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Sempre alertei sobre a necessidade de se abrir a história de Minas Gerais além do que se fizera até determinado instante. Um dos grandes estados, o nosso não se podia restringir àquele conhecimento do que praticamente se circunscrevia ao presentemente denominado Circuito Histórico.
O Circuito encontrou estudiosos que chegaram a preciosos resultados. Pesquisadores e historiadores se tinham debruçado sobre velhos registros, extraindo o possível, embora ainda nem tudo se tenha levantado e revelado. A fonte é ampla e muitos ainda continuarão a missão.
Viajadores estrangeiros oferecem, a sua vez, valiosa contribuição a esse "descobrimento" de Minas Gerais, à sua conquista e ocupação.
Teríamos pecado ao longo do tempo. O próprio João Camillo advertiu que Minas não era uma realidade, isolada, vivendo de si e por si.
"A grandeza de Minas e o que dá interesse à História é, precisamente, o fato de sempre ter uma História em função do conjunto".
Conforme o historiador de Itabira, no século XVIII, Minas fazia parte de uma realidade imensa e complexa, que era o Império português.
Havia um conjunto de recíprocas influências entre todas as partes da comunidade lusíada e ninguém pense que havia independência das partes ou que seria possível o isolacionismo".
Minas Gerais foi resultado da própria sistemática política de Lisboa, tanto que ponderável parcela de seu território pertenceu às capitanias de Pernambuco e Bahia.
Somos, assim, um tanto nordestino e isso se revela em costumes, vocabulário, linguajar, sotaques, incorporados ao uso mineiro.
Como Minas Gerais era muito grande, não menores as dificuldades para se produzir uma história geral. Os arquivos, quando existiram e se existiram, ficaram dispersos pela vastidão do espaço. Tudo se mostrou sempre dificultoso.
Os conquistadores quase sempre vieram para enricar-se, não para criar arquivos e deixar registros, até por que inconvenientes para suas ambições. Ademais, a terra era muito extensa, e os ilustres viajadores não dispunham de muito tempo para esmiuçar possíveis - ou impossíveis - arquivos.
Mais recentemente alguns autores, nas universidades ou disseminados por todos os quadrantes, procuraram aprofundar-se no veio riquíssimo da história, já que o do ouro ou das pedras preciosas já se tinham quase esgotado.
Começou-se a descobrir a Minas de que se ouvira falar por vozes ancestrais ou se achava oculta nos arquivos das igrejas, dos anônimos pesquisadores locais. O que se logrou nessa garimpagem é importantíssimo para contar o que foi Minas além das belas cidades do Circuito, como Mariana, Ouro Preto, São João Del-Rei, Tiradentes, Sabará, Caeté e outras.
O Sul de Minas obrigatoriamente guardava muito consigo, nem poderia ser de outra maneira. No Norte de Minas, o tesouro somente ora começa a ser descoberto, e há segurança de que há legado imponente a ser localizado.
Enquanto isso, outras regiões, quase sempre referidas através de ficção ou de registros pioneiros esparsos, surgem no cenário da história mineira em toda sua grandeza e importância.
Exemplo de grande esforço é "Nos confins do Sertão da Farinha Podre - Povoamento, conquistas e confrontos no Oeste de Minas", que Mário Lara edita, com incentivo do Ministério da Cultura, Governo de Minas, Cemig, CBMM e Zema.
Jornalista pela UFMG, repórter de grandes revistas e jornais brasileiros, pós-graduado em História Regional - Sociedade, Cultura e Memória, ex-integrante da Assessoria de Imprensa do Governo do Estado, Mário Lara oferece o panorama da história já ainda não contada do Oeste de Minas.
Todos os ingredientes dessa narração de conquistas, com muita luta, sacrifício e sangue, a resistência dos quilombolas e tribos selvagens, a firme disposição dos homens e mulheres que empreenderam a sega no Brasil do século XVIII, estão num relato sóbrio, confiável e esclarecedor.
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