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GIRLENO ALENCAR / ARQUIVO HD
Idéia de retomada de transportar cargas no Rio São Francisco ganhou força com Terminal Intermodal
PIRAPORA - A reativação da hidrovia do São Francisco é apontada como alternativa para transformar Pirapora, no Norte de Minas, no principal núcleo intermodal de transporte de Minas Gerais. A travessia de cargas no rio, em território mineiro, foi interrompida em 2001, o que acelerou a liquidação da Companhia de Navegação do São Francisco (Franave). A proposta ganhou força com a implantação do Terminal Intermodal de Cargas de Pirapora pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), empresa do Grupo Vale, para atender todo o país. A unidade foi inaugurada em março. Com isso, o município passaria a contar com transporte rodoviário, terrestre, aéreo e fluvial.
O assunto será discutido nesta quinta-feira (12), no Seminário Intermodal do Norte e Noroeste de Minas, em Pirapora. O ministro da Agricultura, Reinold Stephanes, deve participar do encontro. O trecho navegável do Rio São Francisco começa em Pirapora e termina em Juazeiro, na Bahia. No entanto, desde 2001, só é feita de Ibotirama a Juazeiro. O secretário de Planejamento de Pirapora, Dalton Soares Figueiredo, coordenador microrregional da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), afirma que seminário discutirá a integração de várias modalidades de transporte e a revitalização do trecho mineiro da hidrovia, com capacidade para transportar 3 bilhões de toneladas de cargas por ano.
Segundo ele, o transporte fluvial reduz o frete, já que o preço cobrado por tonelada/quilômetro seria de R$ 0,05, enquanto na rodovias, “que exige grandes investimentos em manutenção”, é de R$ 4,50. Figueiredo alega que a FCA/Vale tem interesse em explorar a hidrovia, com a integração do sistema hidroviário e ferroviário.
O seminário terá as palestras “Políticas de Transportes e as Regiões Norte-Noroeste de Minas”, “Projetos de Infraestrutura a Serem Implementados para a Região”, “A Contribuição que o Transporte Aquaviário tem para Menor Emissão de Gás Carbônico”, “Desafios para Implementação da Multimodalidade em Minas Gerais”, “O Rio São Francisco e a Navegação no Tramo Sul”, “Oferta de Serviços, Disponibilidade de Containers”, “Corredor Noroeste de Exportação” e “Possibilidades de Apoio aos Investidores da Nova Fronteira Agrícola”.
De acordo com Figueiredo, Pirapora tem condições de crescimento no setor de logística, devido ao Terminal Intermodal, já que tem, no Rio São Francisco, um grande potencial hidroviário a ser explorado. Além disso, o município pretende ser um grande produtor de grãos. Ele afirma que, nesse sentido, o seminário ajudará a identificar novas oportunidades de negócios. A FCA mostrará o potencial logístico e os investimentos feitos no ramal e na construção do terminal da ferrovia, em Pirapora.
Figueiredo alega que, com o terminal, o agronegócio também poderá ser favorecido. “O alto custo de transporte da safra até os portos é um dos fatores que diminui a competitividade do grão nacional em relação ao produzido em outros países. Isso ocorre porque a logística existente no Brasil está baseada no modal rodoviário”. Por isso, a proposta de usar o Rio São Francisco para reduzir os custos, com a integração das regiões Norte e Noroeste de Minas, Leste de Goiás e Oeste da Bahia ao Complexo Portuário de Tubarão, em Vitória, no Espírito Santo, a partir de Pirapora.