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Bem instruído por seu advogado e sob alegação de "legítima defesa", o ajudante de montagem Wesley Jerônimo Pedro, 21 anos, se apresentou nesta segunda-feira (8) à Polícia Civil e admitiu ter sido o autor dos cinco tiros que mataram o estudante Felipe Gomes de Carvalho, 17 anos, no dia 31 de janeiro passado, na Avenida Afonso Pena com Rua da Bahia, início da Feira de Arte e Artesanato, no Centro de Belo Horizonte. A execução provocou pânico e correria entre frequentadores do local. O motivo seria uma briga ocorrida há pelo menos seis meses entre Wesley, Felipe e seus primos, em Entre Rios de Minas.
Foragido desde então, Wesley alegou que não queria executar Felipe, mas se defender dele e seus primos, todos moradores do Bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Morador no Bairro Boa Vista, em Belo Horizonte, Wesley frequentava o Jardim Canadá por causa de uma namorada.
“Se eu quisesse matar teria feito no Jardim Canadá, que é menos movimentado”, afirmou Wesley. Ele disse que disparou contra Felipe para se defender de possíveis agressões. “Fiquei com medo porque o primo dele vinha me ameaçando”, afirmou. O agressor confirmou a versão dos primos da vítima. “Eles me bateram, inclusive Felipe, numa festa em Entre Rios. Pensei em matar mesmo”, disse Jerônimo.
Apesar de sustentar que o crime não foi premeditado, o acusado disse que pediu demissão do emprego, no mesmo bairro onde a vítima morava, e que comprou a arma do crime, mas depois tentaria se livrar do revólver modelo Smith Wess com a ajuda dos amigos Rodrigo Vieira Machado e Paulo Roberto, ambos de 21 anos, no mesmo domingo em que matou Felipe.
Wesley disse que entrou na van que seguia para o Centro de Belo Horizonte para se esconder de Felipe e também do primo da vítima, o menor W.M.C, de 16 anos, já que tinha medo da família de Felipe, numerosa no Bairro Jardim Canadá.
“Entrei no carro primeiro, depois eles entraram. Quando o carro parou, Felipe fez um movimento brusco, então, peguei a arma e disparei”, contou Wesley.
O titular da Delegacia de Homicídios Centro-Sul de Belo Horizonte, delegado responsável pelo caso, Milson Barnabé, informou que já ouviu várias testemunhas. Rodrigo Vieira Machado e Paulo Roberto Ferreira, ambos de 21 anos, suspeitos de darem fuga ao assassino em um Uno vermelho, presos em uma casa na Rua Alegre, Bairro Boa Vista, em BH, prestaram depoimentos e foram liberados.
Parentes estão muito revoltados
Familiares de Felipe ficaram muito revoltados com o crime e vários deles já prestaram depoimentos. De acordo com o delegado, Wesley deverá ser indiciado por homicídio qualificado por motivo fútil, que dificultou a defesa da vítima, já que os disparos foram pelas costas.
“Embora ele alegue que agiu em legítima defesa, já temos indícios de que o crime foi premeditado”, reforçou o delegado. Segundo o policial, a arma que teria sido usada no crime, um revólver Smith & Wesson calibre 32, número de série 477597, foi apreendida.
Ainda conforme o delegado, faltam alguns detalhes, inclusive o interrogatório de Wesley, para que o inquérito seja concluído e encaminhado à Justiça. Apesar de réu confesso, Wesley Jerônimo Pedro responderá o processo em liberdade até que o Tribunal do Júri se manifeste.