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LUIZ COSTA
Há usuários de crack que chegam a fumar até 20 pedras por dia
Belo Horizonte teria cerca de 144 mil usuários de crack, que consumiriam uma média de 720 mil pedras por dia, volume equivalente a 180 quilos da droga. Isso corresponde a um consumo mensal de 5,39 toneladas ou quase 65 toneladas de crack por ano.
Com preço médio de R$ 10 a pedra, somente o tráfico de crack na capital movimentaria, por mês, em torno de R$ 72 milhões, o que representaria cerca de R$ 864 milhões por ano. Esses números constam de uma pesquisa realizada pela organização não governamental (ONG) Defesa Social.
O estudo contempla também a Região Metropolitana (RMBH), onde o número de usuários de crack seria de cerca de 268 mil, que consumiriam 1,34 milhões de pedras diariamente, o que representa cerca de 40,2 milhões de pedras, por mês, ou 482 milhões, anualmente, que corresponderiam a cerca de 120 toneladas de crack.
Com isso, o tráfico da droga em Belo Horizonte e na Região Metropolitana movimentaria em torno de R$ 4,8 bilhões. Esse valor representa cerca de 0,2% do Produto Interno Brasileiro (PIB) do ano passado, que atingiu a cifra de R$ 2,9 trilhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o diretor da ONG, o policial civil aposentado Robert William de Carvalho, o trabalho contou com levantamento de campo com mais de cem usuários de crack e cem prostitutas, além de dados coletados junto ao Centro Mineiro de Toxicomania (CMT), Instituto de Criminalística da Policia Civil, Seção Técnica de Física e Química Legal e aos censos do IBGE.
Segundo Carvalho, além de Belo Horizonte, foram ouvidos usuários de crack em Contagem, Betim, Lagoa Santa, Vespasiano, Ribeirão das Neves, Sabará, Nova Lima e Ibirité. O cálculo do número de usuários teve como base o índice de 5,87% utilizado pela Organização das Nações Unidas (ONU). “Há casos de usuários de crack que chegam a fumar até 20 pedras por dia. Na pesquisa, consideramos a média de cinco por dia e o valor da pedra a R$ 10”, disse o policial aposentado.
Ainda conforme Carvalho, o usuário de crack tem antecedentes de consumo de outras drogas. O início do uso se dá com drogas lícitas (tabaco e álcool), geralmente em idade precoce. Segundo ele, houve um crescimento de 48,15% na apreensão de drogas em Minas Gerais, entre 2008 e 2009. Em 2008, foram realizadas 27 mil pericias em tóxicos e, no ano passado, a estimativa era que chegasse a 40 mil, dos quais 80% são drogas, com 60% de crack na RMBH.
O subsecretário Antidrogas de Minas Gerais, Cloves Benevides, disse que conhece o estudo e que irá se reunir com Carvalho para avaliar a metodologia utilizada. “Se for procedente, a pesquisa irá nortear políticas públicas de prevenção a drogas e ampliar postos de tratamento”, disse. Benevides informou que, com a inauguração de dez postos de tratamento para dependentes químicos, o número de unidades será ampliado para 39 em Minas.
A diretora do Centro Mineiro de Toxicomania, Raquel Martins, informou que os tratamentos para usuários de crack aumentaram em 40% no ano passado. Ela considerou os números da pesquisa razoáveis. “Essa questão sempre foi preocupante”, resumiu.