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VINÍCIUS MATOS
Registros mais criativos, naturais e sem muita pose
Pode parecer pedido de avó, mas ao contrário, muitos casais que pensam em oficializar o compromisso planejam fazê-lo como manda a tradição: cerimônia na igreja, festa pomposa e uma equipe que registre cada momento de forma impecável. Tudo que o casal de noivos quer são boas fotos para lembrar o dia D. Os amigos, os familiares, o semblante do pai entregando a filha, o bolo de casamento, a troca de alianças, os avós chorando, o sorriso da daminha, enfim, lembranças que qualquer casal comum tem direito de guardar. Mas para fotógrafos de casamento, a profissão, que teve um boom com as máquinas digitais, tem exigido cada vez mais especialização e conhecimento.
Eleito pela lista americana “The Best From the Best” como um dos 50 melhores fotógrafos de casamento do mundo em 2009, Vinícius Matos, conta que os casais têm se tornado cada vez mais exigentes. “Eles sempre querem novidades e exigem do fotógrafo verdadeiros álbuns de arte. É preciso estar em constante estudo das novas técnicas de fotografia e de luz. Devemos estar sempre atualizados”, afirma. Vinícius acredita que as exigências e mudanças no perfil das fotografias de casamento têm mudado de forma relevante nos últimos dez anos.
Matos diz que o comportamento da maior parte dos casais, principalmente das noivas, também mudou. “As pessoas faziam fotos posadas, na porta da igreja ou na frente do bolo. Eram imagens que retratavam um tempo, algo bem tradicional. Hoje as noivas querem fazer making off, algo bem descontraído e isso, em determinada época, era inimaginável”, afirma.
O fotógrafo Carlos Guilherme, 66 anos de idade e 30 de profissão, lembra que logo que decidiu entrar para a profissão, a fotografia exigia talento, mas contava também com um bocado de sorte. “Fotografar uma cena que não poderia ser perdida com uma analógica, sem dúvida, era arriscado, mas exigia do fotógrafo habilidade e competência. Não era qualquer um que poderia fazê-la”, recorda.
Hoje, segundo ele, as coisas não funcionam bem assim. Para Carlos, as máquinas digitais, de certa forma, democratizaram a fotografia, mas ele confessa que não é muito fã de fotografar casamentos com esse tipo de equipamento. “É preciso adaptação e atualização constantes para corresponder às expectativas do cliente. Com a máquina digital surge até uma certa competição com pessoas comuns que adquirem equipamentos tão bons quanto o nosso e também estão presentes nessas cerimônias fazendo suas imagens. A partir daí, para conseguir sucesso nos resultados finais e ter o trabalho reconhecido, temos a obrigação de mostrar nosso diferencial e é isso que os casais modernos pedem”, afirma.
Já Vinícius Matos destaca que um bom equipamento por si só não garante uma boa imagem. “O cliente se tornou mais crítico e exigente”, garante. O fotógrafo explica ainda que uma imagem com foco, boa iluminação ou enquadramento não é um diferencial, “mas uma obrigação”. “Aquelas pessoas que entregam imagens com a cabeça cortada ou cenas embaçadas, por exemplo, não são fotógrafos, muito menos profissionais. Uma boa foto é aquela que guarda o momento com arte”, ensina.
Quando os engenheiros Adriana e Lucas Lombardi Duarte, de 29 e 33 anos, decidiram se casar fizeram questão de realizar todas as cerimônias que um casamento tradicional manda. “Isso era muito importante pra gente. Hoje pegamos as fotos e dizemos ‘lembra dessa hora?’. É como se cada detalhe estivesse vivo. Desde o começo deixamos claro que não queríamos um álbum comum, mas algo que mostrasse nosso perfil, exatamente como somos um com o outro. Nosso fotógrafo conseguiu fazer isso tão bem que amigos nossos que viram o álbum disseram ‘nossa! Ficou a cara de vocês’. Ter esse resultado é muito bom”, comenta Adriana.
