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A novela da duplicação da BR-381 entre Belo Horizonte e Governador Valadares – no trecho de 306, 4 quilômetros conhecido como Rodovia da Morte, pelo elevado índice de acidentes – terá um “final feliz” daqui a cinco anos. A projeção foi feita pelo próprio Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Nesta semana, o Governo federal cancelou o processo de concessão à iniciativa privada e garantiu que a duplicação da rodovia será feita com recursos da União. A obra, orçada em R$ 2,5 bilhões, será incluída na segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que deverá ser lançada ainda neste mês. Nesta quinta-feira (11) a tragédia envolvendo uma van de estudantes de Caeté, esmagada por um caminhão, completou um ano. Seis pessoas morreram no acidente.
Com o anúncio do cancelamento da concessão privada, o projeto de reconstrução da BR-381 do Dnit foi retomado. Segundo o órgão, em outubro de 2009 foram conhecidas as empresas vencedoras da licitação do projeto executivo, dividido em dez lotes. Pelo contrato firmado, as empreiteiras têm que apresentar os projetos até julho deste ano. Em um cenário otimista – caso haja a liberação da verba pelo PAC e o projeto de duplicação seja feito ainda este ano –, as obras seriam iniciadas em 2011. O prazo de execução é de quatro anos. “Estamos otimistas e, desta vez, a obra vai sair do papel”, garantiu o superintendente do Dnit, em Minas, Sebastião Donizete de Souza.
Pelo projeto inicial, elaborado pelo Dnit, o traçado atual será alterado e a extensão da rodovia passará para 293,2 quilômetros, 13,2 a menos. A duplicação ocorrerá em 216 quilômetros. Os 90 restantes passarão por restaurações e melhorias de traçado. Além disso, 150 obras de arte especiais (pontes, túneis e passagens inferiores) serão construídas. O trecho entre Belo Horizonte e João Monlevade – com pouco mais de cem quilômetros e mais de 200 curvas, considerado um dos mais perigosos –, será totalmente duplicado, conforme garantiu a engenheira Márcia Regina de Amorim, analista de infraestrutura do Dnit. “Será uma nova rodovia. Os locais que não forem duplicados serão totalmente restaurados. O traçado sinuoso será substituído por pistas mais seguras”, afirmou.
Enquanto a duplicação não acontece, motoristas continuam enfrentando as armadilhas da perigosa Rodovia da Morte. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), 2.975 acidentes aconteceram em 2009, cerca de 10% a mais do que em 2008. O número de mortes, curiosamente, é o mesmo nos dois anos: 138. O balanço de 2010 não foi divulgado pela PRF. “Com certeza os números são bem maiores. Essa é a única explicação para a polícia não apresentar os dados”, critica o presidente da ONG SOS Rodovias Federais de Minas, José Aparecido Ribeiro, que também é especialista em trânsito.
Para José Aparecido Ribeiro, finalmente, a duplicação deve sair do papel.
“Um ano se passou desde a morte dos seis estudantes de Caeté e nada foi feito. Nós queremos acreditar que são verdadeiras e sérias as novas propostas para a reconstrução da 381, no seu trecho conhecido como Rodovia da Morte. Parece que agora as intervenções serão feitas. Infelizmente, só podemos aguardar o andamento das negociações”.
Segundo ele, o projeto do Dnit é bom, mas outras intervenções deveriam acontecer enquanto a duplicação não acontece. “Como a obra ainda vai demorar, precisamos de medidas emergenciais para evitar novas mortes nesse período, como melhoria da sinalização, instalação de lombadas eletrônicas, entre outras intervenções”, acrescentou.
Com tantas mortes e tragédias, a rodovia continua assustando muita gente, como o comerciante Adahyr Syrio Júnior, 29 anos. Ele estava na van que transportava os universitários de Caeté atingida pelo caminhão em 11 de março do ano passado. O irmão dele, Albert Syrio, 23 anos, morreu no acidente.
“Eu estudava em Belo Horizonte e os larguei na faculdade. Não tenho como suportar viajar todos os dias por esta estrada. Agora, só vou a Belo Horizonte se for extremamente necessário”, disse Júnior. No próximo sábado, ele e familiares das vítimas do acidente da van vão celebração em homenagem aos mortos no Posto 30 da BR-381, próximo ao local do acidente.