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Mineira de Inhapim, Rosângela Vieira Rocha mais uma vez revela seu talento ao apresentar "Dias de Santos e Heróis", editado pela Prumo, de São Paulo. Antes de abrir o livro, duas coisas chamam a atenção: a qualidade gráfica, que valoriza o rico e forte colorido das ilustrações de Marilena Saito.
A segunda reside na segurança de ter-se à mão um trabalho com a qualidade de tudo o que Rosângela produz, também fora da ficção. A autora começou a escrever ainda menina e jamais descansou, senão para as aulas na Universidade de Brasília, UnB, onde ministra oficinas de textos e aulas de Jornalismo Literário.
Ela desfaz a versão de que, no Brasil, quem não exerce a contento uma profissão se torna professor. In casu, é diferente. Rosângela diz porque bem sabe o ofício e já o demonstrou à exaustão ao longo da carreira.
Seu romance "Véspera de lua" conquistou o Prêmio Nacional de Literatura da Editoria UMFG; e a novela "Rio das Pedras", venceu na Bolsa Brasília de Produção Literária 2001. Finalmente, "Pupilas Ovais", uma coletânea de contos, foi editado com apoio do Fundo de Apoio à Cultura-FAC, da Secretaria de Cultura do Distrito Federal. Mais recentemente, voltou-se ao gênero infantil, não tão fácil, como supõem os incautos, porque temos numerosos, porque temos numerosos e bons autores produzindo, e pela sua grande responsabilidade social, porque se trata de falar às crianças, depositárias das mais caras esperanças da sociedade. Ao apresentar o seu "A Festa de Tati", sua estreia na área, também foi amplamente aceita e aplaudida.
Rosângela demonstra a que veio desde menina do interior mineiro, que se apaixonou por "Orgulho e Preconceito", da inglesa Jane Austen. Descobriu cedo seu caminho e nele persiste, porque, no Brasil, mesmo os talentosos têm de insistir para manter acesa a chama da criatividade e da disponibilidade para produzir. Em "Santos e Heróis", a escritora selecionou datas importantes na história brasileira, fatos e personagens que não deveriam ser esquecidos (mas que, mui comumente, o são) pelos brasileiros, que precisam ser lembrados. Respeitando essas datas e personalidades é que se constrói o verdadeiro espírito de nacionalidade.
Assim, relacionam-se os Dias do Hino Nacional Brasileiro, do Índio, de Tiradentes, do Descobrimento do Brasil, da Língua Nacional, o de Anchieta, Apóstolo do Brasil, de São João, do Soldado da Pátria e da Independência do Brasil, da Árvore de Nossa Senhora Aparecida e da Criança, da Aviação e do Aviador, de Finados, dos Bandeirantes, da Proclamação da República da Bandeira Nacional, da Consciência Negra e de Zumbi, e finalmente, o Natal. Como se constata, não são apenas registros cívicos, pois também há dias comemorativos de tradições religiosas, de vultos-símbolo, de estímulo à proteção de patrimônio público, como nas festas juninas e da árvore.
Em resumo, o livro de Rosângela, em excelente produção, oferece um convite à meditação sobre momentos respeitáveis da história nacional, que se perdem frequentemente na memória em face da agitação dos tempos modernos e da atratividade de outros meios de comunicação.
O texto leve, em versos, dessa autora, identificada com as mais caras tradições do povo brasileiro, com vultos e episódios exemplares de uma ação, que só poderá efetivamente pensar em impor-se diante a comunidade internacional, se nutrir verdadeiro amor ao passado e o que nele é respeitável e vendável.
Enfim, livro para crianças que se presta perfeitamente a adultos. Valorizado pela ilustração de Marilena Saito, que demonstra competência em programação visual, acrescentando valor ao trabalho de Rosângela, porque ajuda a atrair o interesse do leitor.
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