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DIVULGAÇÃO
O Copacabana Club se apresenta no festival
Nos últimos dias de 1999, quando o assunto dominante eram as previsões apocalípticas sobre o “bug” do milênio, as imagens espetaculares dos mundos paralelos do filme “Matrix” e as novidades do mp3 e do telefone celular, Belo Horizonte sediava um festival pioneiro – então chamado de Novas Tendências Musicais. O primeiro programa do gênero na América Latina, depois rebatizado de Eletronika, marcou época levando à Serraria Souza Pinto shows dos norte-americanos do Tortoise com Tom Zé, além de Otto, Pato Fu e Edgard Scandurra, entre outros.
Para comemorar uma década de sucesso, a edição 2009 do festival, agora batizado Eletronika, começa nesta quinta-feira (5) e prossegue até sábado (7), apresentando tendências e atrações de três países, entre elas destaques da cena independente como Black Drawing Chalks e Dead Lover’s Twisted Heart, além do projeto N.A.S.A., que reúne o veterano Zé Gonzales e o norte-americano Sam Spiegel, estreantes como o Copacabana Club, de Curitiba (PR), e uma seleção de artistas franceses para lembrar o Ano da França no Brasil: os quatro Djs que formam o Birdy Nam Nam, mais Anoraak, Minitel Rose e Rubin Steiner, que retorna ao palco do festival.
Completam a movimentada agenda duas oficinas, debates reunindo nomes de peso como Andre Midani e mostra de filmes sobre a música brasileira. Um dos principais destaques do Eletronika 2009 está programado para hoje, na abertura do evento: o esperado retorno da banda Virna Lisi, dos mineiros César Maurício, Ronaldo Gino, Marlo de Paula, Marden Veloso e Luiz Lopes.
Longe dos palcos desde 1997, depois de uma trajetória de três discos lançados e vários clipes em destaque na MTV, o Virna Lisi vai apresentar inéditas e sucessos que marcaram época na história do rock em Minas Gerais, com sua mistura de sonoridades pós-punk com samba e congado. O show acontece a partir de 23 horas, no palco do Espaço 104, depois da abertura pelo Black Drawing Chalks, de Goiânia (GO). Rebatizado de Espaço 104, o galpão multifuncional que durante anos abrigou a loja 104 Tecidos, na Praça da Estação, concentra a maioria da programação de shows, sessões de cinema, debates e oficinas do Eletronika 2009.
Criador do festival em 1999 (em parceria com Jefferson Santos e Marcos Boffa, então sócios no extinto selo Motor Music) e organizador do Eletronika 2009, Aluizer Malab destaca que, além do Espaço 104, o festival tem ainda festas em três endereços: Deputamadre, A Obra e Velvet.
Mineiro de BH, economista e gestor cultural, Malab traz na bagagem uma variedade de experiências de música e cultura: produtor da banda Pato Fu há 17 anos, empresário do Virna Lisi e responsável pela produção do “revival” dos Mutantes (que rendeu o DVD e a recente turnê internacional com Zélia Duncan acompanhando os irmãos Arnaldo Baptista e Sérgio Dias), ex-coordenador do Festival de Inverno de Ouro Preto e ex-diretor de produção do grupo Giramundo de teatro de bonecos. “A programação abrangente deste ano tem tudo para se tornar uma das melhores edições do Eletronika”, aposta Malab.
“Em dez anos, o festival teve o mérito de apresentar um bocado de artistas que estavam no anonimato e acabaram sendo descobertos por um público maior”, observa Malab, que destaca na edição 2009, além da agenda musical que reúne rock e jazz em misturas eletrônicas, as inovações de infra-estrutura. “Este ano temos debates com personalidades da maior importância, oficinas, o espaço de convivência Café Eletronika com presença de Dj’s e estandes dedicados à área profissional e ao negócio da música”, comemora.
A programação de debates terá pesos-pesados: quinta (5), às 18 horas, o convidado é André Midani, considerado um dos nomes mais importantes da indústria fonográfica brasileira dos anos 1960 a 1990.
Para amanhã, também às 18 horas, no Espaço 104, os convidados são Rafael Ramos (Deckdisc), Benoni Hubmaier (YB Music) e Fabrício Nobre (Monstro Discos), com mediação de Douglas Vieira. No sábado, a partir de 15 horas, será a vez dos franceses Antoine Caudron e Laurent Laffargue, com mediação de Bruno Boulay.
De acordo com Aluizer Malab, o festival assumiu, com conforto, a responsabilidade de trazer novas referências a cada edição: “O flerte com o Japão em 2008 e agora com a França mostram que estamos antenados com o que acontece em diversas cenas do mundo. O Eletronika está voltando a ser, cada vez mais, um evento que apresenta nomes novos muito significativos em relação ao que se faz de mais contemporâneo no Brasil e no mundo”, avalia, destacando que músicos franceses e apoio institucional da França são uma constante no festival. “As parcerias com o Birou Exports, ligado à embaixada da França em São Paulo, e com o Consulado Francês em BH foram fundamentais para uma década de sucesso do Eletronika”, completa Aluizer Malab.
Para comemorar a longevidade e o grande sucesso de uma proposta corajosa, a edição 2009 do festival também trará em destaque sessões de cinema com quatro documentários que têm a música como tema central.
Serão exibidos no Espaço 104 “Loki”, de Paulo Henrique Fontenelle, sobre o músico Arnaldo Baptista, criador de Os Mutantes na década de 1960, ao lado de Rita Lee e do irmão Sérgio Dias; “Favela on Blast”, de Diplo e Leandro HBL, sobre o fenômeno do funk nas favelas cariocas; e “8 ou 80: BH Underground”, de Lucas Bambozzi e Rodrigo Minelli, que resgata a cena pós-punk e underground na Belo Horizonte dos anos 1980, quando nasciam as bandas de rock, a música eletrônica e as performances audiovisuais ao vivo.
Completa a programação “Beyond Ipanema: Ondas Brasileiras na Música Global”, de Guto Barra e Béco Dranoff, brasileiros radicados nos Estados Unidos, que aborda os meandros e mitologias sobre os músicos e a música brasileira fora do Brasil, do sucesso de Carmen Miranda, na década de 1940, passando pela Bossa Nova, pela Tropicália e por novidades como a recente turnê internacional da banda paulista Garotas Suecas – que toca amanhã no Eletronika. O festival, patrocinado pela Usiminas e pela Vivo, tem apoio da CEMIG e do Festival de Arte Digital (FAD-MG).
O Festival Eletronika 2009 acontece de hoje até sábado, no Espaço 104 (Praça da Estação), Deputamadre (Avenida do Contorno, 2028), A Obra (Rua Rio Grande do Norte, 1168) e Velvet Club (Rua Sergipe, 1493). A programação diurna tem entrada franca; a noturna, com ingressos de R$ 15 a R$ 30.
Outras informações: (31) 2535 3858 e neste site aqui.