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Leonardo Morais
Os ficus gigantes são uma atração a parte para quem passa pela orla da Ilha dos Araújos, em GV
Leonardo Morais
Os saguis são “visitantes” comuns no calçadão da ilha
GOVERNADOR VALADARES – Alunos do Programa de Educação Ambiental (Progea) vão ajudar a Polícia Militar do Meio Ambiente a catalogar a fauna e a flora do entorno do calçadão da Ilha dos Araújos, onde está a maior porção de vegetação em área urbana de Governador Valadares, no Leste do Estado.
O trabalho começou em fevereiro e sinaliza para a existência de mais de 5 mil árvores de médio e grande portes nos 4,8 quilômetros de extensão do calçadão, informou o sargento Márcio Marcelino de Freitas. A Ilha dos Araújos é um bairro considerado cartão-postal da cidade, e seu calçadão atrai centenas de pessoas todos os dias. A previsão é concluir os trabalhos em 2011.
Segundo o sargento, a PMMA vem explorado espaços oferecidos pela Ilha dos Araújos como sala de aula natural há vários anos, mas agora será a vez de os alunos das escolas estaduais e municipais receberem as orientações sobre o bioma urbano e ainda auxiliarem na catalogação.
A visita será feita na sexta-feira. “Ensinaremos sobre o Rio Doce, tipos de vegetação, nomes das árvores e flores e sobre a diversidade da fauna. Temos aqui aves, micos, insetos, cobras, teús e outros animais. Também trabalharemos conceitos relacionados ao bioma do Pico da Ibituruna”, explica Marcelino.
Em uma das atividades, os estudantes terão os olhos vendados para melhorar a percepção do canto dos pássaros e aprender a identificar animais pelos sons que eles emitem. A proposta, segundo o sargento, é torná-los adultos conscientes sobre a importância da preservação do meio ambiente. “Muitos passam pelo calçadão sem prestar atenção na biodiversidade. Estão perdendo a oportunidade de ouvir o ruído dos animais em plena cidade grande”.
O calçadão margeia o rio e a Avenida Rio Doce. Nele é possível fazer caminhada, corrida e andar de bicicleta ouvindo o quebrar do rio nas pedras, o canto de pássaros como o bem-te-vi, o pica-pau e o sabiá. Saguis e micos, acostumados à presença humana, descem das árvores para pegar frutas nas mãos dos turistas. Preás, gambás e capivaras estão na lista de habitantes. Mais raros, jacarés-do-papo-amarelo costumam fazer ninhada próximo à ponte, principal ligação entre o bairro e a cidade.
Entre as árvores, chamam a atenção os jequitibás rosas, mognos diversos, gameleiras, ipês de várias cores, pau-brasil e figueiras. É grande também a quantidade de espécies frutíferas, como amoras, goiabas, cajás, ameixas, mangas, acerolas e até jamelão, que podem ser colhidos por quem passar.
Segundo o sargento Édson Lopes Ferreira, do Pelotão de Meio Ambiente, muitos valadarenses não conhecem a riqueza da Ilha dos Araújos, apesar de passarem pelo calçadão todos os dias. Ele alerta que, embora alguns moradores se esforçam para preservar, outros despejam entulhos, restos de construção e lixo doméstico às margens do Rio Doce e do calçadão.
Plantio começou nos anos 80
De acordo com a Polícia Militar de Meio Ambiente (PMMA), a mata existente na orla da Ilha dos Araújos foi formada a partir de mobilizações da população e de órgãos públicos, como a Associação dos Moradores (Amai), a prefeitura, a PMMA e o Instituto Estadual de Florestas (IEF), que nas décadas de 80 e 90 realizaram várias ações de plantio, principalmente com alunos de escolas públicas da cidade. Algumas receberam placas de identificação com o nome popular e científico.
Soma-se a esse esforço a iniciativa solitária de moradores da Avenida Rio Doce, que cuidam de pequenas áreas em frente às suas residências. Ambientalistas como Gilson Essenfelder, que plantou o primeiro jequitibá-rosa em 1987. “Quem quiser uma árvore nacional e bela pode ir buscar sementes na orla da Ilha dos Araújos”, ensina o ambientalista, que aprova a iniciativa da PMMA. “Finalmente vamos conhecer nossas plantas, saber quais e quantas espécies existem nesse importante bioma de Valadares”.
O Bairro Ilha dos Araújos é residencial, tem mais de 10 mil moradores e está situado a 500 metros do Centro de Valadares. O lugar abriga mansões e tem o Pico da Ibituruna ao fundo, enriquecendo a paisagem que deu ao bairro status de classe média alta.
Originalmente propriedade de Joaquim Alves de Araújo, a ilha foi adquirida por Justino da Conceição Júnior, que a loteou, transformando-a num dos bairros mais tranquilos de Valadares.