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frederico haikal
Alta obrigou dentista Melissa a começar a cobrar por outros serviços
Os reajustes em itens do grupo de serviços, que vêm pressionando a inflação desde o início do ano passado, desaceleraram o ritmo de alta no final de 2009, mas deverão acelerar novamente no segundo trimestre, segundo analistas. A expectativa é que os efeitos da demanda aquecida e do bom desempenho do mercado de trabalho aumentem as variações nesse grupo, que responde por cerca de 24% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que serve de meta de inflação.
A visão dos analistas está em sintonia com a última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que fez alerta neste sentido. Por outro lado, a concorrência acirrada tende a segurar os preços um pouco.
O analista da consultoria Tendências, Gian Barbosa, explica que a inflação dos serviços está desacelerando no indicador em 12 meses, mas a projeção é que esse grupo tenha uma alta de 6,80% em 2010, ante uma variação de 6,36% no ano passado. O chefe do departamento de economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, também destaca a perda de ritmo nos reajustes desses itens (em janeiro, os serviços já tinham desacelerado o ritmo de alta para 6,32%), mas avalia que o grupo deverá fechar o ano com variação acumulada em torno de 6,5%, superior à previsão do IPCA.
Em janeiro, os aumentos nos serviços em Belo Horizonte ajudaram o dragão da inflação a soltar fumaça pelas ventas. A Fundação Ipead apurou alta de 10% nos serviços de autônomos como pedreiros, eletricistas e bombeiros, aponta o coordenador de pesquisa da entidade, Wanderley Ramalho. “Foi o item que mais subiu, junto com empregada doméstica”, analisa, ao lembrar que influenciaram nestes preços a alta do salário mínimo e a demanda aquecida do setor de construção civil por profissionais. Os serviços de cabeleireiros também subiram, com alta de 2,35%.
Outra pesquisa, do IBGE, aponta para acelerações de preços, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, nos serviços de manicure e pedicure (2,93%), consertos de máquinas de lavar (2,14%) e dentistas (0,86%), entre outros.
O bombeiro hidráulico Roosevelt Rodrigues dos Santos é um dos profissionais que reajustou o preço do serviço. O mais corriqueiro, que é a troca de válvula, passou de R$ 40 para R$ 45, variação de 12%. “Teve aumento de passagem, do salário mínimo, a gente aumentou para não ficar defasado”, diz. Ainda conforme Santos, há intensa demanda por mão de obra no setor. “As construtoras ligam direto para mim, para ver se ficho com elas”, diz.
A dentista Melissa Lima Soares diz que segura os preços do serviço de manutenção mensal do aparelho ortodôntico em R$ 80 há mais de um ano. Mas a alta de produtos odontológicos acabou obrigando a profissional a começar a cobrar por outros serviços, como a colocação do aparelho móvel, que sucede o fixo. Só as luvas, diz, mais que dobraram de preço, passando de R$ 10 para R$ 24. “Agora, não tem jeito mais. Estamos tendo que cobrar”, diz.
No salão de beleza Tif’s, a sócia Dôra Ribeiro informa que é questão de tempo para repassar a alta dos cosméticos de janeiro, que chegou a 7%, e do salário mínimo. Até março, estima, os serviços do estabelecimento devem ser reajustados no mesmo patamar dos cosméticos. *Com agências