De olho nos passos de José Serra, Aécio Neves está mais otimista com sua candidatura à Presidência da República. Para interlocutores, demonstra crer que, dessa vez, o adversário não tem chances de ser indicado candidato do PSDB. Nem a recusa em disputar a prefeitura de São Paulo, mantendo claramente a intenção de concorrer à Presidência da República, faz do tucano paulista uma ameaça ao senador mineiro. O recado de Fernando Henrique Cardoso foi uma estratégia bem-sucedida de Aécio, pois o ex-presidente tem grande respeitabilidade no ninho tucano.
Os petistas não perdem a chance de ironizar o ex-governador de São Paulo, caso de Delúbio Soares, que ontem perguntava "quem vai querer o Serra"? Para ele, se nem FHC o apoia, o que lhe resta? Para atacar Fernando Haddad, possível candidato petista ao governo paulista, Serra fala do Enem que foi criado em governo do PSDB, quando Paulo Renato era ministro da Educação. Na avaliação do tucano, o "petismo" destruiu a ideia. As tentativas de aperfeiçoamento do Exame Nacional, é verdade, não deram em nada, vide as constantes polêmicas em torno da transparência dos resultados, que não existe. O Enem foi um passo à frente para o fim dos vestibulares, método ultrapassado de admissão de estudantes nas faculdades e universidades do país. E os erros, com fraudes e vazamento de informações, parecem primários diante dos milhões de reais investidos. Nisso, Serra tem razão, mas será que o seu discurso repercute?
Aécio Neves adota o estilo mais reservado e não se abala com as cobranças para uma oposição mais contundente ao governo Dilma Rousseff. Ao contrário de Serra, que não perde qualquer oportunidade para ter seu nome estampado e comentado. Sendo assim, não poderia deixar de brincar com o caso "menos Luiza, que está no Canadá", bordão exaustivamente distribuído pelas redes sociais que serviu para mostrar que o brasileiro tem muito tempo para se ocupar com banalidade, embora quase nunca esteja disponível para, por exemplo, manifestações contra a corrupção no Brasil. Pois bem, o tucano paulista veio com essa: "Queria avisar o Planalto que não fui ao Canadá, mesmo porque a Luiza voltou". Muito inteligente!
A briga entre Serra e Aécio é só o primeiro round. Uma oportunidade para os tucanos esquentarem os tamborins, pois não custa lembrar: a guerra mesmo será contra o PT, que não facilitará na disputa de 2014.
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