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MAURICIO DE SOUZA
Anderson Faria anuncia reforma e ampliação
O cinema Usina poderá reabrir as portas no próximo ano como parte de um grande centro comercial que está sendo projetado para o mesmo local onde funcionam as quatro salas do complexo, na Rua Aimorés, no bairro de Lourdes.
“O Usina pode permanecer no mesmo lugar, mas em formato imobiliário diferente. Como o espaço é alugado, não depende da gente”, registra Anderson Faria, sócio- proprietário da rede de oito salas dedicadas a filmes de arte.
“O que estamos buscando fazer é resguardar o Usina, pedindo para que seja reservado um espaço para o cinema”, afirma Faria.
A revelação põe às especulações sobre o fechamento do Usina, após o anúncio de que o complexo interromperá suas atividades a partir de 13 de dezembro para a realização de reformas, com previsão de retorno até o final do ano que vem.
Mas a desconfiança é grande, principalmente porque já é sabido que o patrocínio do Unibanco – parceiro do grupo desde a inauguração, em 1992 – se encerra neste mês. A notícia de que houve cortes no quadro de funcionários também alimenta um futuro negro para uma das poucas salas de rua que ainda resistem em Belo Horizonte.
O empresário, que está no grupo desde 2007 e neste ano adquiriu as salas do Belas Artes, na Rua Gonçalves Dias, garante que o Usina não vai fechar e afirma que a rede não “perde pontos, mas, sim, ganhará novos”.
O empresário salienta que a perspectiva é de investimento. E, para crescer, o complexo está se modernizando para se encaixar no padrão de exibição atual.
Ao HOJE EM DIA, Faria revela que existem dois cenários possíveis: um projeto maior, em torno da construção do centro imobiliário, e outro menor, que diz respeito apenas à reforma.
“A ideia de reformar está em nossos planos há três anos. Vamos seguir a estratégia feita com o Savassi Cineclube, que ficou fechado por nove meses para ser reformado. Queremos mexer em toda a estrutura que hoje está defasada, porque achamos que não estamos atendendo bem o nosso cliente”, registra.
Faria pede um voto de confiança do público, salientando que, no primeiro trimestre de 2010, terá uma definição sobre qual projeto será levado adiante. “Se fosse para fechar, seria o Savassi, que não tem patrocínio, e seu público é menor”.
Mas, se não há definição sobre o caminho que será seguido, por que então fechar agora? Faria explica que, dentro dessa estratégia, também está a reformulação administrativa da rede, após a aquisição do Belas Artes. O que explica, em parte, a demissão de 13 funcionários.
“Adquirimos o Belas para não ficar sem nenhum cinema funcionando neste período de reforma. Assim, resolvemos fazer uma transformação interna completa na empresa”, salienta.
Ele admite que a perda do patrocínio do Unibanco também pesa na balança, preferindo não arriscar manter o Usina aberto sem um novo parceiro. “Só tivemos uma decisão do Unibanco em julho. O Usina era a única sala da rede Unibanco em que o banco não era o dono”, destaca.
Faria está confiante, pensa que o cinema não ficará sem patrocínio por muito tempo. O proprietário está em negociações com três possíveis investidores.
Ele espera que pelo menos 80% do público das salas da Aimorés migrem para o Belas Artes. Hoje, o Usina conta um público de dez mil por semana. Já o Belas tem oito mil. Estes números se referem à quantidade de pessoas que passam pelo Pátio Savassi num final de semana.
Como o espaço do Usina é alugado, não está descartado, porém, o fechamento definitivo com a criação do centro comercial.
Nesse caso, haveria uma mudança de endereço. Faria garante que as chances são de 99% para o cinema permanecer onde está hoje.
Reabrindo em formato imobiliário ou em outro espaço, o certo é que continuará sendo um complexo de filmes de arte.
“Nosso produto será sempre o cinema independente e de arte”, garante.
Além disso, Anderson Faria revela que o seu circuito será ampliado, com a abertura de novas salas.
Sobre o afastamento do sócio Eduardo Garreto do comando das salas, ele diz que não houve rompimento. “O Eduardo é meu irmão. Ele passou a dirigir o Usina Digital, nossa distribuidora de filmes, por achávamos que ela precisava de um rosto. E o Eduardo tem mais experiência com filmes do que eu”, explica.
Agora, ele espera que o meio cinematográfica e a imprensa de BH diminuam a carga de “dramatização”, por achar desnecessária e especulativa. “O mercado de cinema está diferente. Daqui a dois anos, o 3D tomará conta e temos que estar preparados para isso. Do contrário, aí sim, fecharemos”.