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Marcelos Prates
As pichações em BH atingem prédios particulares e públicos, além de monumentos
O número de suspeitos presos por pichações em prédios públicos e particulares, além de monumentos, aumentou neste ano em Belo Horizonte depois da criação da Divisão Especializada de Meio Ambiente. Até outubro, em ações conjuntas das policias Civil e Militar e da Guarda Municipal, foram detidos 347 pessoas, 31 a mais do que em todo o ano passado.
Nesta quinta-feira (16), testemunhas de acusação e de defesa foram ouvidas, na 2ª Vara Criminal do Fórum Lafayette, em uma audiência de instrução de julgamento de oito envolvidos em pichações na capital. A gangue é conhecida como Os Piores de Belô. Sete cumprem prisão preventiva, em São Joaquim de Bicas e no Ceresp da Gameleira, e um está foragido. Eles foram denunciados pelo Ministério Público Estadual (MPE) por formação de quadrilha.
De acordo com a denúncia do MPE, desde 2008, o grupo pichava construções, prédios públicos e particulares e monumentos de Belo Horizonte, “de forma estável e permanente”.
Para chegar até os suspeitos, um agente da Delegacia de Meio Ambiente se passou por pichador, em site de relacionamentos, com o objetivo de acessar as páginas individuais dos integrantes da gangue e identificar os envolvidos, além de ter acesso à forma como o grupo agia. Por meio dos codinomes existentes nas diversas pichações, a polícia conseguiu identificar os suspeitos.
Também pela internet, os pichadores provocavam gangues rivais, informando qual seria o próximo local a ser depredado. O bando que sujasse o local mais perigoso venceria o desafio. Nos depoimentos, os jovens afirmaram que são integrantes do grupo Os Piores de Belô e queriam deixar suas marcas na capital.
Em 2009, 316 suspeitos foram conduzidos para diversas delegacias de Belo Horizonte e da Região Metropolitana por envolvimento com gangues de pichadores. O número de detenções até outubro deste ano foi de 347.
De acordo com o delegado Leonardo Vieira, da Divisão de Meio Ambiente, o número de ocorrências diminuiu e o de prisões cresceu, por causa das investigações que já estavam em andamento. “Como os principais pichadores estão presos, os que estão nas ruas agem menos, com medo de serem presos e julgados”.
A ação da Polícia Militar é feita em monitoramentos nas ruas de Belo Horizonte, juntamente com agentes da Guarda Municipal e por meio das câmeras de Olho Vivo. Em setembro de 2008, dois dos jovens da gangue foram flagrados por uma câmera, de madrugada, escalando um prédio no centro da capital. Eles foram presos quando saíam do imóvel.
Segundo o tenente-coronel Marco Antônio Bicalho, um mapeamento realizado durante as investigações apontaram que as regiões Centro-Sul, Nordeste e do Barreiro são os principais alvos dos pichadores que atacaram, principalmente, monumentos importantes, como o Pirulito da Praça 7, escolas públicas e hospitais. Até o fechamento desta edição, a audiência ainda não havia terminado.