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Segundo o coordenador-clínico do Centro Mineiro de Toxicomania (CMT), Oscar Cirino, o aumento do número de mulheres viciadas em crack provoca uma devastação social ainda maior, por elas serem os núcleos familiares e gerarem filhos em condições precárias, possivelmente relegados a reproduzir essas mesmas condições. "Elas chegam aqui já desesperadas, quando não estão dando mais conta. Vêm debilitadas, emagrecidas, mal vestidas, sujas. Algumas apresentam desnutrição, complicações do sistema respiratório, cardíacos", cita. A prostituição para conseguir mais crack é muito comum, segundo a percepção do médico. "Há dois problemas. Um são as mulheres que, por causa do crack, fazem programas. Outro, são as prostitutas que passaram a usar crack e depois disso deixam de usar preservativos, aceitam qualquer quantia, naquela ânsia pelo tóxico". Entre as pessoas que ingressam no CMT por uso de crack, grande parte mistura a droga com cigarros e a consome com álcool, afirma o especialista. "As pessoas não podem desistir. É uma luta difícil. Para a mulher, isso gera questões além do preconceito social. Elas precisam do apoio da família. Em torno de 20% das pessoas conseguem abandonar a droga". Essa nova fronteira rompida pelo crack ocorre num cenário em que as mulheres estreitam cada vez mais sua relação com as drogas. O número de mulheres presas por tráfico de drogas em Minas Gerais aumentou proporcionalmente mais do que o índice masculino, segundo dados da Subsecretaria de Estado de Administração Prisional. Foram 8,8% mais mulheres apreendidas, de 2008 para o ano passado. Crescimento de 574 para 625 registros, enquanto esse crime entre os homens aumentou apenas 6,3% no período, passando de 4.512 para 4.800 ocorrências. O motivo desse maior ingresso das mulheres no tráfico, para o subsecretário de Estado de Administração Prisional, Genilson Zeferino, seria uma questão social que afeta os países em desenvolvimento. "A mulher nesses países tem ocupado mais espaços e há um convite, uma sedução do tráfico, já que as maiores oportunidades acabam não se materializando. Embora percebamos um avanço, a exclusão da mulher é ainda muito grande no mercado de trabalho formal". Um fato preocupante, salienta o subsecretário, é a idade avançada dessas mulheres. "Enquanto a média dos homens no tráfico é de 19 a 25 anos, a das mulheres gira em torno de 25 a 30. Ou seja, elas estão cientes dessa viagem sem volta. Das 428 presas, 20% (96) foram detidas levando drogas para os companheiros, filhos ou parentes", diz.