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Aristóteles Drummond
O golpe das esquerdas
 


As esquerdas estão sendo as grandes vitoriosas na crise mundial, em especial na Europa. Distribuíram benesses que não podiam, gastaram e endividaram à vontade. Deram a seus povos um padrão incompatível com a produção e a gestão pública. E, agora, entregam, pela via eleitoral, supostamente democrática, o abacaxi para a direita, na verdade o centro responsável.
A Itália perdeu um grande gestor, empresário de sucesso, embora um trapalhão no que diz e no que faz na vida particular. Mas não teria ficado 17 anos no poder se não tivesse as qualidades gerenciais que, por vezes, a Itália teve a felicidade de contar.
O técnico que o sucede terá de ser duro, pois, sem Berlusconi e sua personalidade forte, a baderna pode tomar conta das ruas.
E a Itália já é um país parcialmente ocupado por uma imigração sem compromisso com a latinidade e muito menos com a cultura judaico-cristã milenar.
A Espanha volta à direita, que fez seu progresso e manteve sua unidade em passado recente. Mas que está destroçada pelos gastos demagógicos e por ter 20% de sua população de imigrantes do norte da África e do Leste Europeu, com direito de voto, inclusive. Os socialistas espanhóis ainda vivem na linha da revolução universal.
As grandes empresas e bancos estão em dificuldades e com uma dívida pública real que é mais do que o dobro do computado pelo Banco Central Europeu, pois tem muito esqueleto nos governos regionais e nas estatais, que são centenas por lá. A direita espanhola terá de assumir com coragem e buscar apoio nos militares para manter a ordem nas ruas. Uma bomba!
Em Portugal, a demora em tocar vendas de estatais e reformas na legislação trabalhista nítidas pode comprometer o esforço de contornar a crise, uma vez que o problema existe, mas é menor nos demais países. A velocidade é que determinará a saída da crise. Mas também terá de conter a baderna.
Na França, que terá eleições este ano, a esquerda pode voltar ao poder, depois de endividar o país.
E, na Inglaterra, os conservadores e liberais começam a não se entenderem.
Aqui, o governo é pressionado pela ala radical. Obras de interesse público, como as do PAC, são sabotadas pelas esquerdas encasteladas em entidades ambientais e indígenas. O radicalismo no campo está latente, as greves cada vez mais desproporcionais a um país que aspira passar ao lado da crise e da ameaça de uma volta da inflação. Por incrível que pareça, a cada derrota eleitoral, a esquerda se fortalece por deixar com o centro e a direita, a situação caótica que criaram.

Postado em 30 de Janeiro, 2012
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A história mal contada
 


O Brasil efetivamente não sabe reconhecer as figuras que, através da história, se anteciparam a acontecimentos ou a movimentos legítimos. Leva fama quem fez o gol ou até quem tem a própria existência posta em dúvida, como são os casos de Zumbi dos Palmares e o Aleijadinho, de documentação muito frágil sobre as versões de heroísmo ou genialidade.
No caso da abolição, inúmeros são os heróis conhecidos, sem retirar o mérito maior que, inegavelmente, foi da princesa Isabel. Mas aparece pouco um pioneiro na defesa da abolição, mais de meio século antes do fato, que foi o patriarca José Bonifácio. Na questão dos índios, que vivemos um momento de exaltação que beira o ridículo, pelo exagero, a primeira e sensata voz observando a proteção devida aos habitantes originais do Brasil foi a do poeta maranhense Gonçalves Dias.
A abertura econômica que nos trouxe ao progresso que vivemos, evitando um vexame completo, deve-se ao presidente Fernando Collor. Mas, antes dele, Roberto Campos já defendia o modelo da China Nacionalista (Taiwan), depois Singapura, Coreia do Sul e outros denominados "tigres asiáticos". E o general Albuquerque Lima, que implantou a Zona Franca no governo Costa e Silva e que poderia ter se desdobrado em outras. No governo Sarney, foi a última tentativa das Zonas de Processamento para Exportação (ZPE), sonho do seu ministro da Indústria e do Comércio, José Hugo Castelo Branco.
Agora, o modelo tucano-petista de exportar produtos primários é exaltado, enquanto os manufaturados perdem a importância que ganharam no tempo de Delfim Netto.
Os programas sociais, colocados em prática nos governos petistas, foram criados no Governo do Distrito Federal, na administração Cristóvão Buarque.
E ideias modernas, como o uso de vagas na rede privada para bolsistas, gestão direta das escolas das verbas de manutenção, criação de polos de excelência, em Brasília, deve-se ao governador Joaquim Roriz, de quem se fala mal e não se reconhece que não se governa quatro vezes uma unidade da federação sem motivos.
Brasília quis renovar e colocou um desclassificado como o José Arruda e, pelo que parece, depois de tudo que se viu, a emenda saiu pior do que o soneto, pois o atual não difere muito do anterior. Roriz ao menos teve o que mostrar.
Este ano que será mesmo de crise de tudo quanto é lado, pode vir a apresentar a conta da política externa equivocada. Com hostilidades aos nossos melhores aliados e tolerância com o atraso latino-americano do velho e corrupto caudilhismo populista.
Getúlio Vargas ainda não foi colocado no ponto fundamental de quem livrou o Brasil de envolvimento na guerra - entramos já no final com a disputa decidida - e nas lutas ideológicas radicais, que dividiam a maioria das nações.
Temos de conhecer melhor a história.

