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Beto Magalhães/Arquivo Hoje em Dia
Especialistas alertam para o risco de explosão de veículos a gás sem vistoria
Minas Gerais tem 18,3 mil carros sem o Certificado de Segurança Veicular (CSV), exigido dos automóveis movidos a gás natural. O percentual em situação irregular equivale a 50% da frota que usa esse tipo de combustível alternativo.
Para receber o documento, o veículo precisa passar por uma inspeção anual em oficinas credenciadas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). Sem vistoria, esses carros podem ser considerados verdadeiras “bombas ambulantes” em circulação pelo Estado, conforme alerta o engenheiro mecânico Newton Costa Pinto, especialista em segurança veicular.
Levantamento feito pelo Detran de Minas revela que em Belo Horizonte são 6.435 carros movidos a gás sem o Certificado de Segurança Veicular.
Para forçar o motorista a providenciar a vistoria, os automóveis sem o CSV não vão receber o Certificado de Licenciamento Anual/2010.
Caso o veículo irregular seja apreendido em blitz, o proprietário terá que pagar multa de R$ 192 e todas as despesas de reboque e diária. “É na inspeção veicular que o técnico terá condições de verificar se alguma peça está danificada, evitando vazamento ou curto-circuito da parte elétrica. Já houve casos no Brasil de explosão de carros que estavam com botijão de gás”, lembra.
O engenheiro Newton Costa defende a exigência do CSV para todos os tipos de veículos, como já acontece em São Paulo. “Esse tipo de vistoria vai retirar de circulação os carros sem condições de circular com segurança, principalmente os caminhões mais velhos que provocam acidentes graves por causa da perda dos freios”, alerta.
Os proprietários de carros a gás devem evitar colocar qualquer tipo de combustível ou produto químico em cima dos cilindros. O motorista que usa esse tipo de combustível deve evitar também usar celulares quando for abastecer. “A dica é desligar o carro ou qualquer tipo de material eletrônico, evitando as explosões”, ensina o engenheiro mecânico José Carlos Bragança, que investiga a causa de explosões em veículos.
O engenheiro constatou, em duas explosões que aconteceram neste ano em Belo Horizonte em carros a gás, uma em Venda Nova e outra no Barreiro, que os equipamentos não estavam vistoriados pelas oficinas credenciadas pelo Inmetro.
“Ninguém ficou ferido nos acidentes, mas os carros ficaram totalmente destruídos”, informa Bragança.
Segundo ele, as explosões ocorreram por causa de vazamentos nos cilindros, instalados nos porta-malas. Qualquer tipo de fagulha ou até uma fuligem do cano de descarga, diz o especialista, pode provocar uma explosão.
Em Minas Gerais são 90 postos de abastecimento de gás natural. Os estabelecimentos ficam na Região Metropolitana de Belo Horizonte e nas cidades de Juiz de Fora e Barbacena, na Zona da Mata. Para fazer a vistoria anual, que garante o CSV, as oficinas cobram R$ 120.
O taxista Joaquim dos Santos, 43 anos, de Contagem, decidiu retirar o kit de gás do seu carro no ano passado por causa do preço do combustível, que vinha aumentando a cada ano. “Logo depois de deixar de usar o carro a gás, eu comprei um carro flex, que é mais prático. Quando o preço do álcool não está bom, encho o tanque de gasolina”, declara.
A fiscalização do Certificado de Segurança Veicular é feita pela Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar Rodoviária Militar, Batalhão de Polícia Militar e Detran. Além de verificar a legalidade do selo, os policiais consultam o banco de dados do Detran para saber se o documento não foi falsificado.
A partir desta quarta-feira (11), a Polícia Militar promete reforçar as blitze para fiscalizar se os carros a gás estão com o CSV, dos veículos emplacados em Minas e com placas de final 1, 2 e 3. A partir de 1º de outubro serão fiscalizados os carros de placas de final 4, 5 e 6. Em novembro será cobrado o certificado dos veículos com placas de final 7, 8, 9 e 0.