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A Europa vive uma crise profunda e conhecida. Vinha gastando muito mais do que podia. Fazia lembrar o Uruguai de moeda forte, chamado de “Suíça da América Latina”, quando começou a gastar o que não podia, viu seus produtos, como a lã, perderem mercado e valor. Não deteve o empreguismo oficial que chegou a um terço da força de trabalho. Vive, há décadas, desde que perdeu o encanto da paz social, com o advento do terrorismo tupamaro, uma crise sem fim, vendo sua mocidade emigrar. E o que foi uma democracia esclarecida acabou elegendo um antigo militante radical.
Na verdade, os países da Europa, nos anos 50 e 60, construíram fortes bases econômicas, com poupança e reservas, como foi o caso de Portugal, do escudo estável, com a política de que “poupar é prosperar”, defendida pelo professor Salazar. O mesmo que, no final dos anos 20, resgatou o país do caos político, econômico e social para um longo período de ordem e muita dignidade. O fim do regime, após sua morte, só trouxe o beneficio da entrada na União Europeia, pois a legislação trabalhista e fiscal conspiram contra o investimento e o emprego. O país não tem condições de competir nem com o Leste Europeu nem com os Tigres Asiáticos.
A Espanha também soube superar dificuldades, depois de um isolamento cruel imposto pelos países comunistas na ONU e sob a indiferença das democracias. Mas, a partir de 55, iniciou a grande arrancada dos últimos 20 anos do General Francisco Franco, que aplicou, na ocupação dos cargos, a meritocracia em lugar de seus companheiros de Guerra Civil. Encontrou bons quadros entre os membros do Opus Dei, que reunia tecnocratas cristãos de alto nível acadêmico.
Os demais países, envolvidos na guerra, foram beneficiados pelo generoso Plano Marshall, com que os americanos reergueram França, Alemanha, Itália, Holanda e Inglaterra. A França é um país dominado por sindicatos violentos, economia com grande influência estatal, legislação trabalhista do atraso, mas que sobrevive por algumas indústrias de alta tecnologia. Como é o caso dos setores aeronáutico e energético, além da agricultura forte e bem subsidiada e do turismo - divide com a Itália a destinação mais disputada do mercado mundial de maior renda. A Inglaterra vive entre o crescimento quando dos conservadores no poder e o déficit natural dos trabalhistas. Agora, vai se reerguer, como ocorreu nos anos Thatcher.
A saída na Europa é política. Dependerá da coragem dos governantes para cumprir o que já estão fazendo no tempo necessário. E coibirem a baderna que só pode agravar a situação.
O Brasil sabe o que fazer e vem fazendo, sob o comando competente do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e do ministro Guido Mantega. Sem falar na influência positiva desta figura extraordinária que é o ex-ministro Antonio Palocci, que, na verdade, foi o arquiteto dessa política fiscal séria - agora ameaçada pelos gastos públicos exagerados e pelas distorções da política cambial e fiscal. Nada de novo estimula o investimento em nosso país.
Por tudo isso, talvez, os ventos estejam virando - embora não esteja sendo devidamente percebido. E, com dois candidatos de esquerda em campanha, o ano parece perdido. A vantagem é que a candidata oficial, Dilma Rousseff, tem o respaldo do trio Meirelles-Mantega-Palocci, o que representa uma certeza de que não haverá surpresas ou alteração substancial de rumos. O candidato tucano, José Serra, tem ideias próprias e, nos anos FH, exerceu preocupante oposição à política correta (corretíssima, diria) de Pedro Malan.
A contribuição mais positiva das últimas semanas foi o relatório do deputado Aldo Rabelo, que se consolida como um político de primeira categoria, sobre o campo, que vem livrando a nossa economia do caos. Só que ainda é pouco. Temos de mostrar ao mundo que a nossa performance recente não foi um fenômeno ocasional, mas para valer. O mundo capitalista, dos donos do dinheiro e do poder de decidir investimentos, pensa duas vezes diante da política externa que hoje é um desgaste inquestionável. Temos apenas atenções para Irã, Síria, Venezuela e Bolívia. Ou seja, países longe de serem confiáveis e muito menos democráticos. O sinal vermelho foi aceso.