Postado em 23 de Janeiro, 2012
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Ano da verdade
 


Ano complicado este, em que as eleições municipais perdem o significado em função das principais capitais não refletirem vitória ou derrota para o Governo federal. Exceto São Paulo, onde o PT, se eleger um poste, pode reafirmar a liderança popular do ex-presidente Lula. No entanto, o mais provável é que as forças ligadas ao Palácio Bandeirantes e à ala complicada do PSDB não briguem com a realidade e o candidato seja o imbatível Guilherme Afif Domingos, que uniria PSDB, PSD, PP, DEM E PTB. No segundo turno, se for com o PT, o PMDB. O Rio reelege Eduardo Paes e Belo Horizonte, Marcio Lacerda. O PT teria chance com Fernando Pimentel, que eleitoralmente está liquidado e politicamente desgastado, inclusive pelo comportamento diante da imprensa. Não quer dar explicações e fica por isso mesmo. Mas fica também registrado.
O difícil será mesmo controlar a inflação, as reivindicações sindicais, conter os absurdos que tornam as obras de infraestrutura cada vez mais distantes, gerir a reforma agrária, que custa cada vez mais e faz cada vez menos. No quadro político, o ano é curto com as campanhas municipais e as atenções se voltam para as tensões provocadas por radicais, fanáticos, que pregam a divisão dos brasileiros.
Em Porto Alegre, vereador de um dos partidos da esquerda mais radical apresentou projeto substituindo o nome do Marechal Castelo Branco de importante logradouro, substituindo por Avenida da Legalidade, sob o pretexto de que o militar foi um ditador. Ora, Castelo foi eleito pelo Congresso - com o voto de JK, inclusive. E se valer a tese, os gaúchos teriam de substituir as milhares de homenagens a seu grande filho e estadista brasileiro Getúlio Vargas, que chegou ao poder com uma Revolução, foi eleito pelo Congresso em 34 e governou em regime fechado por oito anos, de 37 a 45 . E há outros exemplos, como Borges de Medeiros e Júlio de Castilhos, nem sempre cumpridores dos tramites democráticos. E ainda o Marechal Floriano Peixoto. Enfim, uma proposta infeliz, marcada pelo revanchismo e o desejo de afrontar nossas Forças Armadas, impecáveis na sua postura ética, moral e política.
A crise lá de fora se fará sentir com mais força do que no ano passado. E nossa produção não cresce na medida em que não temos como escoar por estradas e portos inadequados, pelo atraso no projeto ferroviário.
A complicar o quadro, a situação no continente ficará tensa, em especial na Argentina, nossa parceira comercial, que tem imensas dificuldades de conter protestos, inclusive internacionais. E ainda há a triste determinação do governo de continuar mascarando dados econômicos e criando o "factoide" de jogar a culpa na imprensa. O Mercosul corre riscos por eventuais dificuldades no Prata.
E, por fim, a Copa de 14 será assunto polêmico. Onde tudo poderá ocorrer.

