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MARCELO PRATES
Cartão postal da capital mineira, Pampulha está repleta de lixo e lodo
Osmais de 40 dias de estiagem e de baixa umidade do ar em Belo Horizonte provocam uma série de transtornos para a população, mas para quem mora ou passeia às margens da Lagoa da Pampulha, um dos principais cartões-postais da cidade, a sensação de mal-estar se torna quase insuportável. A seca prolongada resulta na proliferação e no acúmulo de algas e bactérias, aumentando o mau cheiro que exala do reservatório.
A cor verde da água é sinal de que a poluição, provocada sobretudo pelo lançamento de esgotos, atingiu níveis bem superiores ao tolerável. A Prefeitura reconhece o problema, mas afirma que esforços são empreendidos em parceria com a Copasa e a administração municipal de Contagem para que, em meados de 2013, as águas estejam limpas a ponto de permitir a prática de esportes náuticos e até o nado.
Na manhã desta quarta-feira (21), a reportagem do HOJE EM DIA flagrou o jacaré que vive há pelo menos uma década na lagoa totalmente “pintado de verde”. O secretário da Regional Pampulha, Osmando Pereira, informou que o investimento de R$ 500 milhões na dragagem do reservatório eliminará o mau cheio já na estiagem do próximo ano.
A dragagem, segundo ele, será seguida de uma biomediação (remoção e destinação do solo), que deixará a água mais limpa e poderá resultar na criação de duas ou três ilhas a serem transformadas em novas reservas ecológicas. A drenagem deverá ser concluída até o final de 2012 e a eliminação total do esgoto está prevista para maio de 2013.
O biólogo Rafael Resek, especialista em recursos hídricos, observa que o fenômeno das águas esverdeadas é considerado normal nessa época do ano, justamente por causa da estiagem.
“Com a chuva, a água é renovada e as impurezas escoadas”, explica, observando que o problema é agravado com o lançamento de dejetos. “As algas que ocorrem naturalmente na água se proliferam com o aporte de esgoto”. Os córregos Sarandi e Ressaca, cujas nascentes são em Contagem, respondem por pelo menos 70% do resíduos que chegam até a lagoa.
Diariamente, a lagoa recebe 15 milhões de litros de dejetos.
O gerente de Planejamento e Monitoramento Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e coordenador do Programa de Recuperação e Desenvolvimento Ambiental da Bacia da Pampulha (Propam), Weber Coutinho, informou que todos os receptores colocados às margens da lagoa e também os previstos para instalação estarão em pleno funcionamento antes da Copa do Mundo de 2014.
Segundo ele, o problema, hoje, seria muito pior caso a Estação de Tratamento de Águas Fluviais (Etaf), montada em frente ao centro de treinamento do Cruzeiro (Toca da Raposa), não estivesse operando. A Etaf manteria a qualidade da água, eliminando 90% dos nutrientes que provocam a proliferação de algas. Ainda conforme Weber, o desassoreamento da lagoa vai começar em abril de 2011.
A Copasa informou que desde o ano 2000 foram investidos R$ 45 milhões na despoluição da Lagoa da Pampulha e que interceptores de esgoto já foram construídos na margem direita do reservatório e também nos córregos Sarandi e Ressaca e em seus afluentes no município de Belo Horizonte.
No momento, estão sendo colocados os interceptores da margem esquerda e os dos afluentes do Ressaca e do Sarandi em Contagem. No total, já foram instalados 55 quilômetros de interceptores e redes coletoras na região, e outros 35 quilômetros de interceptores e redes coletoras estão sendo feitos. A mesma assessoria informou que a empresa está investindo R$ 16 milhões para finalizar a coleta e a interceptação dos esgotos que ainda não são coletados e direcioná-los para tratamento. A previsão é de que esse trabalho seja concluído até 2013.
De acordo com o meteorologista Ruibran dos Reis, não há previsão de chuvas na cidade até o final deste mês, nem mesmo de chegada de uma nova frente fria. As chuvas deverão ocorrer somente no início de setembro, se tornando mais intensas, com prognóstico de temporais, a partir de meados de agosto. O período chuvoso, de fato, deverá ocorrer mais cedo neste ano, em função do fenômeno La Niña, no início de outubro.