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FREDERICO HAIKAL
No aquário de quase dois metros de Fausto há apenas nove peixes e muitos corais
Ter um aquário marinho em casa não é tarefa fácil, tão pouco barata. Mas para os admiradores desse hobby, que vem ganhando cada vez mais adeptos, cada centavo investido vale a pena. Para os criadores, os peixes marinhos são mais bonitos e vistosos que os de água doce e contam ainda com a graciosidade e cores dos corais. O peixinho Nemo, conhecido como peixe-palhaço (Amphiprion clarkii) é o mais procurado pelos que começam a montar um aquário marinho. Um exemplar custa em média R$ 80. Mas antes de escolher o peixinho é preciso ficar atento ao espaço necessário para que ele se sinta confortável dentro do aquário. A máxima para quem quer investir nesse tipo de aquário é “quanto maior o espaço, melhor”.
O administrador Sérgio Lhott trabalha há quase 30 anos com aquarismo e, não por menos, sabe como poucos conseguir bons resultados. Segundo ele, para começar, é preciso investir em equipamentos eficazes e que geralmente não são baratos. “Diferentemente do aquário de água doce, o aquário marinho pede mais equipamentos o que o torna mais caro”, observa.
Esse pormenor, entretanto, acaba beneficiando não apenas a qualidade de vida dos peixes e corais, mas também o dia a dia do dono do aquário. “Por ter uma maior quantidade de equipamentos a manutenção é mais fácil e pode ser feita a cada 30 dias”.
Lhott diz que é possível encontrar bons equipamentos em qualquer loja especializada, mas, para se ter bons resultados, alerta, isso não basta. Outra dica do administrador é manter o aquário marinho bem longe da claridade e, principalmente, ter um aquário bem grande. “Quanto maior, melhor para os peixes e os corais. Eles gostam e precisam de muito espaço”, disse. De acordo com ele, o preço médio de um aquário de 200 litros é de R$ 6 mil. O administrador conta que desde o lançamento do filme “Procurando Nemo”, seus personagens tornaram-se os mais procurados pela clientela. O peixe palhaço custa cerca de R$ 80 e a simpática e esquecida Dolly (Paracanthurus hepatus), bem mais cara, tem preço estimado a partir de R$ 500. egundo Lhott, a reprodução de peixes marinhos dentro do cativeiro é rara, já os corais se reproduzem sem dificuldade.
O engenheiro civil Fausto Soares Guzella, 60 anos, afirma que desde a infância gosta de peixes, principalmente os marinhos. A paixão cresceu, e os mergulhos que fez no mar do Caribe o incentivaram a cultivar peixes em casa. O aquário do engenheiro tem quase dois metros e nele apenas nove peixes e muitos corais integram o espaço. “Quero que eles nadem à vontade e tenham bastante conforto”, afirma.
A troca parcial da água do aquário de Guzella acontece a cada 30 dias. “Gasto cerca de três horas para fazer a limpeza completa”. O peixe-palhaço é um dos queridinhos do engenheiro por ser, além de bonito, muito resistente. “Tenho um casal e sempre vejo as desovas - que acabam sendo comidas pelos outros peixes”, disse. A preocupação do engenheiro é manter o aquário sempre equilibrado. “Os problemas que tenho, na verdade, são com meus corais. Eles crescem muito rápido e brigam por espaço, jogam os tentáculos um nos outros e aí vira aquela confusão, mas nada que prejudique tanto. Isso, claro, porque estou sempre observando e tomando os cuidados necessários”, afirma.
O fotógrafo Jefferson Villela Moysés, 38 anos, mantém um aquário marinho em casa há mais de 20 anos. “Sempre fui alucinado pelo peixes marinhos porque os considero bem mais bonitos e delicados que os de água doce. Até o nado deles é mais suave e as cores são bem diferentes”. O fotógrafo recorda que quando adquiriu as primeiras espécies, elas duravam pouco tempo, porque os equipamentos eram ineficientes. “Hoje a tecnologia é incomparável. É possível ter um aquário marinho avançado com diversas espécies de corais, peixes, invertebrados, cavalos marinhos, estrelas do mar”.
Aos iniciantes, Villela garante que iniciar no hobby é a parte mais difícil. Chega a ser desanimador. Os peixes morrem com facilidade, os equipamentos são caros - geralmente porque são importados, a prática é pouca ou nenhuma, mas todos esses fatores se resolvem com o tempo. O ideal é começar com um peixe e, assim, aos poucos, o criador vai aumento seu aquário”.
Na hora de escolher a espécie, Vilella alerta que grande parte dos peixes tem alimentação semelhante, mas há espécies que, por exemplo, se alimentam de corais. “Portanto, ter um peixe desses em um aquário repleto deles é sinônimo de destruição. Na hora de escolher, veja se existem rivalidade, canibalismo ou se a espécie cresce ou nada demais. Essa é uma boa observação na hora de começar”, aconselha.
O médico veterinário e oceanógrafo Reginaldo Duarte, 36 anos, garante que peixes saudáveis passam perfeitamente uma semana sem comida. “Se for ficar fora de casa num fim de semana não se preocupe, mas evite os alimentos que se dissolvem lentamente porque podem alterar o pH do aquário”. De acordo com o veterinário, os alimentadores automáticos podem ser úteis como medida prévia. “Se for viajar por mais de uma semana terá de fazer alguns preparativos e pedir alguém para alimentar seus peixes”.
Se pintou uma pontinha de curiosidade em ver de perto um aquário marinho ou até mesmo ter um em casa, uma boa pedida é ir, a partir do dia 20, ao “Mundo das Águas”, na Rua Montes Claros, 322, Carmo. O local reabre suas portas cheio de novidades e com mais de 150 espécies à espera de quem quer conhecer um pouco mais sobre o fascinante mundo marinho.