Postado em 16 de Janeiro, 2012
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Os vices-candidatos naturais
 


Neste momento de criatividade e atividade voltadas para alianças com vistas às eleições municipais deste ano e já procurando amarrar coligações para 2014, os caciques no poder, inclusive nos estados, demonstram inacreditável soberba. Inimaginável aos que atingem o topo não terem um mínimo de humildade diante de área tão imprevisível como é a política, especialmente quando a palavra final vem do povo.
Pelo menos dois meses antes das convenções para confirmarem os acordos de cúpula, as pesquisas começam a ser publicadas. E fica cada vez mais difícil se enfrentar a manifesta vontade popular, que logo corre para a Internet e a Imprensa acaba registrando. Não adianta se armar dentro de um grupo com mais de um nome, se as pesquisas estiverem registrando outro, que naturalmente não queira abrir mão da candidatura. Os campeões de pesquisas precisam deixar claro que não estão na disputa. E isto deve ser combinado antes.
Pesquisa não elege, mas ajuda a formar alianças e consolidar candidaturas. Em 2010, ficou claro que o erro de Aécio Neves foi sua ausência no cenário nacional - pessoalmente ou pela mídia. Tal fato deu vantagem a seu oponente no partido, que já tinha uma candidatura presidencial, fora ministro e prefeito da maior cidade do país. Apesar de rejeitado pela postura censurável na vida pública, a posição nas pesquisas favoreceu o equívoco de sua indicação pelo PSDB, que tinha no núcleo paulista uma forte base.
No Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral, de alta popularidade e bons resultados na gestão, tem no seu vice, Pezão, o candidato anunciado e reconhecido parceiro na grande obra que vem sendo realizada nestes dois mandatos. Mas é preciso que, na base aliada, não tenha um nome que corra por fora, que possa surpreender nas pesquisas e criar uma divisão desaconselhável aos interesses do Estado do Rio, que ainda depende muito da continuidade da atual orientação.
Em Minas, a continuidade administrativa é fundamental para que o Estado prossiga ganhando espaços na economia nacional e consolide projetos de monta já desenhados. A mais, a corrida dos investidores para o Estado se deve ao pressuposto da continuidade da orientação firme e responsável.
Como no Rio, o candidato natural e ideal é o vice-governador, Alberto Pinto Coelho, discreto, leal, cumpridor e com a confiança da classe política, da base ou não, singular nas últimas décadas como grande político de atuação regional. Um Pio Canedo redivivo. Foi o grande presidente da Assembleia Legislativa e tem uma bonita história de lealdade e permanente cordialidade. Não pode ser atropelado por nenhum nome que venha a ser criado e muito menos deixar espaço para o trabalho da oposição, que a esta altura só tem no ex-prefeito Patrus Ananias um nome sem suspeições. O PMDB dificilmente dará nova chance ao ex-senador Hélio Costa, uma vocação para a derrota na disputa estadual.
São Paulo, fragmentado, só teria mesmo confiabilidade numa gestão responsável, com reais chances de vitória, com o vice Afif Domingos. Fora dele, há incerteza de resultado e mais ainda de gestão da grande metrópole. Lá, em 2014, tem no governador o candidato mais do que natural.

Postado em 9 de Janeiro, 2012
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Caindo na real
 


