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Maurício de Souza
"No final, o projeto sai vencedor" disse o treinador Vanderlei Luxemburgo
Depois do empate em 0 a 0 com o Flamengo, nessa quinta-feira, no Maracanã, o técnico Wanderley Luxemburgo voltou a exaltar o "projeto Atlético". Embora a diretoria tenha contratado vários nomes de destaque, o time se encontra na zona de rebaixamento há diversas rodadas. Para o comandante Luxemburgo, mesmo com a nau alvinegra navegando por caminhos tortuosos, ao fim da viagem, todos chegarão bem. Contudo, apesar de confiar na estratégia traçada, ele admite que algumas situações têm tirado a tripulação do caminho.
"Na minha historia de futebol, eu sempre passei por alguns percalços dentro de um projeto. Mas, no final, o projeto sai vencedor. O que não sai vencedor é castelo de areia. É montar um time, começar a ganhar e depois passar uma água e derrubar. Estamos no caminho certo e vamos sofrer. Isso vai fazer com que esse grupo possa amadurecer e se tornar um grupo muito forte. Porque é na dificuldade que você fortalece o grupo", filosofa o treinador alvinegro.
O Galo ocupa a 18ª colocação, com 14 pontos. A diferença para o líder Fluminense é de 22 pontos. Portanto, as chances de título, preconizadas na chegada do técnico ao clube, são praticamente nulas. Luxemburgo, no entanto, reitera, mais uma vez, que o Atlético pode dar alegrias ao seu torcedor.
"Temos um compromisso muito grande com essa nação do Atlético-MG. Nós temos dois anos para realizar um trabalho e poder conquistar um título importante, uma (Copa) Sul-americana, que daqui a 30 dias nós vamos jogar, uma classificação para a (Copa) Libertadores. O projeto do Atlético-MG vai dar certo", reafirma.
E, mesmo com a resistência que começa a surgir de parte da torcida atleticana, em relação ao seu trabalho, o técnico garante que não vai abandonar o barco. "Meu projeto é o Atlético-MG e não existe a mínima possibilidade de eu sair. Ao não ser que o presidente cisme de me mandar embora, mas não é o caso porque nos já conversamos bastante sobre o projeto", assegura Luxemburgo.
Questionado sobre as possíveis razões para explicar o fracasso do Atlético-MG na temporada, o treinador surpreende e coloca em xeque o tão propagado "projeto Atlético-MG". "Eu sempre digo que o futebol não é uma ciência exata. Se fosse, você pegaria os melhores jogadores do mundo e formaria um time. Nós projetamos uma coisa e aconteceu outra completamente diferente. E com o elenco que nós temos, com toda a qualidade que nós temos, estamos passando por problemas. Temos que ter calma e continuar trabalhando", resigna-se.
Além de admitir que o "futebol não é uma ciência exata", Luxemburgo atribui parte do insucesso às contingências do esporte. "O (Edison) Mendez chegou para ser titular da equipe e agora que ele está começando a entrar nos jogos, porque veio com uma lesão quando foi contratado. O Daniel Carvalho também chegou, nós recuperamos, foi expulso no primeiro jogo e teve uma lesão. Vai ficar mais umas duas ou três semanas fora. Dois laterais esquerdos se lesionaram ao mesmo tempo. Aí o Jairo Campos se lesionou. Não é desculpa, mas tem que ter um pouco de sorte nas situações", reconhece.
SEM TETO - Outra questão apontada pelo treinador para justificar a má fase do Atlético-MG é a falta de um estádio para mandar seus jogos. No Brasileirão, o clube já jogou na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, e no Ipatingão. O treinador, porém, afirma que o time sente falta da apaixonada torcida alvinegra e de um local onde se sinta verdadeiramente em casa.
"Quando chegar em Ipatinga, vou jogar em um campo neutro e isso fortalece o adversário. Eu joguei em Sete Lagoas, contra o Inter, um baita de um time, com 3.000 pessoas, num campo para 7.000. O adversário se sente em casa e pensa: isso aqui é time pequeno, vou passar por cima dele'. A vantagem de Flamengo, Corinthians, Atlético-PR e Atlético-MG é o calor da torcida, o calor humano de 40 mil, 50 mil incentivando. E não temos tido isso, pois estamos jogando sempre fora de casa", reclama Luxemburgo.
Para o treinador, os políticos de Minas Gerais têm que se mexer para evitar um prejuízo ainda maior para os clubes do estado, que sofrem com o fechamento do Mineirão para as obras da Copa do Mundo de 2014.
"Espero que eles tenham a sensibilidade política para entender que o futebol mineiro teve um prejuízo muito grande. Tratar de fazer o Estádio Independência ficar pronto logo, porque quem vai ser prejudicado são os clubes mineiros. Eles (os políticos) têm que chegar a um acordo rapidinho e terminar as obras do Independência para a gente ter um local como os times paulistas têm o Pacaembu", cobra Wanderley Luxemburgo
Depois do susto, Lima quer os três pontos contra o Palmeiras
O zagueiro do Atlético-MG, Lima, deixou o gramado do Maracanã ainda no primeiro, no empate dessa quinta-feira com o Flamengo, depois de uma dividida com o atacante Diogo. Sem condições de voltar a campo, o defensor foi levado a um hospital, mas nada de grave foi constatado. Com isso, Lima está liberado para enfrentar o Palmeiras neste domingo, às 16h, no Ipatingão, pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro, e ajudar o Galo a conquistar os três pontos em casa.
"Foi um susto. Nunca tinha passado por isso antes. Na hora da pancada eu fiquei com muita tontura, a vista embaçada e com dificuldades para levantar. No hospital fiz uma tomografia, mas não teve nada de grave", conta o zagueiro.
A exemplo dos companheiros, Lima valorizou o ponto conquistado no Rio de Janeiro, mas não quer repetir a dose diante do Verdão. "Vendo os lances depois, acho que a gente poderia ter conseguindo um bom resultado com o Flamengo. Ficou até um gostinho amargo na boca, mas é um bom resultado. Agora é tentar vencer em casa, com o apoio do nosso torcedor, para nos incentivar os 90 minutos diante do Palmeiras", destaca.
Lima ressalta o equilíbrio do Brasileirão e acredita que algumas vitórias podem mudar completamente a situação do Atlético-MG na tabela de classificação. "O campeonato está mostrando isso (equilíbrio). Três ou quatro times estão se distanciando na tabela, mas no pelotão de baixo está tudo muito igual. Então, com qualquer duas vitórias, você já está brigando pelo G-4 e, se perder, volta lá para baixo. Temos que pensar nisso e fazer de tudo para conseguir os três pontos domingo", enfatiza Lima.