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Carlos Rhienck
Michela foi entregue pela mãe, que era moradora de rua, para uma família italiana
Após 28 anos sem nenhum contato, um encontro emocionante entre mãe e filha, na Sede Administrativa da Polícia Civil, na tarde desta sexta-feira (12), foi marcado por choro e lembranças de um passado difícil envolvendo uma ex-moradora de rua que entregou a filha, então com 1 ano, para um casal de italianos que fazia trabalho voluntário internacional em Belo Horizonte.
Michela Brughera veio ao Brasil com o noivo, ambos de 28 anos, no último dia 24 com um único objetivo: realizar trabalhos voluntários. Ao chegar em Belo Horizonte, recepcionados pelo padre Pierre Luigi Bernareggi, amigo da família adotiva de Michela, a hipótese de reencontrar a mãe biológica foi levantada.
O padre conta que em apenas 15 minutos foi possível localizar a mãe biológica, por meio do sistema de informação da Polícia Civil. “Ela já tinha o nome da mãe biológica, já que os pais nunca esconderam a adoção”, explicou.
A cozinheira Edmar Silvestre dos Santos, 47 anos, que se casou novamente e teve quatro filhos também nunca escondeu da família o seu passado. “A minha mãe sempre comentou que ela teve uma filha, mas que morava na rua com ela. Como ela tinha medo que ela adoecesse, ela deu a minha irmã para o casal da Itália”, disse a copeira Natália dos Santos, 23 anos. Edmar Silvestre, segurando uma fotografia desbotada, a única que tem da filha, conta que os pais adotivos de Michela, a assistente social Maria Rita Morriale e o técnico em informática Emílio Brughera, mantiveram contato com ela somente durante três meses após regressar à Itália com a menina. “Agora, poderia morrer feliz porque vi a minha princesa. Não quero que me deixem sem notícias dela nunca mais”, disse Edmar.
Ela ainda rememorou os dias dolorosos que se passaram na companhia da filha, em 1982. “Passamos fome, frio e sede. Não podia criar a minha menina. Eu era moradora de rua, por isso tive que dar ela”, explicou.
Registrada na Itália como Michela, a jovem disse que não guarda mágoas. Com o auxílio de um tradutor, em italiano ela afirmou que ama as duas famílias e que pensa em morar no Brasil.