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A comissão provisória que traça a estratégia eleitoral da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, prepara uma nova visita a Belo Horizonte da pré-candidata do PT à Presidência da República. Como parte da programação, a ministra se encontrará com ex-companheiros da militância política.
O ex-coordenador estadual da organização revolucionária Política Operária (Polop), Apolo Heringer Lisboa ainda não foi convidado para o evento. E nem deverá ser. As divergências políticas que levaram Dilma a ingressar no Comando de Libertação Nacional (Colina) e romper com a Polop não foram superadas até hoje.
Nos anos 60, para não ser preso pela polícia, após uma reunião no Condomínio Residencial Solar, em Belo Horizonte, Apolo Heringer teve de sair pelos fundos do edifício. O antigo Serviço Nacional de Informação (SNI) sabia que o imóvel onde morava a jovem Dilma era um “aparelho” da Polop, um dos mais conhecidos grupos de extrema esquerda do país. Tanto que produziu um documento com 213 páginas, relatando o que ocorria por lá: encontros que tinham como tema central a instalação de um “Governo popular” no Brasil.
“Em um desses encontros, desconfiamos de que a polícia secreta estava de prontidão na portaria. Então, temendo ser presos, tivemos de sair pela garagem, nos fundos do edifício.”
A relação, na época, do hoje professor da Faculdade de Medicina da UFMG e coordenador do Projeto Manuelzão com a ministra era estreita e nasceu antes mesmo de Dilma se mudar para o apartamento do Residencial Solar, que encontra-se disponível para locação como revelou o HOJE EM DIA, em reportagem publicada no domingo.
Lisboa lembra que frequentava a casa da ministra quando ela ainda morava com a família, na Rua Major Lopes, no Bairro São Pedro. “Dizem que eu fui professor de marxismo da Dilma. Mas não foi bem assim. Isso era discutido nas reuniões da Polop.”
Após discordar sobre a criação do chamado “foco guerrilheiro”, Dilma seguiu para o Colina. Hoje, as divergências entre Lisboa e Dilma fundamentam-se na questão da transposição do Rio São Francisco. Para o ambientalista, as demais questões não fazem sentido hoje.
“Discordo de 20% do Governo Lula. No restante, ou seja, nos 80%, estou a favor. Agora, quando você discorda apenas 10% acaba virando inimigo. O pessoal se esquece dos outros 80% de aprovação”, ponderou o professor da Escola de Medicina da UFMG.