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Lucas Prates
Cerca de 30 pessoas acompanham o julgamento no Fórum de Contagem
Hoje em dia
Maura Gracielle Martins, então com 19 anos, pode pegar 30 anos de prisão
Após mais de sete horas de julgamento, a babá Maura Gracielle Martins, 27 anos, acusada de matar o namorado, o servidor público Weberson Amaral Resende, o “Bola”, 36 anos, foi condenada a 16 anos de prisão em regime fechado. Por determinação da juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, titular do Tribunal do Júri de Contagem, Maura teve a prisão decretada e saiu da sala de audiência direto para a Penitenciária de Mulheres Estevão Pinto, em Belo Horizonte. O advogado de defesa, Luzio Adolfo da Silva, informou que iria interpor um recurso no tribunal de Justiça de Minas Gerais para obter a liberdade da ré.
Um irmão da vítima disse que, finalmente, a Justiça foi feita. “Saímos daqui com a certeza de que a Justiça prevaleceu. Confiamos que o Tribunal de Justiça irá ratificar essasentença”, disse.
O crime, que lembra um enredo de filme de terror, ocorreu em 15 de março de 2003, às margens da Lagoa Várzea das Flores, divisa dos municípios de Contagem e Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A sessão do júri foi presidida pela titular do Tribunal do Júri de Contagem, juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, que escolheu os integrantes do conselho de sentença - quatro homens e três mulheres.
Muito nervosa, Maura Martins sentou-se no banco dos réus, em frente da juíza, para ouvir a acusação que lhe é imposta, com a cabeça baixa e as mãos postas, como se estivesse rezando. Cerca de 30 pessoas, entre familiares e amigos da vítima, acompanhavam o julgamento da babá, usando camisa branca com a foto de “Bola”.
Pouco antes da entrada da acusada, a cabeleleira Olga Sueli Moraes, 52 anos, prima de Weberson, disse que todos esperavam que a Justiça seja feita. “Finalmente, depois de sete anos, esperamos que o bem prevaleça”, desabafou. A primeira testemunha ouvida foi um irmão da vítima. Ele relatou que a acusada esteve no velório de “Bola” e que, chorando copiosamente, abraçou a mãe do ex-namorado.
Antes do sepultamento, ela teria colocado um bilhete no bolso do terno de Weberson. Ela também compareceu à missa de sétimo dia do servidor público, que reuniu centenas de amigos da vítima. Depois das acusações, a polícia exumou o corpo e constatou que a mensagem não era reveladora. Em seu depoimento, o irmão se recordou de que diversas pessoas haviam alertado que a mulher era complicada, mas, que, apaixonado, Weberson dizia que, “se conseguiu ajudar tanta gente, porque não ia conseguir ajudar a mulher de que gostava tanto”. A dona de casa que conviveu com a babá foi a segunda a depor no Fórum de Contagem.
Ela contou que nunca desconfiou de Maura Martins e que, depois de seis meses trabalhando na casa, a acusada confessou que respondia um processo criminal referente a um acidente. O interrogatório da acusada, que veio na sequência, quase teve que ser adiado. Muito abalada, Maura chorava e gesticulava muito. Segundo a versão da ré, ela e Weberson foram para o local do crime, onde mantiveram relação sexual. Ao final, ele dormiu e ela foi fumar um cigarro de maconha. Quando o homem acordou, conforme ela, queria fazer sexo anal, mas ela se recusou, afirmando que não estava preparada.
Por esse motivo, Maura disse que o empurrou e teria batido com uma pedra na cabeça do namorado. Como ele começou a passar mal, ela disse que tentou levá-lo até o carro, onde prestaria os primeiros socorros.