|
| 1 .Escolas indígenas são as piores nas avaliações do governo | |
| 2 .Universidades federais ganham mais autonomia | |
| 3 .Maioria das cidades ficou acima da média nas notas do Ideb | |
|
| .Educação |
CARLOS RHIENCK
Fernanda Braga matriculou a filha Luiza, 2 anos, no curso de inglês, a partir deste ano
Aprender um segundo idioma pode ser algo tão natural quanto aprender o primeiro. Neste sentido, ainda vale a máxima de que, quanto mais cedo a pessoa entrar em contato com a nova língua, melhor. "Porém, isso também depende de aptidão pessoal. Nos primeiros anos de vida, podem ser conhecidos os primeiros sons, não apenas do inglês, mas também de qualquer idioma, até árabe", diz a professora da Faculdade de Letras da UFMG e doutora em Linguística Aplicada ao Ensino de Línguas Estrangeiras Regina Peret.
Pensando em fazer com que a meninada acostume com os sons de alguns idiomas, redes de escolas no Brasil chegam a oferecer cursos lúdicos para crianças a partir dos 2 anos. Detalhe: com aulas nas quais os pais participam como "coleguinhas".
"Tenho convivência com o inglês desde quando era criança, com isso, tive facilidade para aprender a língua. Por isso, quero construir essa mesma experiência que tive com a minha filha", argumenta a cabeleireira Fernanda Braga Soares, mãe de Luiza Braga Soares, 2 anos, que já está com a matrícula garantida para ingressar em um curso de inglês para crianças da mesma idade, no Cultura Inglesa, a partir do ano que vem.
Fernanda conta que seu pai trabalhava para o Governo norte-americano, e que sua família sempre recebeu muitos estrangeiros. "Passei a minha infância atendendo telefone em inglês", conta. A cabeleireira diz que a convivência com o segundo idioma não eliminou a necessidade de frequentar uma escola especializada, mas que a familiaridade com as palavras e expressões durante o processo foi importante.
"Tenho aulas desde os 12 anos, fiz todos os níveis no Cultura Inglesa", diz Fernanda. Quanto às aulas da filha, ela garante que elas não têm "o peso" da escola normal. "É como se fosse uma brincadeira. Se ela não se adaptar, vou entender", garante a mãe, que está grávida da segunda filha, Eduarda, para quem também planeja o ingresso, a partir dos 2 anos, em uma escola de idiomas.
A professora da UFMG explica que, começando cedo, a criança não corre o risco de misturar as duas coisas - idioma nativo com segunda língua -, pois toda pessoa tem uma "gramática intuitiva", que é do próprio idioma, e que não a deixa esquecer a maneira da sua fala nativa. Além disso, a criança não tem a inibição do adulto. "O adulto quer falar correto o tempo todo, pois quer causar boa impressão, aí ele se torna tímido e começa a se policiar, com medo de errar. Com a criança essa gramática flui melhor", diz.
A orientadora pedagógica da escola de idiomas Yázigi, Andrea Vasconcelos, aponta que as atividades lúdicas são o foco das aulas para as crianças a partir dos 3 anos. "Estimulamos a criatividade, desenvolvimento da compreensão oral e desenvolvimento afetivo, cognitivo e social, por meio das atividades trabalhadas", diz. O Yázigi trabalha com o ensino de inglês e espanhol.
A escolha da metodologia do curso de idiomas também é um fator que pesa na aprendizagem, tanto dos pequenos alunos, quanto dos adultos. Há escolas que aliam o aprendizado com intercâmbios, outras que focam na conversação ou na gramática, mas, para a professora da UFMG, o ideal é ter as duas coisas aliadas. "O intercâmbio não é primordial para a fluência, mas para o conhecimento cultural".