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Políticos brasileiros sempre consultaram cartomantes, quiromantes e outros esotéricos, em busca de respostas para suas dúvidas. E, até hoje, muitos acreditam mais na palavra das bruxas que em pesquisas de intenção de voto, principalmente quando são comandadas por sujeitos que manipulam resultados segundo a vontade do freguês.
Aquela senhora do Sul de Minas chamada Neila Alkimin, por exemplo, teve seus quinze minutos de fama há alguns anos e recebeu em casa candidatos do Brasil inteiro, interessados em saber o que o destino lhes reservava.
Também tivemos, no passado, o professor Morato, que segurava a mão de governadores e deputados e entreabria para eles as portas do futuro.
Também devemos ter por aqui bruxas e feiticeiros contratados por candidatos para fechar o caminho de adversários, mas nada que se pareça com o que acontece no México, onde o jornalista e escritor José Gil Olmos especializou-se em investigar políticos que fazem alianças secretas com feiticeiros, para ganhar eleições.
Quando lançou, há tempos, o seu primeiro livro, intitulado "Os bruxos do poder", Olmos talvez não imaginasse que encontraria tantos adeptos da bruxaria na vida política mexicana. Agora, no segundo volume sobre o mesmo assunto, ele descreve as peregrinações de Marta Sahagún, mulher do ex-presidente Vicente Fox, e da eterna dirigente do sindicato de professores do México, Elba Esther Gordillo, que é uma espécie de Lula mexicana, com a única diferença de que usa saias.
O jornalista revela que vários presidentes mexicanos e dirigentes políticos como Beatriz Paredes, o governador de Veracruz, Fidel Herrera, e o ministro de Segurança, Genaro García Luna, recorrem habitualmente à magia, na luta pelo poder.
O autor constatou que os políticos do seu país habituaram-se a invocar o esoterismo e as forças sobrenaturais para realizar ambições nem sempre confessáveis e se livrar de adversários e inimigos.
É lamentável que coisas assim ainda aconteçam, mas já é um progresso, pois durante décadas a opção dos políticos mexicanos, face a adversários incômodos, era matar ou morrer.
Pode ser que os bruxos aceitem também encomendas de morte ou ruína, mas o método atual é menos escandaloso.
Um exemplo: Beatriz Paredes, presidente do PRI (espécie de PMDB mexicano e sempre atracado ao seio farto do poder), recorreu ao bruxo Wenceslao Xala, conhecido como "El Gato Negro", pedindo feitiço que a ajudasse a recuperar o poder e se livrar das "vibrações ruins".
O bruxo levou a mulher para um lugar que julga sagrado, na floresta vizinha a Catemaco, no Golfo do México, e durante nove dias realizou animada sessão de magia negra, sacrificando galinhas pretas e invocando espíritos de grandes homens, para que ajudassem Beatriz. Além disso, fez orações à Santa Morte, entidade que os mexicanos cultuam, e jura que a líder nacional do PRI conseguiu tudo que queria.
Já o governador do Estado do México, Enrique Peña Nieto, que deve ser candidato nas eleições presidenciais deste ano, confia na profecia de uma vidente que, há décadas, previu que alguém do povoado de Atlacomulco um dia será presidente. Nieto nasceu lá.
O eleitor mexicano, que suporta esse misticismo encomendado, parece em situação pior que a nossa, mas não seria surpresa que o nome de dona Dilma tenha saído de uma pajelança qualquer, nos fundos da Granja do Torto.
O Torto sempre atrai discípulos assim.
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