O que Brasil de hoje nos leva a crer que estamos mesmo acima da crise e vivemos as delícias do "mundo da lua", sem preocupações; apenas filosofando e tratando de temas sentimentais e até mesmo históricos. Um SPA mental!
Parece que não temos uma das maiores cargas fiscais do mundo. Muito menos que nossa legislação trabalhista a cada momento se torna mais onerosa para o empresário e faz retrair cada vez mais o mercado de trabalho. As contas são lidas com otimismo e mil justificativas para os dados verdadeiramente preocupantes. O grevismo inconsequente, e justamente dos mais protegidos e bem remunerados, corre solto e impune. O país é presa fácil de um sindicalismo que já não sobrevive no mundo responsável.
Reformas, avanços modernizantes, retiradas de entraves a importação, exportação, movimentação de capitais, segurança nos portos e estradas, nada mais é aventado. Resta a presidente Dilma, que reage, mal ou bem, ao saque dos aliados políticos, ocupando de má-fé ministérios.
Queremos crescer sem estradas, portos, aeroportos e fontes competitivas (e limpas) de energia. As obras do Governo federal, que se acredita do mais alto interesse nacional, são barradas por índios, ambientalistas e supostos herdeiros de quilombos, na sua maioria imaginários. Se existissem os mais de mil reivindicados no pequeno - mas produtivo - estado de Santa Catarina, não teria havido escravidão por ali.
O Congresso discute projetos eleitoreiros, se preocupa com a liberação de emendas e a crise vai se agravando... Nada é feito de concreto para defender as contas públicas dos rombos do sistema financeiro que são estranhamente absorvidos pelos bancos oficiais.
A dívida dos estados exige uma reavaliação e repactuação. Os juros são altos demais, as dificuldades para a liquidação das dívidas é imensa, mas vai se empurrando o problema com a barriga, como se diz popularmente. São bombas que, ao contrário do passado, explodem com muita velocidade. Não compensa mais enganar e protelar.
A inflação é um fato. A qualquer momento pode haver fuga de capitais do mercado financeiro e a retomada da confiança demora. Existe uma percepção de influência maior do que a conta de radicais, inclusive nas agências reguladoras e na gestão das greves. Tudo acaba se refletindo na credibilidade nacional.
Em termos de posições políticas no campo internacional, nos fartamos de errar ao longo deste ano. O que, no fundo, ajuda a conter esta onda de simpatia que tanto tem nos ajudado. Sem falar no revanchismo em relação aos militares que, em primeiro lugar, é impa-triótico e injusto.
Vamos aproveitar o clima de início de ano e colocar os pés no chão. Temos de agir e não de tolerar esta conversa de gente irresponsável, que sabota patologicamente o Brasil, pela via das restrições ambientais, das decisões judiciais, das regulações hostis ao empreendedor e desta fúria fiscal, que, de muito, ultrapassou os limites da paciência empresarial.
Não temos o direito de interromper um ciclo, que, apesar dos pesares, tem sido positivo.

Postado em 2 de Janeiro, 2012
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Encontro Anastasia-Rondon
 


O governador Antonio Anastásia, em sua vinda ao Rio para almoço na Associação Comercial - que contou também com o patrocínio do Centro Brasileiro de Relações Internacionais -, teve oportunidade de conversar com o ex-governador Rondon Pacheco, lúcido e forte aos 92 anos.
A política tradicional mineira e a lembrança da antiga UDN ficaram ainda por conta da emoção manifesta pelo veterano político - oito mandatos de deputado federal por Minas - ao ser apresentado à jovem vereadora no Rio, Andréa Gouvêa Vieira, neta de João Franzen de Lima, grande jornalista, jurista, político da UDN, e que foi prefeito de Belo Horizonte.
Rondon Pacheco foi um governador bafejado pelo destino, uma vez que, em seu mandato, pôde aproveitar dez anos de progresso dos governos Magalhães Pinto e Israel Pinheiro, instalando a Fiat e as siderúrgicas Samarco e Mendes Júnior. E ainda o maior avanço energético de Minas, com as obras da Cemig em Jaguara, São Simão e Volta Grande, fazendo a energia chegar ao sofrido Vale do Jequitinhonha. Apesar de político a vida inteira, ao deixar o governo presidiu a Usiminas, retornando depois à Câmara dos Deputados. Sempre na coerência partidária, sendo da Arena, PDS e hoje do PP, partido que vem governando com sucesso sua cidade natal, Uberlândia.
Humberto Mota o levou para o Conselho Superior da Associação Comercial, onde se faz presente, reverenciado, merecidamente, como um ilustre e exemplar homem público. Respeitado, nunca atribuiu sua presença junto ao regime militar, quando foi Chefe da Casa Civil do presidente Costa e Silva, a outros motivos que não a identidade com o movimento que considera um contragolpe.
Outros companheiros, findo o regime, justificam a adesão ao fato de colegas de antigos partidos terem tomado esse rumo. Alguns mais foram buscar o mandato em outros estados.
Rondon é o último remanescente de um grupo de políticos da UDN que marcaram a segunda metade do século XX, como Magalhães Pinto, José Bonifácio, Bilac Pinto, Milton Campos, Pedro Aleixo, Oscar Dias Corrêa. O denominador comum entre todos foi a correção pessoal, a bravura cívica e o legítimo respeito de seus contemporâneos. Homem de atitudes, Rondon Pacheco, embora deputado pelo PDS, sem aderir à dissidência, votou em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. Exerceu muitos mandatos na Câmara com o presidente eleito que não assumiu, embora sempre em partidos distintos. E não faltou a Minas em momento em que os mineiros voltavam a garantir a democracia ao Brasil, na conciliação .
Entre Anastasia e Rondon, a distância é apenas de geração, uma vez que cultuam as mesmas linhas de conduta na vida pública. Ambos, cada um a seu tempo e estilo, afinados com a prioridade de elevar o padrão de vida do povo mineiro, acima de diferenças partidárias.

