|
|
| .Economia e Negócios |
SINHÁ RECICLO/DIVULGAÇÃO
Pequenos retalhos transformam-se em acessórios
O artesanato virou foco de negócio da Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (Aciub), no Triângulo Mineiro, assim como os setores de pizzaria, açougue e automotivo. A explicação é que o município, que já funciona como umas das bases de logística do Sudeste do país, quer se tornar um importante centro de turismo de negócios. O artesanato entra com boas possibilidades de distribuição em eventos e feiras que venham a ser realizados na cidade.
Levar a produção dos artesãos até os compradores sempre foi um dos principais impedimentos para que o artesanato se consolide como alternativa de geração de emprego e renda. O problema começará a ser enfrentado com a ajuda de um consultor exclusivo, contratado pela Aciub para ajudar no atendimento às demandas do segmento, representado por 22 artesãos cadastrados.
"Só atendemos a propostas formuladas coletivamente", enfatiza o coordenador do Programa Empreender, mantido pela Associação, Marlos Ramos. Ele destaca que a entidade poderá viabilizar viagens de grupos para participar de feiras e vender os produtos em outras cidades e estados em conjunto com órgãos parceiros, como a Prefeitura e o Sebrae.
A consciência de que o segmento se desenvolve com suporte especializado vai crescendo entre as entidades organizadas. Foi assim que a Sinhá Recicle se tornou uma das organizações hospedadas no Centro de Incubação de Empreendimentos Populares Solidários (Cieps), mantido pelo Departamento de Extensão da Universidade Federal de Uberlândia. Segundo a coordenadora do Sinhá Recicla, Sônia Vasconcelos, o vínculo com a Universidade também garante boa vazão para os produtos.
"Nos eventos da Faculdade de Medicina, temos saída garantida para um número de peças, que varia entre 200 e 300". Ela confirma que o grande gargalo do setor é levar os produtos artesanais aos interessados. Cerca de 13 multiplicadores do grupo contribuem para o envolvimento de cerca de 200 pessoas de vários bairros da cidade. Elas produzem bijuterias e acessórios a partir de pequenos retalhos de tecidos doados por confecções locais. O desejo de desenvolver as peças a partir de bons projetos de criação é uma preocupação constante do grupo. "Em agosto, a consultora do Sebrae volta para continuar o curso de design com a gente", destaca Sônia.
A consultora em Design do Sebrae Minas, Andreia Costa, diz que o objetivo do curso não é projetar as peças para os artesãos. "Na verdade, o que eles esperam de nós é um olhar de aprovação sobre os projetos e isso eles têm sempre. Nossa palavra é sempre o sim, o não é sempre deles", afirma. Segundo ela, a legitimação obtida por meio do sim do consultor libera os artesãos para as criações próprias dotadas de mais apuro estético. Em outras palavras, ao sentir que pode fazer, que sua criação faz um sentido para o olhar do outro, o artesão ganha confiança, desenvolve espírito crítico e estético que aplica às peças.
No caso da fabricante de bolsas Cleide Moura, essa confiança foi dada pela recuperação do trabalho em tear manual desenvolvido pelos antepassados. "Sempre estive envolvida com tecidos do tear, desde criança. Usei como vestimenta e lençol", conta.
A força do elemento afetivo se traduziu no forte envolvimento com uma criação de boa aceitação e retorno. Ela já teceu mais de mil bolsas com fibras de toalha e chenile vendeu na faixa de R$ 90.Para a design Andreia Costa, a força do artesanato se associa com as ações de sustentabilidade e aponta como tendência forte na moda. "Uma peça de artesanato traz a singularidade que o produto industrial perdeu e isso resgata alguma coisa nas pessoas. Mas a própria indústria já descobriu isso", diz. Na avaliação de Andreia, a saída para o artesanato atender a indústria e com isso ganhar em reconhecimento e faturamento é se fortalecer cada vez mais com identidade própria. "O artesanato não deve buscar referências no mercado, ele é que tem que achar essas qualidades na criação popular", assegura.