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O atendimento na principal unidade de urgência e emergência da rede pública do Estado ficou restrito, nesta terça-feira (9), a pacientes com risco iminente de morte. Médicos do Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS), em Belo Horizonte, na Região Hospitalar, cruzaram os braços. O motivo é o movimento grevista, que estava previsto para prosseguir até as 7 horas desta quarta-feira (10). Os profissionais reivindicam melhores salários e condições adequadas de trabalho. A classe volta a se reunir nesta quinta-feira (11), durante assembleia. Se não houver retorno positivo do Governo estadual, os médicos podem decidir por uma paralisação por tempo indeterminado.
Na portaria do João XXIII, um grupo de médicos da urgência e emergência fazia a triagem dos pacientes que deveriam ser atendidos no local. De acordo com um dos clínicos, só estavam sendo recebidos pacientes graves, com politraumatismo, perfurações à bala, queimaduras graves e intoxicação. Até o início da tarde desta terça-feira (9), o levantamento parcial da triagem indicava que 106 pacientes tentaram atendimento no HPS, mas somente seis foram atendidos. Os demais casos foram para Unidades de Pronto-Atendimento (UPA’s) e outros centros de saúde, como Hospital Odilon Behrens (HOB), no Bairro São Cristovão, Região Noroeste.
Um dos casos direcionados para outro endereço foi o do estudante Lucas Vinícius Pereira, 15 anos, com fratura no braço esquerdo. Acompanhado da mãe, Cláudia Souza, 39 anos, ele foi até o HPS, mas não conseguiu atendimento. “Meu filho quebrou o braço, mas não tem como ser atendido. Está com muita dor e ainda temos que ficar procurando um lugar para ele ser atendido”, reclamou.
O operário Luciélio Rodrigues, 33 anos, também teve que dar meia-volta no João XXIII e procurar atendimento em outro local, mesmo mostrando para os médicos da triagem o braço com um profundo corte. Com muitas dores e sem o atendimento necessário, Rodrigues, bastante nervoso, mal conseguia falar. “Nem sei para onde eu vou. Tenho que olhar logo esse machucado”.
Com o direcionamento de pacientes para o HOB e UPA’s, por causa do movimento grevista, a demanda ficou maior nessas unidades. De acordo com a assessoria de imprensa do Odilon Behrens, o atendimento aumentou cerca de 10% - por dia, 420 pessoas são atendidas no hospital.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, também houve aumento nas UPA’s mais próximas do HPS. Segundo a assessoria, as unidades Oeste, Leste, Nordeste e, principalmente, a Centro-Sul, foram as que tiveram maior procura. Na UPA Centro-Sul, no Bairro Santa Efigênia, houve aumento de 5% no número de atendimentos, até a tarde desta terça-feira (9). A média de atendimento na Centro-Sul, por dia, é de 180 pacientes. Já no Hospital Risoleta Tolentino Neves, em Venda Nova, não houve aumento significativo da demanda.
O clínico geral do HPS Carlos Magno disse que a classe reivindica melhores salários e condições adequadas de trabalho há 15 meses. Segundo ele, a situação no pronto-socorro é crítica, com equipes incompletas para o atendimento dos pacientes e falta de equipamentos e medicação adequada. “Não tem como trabalhar assim”, resume.
Conforme ele, o salário-base dos médicos é de R$ 2.400 e o abono de R$ 1.500 para os que trabalham no pronto-atendimento não é incorporado à aposentadoria. De acordo com a assessoria da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), as reivindicações dos médicos estão sendo analisadas e negociações estão sendo feitas com a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de Minas Gerais. A Fhemig garantiu que tentará resolver a questão para que a situação não se prolongue por mais tempo.