Postado em 26 de Dezembro, 2011
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Progresso com responsabilidade
 


A luta pelo desenvolvimento é o foco dos povos que desejam melhorar a qualidade de vida da sociedade em que estão inseridos, com maior renda e serviços básicos, como saúde, educação e segurança. Todos buscam este ideal, que está ligado à felicidade das famílias. Só os radicais, enlouquecidos por ideologias, fanáticos de fundo religioso ou envenenados no fundo da alma por frustrações menores não procuram se enquadrar dentro dessa lógica do desenvolvimento, econômico, social, cultural.
No entanto, por mais incrível que pareça, no mundo em que a comunicação é quase instantânea, que a troca de informações entre homens e mulheres de diferentes níveis culturais são permanentes, as forças do ressentimento e do atraso são mais fortes do que se imagina. Vivemos um momento que fascinaria Freud, se estivesse entre nós.
O brasileiro, mal sai do berço, já aprende que Ordem e Progresso andam de mãos dadas, sendo a divisa de nossa bandeira. E temos tido, entre nós, um forte grupo apedrejando a Ordem, através de manifestações irracionais, passando por greves prolongadas, que afetam crianças nos seus estudos, doentes em suas dificuldades. O povo em geral, no seu dia a dia, depende de transportes, fornecimento regular de combustíveis e serviços bancários e de Correios. E foi um ano complicado nesses aspectos.
Fala-se em progresso, novas indústrias e empregos, mas se tenta embargar, pelos mais absurdos motivos, as obras para geração e transmissão de energia, de estradas e de portos. Tudo em nome do meio ambiente, que, na verdade, reside mais na miséria em que vive parte da população do que pelo corte de meia dúzia de árvores, facilmente replantáveis em outra área e até mesmo o silêncio para o sono dos silvícolas. A estrada que liga Manaus a Boavista, única ligação terrestre da capital amazonense, fecha 12 horas por dia para que o barulho dos caminhões não perturbe os índios. O morador de qualquer cidade, ou das margens de qualquer estrada, acha até graça desta realidade que beira o ridículo.
Como atrair investidores com esse tipo de comportamento, com uma legislação trabalhista que inibe a oferta de empregos, uma política tributária que é das maiores do mundo e convive com a fraude e a sonegação impunes. Ficaríamos entregues aos que investem apenas com recursos de entidades públicas ou com ousadia que beira a irresponsabilidade, como projetos em licenciamento na Prefeitura do Rio para se destruir a paisagem do Parque do Flamengo ou congestionar a principal rua do Leblon.
O Judiciário e o Ministério Público precisam avaliar as repercussões de parar uma obra vital ao progresso. O governo deveria enquadrar os organismos que sabotam projetos de interesse nacional, como estradas e usinas. Senão, estaremos condenados a sermos uma simples promessa de ordem e de progresso.

