros agrupamentos radicais. E sobre estas ações, o silêncio só é rompido para entregar gordas "compensações" a quem assaltou, sequestrou e matou em nome da "democracia" que queriam restabelecer com ajuda cubana e soviética.
No Brasil, não chegamos ao positivo estágio democrático do Chile. Aqui, prevalece o projeto FH, que ele mesmo afirmou e vem repetindo, que os pleitos desde 94 são disputados entre diferentes nomes de esquerda. Assim, não podemos saber se o brasileiro também não gostaria de manifestar reconhecimento aos militares progressistas e honrados, votando em nome que tivesse a dignidade de defender aqueles anos dourados, maculados pela quase guerra civil provocada por uma juventude manipulada. Esta, aliás, depois de amadurecida, chegou ao poder e não quer saber do que fizeram e defenderam. Só querem alterar ou inverter a historia e da vazão a sentimentos menores de revanchismo e ódio.Mas Presidente Lula tem sido um ponto de equilíbrio e bom senso.
O Chile elegeu um homem com todas as condições de fazer um bom governo. Mas, por obra das esquerdas que tanto falaram e lembraram Pinochet, também elegeram seu ex-presidente depois de morto. Uma Inês de Castro fardada!
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O turismo no Brasil vem se tornando um negócio importante nos investimentos, na geração de empregos e divisas. Além da própria qualidade de vida do cidadão, com o acesso facilitado às viagens para os trabalhadores melhor remunerados.
Mas ao lado dos investimentos que chegaram, especialmente no Nordeste, e a partir de agora no Rio e nas cidades que sediarão a Copa em 2014, o movimento dos aeroportos (só a TAP tem cinco voos diários para o Nordeste) -, uma série de omissões do poder público mancha o turismo e compromete sua viabilidade. Aliás, como no resto da economia, o setor no Brasil cresce, mas abaixo de muitos concorrentes e da média mundial.
O governo federal está dividido entre erros e acertos. Uma das melhores iniciativas do presidente Lula foi o programa voltado para as cidades históricas brasileiras, que representam uma oferta de turismo de qualidade. Outros acertos foram as linhas do BNDES para a reforma da rede hoteleira tradicional e a abertura do setor aéreo para uma maior competição, na qual não estão excluídas as empresas regionais. Temos destinações a serem atendidas com grande potencial, como é o caso de Bonito, a porta do Pantanal, em Mato Grosso do Sul. E temos muita coisa a explorar, como o circuito das águas em Minas e São Paulo, que já foi destaque nos anos 40.
Tudo se complica com a omissão em relação às cidades atingidas por desastres, como o caso de Angra dos Reis, cujo Centro, de valor histórico inclusive, tinha como moldura a favela que desmoronou no último final de ano. A vizinha Paraty sofre no saneamento e no controle de seus acessos. E a propaganda negativa corre o mundo. No Rio, um esforço do governo estadual oferece segurança ao turista, mas o noticiário ainda é sobre os confrontos da Polícia com o crime armado.
São detalhes que precisam ser observados, pois a indústria do turismo tem hoje significado em todas as grandes economias. Mas o mais grave parece estar sendo empurrado pela burocracia e é preocupante para o trade: os aeroportos.
Mesmo com as Olimpíadas militares em 2011, a Copa em 2014 e as Olimpíadas de 2016, os aeroportos estão sem projetos, editais e verbas. O caso do Galeão (Antônio Carlos Jobim) é gritante. O terminal antigo, número 1, está sem ar condicionado, escadas rolantes sem funcionar e o trabalho das autoridades sanitárias na caça a inocentes queijos europeus beira ao ridículo. O Santos Dumont ficou inacabado e abandonado, inclusive o seu entorno que parece ser responsabilidade da Prefeitura do Rio. Brasília também pede obras urgentes. Saudades dos tempos em que os aeroportos estavam subordinados à disciplina, austeridade e competência de nossos oficiais da Aeronáutica. Com o DAC, as coisas andavam em ordem.
Olavo Monteiro de Carvalho, ex-presidente da Associação Comercial do Rio, por exemplo, está indignado com a situação na sede das Olimpíadas internacionais. Homem do mundo, ficou chocado quando desembarcou no início do mês num aeroporto semelhante ao que havia passado em território africano. Nada a dever em termos de confusão, desinformação e calor.
