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TONINHO ALMADA
Em Belo Horizonte, o preço médio do álcool já corresponde a 80% do valor da gasolina
O preço médio do litro de álcool combustível já acumula alta de 6,23% em Belo Horizonte no ano de 2010. De acordo com pesquisa da Agência Nacional de Petróleo (ANP), o preço médio do litro, que começou o ano em R$ 1,782, está em R$ 1,893. Mas em alguns postos o combustível já é vendido acima dos R$ 2.
Na gasolina, a variação neste ano é de 0,4%, com o litro passando da média de R$ 2,382 para R$ 2,392. Com a decisão do Governo federal de redução do percentual de álcool na gasolina, dos atuais 25% para 20%, a partir de 1º de fevereiro, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo (Minaspetro), Sérgio de Mattos, acredita que o preço do litro de álcool vai se manter no próximo mês, enquanto o valor do litro de gasolina deve aumentar, em média, R$ 0,05.
Os produtores de açúcar e de álcool alegam que o grande vilão do aumento do valor do combustível foram as fortes chuvas que caíram desde agosto no Paraná, em São Paulo e no Triângulo Mineiro.
“Os produtores não conseguiram colher e transportar a produção. Mais de 50 milhões de toneladas de cana ficaram nos campos, o que daria para produzir 1,8 bilhão de litros de álcool e 2 milhões de toneladas de açúcar”, explica o presidente dos sindicatos dos produtores de açúcar e álcool, Luiz Custódio Cotta Martins.
As exportações de açúcar também estão maiores desde o ano passado, principalmente para a Índia, onde a produção de cana foi prejudicada por problemas climáticos.
Apesar do aumento da procura pela gasolina, em decorrência do maior preço do álcool, o presidente do Minaspetro não acredita na possibilidade de haver falta do produto. No álcool também não existe previsão de desabastecimento.
“O consumo, em Belo Horizonte e em todo o Estado, está estável há mais de dois anos. Quando cresce, acompanha o crescimento da economia. Na verdade, o que temos hoje é uma oferta acima da demanda, uma vez que existe um número de postos superior ao que seria necessário para abastecer o mercado”,a valia Sérgio de Mattos.
A partir de 1º de fevereiro, quando o percentual de álcool adicionado à gasolina cair de 25% para 20%, o preço da gasolina deve aumentar nas distribuidoras e os postos de combustíveis já anunciam o repasse para o consumidor.
De acordo com o presidente do Minaspetro, o setor trabalha hoje com margem bruta inferior a 10% e margem líquida próxima a 1%. Sérgio de Mattos defende que uma forma de evitar novos aumentos no preço dos combustíveis seria a redução da carga tributária, que em Minas Gerais ultrapassa 60% no varejo.
Nos postos, os consumidores estão fugindo do álcool. “Nos últimos meses, só tenho abastecido com gasolina. Não vale a pena pôr álcool, que tem consumo maior”, afirma a estudante Mariana Barbosa, dona de um carro flex. Devido ao maior consumo, só vale a pena abastecer com álcool quando o derivado da cana custa 70% do valor da gasolina. Em Belo Horizonte, na média, esta relação já chega a 80%.