Postado em 19 de Dezembro, 2011
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A vontade acadêmica
 


Disputei a cadeira na Academia Mineira de Letras que estava vaga com a morte do ilustre Miguel Augusto Gonçalves. A apuração se deu na última semana. Venceu a disputa, com 24 votos, a escritora e poetisa Carmem Schneider Guimarães, que havia tido uma experiência anterior e fora derrotada, na ocasião, por Yedda Prates Bernis - que agora foi a grande impulsionadora de sua candidatura. Obtive dez honrosos votos, o presidente Emérito do Instituto Histórico dois votos e, em branco, votaram três acadêmicos.
Carmem Schneider estava em campanha há mais tempo e se constituiu numa vontade acadêmica inquestionável. Por este motivo, só posso me sentir honrado e distinguido com os votos recebidos, em manifestação de amizade e consideração de tantos membros daquela que é, com o Instituto Histórico, referência da cultura e da memória de Minas Gerais. Meu avô, o historiador Augusto de Lima Junior, teve assento na AML por 21 anos, e seu pai, meu bisavô, Augusto de Lima, teve a distinção de ser homenageado com o título de presidente de honra.
A aspiração de pertencer a este sodalício naturalmente tem como ponto de partida o amor à Minas e às suas tradições, além da vontade do convívio fraterno com espíritos superiores e o respaldo de uma obra. Entre os meus livros, certamente é destaque o Minas, que teve quatro edições pela editora Armazém de Ideias e uma pela Biblioteca do Exército Editora, e versa sobre a história do estado e o perfil de alguns de seus notáveis filhos, desde a Inconfidência a nossos dias. A receptividade do livro pelo mercado me faz crer que interpretei bem os temas abordados, tendo obtido a colaboração preciosa de artistas como Jarbas Juarez e fotógrafos de arte como Sílvio Coutinho e Eugênio Pacelli. E uma imensa dívida de gratidão com o editor - e amigo - André Carvalho.
Nenhuma academia no Brasil reúne o prestigio e representatividade da mineira, inclusive na obediência ao modelo francês. Prova está que tradicionalmente estão em seus quadros ex-governadores à altura da honraria. Hoje, Francelino Pereira; ontem, JK, Tancredo, Milton Campos.
No meu caso, o sonho acadêmico foi alimentado por uma longa e afetuosa relação de amizade, e imensa admiração, por Murilo Badaró, que, por mais de uma vez, manifestou o desejo de me ver na casa ilustrada com sua presidência. Badaró foi meu amigo por quase 40 anos, companheiro de partido, com afinidades na forma de olhar o Brasil e o mundo. Um homem de exemplar correção, cuja memória sua viúva, Luci, é cultora integral, a ponto de fazer saber aos acadêmicos, por testemunho escrito, que era desejo do inesquecível marido me ver no desejado convívio na Rua da Bahia.
Estou convencido que a nova acadêmica prestigiará a Casa com sua assiduidade. E espero, na qualidade de amigo de tantos, continuar a visitar a Academia que julgou por bem que eu aguardasse outra oportunidade, se Deus me permitir uma vida mais longa. Os leitores deste jornal fazem parte de minha vida. E a eles presto contas neste artigo.

Postado em 12 de Dezembro, 2011
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A marolinha chegou
 


Claro que a crise chegou. A arrecadação dos estados vem caindo em relação aos meses anteriores desde agosto, os índices da indústria também e o comércio vai se salvar pelo Natal. Mas depois estará também em dificuldades. O brasileiro parou de comprar a crédito e aprendeu a avaliar os juros.
O colapso dos aeroportos vai se dar na semana do Natal, agravado por nova ameaça de greve na área, sempre com a complacência das autoridades. No passado, greve de aeronauta era proibida e o governo garantia o acesso dos não grevistas, que, como se sabe, são sempre maioria. O setor deve lembrar o que custou de empregos a quebra da Vasp, Transbrasil e Varig, muito em função de um sindicalismo ou corporativismo selvagem. A Varig poderia ter sido salva com a união dos empregados. E se o governo tivesse pagado as duas empresas o que pagou à Transbrasil, pelo mesmo motivo. Dizem que a Transbrasil recebeu - e sumiu com o dinheiro - por inspiração do então poderoso Sérgio Mota .
A presidente Dilma sabe o que fazer. É uma executiva realista. Mas está presa a compromissos com o atraso representado por "companheiros". A esta altura não dar ao Brasil uma nova e moderna legislação trabalhista é jogar contra o emprego e o investimento. A Europa está nesta crise e vai mudando, embora timidamente. E quem vai sofrer mais será justamente o trabalhador e o jovem que não teve o primeiro emprego.
O ano que se encerra foi nulo. Nada se fez. Foi tumultuado pelos casos de corrupção. Logo deveria se antecipar o governo e remover logo dois ou três sob fortes suspeitas e colocar, até mesmo respeitando filiações partidárias, nomes acima de suspeitas. O ministro Aldo Rebelo deu um bom exemplo. Nomeou três bons quadros e declarou que eram "simpatizantes" e não filiados ao PCdoB. Falou muito bem, embora ninguém possa acreditar que um oficial de Marinha tenha algum tipo de simpatia pelo comunismo, por muitos motivos, inclusive pelas lembranças de 35, que não sairá da memória dos militares, apesar da proibição de se lembrar o episódio sórdido de nossa história que foi a chamada Intentona.
O momento, portanto, é de ação. Para segurar o emprego, manter a rentabilidade das empresas, a arrecadação da União e dos Estados e não perdermos competitividade. Já bastam os atrasos nos investimentos na infraestrutura por causa das licenças ambientais.

