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carlos rhienck
Coruja-orelhuda não poderá voltar ao seu hábitat em função do ferimento
Uma coruja-orelhuda foi recolhida nesta segunda-feira (19) por agentes do Ibama e levada para uma clínica veterinária de Contagem, na Grande BH, com uma asa decepada por linha de cerol. A ave foi localizada na noite de domingo (18) por policiais do Corpo de Bombeiros de Sabará, às margens de uma linha de trem no Bairro Capitão Eduardo. Só neste ano, a clínica, que mantém convênio com a Polícia Militar de Meio Ambiente, recebeu pelo menos dez aves mutiladas por linhas de cerol, mais da metade neste mês. Em 12 anos de parceria com a corporação, foram mais de cem aves atendidas também com ferimentos provocados por cerol.
Segundo o veterinário Fernando Pinto Pinheiro, o animal foi sedado e teve o sangue estancado. Em seguida, foi feito um curativo. Impossibilitada de voltar a viver em seu hábitat, a coruja será agora usada em palestras educativas em escolas públicas e particulares.
No dia 22 de junho, um gavião-carijó (Rupornis magnirostris) teve a asa direita seccionada por uma linha de cerol e caiu no quintal de uma casa no Bairro das Indústrias, em Contagem. A ave, sangrando muito, foi encontrada no chão pela cabeleireira Maria de Fátima Castro, que a livrou de ser devorada por uma cadela.
De hábitos noturnos, a coruja-orelhuda pertence à família dos estrigídeos, com ampla distribuição na América Central e do Sul, com exceção das áreas florestais da Amazônia.
Essas aves chegam a medir até 37 centímetros de comprimento, apresentam penacho longo e proeminente na cabeça e ostentam uma “máscara” branca margeada de negro. Também são conhecidas pelos nomes de coruja-gato. A espécie atinge de 30 a 37 centímetros de comprimento, envergadura de 22,8 a 29,4 centímetros e pesa entre 320 a 546 gramas. Em geral, vive em bosques, borda de matas, áreas abertas com árvores, podendo ser encontrada também em áreas urbanas arborizadas.
De acordo com a assessoria da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), só neste ano 19 pessoas deram entrada no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS) com ferimentos provocados por linha de cerol. No ano passado foram 40 vítimas.
De acordo com a assessoria da Cemig, desde a última manutenção na rede elétrica da Grande BH, iniciada em agosto de 2009, foram retiradas 9.577 taquaras das fiações. Isso representa um gasto com manutenção de R$ 1.377.485. Em caso de comprometimento do fornecimento de energia por conta desses objetos na rede, a Cemig recomenda que os consumidores entrem em contato com a empresa para comunicar a situação.
A Cemig promove anualmente campanhas para alertar a população sobre o risco de soltar papagaios em áreas urbanizadas, sobretudo com linha de cerol, que conduzem facilmente a eletricidade.