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JORGE'S ESTÚDIO
Sá, Zé Rodrix e Guarabira: saudades de Rodrix e impulso para novos shows de Luís Carlos Sá
Quando Zé Rodrix se juntou a Sá & Guarabyra, 26 anos depois da separação do trio, natural que eles fizessem um registro ao vivo, relembrando os sucessos da carreira como “Mestre Jonas”, “Espanhola”, “Caçador de Mim”, “Roque Santeiro”, “Primeira Canção da Estrada”, “Dona”, “Sobradinho”. Veio o CD/DVD “Outra Vez na Estrada” (Som Livre), lançado em 2002. O passo seguinte, também natural para quem nunca parou de produzir, seria um disco só de inéditas. O álbum foi gravado ao longo de 2008 e ficou pronto três semanas antes de Zé Rodrix morrer, repentinamente, aos 61 anos, dia 23 de maio de 2009. Com 12 faixas autorais (assinadas sozinhos, em duplas, trio ou com outros parceiros), “Amanhã” (Roupa Nova Music) só chega às lojas agora, quando a dupla se recompôs do susto e superou os entraves legais. “Nosso público já estava exigindo essas músicas. Depois que a gente lançou o “Ao Vivo”, com cinco inéditas, a gente decidiu que só faria outro disco quando pudesse fazê-lo inteiro com inéditas, o que arrecadou recusa das gravadoras que queriam pelo menos um terço de regravações. A gente não tinha saco de fazer isso, pelo menos por enquanto. E estou convencido que a gente remou contra a maré na hora certa, para mostrar que estamos atuando, compondo, vivos - o Zé está muito vivo nesse trabalho”, diz Luís Carlos Pereira de Sá.
Com o lançamento, Sá espera conseguir voltar a fazer show em Belo Horizonte. O músico conta que, nos últimos quatro anos, só fez um show aqui, mesmo assim, num projeto especial que reuniu o trio com o grupo 14 Bis e Flávio Venturini. “Desde que vim morar aqui, o único show que fiz foi esse. Só da gente, não fiz nenhum. Tenho medo de que agora que sou prata da casa seja mais difícil. É que nem Madonna no Rio, não é mais novidade, ainda mais para o carioca que gosta de fazer ar blasé. Os belo-horizontinos estão se acostumando com a minha presença, preciso me fazer de difícil para conseguir uma data”, diz, lamentando o fechamento de espaços culturais como o Usina e o Music Hall.
“Queria aproveitar para fazer um apelo ao Marcio Lacerda para olhar com carinho a parte cultural em Belo Horizonte. Antes, todos os artistas tinham obrigação de passar por aqui, hoje não conseguem data”. Segundo Sá, todos os “espaços interessantes” da cidade estão reservados e fazer shows em recintos menores é inviável, uma vez que a produção deles toda em São Paulo. “Estamos sendo obrigados a desistir dos fins de semanas, mas não vai ser problema”.
O show oficial de lançamento será em São Paulo, em abril. Eles chegaram a fazer dois para convidados do patrocinador - o disco foi viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura -, no Rio de Janeiro (com Zé Rodrix) e em São Paulo (em dupla).
Sá conta que as músicas foram compostas, de um modo geral, durante a gravação do disco. Com Sá morando em Belo Horizonte e Rodrix e Guarabyra morando em São Paulo, a Internet era grande aliada. Mas eles alugaram um quarto num hotel em São Paulo. “Ficamos três meses fazendo acabamento das músicas e compondo novas, vendo onde cada um tinha empacado. Isso é transparente no disco, as coisas que cada um trouxe de casa e as outras feitas junto, no hotel”.
O que mudou e o que permanece desde a década de 1970? “Mudou nossa idade, o aspecto físico, a maneira de tocar, de cantar, de compor. O estilo, a marca fica. Nem que a gente quisesse, e a gente não quis, seria patente. Se tocar uma música nossa de qualquer tempo no rádio, vão saber que é da gente”.
“O disco começa com três músicas francamente urbanas, que remetem aos tempos do trio que morava no Rio”, observa, lembrando que o trio é carioca, apesar de Guttemberg Nery Guarabyra Filho ter nascido na Bahia e Sá se considerar um “mineiroca”, com título de cidadão honorário e tudo. “Marcinho Borges me chamou para uma entrevista sobre o Clube da Esquina. Eu disse que não era do Clube e ele respondeu ‘você que pensa’”, conta, acrescentando que Zé Rodrix fez parte da banda Som Imaginário.
As tais “músicas cariocas” que abrem o disco são: “Sonho Triste em Copacabana”, “Marina, eu só quero viver” (“uma salsa bem malandrinha, carioquinha”, define), “Novo Rio” (“que fala do Rio afundado, é a grande vingança da Zona Norte”). “Em ‘Dia do Rio’ estamos batendo na tecla da conservação ambiental, uma bandeira que não abaixa nunca, é uma questão de sobrevivência. ‘Cidades Meninas’ é uma música interiorana. Depois vêm as mais românticas: ‘Amanhece um Outro Dia’, ‘Nós nos Amaremos’ e ‘Amar Direito’. De repente, o loucão do Zé aparece com ‘Caminho de São Tomé’. Sá diz que espera rodar o Brasil com esse novo trabalho para “reter na memória do máximo de pessoas essa figuraça do mundo da música que foi o Zé”. E depois fazer um disco Sá e Guarabyra. “Vamos prosseguir a carreira e gravar um disco de inéditas. Já temos alguma coisa pronta, inclusive nossas com o Zé que não entraram nesse disco. Se a gente fosse entrar em estúdio amanhã já teria material para gravar”.
Sá também gostaria de retomar o encontro com o 14 Bis e Flávio Venturini. “A gente se divertou muito. Flavinho e Magrão começaram tocando com a gente. A banda que acompanhava a gente deu origem a’O Terço, que depois deu origem ao 14 Bis. Temos a maior liga. O que emperra juntar é a agenda de todo mundo é ter tempo para ensaiar e todo mundo tocar junto as músicas de todo mundo, como fizeram Titãs e Paralamas”.