Postado em 5 de Dezembro, 2011
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Aécio filho e Aécio pai
 


Percorrendo a Internet, encontrei um blog de admiradores do senador Aécio Neves. E, nele, estava um artigo publicado em Belo Horizonte, em que o político mineiro falava do pai, que havia morrido no dia da eleição que o elegera senador da República, no ano passado.
Tive a oportunidade de conhecer Aécio Cunha, tendo convivido com ele por quase 30 anos, mais assiduamente nos últimos 12, quando ambos participávamos de conselhos da Cemig. Um encontro sempre marcado pelo afeto, pelas afinidades, pelo passado político comum, mas, sobretudo, pela percepção de que se estava diante de uma personalidade muito especial, na correção, no rigor consigo próprio, no amor à verdade e ao bom senso.
Deixou exemplos marcantes, como quando renunciou à nomeação para o Tribunal de Contas da União, ao resolver deixar a cadeira de deputado federal, que ocupava pela terceira vez, e que fora de seu pai, Tristão, em favor do filho. Noticiário maldoso o aborreceu a ponto de abrir mão do honroso cargo para ele, e muito disputado por outras personalidades. Mais adiante, membro do Conselho de Administração de Furnas, ao final do primeiro mandato do presidente Lula, renunciou em função do filho, governador de Minas, para apoiar outro nome na sucessão presidencial. Mais adiante, contrariando todos os pareceres jurídicos, achou-se moralmente obrigado a renunciar ao Conselho da Cemig, em função da chamada lei do nepotismo. Não o atingia a lei, uma vez que a empresa é sociedade de capital aberto e não depende de nomeação do Estado, mas, sim, dos acionistas.
O artigo do senador Aécio Neves Cunha sobre a perda do pai é uma página rica de emoção, de lições, de compromissos implícitos. Colocam diante do leitor o lado humano e afetuoso, importante na avaliação de um homem público, que não precisa ser um frio político, mas saber conciliar as responsabilidades da vida pública com os sentimentos e qualidades de quem sabe dar valor à família e a seu significado na vida.
Infelizmente, a qualidade de nossos homens públicos é isso que se vê no noticiário diariamente. Mas a geração dos grandes exemplos, como o pai e os dois avós de Aécio, encontra renovação nele e em outros jovens que podem se constituir em uma alternativa válida de poder e Minas partiu na frente com Antonio Anastasia.
A sociedade hoje está atenta. Por vezes até peca, mas está certa em pressionar pelas leis que coíbam a ação perversa de políticos, para que exemplos como o que se vê em Brasília, onde a emenda está saindo quase pior do que o soneto, não se tornem rotina. No Rio, surgiu um site de jovens para acompanhar as contas publicas e os serviços prestados à população pelo Poder Publico. Entre seus fundadores e dirigentes, o jovem Miguel Corrêa do Lago, bisneto de Oswaldo Aranha, neto do embaixador Antônio Correa do Lago, que foi referência de correção em sua geração. Por aí as coisas podem começar a mudar. Com gente nova.

Postado em 28 de Novembro, 2011
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