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O candidato tucano não mudou nada de 2002 para 2010. Apesar de derrotado, pela rejeição, repete a mesma situação. Frio, preconceituoso, cria crises e se revela por inteiro. Com grande personalidade, aliás. Nunca admitiu um vice democrata, tem restrições a quem “serviu a ditadura”, como gosta de repetir. Por isso foi buscar um jovem de 39 anos, excelente vocação da nova geração, mas sem passagem “no PDS ou na ARENA”, para não ver desmoronar a aliança.
Os Democratas aprenderam a lição e bateram pé. Depois de fornecerem a FH, nos dois mandatos, o exemplar Marco Maciel como vice, foram eliminados por Serra da chapa de 2002, pois, para ele, o partido é de “egressos da ditadura” - como não fosse ele um egresso da defesa da pior das ditaduras que infelicitaram o século XX. Serra é diferente de Alckmin, a quem negou apoio na eleição municipal, justamente por ter tido Goldman como vice (ex-deputado do PCB) e nunca admitiu um homem do progresso e da modernidade como Afif Domingos, vice de Alckmin nesta campanha. E cuja derrota para o Senado, por tão pouco, foi devida ao “corpo mole” dos tucanos com passagem na chamada “luta armada”. Governando o Estado mais industrializado do Brasil, com uma livre empresa forte, diversificada, plural, progressista, o candidato é social democrata de esquerda mesmo, não gosta de intimidades com a livre iniciativa. E mantém o mesmo espírito crítico que teve em relação a Pedro Malan, a melhor e mais positiva face dos anos FH.
Teimoso, autoritário e arrogante, Serra não respondeu a Aécio Neves quando este pediu prévias no partido. Muito menos respondeu aos apelos para uma definição do partido até o final de dezembro passado. Por mais que o ex-governador de Minas se esforce, os mineiros, que acompanham atentamente a política local e nacional, não perdoarão a descortesia que os atingiu. E por tal, como já referido aqui, a tendência em Minas Gerais será a vitória da candidata de Lula e do de Aécio, numa opção popular inquestionável e amparada na gratidão pelas realizações de ambos, muitas delas em parcerias. Dilma foi peça importante de Lula, como Anastasia de Aécio. Já a candidata Dilma, de igual viés ideológico, é mais franca e pragmática. Assume que governará com todos da atual base, que usará da autoridade em relação a invasões e respeitará contratos. Impressionou muito mais os homens do agronegócio do que o dúbio ex-governador de São Paulo. Não tem constrangimento de assumir posições de bom senso, mesmo que sofrendo incompreensões de “velhos camaradas de armas”.
No Rio, onde a aliança Lula-Sérgio Cabral-Eduardo Paes possibilitou o re-erguimento do Estado, com a conquista da Copa, das Olimpíadas, a queda da violência tem o reconhecimento popular. Com a melhoria dos serviços de atendimento nas áreas da saúde e da educação, o resultado será inquestionável, conforme as pesquisas demonstram. O escolha do respeitado deputado Índio da Costa não vai alterar este quadro.
Fernando Gabeira, inteligente e respeitado, luta contra a realidade, pois o quadro hoje é diferente daquele em que quase venceu a eleição municipal do Rio. Eduardo Paes, o vitorioso, fez o que prometeu e o que o seu então opositor Gabeira se propunha fazer.
Ao lado da mensagem honesta e encantadora de Marina Silva, o segundo voto de todos, o momento político é de que o candidato tucano se perde só, sem precisar da ação de seus opositores. O DEM deve procurar salvar sua bancada, s, de boa qualidade, aliás, para a inevitável fusão com o PP,- e não com o PSDB como alguns pensam - considerando a origem da maioria de seus membros e programa comum, de centro e bom senso. Não se faz política com imposições. O que o PT também desconhece, uma vez que força, em diferentes estados, coligações que constrangem suas bases e não vão atingir o eleitor. Querem fazer política como na República Velha, antes de 30, como não tivéssemos um sistema eleitoral moderno, exemplar, diria, e uma presença da mídia, inclusive eletrônica, decisiva. O eleitor votará por resultados, em quem fez, faz e fará. Sabe distinguir o artista do gestor.
