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Lucas Prates
Mesmo com a ausência do empresário acusado, sessão foi iniciada e iria atravessar a noite
Apesar da ausência de um dos réus, o julgamento da tentativa de homicídio cometida contra o empresário João de Lima Geo, em 2001, na Savassi, Centro-Sul de Belo Horizonte, teve início na tarde desta segunda-feira (8). Os acusados são o detetive da Polícia Civil mineira Evandro Oliveira Menezes, 51 anos, e o empresário Rivadávia Salvador de Aguiar, 67 anos – que não esteve presente. Rivadávia Salvador é ex-proprietário do Consórcio Uniauto, que faliu em 1999, deixando centenas de consumidores lesados. A sessão foi presidida pelo juiz do 1º Tribunal do Júri do Fórum Lafayette, Carlos Henrique Perpétuo Braga. Até o momento, o julgamento ainda estava em andamento, e a previsão era de que fosse concluído na madrugada desta terça-feira (9).
Conforme denúncia do Ministério do Público Estadual (MPE), o detetive Evandro Oliveira tentou matar o empresário João de Lima Geo na Avenida Getúlio de Vargas, esquina de Rua Alagoas, por volta das 8h15, no dia 8 de novembro. O carro em que o acusado estava, um Escort, com placa do Rio Grande do Sul, teria sido comprado de uma quadrilha especializada em roubo de veículos, conforme investigação da Corregedoria de Polícia Civil.
Dos cinco tiros disparados contra João de Lima Geo, apenas um o atingiu, mas de raspão. O motorista da vítima percebeu, a tempo, que estava sendo seguido e jogou o carro contra o Escort em que estava o detetive. Na fuga, Evandro Menezes se envolveu em um acidente na Avenida Brasil, esquina de Rua Sergipe. Segundo consta no processo, no carro do policial, havia uma pistola 765, que teria sido usada por ele.
O detetive teria fugido para o Deoesp, conforme denúncia do MPE. O promotor Edson Ribeiro Baeta, lembrou, no julgamento, que um cavanhaque postiço, um boné vermelho e um binóculo, usados pelo detetive, foram encontrados na Savassi, próximo ao local da tentativa de homicídio. O promotor destacou o trabalho da Corregedoria da Polícia Civil, que conseguiu todas as provas necessárias.
O detetive negou participação no crime e alegou que foi ao Deoesp para pegar o registro da arma de um amigo, momento em que percebeu a confusão. Evandro Menezes disse que foi exonerado do cargo de detetive, mas está tentando na Justiça anular a decisão. Atualmente, ele trabalha vendendo seguros de um clube.
No processo, consta que João de Lima Geo foi vítima de vários atentados – um deles com uma bomba. A tentativa de matá-lo era para forçar os filhos a pagarem uma dívida R$ 5 milhões da Máxima Veículos, da família Geo, para a Uniauto.
A falência do Uniauto foi decretada pela Justiça em 2002, com 13,5 mil consorciados na sua carteira de clientes, e uma dívida de R$ 4,3 milhões. A maioria dos consorciados não recebeu os bens. No julgamento, o empresário Rivadávia Salvador de Aguiar foi representado pelos advogados Antônio Francisco Patente e Antônio Francisco Patente Júnior. A sessão foi realizada no auditório do prédio do Tribunal de Justiça, na Rua Goiás, no Centro, com cerca de 20 pessoas assistindo aos debates.