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Leão leva 40% dos gastos dos foliões

Entre os produtos típicos do Carnaval, a maior carga, de 54,8%, é da cerveja

Luciana Rezende - Repórter - 8/02/2010 - 19:38

A palavra de ordem no Carnaval é a alegria. Mas a folia poderia ser ainda mais animada, se não fosse a alta carga tributária que incide sobre os produtos ligados à festa de Momo. Estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostra que os impostos chegam a representar mais da metade do preço de alguns artigos consumidos no período. Um dos principais, a cerveja, é a que apresenta a maior taxação: 54,8%. Nos demais, a média fica em torno dos 40%, sendo que o peso maior da tributação ocorre nas bebidas. Inclusive nas não-alcoólicas.

 

Na água mineral, a incidência de impostos responde por 43,91% do preço final. O refrigerante em lata concentra carga de 45,80%. Já os foliões que optaram por curtir o Carnaval "a caráter" também pagarão um montante elevado em impostos. Para usar fantasia (com arame), paga-se 33,91% em impostos embutidos no preço. Se o modelito for apenas de tecido, o percentual sobe para 36,41%.

 

Itens básicos para garantir a animação, como instrumentos musicais e o tradicional confete e serpentina também não escapam da mordida do Leão. No caso dos papéis coloridos, os tributos são responsáveis por 43,83%, enquanto no colar havaiano, o percentual chega a 45,96%. A corneta sofre incidência de 34%, o pandeiro de 37,83% e o tamborim de 39,2%. Na máscara de plástico é de 43,93%. Quem viajar ainda paga 36,28% de encargos em pacotes turísticos.

 

De acordo com a diretora do IBPT, Letícia do Amaral, o levantamento leva em conta três grupos de tributos. São aqueles incidentes sobre a receita das empresas (imposto de renda, CSLL); a produção ou serviço, distribuição e consumo (IPI, ICMS, PIS/Cofins, ISS); e a folha de pagamento (FGTS e contribuições previdenciárias). “É bom que as pessoas saibam quanto estão pagando ao Governo, mesmo no caso de itens supérfluos, como é a maioria dos produtos de Carnaval. Só assim é que se cria o hábito de observar o que está indo para os cofres públicos. E também a conscientização para exigir uma redução de impostos em artigos essenciais à população. Ou para se cobrar a correta aplicação desses recursos”, argumenta Letícia.

 

O presidente do Instituto, João Eloi Olenike, acrescenta, em nota, que os percentuais estimados em 2010  se mantiveram iguais aos de 2009. “O Governo federal, para atacar reflexos da crise, direcionou sua política de desoneração para itens que teriam maior repercussão na economia brasileira, deixando de fora produtos considerados supérfluos”, observou.

 

 


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