Está explicado para o chamado grande público os motivos da decisão do vice tucano ter ficado para o último minuto. O candidato não queria um nome do DEM nem um independente. Queria Aécio para se servir da Minas que humilhou no processo de escolha, que ignorou e desprezou. E Aécio não quis, pois percebeu que não seria esta a vontade dos mineiros. Acabou tendo de engolir um nome do DEM, mas escolhido dentro de seus critérios de homem dado a idiossincrasias. Esta eleição será a do povo, do eleitor e não das cúpulas partidárias. Quem viver verá!!!
Aristóteles Drummond é jornalista
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Não será surpresa se a senadora Marina Silva começar a crescer. Como estamos no início da campanha, tudo pode acontecer em termos de opção do eleitor. São mensagens fortes, a de Marina, de bom senso, equilíbrio, honestidade nas posições, transmitindo sinceridade, contrastando com as opiniões orientadas pelos marqueteiros dos outros candidatos. O povo já percebe isso tudo. Lê jornais, assiste à TV e ouve rádio, em todas as cidades, desde as maiores as menores. E tem a Internet, que nesta eleição terá sua cota de importância.
É claro que Dilma leva a vantagem de ter o apoio do presidente Lula, que é popular, obteve bons resultados e que paira acima de “companheiros” de comportamento duvidoso - seja na ética ou nos equívocos de uma mentalidade superada em todo o mundo. Mas Lula resiste a tudo isso, levando a vantagem de que o povo que vota não sabe bem o que quer dizer os regimes do Irã, Venezuela, Cuba e outros que nosso presidente é levado a prestigiar por assessores marcados por ressentimentos ideológicos. Só no Brasil há gente que ainda quer justificar Cuba e estes regimes exóticos, que são alvo da ironia do mundo mais culto e desenvolvido.
Nesse quadro, em quatro décadas de reportagem política, podemos arriscar que a senadora do Acre, que tem como vice um empresário vitorioso, pode ir ao segundo turno. Neste caso, enfrentará a outra candidata mulher, com o apoio do presidente cuja popularidade se iguala a de JK e Médici, os mais queridos dos brasileiros até agora. Além de Itamar Franco, que foi o mais respeitado em tempos de crise e perigo para as instituições, que soube superar com bom senso e espírito público.E ainda legou o real e os genéricos que outros tentam se apropriar.
Eleição pode surpreender: Jânio venceu a Prefeitura de São Paulo de surpresa em 53; Américo Gianetti a de BH; Lomanto Júnior foi governador da Bahia, vencendo as oligarquias políticas do Estado. Os 17 senadores eleitos pelo MDB, em 74, surpreenderam o próprio regime militar, que teve de criar os senadores indiretos para as eleições de 78. E Collor, na primeira direta, em 89, nem partido tinha e derrotou nomes consagrados como Mário Covas, Leonel Brizola, Paulo Maluf, Aureliano Chaves e Guilherme Afif, além do presidente Lula com quem foi ao segundo turno.
Os mais otimistas (ou arrogantes) precisam ter humildade diante do povo que já sabe votar, pelo menos na majoritária. Vota em quem sabe, quem fez, em quem pode fazer mais. Não se deixa levar pelo bom discurso dos bons moços e percebe o perfil íntimo do candidato, muitos com indisfarçável distância do povo.
O momento político é da verdade, dos trunfos reais e não mais do imaginário. Não adiantam máquinas montadas pelo poder, seja político ou econômico, no uso e no abuso. Dilma vai disparar, não pelo apoio oficial e, sim, pela obra de Governo, com a qual está identificada. E o eleitor quer resultados, como, aliás, teve sensibilidade singular o PSB de Minas, que apoia uma capa cruzada - Dilma-Anastásia -, obedecendo a este desejo popular de votar em quem faz.
