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Eugênio Moraes
Trânsito intenso no Elevado Castelo Branco pela manhã, nos dois sentidos
A frota de veículos cresceu 23% nos últimos três anos em Belo Horizonte. Números do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) mostram que já são 1,25 milhão de automóveis em circulação, ou seja, um para cada dois habitantes. Isso significa que mais de 230 mil automóveis passaram a trafegar nos principais corredores viários da capital, sobrecarregando as vias e aumentando o desafio de eliminar os chamados gargalos.
A BHTrans alerta que a situação é delicada na Região Central e planeja ações de mobilidade, como investimento em transporte público. Hoje, inclusive, a prefeitura assina convênio para agilizar o sistema de Transporte Rápido por Ônibus, o BRT.
O problema dos gargalos se evidencia no horário de pico. Por volta das 9 horas de ontem, o fluxo era lento no Elevado Castelo Branco, que liga a Avenida Pedro II (Região Noroeste) ao Centro. A poucos metros dali, no viaduto Sara Kubitschek, saída do Complexo da Lagoinha, os condutores também enfrentavam dor de cabeça para chegar no perímetro da rodoviária. Eduardo Ventura, 38, convive diariamente com essa situação, que ele classifica de “estressante”. “Sei que o trânsito vai parar. Então, aproveito o tempo perdido dentro do carro para escutar uma musiquinha e adiantar o serviço do trabalho pelo telefone”, descreve.
O gerente de Coordenação de Operação da BHTrans, Fernando Pessoa, confirma que a cena é comum no início da manhã, entre 7 e 9h30, e no fim da tarde, das 17 às 19h30. “Corredores importantes, como as avenidas Antônio Carlos, Tereza Cristina, Andradas e Afonso Pena, necessariamente desembocam ou cortam o Centro. Falta um sistema viário externo, que desvie o trânsito dali”.
Medidas operacionais da BHTrans têm se concentrado em não deixar que aconteça um “efeito dominó”. “Com o crescimento da frota e dos gargalos, um carro que estaciona em fila dupla ou estraga interfere e gera uma retenção grande, que vai se desdobrando. O ideal seria que as pessoas não circulassem tanto pela Região Central, pegassem caminhos alternativos e equilibrassem o tráfego”, recomenda Pessoa.
Ele diz que o Sistema Automático de Semáforos também poderá ajudar a melhorar a fluidez. Os sinais serão equipados com um detector e vão ter uma configuração pré-disposta por um software. “Assim que as características do trânsito mudarem, o programa escolhe o plano ideal e altera o seu funcionamento”, detalha Pessoa.
Cristina Alvarenga, 37 anos, acha que os cidadãos pensariam duas vezes antes de tirar o carro da garagem se Belo Horizonte tivesse opções de um transporte público. “Se nos oferecessem a estrutura, acho que menos carros circulariam nas ruas e aliviariam o fluxo”, comenta. Cristina faz questão de ressaltar que não é só o Centro que sofre com os gargalos. Após estacionar na Rua Paulo Luiz Franco, em frente ao BH Shopping, no Bairro Belvedere (Região Centro-sul), ela criticou o tráfego local. “Junta o pessoal vindo de Nova Lima (Região Metropolitana) com os residentes que vão em direção à Savassi e Anel Rodoviário. Trava tudo nas redondezas do shopping”, critica.
O instrutor de autoescola Wagner Cândido, 36 anos, cobra ações da prefeitura. “Moro em Contagem (RMBH) e vejo que os bairros não possuem uma independência viária.
Se acontece um acidente, aí complica de verdade”, diz ele, que gasta uma hora do Belvedere, local do trabalho, a Contagem.
Comprovando os argumentos de Cândido, um acidente deixou o trânsito lento ontem de manhã na Avenida do Contorno, no Bairro Sion (Região Centro-Sul). Um Honda City avançou o sinal no cruzamento com a Rua Grão Mogol e bateu em um Corsa. Duas pessoas tiveram ferimentos leves.
Transporte de qualidade até 2012
Melhorar o trânsito depende necessariamente de um transporte público eficiente. Até 2012, o Transporte Rápido de Ônibus (BRT, na sigla em inglês para Bus Rapid Transit) vai interligar os corredores das avenidas Antônio Carlos com Pedro I e Pedro II e Carlos Luz, além de potencializar o transporte coletivo na Avenida Cristiano Machado. Vias da área central também serão atendidas, mas os trechos ainda não foram definidos.
O convênio que a Prefeitura de Belo Horizonte assina hoje para agilizar a implantação do BRT será firmado com a Rede Embarq, organização voltada para o transporte sustentável em países em desenvolvimento. A Embarq “trabalha para catalisar e implementar soluções sustentáveis para os problemas da mobilidade urbana”, define a assessoria da Prefeitura.
A organização é formada por uma rede com cinco centros de transporte sustentável, situados no México, Brasil, Índia, Turquia e nos Andes. Esses centros trabalham em conjunto com as autoridades em transporte das cidades para reduzir a poluição, avançar a qualidade da saúde pública e criar espaços seguros e acessíveis. Curitiba (PR) foi pioneira ao implantar o BRT, a um custo pelo menos 20 vezes menor do que o do metrô e com um tempo de implantação inferior.
Uma linha do BRT deverá ser implantada também no Anel Rodoviário, para conectar os três ramais das Avenidas Antônio Carlos, Carlos Luz e Cristiano Machado. As estações de integração seriam instaladas nos cruzamentos do Anel com as respectivas avenidas, na altura do Shopping Del Rey (Região Noroeste), ao lado do viaduto São Francisco (Noroeste) e no Bairro São Gabriel (Nordeste).
O prefeito Marcio Lacerda informou, em maio, que as negociações com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), responsável pela manutenção do Anel, estão adiantadas. Ele chegou a discutir, em Brasília, a compatibilização dos projetos do BRT com a ampla reforma prevista para o Anel Rodoviário.