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Reprodução
Ana Carolina foi supostamente assassinada pelo maníaco sexual
Duas pessoas que estiveram em cenas de crimes diferentes e viram a atuação de um suspeito nelas podem ajudar a Delegacia de Homicídios a encontrar o maníaco do Bairro Industrial, suspeito de ter estuprado e estrangulado cinco mulheres, daquele bairro de Contagem e da Região do Barreiro. Uma dessas testemunhas, segundo informações da delegacia, é a mulher localizada pelo HOJE EM DIA, e que fez com exclusividade a descrição do suspeito, na edição de sexta-feira (5), como sendo um homem branco, estatura mediana e cabelo encaracolado muito curto, que vestia calça jeans, camisa de malha branca e teria 30 anos. A outra possível testemunha ocular seria um homem, que viu a ação de um suspeito próximo ao carro de outra vítima e comentou isso com uma pessoa que trabalhava ali próximo. Por meio desse trabalhador é que os investigadores chegaram ao homem.
Tanto a mulher quanto o homem estão muito amedrontados com a possibilidade de o maníaco os reconhecer e voltar até os lugares onde as vítimas foram abandonadas para tentar matá-los. Por esse motivo, os locais e crimes a que estariam relacionados não serão revelados, bem como suas identidades. As informações deles fazem parte do inquérito que apura os assassinatos e ajudaram a construir um retrato falado, que a polícia considera forte instrumento de identificação do assassino. Vários suspeitos teriam aparência similar à descrita pelos dois.
A mulher contactada pelo HOJE EM DIA disse que na noite do crime estava assistindo uma telenovela, quando teria visto alguém saindo de perto do veículo de uma das vítimas. “Começou o alarme do carro (da mulher assassinada) a tocar. Na mesma hora eu cheguei lá na janela e olhei lá pra baixo. Aí cheguei (mais perto) e olhei, e vi um cara que estava indo para lá (sentido interior do bairro, se afastando do veículo)”, conta.
A outra testemunha, um homem, teria visto o suspeito perto do carro onde depois se soube que uma das vítimas estava. “Existe um lapso entre o momento do desaparecimento e o que o veículo foi encontrado. Não se sabe em que momento exato ele viu o suspeito. Ele disse a um colega: ‘vi um cara olhando o carro lá’. Nós o procuramos e convencemos a depor”, disse o delegado que preside o inquérito, Frederico Razzo Lopes Abelha.
Três dessas cinco mulheres mortas tiveram o esperma do maníaco recolhido de seus corpos e roupas. O exame de DNA possibilitou confirmar que se tratava de um mesmo agressor. São elas a empresária Ana Carolina Menezes Assunção, 27 anos, Maria Helena Aguilar, de 48 anos, e a contadora Edna Cordeiro de Oliveira Freitas, 35 anos. Dois outros casos ainda não foram confirmados. Um deles é a morte da comerciante Adina Feitor Porto, 34 anos, que desapareceu em 27 de janeiro de 2009, no Lindeia, Região do Barreiro. O carro dela foi deixado na Via Expressa, altura do Bairro Camargos, na Região Noroeste. Seu corpo apareceu uma semana depois, numa estrada rural da cidade de Sarzedo. Ela também apresentava sinais de estrangulamento. Devido à exposição do corpo e sua decomposição, não foi possível coletar o material genético do assassino.
Dois casos de estupro foram descartados
Um desaparecimento também pode estar relacionado à ação do maníaco. A estudante de direito da PUC Betim, Natália Cristina de Almeida Paiva, 27 anos, que sumiu em 7 de outubro de 2009. Ela saiu de casa, no Bairro Margarida, Região do Barreiro, por volta das 6 horas, para ir à faculdade. Na noite do dia 8, o veículo de Natália, uma picape Strada, foi encontrado na Rua Gerson Coelho, no Barreiro de Baixo, a 50 metros do 41º Batalhão da PM.
Na manhã do último sábado, os cidadãos de Contagem ficaram mais apreensivos ainda com outras duas mulheres vítimas de violência sexual sob a mira de armas de fogo. A polícia acredita que os crimes foram ações de um mesmo homem, mas descartam a relação com o serial killer.
Nesta segunda-feira (8), apenas o caso de uma delas chegou para a delegada de mulheres de Contagem, Bela Maria Conceição Sampaio. A mulher, de 24 anos, foi capturada pelo criminoso no Bairro Serrano, forçada a entrar num carro prata, onde foi violentada e deixada no Xangrilá. Segundo informações da policial, ainda não há suspeitos detidos. O outro caso ocorreu no mesmo dia, cerca de 40 minutos antes, no Bairro Arvoredo. A mulher, de 23 anos, foi rendida por um homem com revólver, obrigada a entrar no carro onde foi estuprada e depois abandonada no Bairro Cabral.
Nesta terça-feira (9), os advogados Dino Miraglia, Antônio Rolim e Ércio Quaresma, que defenderam e conseguiram a absolvição de três acusados de matar a estudante Laila Ribeiro, 19 anos, em 2002, programaram uma entrevista coletiva. Para eles, o caso da jovem, que também foi estrangulada e vivia no Bairro Camargos, sete anos antes da primeira suposta vítima do maníaco do Industrial, pode ter ligação. Eles vão mover uma ação contra o Estado para indenizar seus clientes.