Entramos na semana das definições estaduais, mas sem maiores reflexos na disputa federal. O povo, e os prefeitos, vereadores, chapas de federais e estaduais, que estão mais próximos do eleitor, vai fazer suas opções independente das cúpulas partidárias. Esta é a verdade, e pode sugerir que a reforma política seja feita com o fortalecimento dos partidos, sem o que nunca teremos uma democracia de fato .
Esta eleição marca ainda a hipocrisia dos atuais partidos, senão vejamos : O PSDB escolheu candidato sem aceitar prévias , ouvir bases e aliados naturais como seriam o DEM, PTB e o PP ; o PMDB parte para uma coligação que não une e que foi decidida pelos três mosqueteiros que dominam o partido - que são quatro também como na obra de Dumas -; o PSB sacrificou seu candidato e vai crescer em termos nacionais, pois só está coligado em torno da chapa presidencial ; o DEM caso não faça o vice do candidato José Serra entra na campanha humilhado, sendo rejeitado pela segunda vez , o que não aconteceu em 2002 quando o vice foi o então senador José Jorge; o TSE acabou com os prazos de impugnações e cassa mandatos de diplomados, o que jamais ocorrera, assim como quer fazer valer uma lei com retroatividade, coisa inédita em nosso Direito. Tudo muito complicado como se verifica.
Neste quadro é que o povo vai decidir e tudo poderá acontecer . Inclusive a candidata do PV surpreender .
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Incrível como a sociedade, incluindo a mídia e as entidades de classe, vêm encarando a campanha contra a Nestlé. Uma coisa visivelmente absurda, em torno do gosto (excelente, aliás) de um produto lançado recentemente no mercado, aproveitando o nome e o sabor do bombom Alpino. Tudo noticiado como se fosse algo normal e não uma manifestação sensacionalista, sem sentido e suspeita sob o ponto de vista ideológico.
Está claro, mas talvez até a empresa, pela formação tecnocrática de seus executivos, sem formação política, não tenha percebido que a campanha é para irritar, desgastar e desmoralizar uma empresa multinacional suíça, no Brasil há cerca de cem anos e que está entre os maiores consumidores e fabricantes de leite, cacau, café , açúcar e amendoim do Brasil, com sua vasta linha de produtos.
Como podem acusar, sem nenhum embasamento, na base do palpite, uma empresa desse porte e bom conceito entre os consumidores? Isso nada mais é do que denegrir a empresa privada, a multinacional, em ato de suposta má-fé ou preconceito ideológico. A empresa é líder em quase todas as linhas em que atua, não agiria de má-fé, até por não ter nada a ganhar com o feito.
Há meses foi grupo do porte e da história da Camargo Corrêa que ocupou os meios de comunicação com o indiciamento de dirigentes em crimes de corrupção. Depois, a denúncia, certamente infundada, caiu no vazio e saíram à cata de outro fato para manter a opinião pública sob constante noticiário desfavorável sobre as empresas e os empresários. No caso em particular das empreiteiras, estas têm sido, ao longo da história republicana, muito mais vítimas do que autoras de atos de corrupção.
Os Procons e os juizados de pequenas causas, criados para facilitar a vida do cidadão e preservar seus direitos, viraram fonte de insegurança e achaque contra empresas. Neles, as maiores vítimas são os concessionários de energia elétrica e telecomunicações, justamente dois setores de serviços públicos que atendem bem a população, acima da média mundial. Mas, agora, são privadas e, portanto, há pessoas que acham que devem ser exploradas com as mais estranhas denúncias e pedidos de indenizações. "Uma vergonha", comentam com ironia executivos estrangeiros, como que dizendo que lidam com realidades de um terceiro mundo inculto e pretensioso.
Até essa política externa pitoresca do Brasil, de, sem mais nem menos, se tornar irmão do Irã, assusta setores empresariais. Muitos, inclusive, nas mãos de brasileiros de origem semita, chocados com a intimidade com que é tratado um ditador que afirma que o holocausto é fruto da propaganda e que deseja retirar Israel do mapa mundial.
O mundo em crise briga por captar investimentos produtivos, geradores de empregos e consumidores de matérias-primas locais, agregando valor ao que a natureza lhes proporcionou. E o Brasil dando estas demonstrações de como trata quem empreende, quem faz.
