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Já se esperava que assim fosse. Os cheques sem fundos bateram recorde em 2009. A recuperação da economia no segundo semestre não impediu que o fenômeno mais vez se registrasse, em meio à euforia dos setores governamentais que veem sempre com bons olhos os ambientes ainda turvos.
No ano passado, foram devolvidos, pela segunda vez, por ausência de fundos, no país, 2,15% dos cheques compensados, segundo o Indicador Serasa Experian de Cheques sem Fundo. Foi a mais alta porcentagem desde 1991.
O recorde começou a ser pressentido nos primeiros meses de 2009, quando a inadimplência foi de 2,30%. Foi o pior primeiro semestre assinalado pelo Indicador. As vendas com cheques pré-datados foram opções para o comércio e para o comprador, na confiança de que o segundo semestre fosse melhor, mas apenas observou uma baixa diminuição dos efeitos da crise.
E os juros de empréstimos para pessoa física encerraram o ano com 42,7%, o menor nível desde 1994. Mas, não se pode ver as coisas e os fatos só com bondade. Tem-se que procurar ser imparcial, com o que se evitam decepções. Vejamos os fatos, que estão nos jornais de todo o país.
A arrecadação federal caiu 2,96% em 2009, em relação a 2008. O recolhimento de tributos foi influenciado pela crise econômica mundial, que o presidente onisciente dissera que não existia para o Brasil. Deixou-se de arrecadar R$ 24,9 bilhões, em função de medidas contra a situação, inclusive redução de IPI sobre automóveis e eletrodomésticos. Mesmo assim, R$ 2,3 bilhões em depósitos judiciais que se achavam na Caixa passaram ao Tesouro como arrecadação.
O ministro Mantega, em reunião do dia 21 de janeiro, declarou que o incremento do PIB foi de apenas 0,1% em 2009. Mesmo assim, o que o aumentou foi a demanda interna de 7,3%. A contribuição dos investimentos foi negativa em 1,9% para a expansão do PIB, ainda por causa da crise, a que não existiu.
Não se pode ser otimista o tempo todo, contra todas as evidências. Daí, os números aparecem para revelar que as perspectivas não eram exatamente aquelas adivinhadas pelos arautos do bem às iniciativas e providências dos chefes políticos.
Não é bem assim. E muita água irá rolar, quando os afoitos compradores de bens descobrirem que se enganavam quanto às receitas pessoais. Elas dependem de um infinidade de fatores, mas a dívida se mantém, inapelavelmente.
O quadro da economia, em resumo, foi o que acima relatei. Mas não se pode perder de vista que os postos de trabalho brasileiros também diminuíram em dezembro, após dez meses de criação de vagas, devido ao comportamento típico da época do ano. E entende-se que, no trimestre, a tendência é aumentar a admissão de trabalhadores.
No último mês de 2009, o Brasil perdeu 415.192 vagas com carteira assinada. A indústria foi o setor que mais demitiu, com a perda de 166.040 vagas. O único setor que contratou foi o comércio, com 10.598 postos. O destaque de contratações foi o segmento de serviços, seguido pelo comércio e indústria. A agricultura foi o único a registrar demissões no acumulado do exercício, o que é muito ruim.
E o Brasil não vai tão bem como se apregoa, não senhor. Os próprios jornais publicaram que apresentamos alta repetência e baixos índices de conclusão da educação básica, segundo a Unesco. Na América Latina e Caribe, a taxa de repetência média para todas as séries de ensino fundamental é de 4,4%. No Brasil, o índice é de 18,7%, o maior de todos os países da região.
Repito: o Brasil tem o mais alto índice de repetência no ensino fundamental.
Apesar disso, estamos no grupo dos países intermediários em relação ao cumprimento de metas sobre acesso de qualidade de ensino fixados pela Unesco. Ocupamos a posição 88 numa relação de 128.
Há bom desempenho na alfabetização, no acesso ao ensino fundamental e na igualdade de gênero. Mas é baixo o desempenho, quando se analisa o percentual de alunos que conseguem passar do 5º ano do ensino fundamental. É quando mais se começa a delinear o futuro do adolescente e do jovem. Ele, que vai ingressar na cadeia produtiva.
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