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Carlos Roberto
Cada cor sugere um tipo de ligação
Quem vê as pulseirinhas de silicone coloridas nos braços de crianças e adolescentes não acredita que, para algumas pessoas, elas carregam uma conotação sexual. As “pulseirinhas do sexo”, como estão sendo chamadas atualmente, já rodaram o mundo e estão virando febre em Belo Horizonte. O que preocupa pais e educadores é que até mesmo crianças de 9 anos já estão sabendo dos significados das cores e participando da brincadeira.
Cada uma das pulseirinhas representa ligações afetivas que podem variar do simples abraço até a relação sexual, determinando inclusive posições. Com medo de banalizar o sexo entre as crianças, escolas já estão discutindo o assunto em reuniões com os pais. A mãe de um garoto de 11 anos, que pediu para que não fosse identificada, disse que na escola do filho casos já começaram a aparecer. Segundo ela, foi contado na reunião que uma menina usava a pulseira preta, que significa sexo, e, depois de ser arrebentada acidentalmente por um garoto, ela acabou fazendo a proposta para o colega. “Ela virou para ele e disse: ‘você quer mesmo isso?’”, contou a mãe do menino, dizendo que a direção da escola ajudará a impedir a disseminação da conotação sexual. O colégio também pediu que os pais fiquem em alerta.
O psicanalista da PUC Minas, Vitor Ferrari, acredita que a idade não é apropriada para brincadeiras como essa. “O que os pais podem fazer é oferecer um espaço ao diálogo em relação à sexualidade”, aconselhou, acreditando ainda que a maioria das crianças não sabe do significado e usa as pulseiras simplesmente porque acham bonitas.
Depois de descobrirem a conotação sexual, algumas crianças estão deixando de usar o adereço. Foi o que aconteceu com o estudante Igor Vieira Reis, 9 anos, que ganhou as pulseiras de uma amiga, mas que deixou de usá-las na escola depois que descobriu o significado de “beijo e abraço”. “Eu gosto das pulseiras por causa das cores. Entre meus colegas, tem mais meninos do que meninas usando”, contou.
Mesmo assim, ainda há crianças que já estão marcando até encontros dentro da escola. Alguns alunos que não quiseram se identificar disseram que no Colégio Padre Eustáquio, no bairro de mesmo nome, uma estudante de 9 anos marcou um encontro com um colega, na biblioteca, para se beijarem, depois que ele arrancou a pulseira do seu braço. Em nota, o colégio afirmou que a instituição “convocou os setores pedagógicos para buscar informações sobre o assunto”, mesmo antes de detectar o uso do acessório pelos alunos. A escola ainda disse que não tem a preocupação de proibir o acessório, mas de conscientizar os estudantes, “visto que grande parte dos alunos não conhece o significado dado às pulseiras coloridas e utilizam as mesmas simplesmente por estarem na moda”.
Apesar disso, tivemos informações de estudantes e pais que o Colégio Padre Eustáquio está pensando em proibir o uso das pulseiras e já tomou alguns acessórios de adolescentes que estudam no local.
Jogo preocupa se houver coação
Para Vitor Ferrari, a brincadeira entre adolescentes é normal, já que eles estão na fase da descoberta da sexualidades. “O mais apropriado é falar sobre o assunto quando o adolescente se sentir pronto para vivenciar o novo fenômeno”, recomendou. A brincadeira, segundo ele, só começa a ser preocupante para o adolescente quando ocorre qualquer tipo de coação. “Você tem que poder escolher se quer ou não participar e poder sair da brincadeira na hora que te convir”, recomendou, dizendo que o uso do acessório não deve ser proibido, pois pode estimular o adolescente a usar só para contrariar os pais.
Quem gostava de usar o acessório por achá-lo bonito acabou sendo prejudicado com isso. Uma estudante de 12 anos do Colégio Arnaldo contou que foi proibida de usar a pulseira depois que a mãe soube dos significados das cores. “Estou achando a brincadeira chata. Eu sempre usei a pulseirinha e, agora, com essa brincadeira, a gente acaba sendo proibida de usá-la”, reclamou.
A discussão sobre o assunto começou depois que o jornal inglês The Sun fez um artigo contando que nas escolas inglesas os adolescente usam pulseiras coloridas para trocar entre si mensagens de teor sexual. Segundo o jornal inglês, os adolescentes estariam inventado vários jogos com as respectivas pulseiras, cujo objetivo é sempre o mesmo: ao arrebentar uma pulseira, o rapaz terá direito a reclamar o comportamento sexual da menina.