Na verdade, é bom registrar: não está em questão defender esta ou aquela instituição, mas, sim, a livre empresa, o empreendedor, o gerador de empregos, o que faz circular a produção, o que agrega valor ao produto primário, o que constrói as nossas grandes obras, alvo do respeito internacional.
Uma orfandade injusta vive a livre empresa no Brasil, em que são poucas as trincheiras, como as associações comerciais, livres de patrocínio que passa pelos cofres públicos e que, por isso, têm independência. Aliás, em Congresso tão criativo, falta uma lei que faça com que a contribuição compulsória do chamado sistema S, administrado com competência pelo empresariado, deixe de passar pelo crivo do governo. O chamado sistema S deveria responder apenas perante o Tribunal de Contas da União, pois foi criado por Getulio Vargas justamente para ser gerido com competência e liberdade pelos maiores interessados na elevação do nível de vida e preparo de nossos trabalhadores, que são justamente os empresários. Vamos reagir, antes que seja tarde!
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Os brasileiros responsáveis, os que se constituem nas chamadas forças vivas da nacionalidade, formadores de opinião, precisam apresentar aos candidatos a sucessão do presidente Lula um questionário, que poderia ser elaborado por um conjunto de entidades privadas ligadas às classes empresariais e profissionais liberais.
A dubiedade do Governo Lula chegou a seus limites. Deu certo até aqui dentro de sua política de conciliação e busca de um mínimo de harmonia na sociedade, para que a economia não sofresse e as crises políticas - e morais - fossem administradas sem o conteúdo emocional de algumas de nossa história republicana.
A questão do comportamento da União, que tem o dever constitucional de defender os direitos do cidadão precisa ser explicitada. Exemplo maior é a impunidade do MST, que promove a desordem, a violência e intranquilidade no campo - que responde por um terço de nossa economia - está chegando a ponto de atingir a própria imagem do país no exterior. O confisco de terras, de forma indiscriminada, para a constituição de "reserva florestal" sem indenização e valendo para o latifúndio como para o minifúndio, é outro ponto urgente. E esta questão de quilombolas que inquieta o país como um todo, fruto de uma legislação aprovada certamente num cochilo dos parlamentares com bom senso e equilíbrio.
Questão de honra para os brasileiros, conquista que não pode ser derrubada, é a lei de responsabilidade fiscal, assim como se impõe uma política justa e democrática para precatórios, sob ameaça de fórmulas demagógicas e que de fato eliminam os direitos dos grandes credores. Uma política fiscal que aumente a base e diminua a carga de impostos, clara e definida, seria de se desejar, quando disputamos investimentos com países que desoneram a produção, simplificam a tributação e dificultam surpresas por parte de agentes do fisco despreparados para a função que exercem.
Seria conveniente ainda que os candidatos coloquem seu ponto de vista para a distorção bem ao estilo terceiro mundo de fundos de pensão controlados por estatais participarem da gestão e do controle acionário das empresas de direito privado, quando deveriam ser investidores com assento nos conselhos fiscais e não na gestão empresarial como ocorre atualmente.
E, por fim, a política externa, que se constitui hoje em perigo de colocarmos por terra uma das mais ricas tradições do diplomacia internacional, onde nosso país sempre figurou em destaque, com quadros de qualidade e reconhecimento internacional. Não podemos dar continuidade a posições como com relação ao Irã, que conta com as simpatias de meia dúzia de países desacreditados, causando mal estar e constrangimento a diplomatas e empresários. Na América Latina, ao invés de formarmos com países que avançaram política e culturalmente como Chile e Colômbia, estamos atrelados a velha demagogia dos "caudilhos" e, por vezes, em detrimento do interesse nacional. Podemos colocar a perder, inclusive, o esforço pelo desenvolvimento com justiça social se aprofundarmos nossas ligações com países isolados da comunidade mais culta nos organismos internacionais.
