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LEO HOMSSI/ ARQUIVO HOJE EM DIA
A cidade de Ouro Preto é tombada, desde 1938, como patrimônio nacional
Cidade de Aleijadinho e palco da Inconfidência Mineira, Ouro Preto completou 30 anos que recebeu o título de Patrimônio da Humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Um verdadeiro museu a céu aberto, a cidade foi a primeira no Brasil a conquistar o reconhecimento internacional, em 1980.
Nessas três décadas, Ouro Preto sofreu mudanças. A população aumentou, começou a ocupar periferias, os universitários passaram a fazer cada vez mais parte dos espaços públicos, e os moradores tiveram que se adequar às necessidades de preservação de todo o patrimônio.
O prefeito Ângelo Oswaldo de Araújo era secretário de Cultura do município na época do título. “Em 1972, a Unesco criou o convênio do patrimônio cultural da humanidade e, oito anos depois, inscreveu Ouro Preto como o primeiro bem brasileiro. A cidade é tombada, desde 1938, como patrimônio nacional, mas cinco anos antes ela foi declarada cidade monumento nacional por Getúlio Vargas”, explicou o prefeito.
Preservar essa magnitude requer investimentos para que todo o bem seja conservado e restaurado. “Agora, trabalhamos em cima da identidade. Quando se conquista um título dessa importância, as pessoas precisam aprender o que é patrimônio e que ele precisa ser cuidado. É preciso ter compromisso”, afirmou a presidente da Fundação de Artes de Ouro Preto (Faop), Ana Pacheco.
Após o recebimento do título, segundo Ana Pacheco, houve uma mobilização popular para que o patrimônio fosse preservado. “Trabalhamos, com o público jovem, infantil e a terceira idade, essa ideia do pertencimento, da memória que a cidade nos remete. Para comemorar os 30 anos, vamos estender essa reflexão em um seminário para ensinar o que é patrimônio.”
Como Ouro Preto é uma cidade universitária, Ana contou que esse público também é orientado através de encontros que explicam que a cidade não é só um cartão-postal. “Trabalhamos para acordar a sensibilidade nos estudantes. Eles precisam saber onde estão morando, conhecer Ouro Preto, amar e cuidar”, afirmou.
E se a cidade está em constante crescimento, outro foco da Faop é exatamente os moradores da periferia, que adensaram os morros e não moram ou têm contato menor com o Centro histórico. Para eles, são organizados cursos, palestras, disciplinas nas escolas públicas, sempre para sensibilizar para a importância da preservação.
Ângelo Oswaldo lembrou que o título chegou em um momento que a cidade estava precisando de ajuda. “O município tinha sofrido intensamente com as chuvas de 1978/79. Foram seis meses de chuvas torrenciais, que provocaram deslizamentos e chegaram a ameaçar alguns dos principais monumentos. Isso implicou investimento alto do Governo do Estado”, contou.
Segundo o prefeito, o conceito de patrimônio mundial também contempla a situação de risco do monumento. “O fato de existir risco é importante para que o bem seja reconhecido”, afirmou. “A Unesco nos dá uma chave, e com ela abrimos ou fechamos as portas. A cidade canaliza uma série de investimentos através de leis de incentivo, e isso tem que ser bem direcionado”, completou.
Unesco enviou missão à cidade para diagnóstico
Em 2003, a Unesco enviou uma missão para fazer um diagnóstico de como estava a situação de Ouro Preto. Na época, segundo o atual prefeito, foi constatado que faltavam mecanismos de regulação urbana e controle do patrimônio. E o Governo federal teria sido, inclusive, notificado pela situação de fragilidade pela qual a cidade passava.
No mesmo ano e apenas quatro dias após a inspeção da Unesco, um incêndio de grandes proporções confirmou o problema. Dois casarões do século XVIII, que ficavam no coração da cidade, na Praça Tiradentes, foram totalmente destruídos. Em estilo barroco, um deles abrigou o Hotel Pilão no passado.
Na data do incêndio, havia no local uma joalheria. “Só a partir daí, providências foram tomadas. Hoje existe uma Companhia Independente do Corpo de Bombeiros na cidade e também brigadas de voluntários”, afirmou Oswaldo.
Paraty e Rio na expectativa
A cidade de Paraty, no Rio de Janeiro, e a capital carioca estão em processo para também serem consideradas patrimônio da humanidade. A primeira pela importância histórica do seu centro histórico, e a segunda, na categoria paisagem cultural, conforme informou o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Luiz Fernando de Almeida.
Ainda não há previsão de quando o resultado será divulgado. “O título estabelece um novo agente dentro do processo de proteção da cidade. A ideia do patrimônio mundial é de que haja um reconhecimento. Essas cidades têm maior projeção no mundo, são divulgadas em revistas, têm mais contato com organismos internacionais”, afirmou. Para ele, se tornar patrimônio mundial é uma forma de colaborar para o processo de manutenção da história.
Ouro Preto, cidade que tem 1.270 quilômetros quadrados de área total, abriga 12 distritos. E eles também têm passado por processo de preservação. Segundo o prefeito Ângelo Oswaldo, todos eles devem ser tombados pelo patrimônio municipal.
A primeira a ser tombada foi o Arraial de São Bartolomeu, que existe desde o século XVIII. Da mesma localidade, a goiabada fabricada lá também foi tombada como bem imaterial.