Seguindo ainda uma tradição bem antiga, Lucas diz que ele e a esposa fizeram questão de revelar todas as 102 fotos do seu álbum de casamento. “Ver uma foto no papel chega a ser emocionante. As pessoas se envolvem mais. Você pode até não conhecer aqueles que estão na imagem, mas se indigna, se identifica e até se comove com uma fotografia. Cada imagem revelada remete à nostalgia do que aquele dia representou pra gente”, garante o engenheiro.
A estudante de Arquitetura da UFMG, Isabella Duarte Campos, 23 anos, está contando as horas para o tão esperado dia. “Faltam quatro meses para o meu casamento e já escolhi tudo, inclusive o fotógrafo. Conversamos bastante e já planejamos tudo. Não é um serviço barato, aliás, talvez seja até um dos mais custosos para os noivos, mas cada centavo vale a pena. Serão imagens guardadas de um dia muito importante pra gente”, afirma. O noivo da estudante, o professor de Física André Alves, 30 anos, contou que na hora da escolha conversou até sobre as técnicas e equipamentos que seriam usados no dia da cerimônia. “Queremos o mínimo possível de Photoshop, talvez isso dê mais trabalho pra ele, mas o contrato é bem claro”.
Cuidado ao escolher o profissional
Na hora do casamento o fotógrafo desaparece ou simplesmente bebe mais do que os convidados. Parece mentira, mas a partir daí, o resultado das tão esperadas fotos se transforma em pesadelo. Cabeças cortadas, imagens desfocadas, iluminação estourada, a mãe que não aparece em nenhuma imagem ou o auxiliar do fotógrafo que, ao contrário, insiste em ficar no fundo da única imagem em que a noiva não aparece piscando. Para tentar evitar que cenas como essas façam parte de um álbum de casamento medidas bem simples podem ser tomadas, basta ser cauteloso e não deixar para escolher o fotógrafo na última hora.
Ao contrário da esposa que não consegue sequer tocar no assunto, o empresário Raphael Zanetti, 35 anos, já fala e até mesmo ri do álbum de fotografias do seu casamento. “A equipe que contratamos tinha quatro caras. Fizeram centenas de fotos e odiei a maioria, talvez por conta do meu olho clínico, queríamos tudo mais perfeito. Mas a impressão que tivemos já no início da festa era de que o dono da empresa chamou o filho, o sobrinho, o amigo de um primo e um outro moleque para fazerem as fotos”, recorda. Zanetti lembra que no fim da festa um deles estava bêbado. “Pra escolher as fotos foi uma luta. Tivemos que repetir imagens de uma mesma fotografia e pedimos uma versão colorida, outra sépia e outra preta e branca. Ainda assim ficaram faltando imagens e complementamos nosso álbum com fotos de amigos”.
O álbum de casamento de Marc e Sylvia Day, moradores da cidade de Wakefield, no Norte da Inglaterra, incluiu fotos mostrando somente a parte de trás das cabeças dos convidados, as cabeças aparecem cortadas e imagens somente de carros. O casal pagou mais de R$ 4 mil por um pacote incluindo fotos e um vídeo do casamento. “Nós tínhamos que escolher 40 fotos e só conseguimos achar 22 que pareciam razoáveis. Eu olhava para as fotos e pensava: ‘não acredito que isso aconteceu’”, conta Sylvia.
Vinícius Matos, que irá lançar um livro em abril pela editora Photos, aconselha aos casais muita cautela na hora da escolha. Ele destaca que o mais importante não é o preço, mas a empatia. “Muitas vezes o fotógrafo é um excelente profissional, mas você e a equipe dele não se identificam. Ele pode ter feito lindas imagens do casamento da sua melhor amiga, mas isso não garante que o trabalho dele tenha a ver com o que casal realmente é e quer”, diz.
Ele recomenda pedir para que o fotógrafo indique equipes que fazem iluminação, vídeo e maquiagem. “O ideal é fazer as fotos em casa, com a família e os amigos. Quanto mais informação do casal e da família melhor".