São temas, como a questão da anistia de 79, se será respeitada, violada apenas para um lado, quando, no mínimo se poderia reabrir a questão se fosse para punir também quem matou, assaltou, sequestrou, "justiçou", delatou e desertou.
O Brasil exige definições claras e até o mundo quer saber para onde vai este novo ator da política internacional, sem a habilidade e o carisma do presidente Lula.
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Murilo Badaró, grande biógrafo de seus contemporâneos, assina "O Homem que Salvou a Republica", biografia de Bilac Pinto, político mineiro que se destacou no Congresso Nacional, no Supremo Tribunal Federal e na Embaixada do Brasil em Paris. O texto do presidente da Academia Mineira de Letras nos faz crer que o Brasil voltou a viver os mesmos debates, perigos e a mesma encruzilhada de quase 50 anos atrás. A diferença é que, quando Bilac alertava a Nação, em 1963, éramos a 46ª economia do mundo, reagimos e nos tornamos uma democracia forte, autoritária, austera, que nos levou até a oitava posição, que mantemos até hoje, em 20 anos .
A ameaça da "república sindicalista" vem sendo implantada nos últimos 16 anos, sendo que de maneira partidarizada nos últimos sete. A pressão por reformas que ofendem ao direito de propriedade e à ordem, especialmente no campo, é uma realidade. Na ocasião, eram bravatas de Ligas Camponesas; hoje, é a ação destruidora do MST, impune em tudo que faz, a despeito da lei e do bom senso. Naquela época, o dinheiro da chamada subversão vinha dos países comunistas, onde foram formadas gerações de ativistas políticos e guerrilheiros. Atualmente, os recursos são daqui mesmo, provenientes dos convênios de entidades ligadas ao MST com o poder público. Outra diferença preocupante é que tínhamos vozes como as de Bilac Pinto, Raimundo Padilha, Abel Rafael Pinto, Oscar Correa, João Calmon, Herbert Levy, Anísio Rocha e Dinarte Mariz, entre outros de igual valor e bravura.
Os temas econômicos, o processo de desenvolvimento do país e os avanços sociais têm permitido que os eternos conspiradores revolucionários atuem sem controle, no governo ou na oposição. Mas o fato é que estão minando as bases da democracia. Falta-nos uma voz com embasamento filosófico e ideológico, a cultura e o bom senso que tivemos em 1964, em que Bilac Pinto foi um expoente, antes e depois da deflagração da reação democrática.
O livro de Murilo Badaró, ele mesmo personagem desses tempos, nos faz percorrer uma fase da história republicana, em companhia do notável Bilac, fazendeiro, editor, jurista, parlamentar, enfim, um estadista, com as marcas da visão e da coragem. A obra é imperdível para quem quer conhecer e julgar os anos movimentados de nossa vida política, desde o Manifesto dos Mineiros até o final do ciclo revolucionário de 19664. Como bem lembra o autor, os que desejam esconder a verdade, os fatos, as realizações e os avanços culturais insistem em lembrar os bastidores da repressão ao terrorismo, em que os fatos são os mesmos em todos os tempos, em todos os regimes e em todos os países.
Este discurso volta para ajustar contas, não com a história, mas com o bolso dos beneficiários. Atitude esta que já encontra repulsa popular e mesmo entre opositores do regime autoritário que vivemos - jamais ditatorial- de vez que a fila de candidatos a receber do Erário é cada vez maior e custa cada vez caro. É a indústria do ressentimento, injusta por excluir vitimas da ação terrorista, inclusive estrangeiros.
A vida de Bilac Pinto, como da maioria de seus contemporâneos, mostra uma classe política preparada, idealista, com coragem e independência. E com verdadeiro espírito publico. Livro que deveria ter uma edição popular, para as escolas mineiras por exemplo, pois é também uma lição de civismo, de uma vida ética, empreendedora e representativa da qualidade do político mineiro.
