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EUGÊNIO MORAES
Com duas filhas, Vânia Tanure (centro) coordena a equipe de emergência do HPS
Oito de março, Dia Internacional da Mulher. Mas quem é essa mulher? É a profissional, a mãe, a amante, a dona de casa e cada vez mais frequente, o arrimo de família. Muitos podem até achar que já virou clichê a comemoração dessa data, mas é importante destacar que a condição feminina mudou muito na história da humanidade, desde os tempos das deusas antigas da fertilidade até os dias de Lara Croft (personagem dos games e do cinema, a arqueóloga sexy e corajosa que simboliza a mulher contemporânea e suas diversas facetas). Essa mulher polivalente vem emergindo e criando um novo modelo feminino, do qual não se tem referências históricas.
Muito se discute sobre os papéis dessa mulher, que, além de trabalhar e abraçar a necessidade de ser uma profissional cada vez mais competitiva, cumpre as funções maternas e do lar.
“Sempre tive o lado familiar acentuado assim como sempre valorizei o trabalho na vida tanto do homem como da mulher. E graças ao apoio que sempre tive do meu marido, consigo cumprir bem os papéis. Ele nunca me cobrou pelo fato de trabalhar muito. Costumo dizer que eu nasci para o trabalho”, destaca a executiva Maria Cristina Valle. Mãe de Letícia e Thaís, hoje com 19 e 18 anos, respectivamente, ela conta que quando se formou, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), trabalhava meio período na Caparaó e o restante em casa, onde montou escritório próprio. Mesmo depois de colocar as filhas para dormir, voltava para trabalhar mais um pouco. “Nunca tive que escolher. Se tivesse minha prioridade seria a família, apesar de amar muito o que faço”, ressalta.
Destacando-se cada vez mais na empresa, onde começou como estagiária, a arquiteta fechou o escritório, dedicando-se por um período integral à construtora, onde hoje é reconhecidamente o braço direito do presidente.
Mesmo com tanta responsabilidade e pressão natural que o cargo demanda, a arquiteta nunca descuidou da criação da filhas (ambas cursam arquitetura), nem mesmo da casa: é ela quem decide o cardápio das refeições. Como gosta de cozinhar, costuma ainda elaborar pratos para a família.
De forma espontânea comenta que o dia 8 de março deve ser comemorado sim, uma vez que tantas batalhas neste campo foram vencidas. “Vejo como um rito de passagem o qual estamos vencendo”, diz Maria Cristina.
Mesmo apoio familiar, desde o início da carreira, teve a clínica geral Vânia Lúcia Tanure Abreu. Aos 57 anos, coordena a equipe de emergência (são cerca 40 médicos) em dois plantões semanais no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS). Às segunda e quinta-feiras, entra no hospital às 7 e só sai às 19 horas. Nos outros dias da semana, atende em seu consultório.
Mãe de Carolina, 27 anos, e Maria Luiza, 26 anos, ela relembrou o começo da carreira quando saía de Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, às 5 horas para trabalhar em Belo Horizonte, retornando às 22 horas. “Meu marido sempre me deu força. Quando Carol nasceu, parei de trabalhar somente um mês, pois não tinha licença maternidade”, recorda a médica. Ela não gosta quando é chamada de heroína por desempenhar funções diversas. “Acho que não tenho nada demais. São várias as mulheres com situações semelhantes”, resume a médica.
A oncologista Nedda Maria Vasconcelos, 54 anos, também sabe muito bem o que é dividir plantões puxados com a rotina de mãe (tem dois filhos) e dona de casa. “Sempre quis ser médica. Acredito que o esforço da mulher é sempre dela mesma”, afirma a especialista.
Na luta, a dentista Adriana Farah Ziade, 46 anos, teve que se manter forte para segurar emocionalmente a estrutura de sua família (tem duas filhas) quando, aos 43 anos, ficou viúva. O marido, que tinha um problema cardiológico, batalhou pela vida por 20 anos em duras rotinas hospitalares. As filhas sempre acompanharam de perto a situação. “Eu acho que temos nossas missões. A minha é ser mãe, companheira e profissional”, finaliza a dentista.