Urgem medidas efetivas para resgatar os aeroportos. Senão, a Copa e as Olimpíadas serão mais negativas do que positivas. Alerta, Brasil!
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O filme "Cidadão Boilesen", embora dê acolhida a absurdas acusações contra o empresário que adotou o Brasil com maior fervor do que muitos brasileiros, serve para mostrar um momento histórico que não parece esclarecido mas sim muito deturpado pela máquina de mentir que é marca das esquerdas.
As acusações absurdas são as de que um homem da cultura, educação, presença social e moral ilibada, empresário de responsabilidade, pudesse assistir a torturas, prática imoral e condenável que mancha a humanidade desde sempre e não tem ideologia, nem raça nem nacionalidade. Desde que o mundo é mundo, na guerra como na paz, a autoridade policial, na angústia de obter informações, exorbita. Boilesen queria apenas ajudar o Brasil a afastar o perigo de descambar para um regime de esquerda radical, ou mesmo ter o terrorismo como uma rotina ou ver parte de seu território ocupado por um grupo a imagem e semelhança das Farc, da Colômbia.
Chocante a informação de membros do movimento revolucionário que assassinou de maneira covarde e bárbara o empresário de que dois outros ilustres empreendedores estavam na lista: Otávio Frias, presidente da Folha de S. Paulo, e Sebastião Camargo, da Camargo e Correa.
Ora, na ocasião, o Dops paulista era comandado não apenas pelo controverso delegado Fleury, mas também pelo hoje senador Romeu Tuma, nome respeitado no Senado, onde exerce o segundo mandato. E o governador de São Paulo era o ilustre Roberto de Abreu Sodré.
Está chegando ao limite a paciência da sociedade que viveu ou conhece os anos de chumbo, marcados por sequestros, assassinatos, justiçamentos, assaltos a bancos com vítimas, atentados, com a tentativa de se mostrar os agentes da lei e da ordem como monstros. Circula, felizmente já com boa tiragem efetivada, o excelente "A verdade sufocada" - que não é encontrado em livrarias. Pode-se apenas comprá-lo pelo Correio -, em que o Coronel Brilhante Ulstra dá seu depoimento emocionado. Ele que foi vítima de tortura moral indigna, fartamente divulgada pela mídia.
Mas o que fica de positivo nessa onda de revanchismo delirante - querem chegar a alterar nomes de logradouros e grandes obras do período revolucionário, numa afronta à vontade popular, que reconhece em seus autores brasileiros notáveis - é que não escondem a verdade. Mataram e teriam matado mais em nome dos ideais de Stalin e Mao Tse Tung. E o que é pior: chegaram atrasados a este tipo de "revolução", pois em 20 anos o mundo mudou. Sobre estas verdades e equívocos não querem falar. O melhor seria ficarem calados e gratos à generosa anistia concedida pelo presidente João Figueiredo.
O presidente Lula, percebe-se bem, gostaria de virar a página. Ele sabe como foram as coisas. Representa um Brasil novo, mas é pressionado. Assim, esta união a destempo de esquerdistas ainda quer nos levar a uma sucessão entre dois nomes comprometidos com este ranço do ressentimento, da frustração de que, por mais que se esforcem, não chegam perto do acervo de realizações dos 20 anos de autoritarismo progressista, seja no plano federal ou nos estaduais.
Nesse capítulo de violência para cá, violência para lá, o mais sensato é que ambos os lados foram levados a exageros - sendo que a iniciativa naturalmente foi dos desajustados, normalmente filhos da classe média, é bom observar. O primeiro sangue derramado foi no Recife, visando ao Marechal Costa e Silva, candidato a presidente da República. Da bomba assassina, morreram um almirante e um jornalista. Mas desses, nem uma palavra de solidariedade e muito menos verbas públicas.
Para se avaliar a dimensão de homem de visão e preocupação social, é bom lembrar que foi Henning Boilesen quem teve a ideia e fundou o CIEE, que tem ajudado centenas de milhares de jovens a se encaminhar na vida.
Não se pode acreditar, portanto, em atos de sadismo, divulgados por mero ódio de gente ressentida com a vida. A estes, nem os cargos e os ganhos financeiros obtidos servem para aplacar complexos de fundo estético e social cultivados ao longo da vida.
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