Murilo Badaró presta um, mais um, imenso serviço a Minas e ao Brasil ao retratar em sua obra homens como Milton Campos, Gustavo Capanema, Jose Maria Alckmin, seu avô Francisco Badaró e agora Bilac Pinto. Que continue assim
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A euforia tomou conta de alguns setores da sociedade que vivem, nessa pós-quaresma, um clima de Carnaval. Os números externos são preocupantes em nossas contas, a economia externa ainda não definiu seus rumos nos próximos anos, o câmbio torna nossos produtos cada vez menos competitivos. E estamos abrindo nosso mercado ao etanol de fora quando deveríamos promover a produção local para a obtenção de excedentes exportáveis.
Com a certeza de que a sociedade está alegre e contente, os projetos de infraestrutura andam a passos lentos, as reformas esquecidas, o controle sobre os gastos negligenciados, o viés totalitário da fiscalização minimizado. Enquanto isso, a impunidade alimenta novos escândalos.
O Brasil que produz anda desamparado, desprotegido. Só funciona por algumas iniciativas locais e pela teimosia empresarial. Ainda não estamos captando investimentos. O dinheiro que entra é na especulação de mercados financeiros, em empréstimos, não em ativos fixos. Esses estão sendo vendidos.
Os dois principais candidatos na corrida presidencial são omissos em relação ao papel do empreendedor, do investidor na produção, na proteção à propriedade, a ordem social e segurança jurídica. O que se vê é o Congresso guardar esqueletos perigosos, como a adesão à mofada resolução da OIT de garantia do emprego, a diminuição das horas semanais, a licença "paternidade" e outras aberrações num mercado que deseja emprego e num país que precisa de trabalho.
O otimismo é fator positivo na vida dos povos. Acreditar é meio caminho para realizar. Mas, hoje, tudo que é positivo aguarda acontecer lá na frente, sendo exemplo maior a questão do pré-sal, que depende de muito dinheiro, muita tecnologia e muito tempo. E já estão pensando em tornar a produção inviável, alterando o contrato de concessão para um contrato de partilha, que não andará. Tem gente que não se dá ao trabalho de ler jornais e saber, por exemplo, que os EUA dobrarão seus investimentos na busca do óleo, assim como a Rússia. Para já e agora são necessárias as reformas, obras como a Cuiabá-Santarém, Belo Monte e o aproveitamento do Tapajós, portos e aeroportos ampliados.
O que nos oferece um clima de esperança é que o debate nacional se torna mais amplo. Caso mantenhamos a plenitude da democracia, daqui para frente poderemos ter uma política mais plural. A oportunidade oferecida por um canal fechado de TV a que os militares falassem repercutiu favoravelmente, sendo de se notar a lúcida entrevista do General Leônidas Pires Gonçalves, de 88 anos, mas com o entusiasmo e a bravura de um capitão.
A sociedade que não comunga com ideias de esquerda precisa estar mais atenta, menos omissa e mais responsável.
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Temos observado, em âmbito nacional e internacional, uma campanha sistemática contra as religiões. Procura-se destruir a fé que boa parte da humanidade possui nos mais diferentes credos. As igrejas cristãs são alvo de insinuações com a divulgação de fatos negativos envolvendo seus membros, como se as instituições não fossem compostas por seres humanos. Padres e pastores são humanos e erram. Devem ser punidos e afastados das igrejas e pela Justiça de cada país, quando for o caso.
O heroico povo judeu, de onde saiu Jesus Cristo, é alvo de campanha permanente a pretexto da violência reinante no Oriente Médio, em que a ação israelense é defensiva e não ofensiva. O leitor desavisado fica a imaginar que os israelenses vivem a provocar os palestinos gratuitamente. A ONU é a grande responsável pela crise que perdura há décadas, pois definiu o Estado de Israel e deixou os palestinos errantes e sem abrigo nas nações com eles identificados. Muitos são solidários da boca para fora , de vez que os querem fixados em território próprio.
Israel não tem culpa por, generosamente, abrigar, dar emprego e bom atendimento público a uma grande população palestina em seu território. As áreas ocupadas, por medida de segurança, foram conquistadas em reação a duas covardes agressões, repelidas com competência pelos militares israelenses. Logo, mostrar a reação de Israel como se fosse uma iniciava agressora é má-fé. E, nesta área, o Brasil não pode nem deve se meter. Afinal, temos parte de nossa população de origem semita ou palestina, sem nenhum reflexo aqui do que acontece lá.
