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O operário Custódio dos Reis Santana, 29 anos, perdeu a mão depois de ter o atendimento negado nesta quarta-feira (10) de madrugada em dois hospitais de Belo Horizonte. Ele sofreu acidente de trabalho, e na esperança de ter a mão implantada, colocou a mão em uma sacola cheia de gelo, mas não conseguiu ser atendido pelos médicos do Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS), que estavam em greve. A direção do hospital informou que vai apurar o caso. A Polícia Civil também decidiu abrir inquérito para investigar se houve omissão de socorro. Além disso, O Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais estuda a possibilidade de abrir uma sindicância para apurar o caso. Esse procedimento poderá ser instaurado se for formalizada uma representação pelo operário ou algum familiar.
Conforme consta na ocorrência da Polícia Militar, Custódio dos Reis foi levado por uma ambulância. Ele passou pela triagem, mas recebeu informação da equipe de enfermagem que somente os casos de emergência, em que havia risco de morte, seriam atendidos. Em 24 horas, 200 pessoas que foram ao HPS tiveram que procurar outros hospitais e 20 foram atendidas.
Em seguida, o operário foi levado para o Hospital Odilon Behrens (HOB), no Bairro São Cristóvão, Região Noroeste de Belo Horizonte. “O motorista da ambulância ficou nervoso, chegou a perguntar se aquilo não era urgência ou emergência, mas os dois únicos médicos de plantão estariam em cirurgia e não puderam atender o rapaz”, recordou cinegrafista José Silvano Lopes acompanhava o irmão, Jander Lopes, que também aguardava atendimento após ter sofrido um acidente de trabalho. Ele viu quando Santana chegou ao HOB.
O motorista da ambulância acionou a Polícia Militar e retornou ao HPS com os policiais. Depois de 40 minutos, Santana foi submetido a uma cirurgia, mas a mão dele não pôde ser reimplantada porque “houve esmagamento da camada íntima da artéria”. Segundo a Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), em alguns casos, o membro pode ser reimplantado em até 8 horas, mas não foi o caso devido à gravidade de lesão. Entre as duas tentativas de atendimento, houve um intervalo de duas horas, de acordo com a PM.
A assessoria de imprensa do Hospital Odilon Behrens informou que o operário chegou a ser avaliado pelo médico coordenador-geral que estava de plantão, mas foi informado que os dois médicos ortopedistas de plantão estavam em cirurgias de emergência em pacientes que tiveram fraturas expostas e que ele, caso quisesse, poderia aguardar, mas que o ideal seria buscar o atendimento no HPS João XXIII, referência neste tipo de trauma. A assessoria de comunicação da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) informou que o operário foi avaliado na triagem, na primeira vez em que esteve no pronto-socorro, pelos médicos e enfermeiros que fizeram parte do comando da greve de 24 horas.
Sindicato alega falta de profissionais
A Fhemig disse que não pode informar qual o motivo do não atendimento do operário, já que o hospital segue as regras definidas pelo Protocolo de Manchester, que determina a ordem de atendimento dos pacientes.
Em nota, o Sindicato dos Médicos de Minas Gerais alegou que há 15 meses está lutando por melhorias nas condições de trabalho, remuneração e ampliação das equipes médicas do HPS. A falta de profissionais para o atendimento é um dos graves problemas do hospital. “Os gestores insistem em dizer que o hospital está bem estruturado, mas até o momento, as equipes médicas continuam incompletas e isso compromete cada vez mais o atendimento”, diz a nota.
Nesta quinta-feira (11) os médicos fazem uma nova assembleia para decidir por nova paralisação. Sobre o caso do paciente Custódio dos Reis Santana, o sindicato justificou que este não havia risco iminente de morte.