Agora, as denúncias de pedofilia ganham foros de perseguição. Querem cobrar do Vaticano julgamentos sumários. Especulam sobre omissões. As igrejas sofrem quando seus religiosos têm desvios de conduta. O tratamento não deve ser emocional, mas racional, como, aliás, fizeram os judeus brasileiros no triste episódio envolvendo seu principal rabino no Brasil, preso furtando uma gravata na Flórida.
Nessa semana da Páscoa, inclusive judaica, devemos parar para pensar e manifestar um voto de confiança nas instituições religiosas, na esperança de que sejam mais vigilantes e ágeis e que essa campanha seja contida. Há uma má vontade daqueles herdeiros de Lênin, que dizia ser a religião o ópio do povo. E, na verdade, o câncer foi mesmo o comunismo, uma vez que o delírio nazista passou e deixou apenas uma retórica ensandecida em alguns líderes totalitários, como o triste caso do Irã, que também pela omissão das grandes potências deixou cair um regime que estava promovendo uma revolução positiva e democrática no país, na educação, na posição da mulher e no pluralismo religioso, com muita coragem. A queda do Xá foi uma página triste (e cara) para a humanidade e para a paz mundial. No século XXI não se poderia supor a existência de ayatolás.
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Semana passada, no aniversário de Dahas Zarur, provedor da Santa Casa da Misericórdia do Rio, realizou-se o tradicional encontro da irmandade, com médicos e amigos de quem dedicou a vida à instituição: nomes que formam um quadro de honra, como os de Bernardo Cabral, Sérgio Novis, Paulo Niemeyer, Ronald Levingshon, Luís Fernando Mendes de Almeida, desembargador Liborni Siqueira e o diretor-geral do hospital, José Galvão Alves, que ingressou como residente-estagiário.
Dahas Zarur sucede homens notáveis, como o ministro Ari Franco, Marechal Augusto Magessi, Eduardo Bahouth e Paulo Niemeyer. E foi eficiente colaborador deles. Homem de cultura, escritor e historiador, grande conhecedor do Padre Anchieta, participa da vida do Rio, sendo benemérito da Associação Comercial e, consequentemente, membro do seu Conselho Superior.
A oportunidade de homenagear Zarur vem da importância da sociedade reconhecer as figuras que fazem da vida um apostolado, muitas vezes com o sacrifício de aspirações pessoais ou profissionais. É também o caso de Desdedith do Nascimento, titular de importante clínica ortopédica e que vem dando parte de seu tempo à presidência da ABBR, entidade singular no cumprimento de missão social que ele acaba de resgatar da ameaça de fechar as portas.
É preciso que as novas gerações contribuam para a solidariedade, hoje mais presente através de empresas públicas ou privadas, sem, portanto, a alma, a convicção e a dedicação que os homens de bons sentimentos emprestam a estes casos. O Rio possui quadros de voluntariado importante como Gisela Amaral, que desde solteira se dedica a servir os que sofrem. Ainda quase uma menina, lia para os cegos no Instituto Benjamin Constant.
Não se entende como é que os diferentes governos não socorrem e apoiam essas instituições como deveriam. No caso das do Rio, bastaria que a prefeitura, o Governo do Estado e a União liberassem as emendas de parlamentares destinadas às instituições de ação social. Pouca gente sabe desta ação dos parlamentares, de todos os partidos, sendo de se ressaltar o caso do senador Francisco Dornelles, muito presente junto a estas instituições.
Mas são muitas as instituições centenárias e beneméritas , como a Santa Casa de Belo Horizonte, a qual tanto se dedicou o estadista José Maria Alckmin e agora vem de vencer crises com a dedicação de Saulo Coelho, terceira geração de uma família a serviço de Minas .
Fica a homenagem a Dahas Zarur, o decano dos que fizeram de sua vida um verdadeiro apostolado pelos menos favorecidos, doentes, velhos e órfãos. Todos atendidos a mais de quatro séculos pela entidade criada pelo Padre José de Anchieta.
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